O Fugitivo

6 Cap 6 – Um grande rolo.


Algumas horas depois os dois resolveram ir ao shopping passear um pouco e espairecer a cabeça. Gerard foi de boné pra ninguém o reconhecer e uns óculos escuros. Eles foram ao cinema e assistiram a um filme e depois foram comer alguma coisa na praça de alimentação.

G: Muito boa essa comida.

K: Aham. Escolhi algo diferente do que você come lá nos states. Chega de Mac Donald’s né? – concordou Karina. – Gostou do filme?

G: foi bom.

K: pra você é melhor por que entende a língua né? Não precisa ficar lendo.

G: nem tanto, aquelas letrinhas atrapalham um pouco. Eu não sabia se via ou lia àquelas letras.

K: é. Deve sim.

G: to satisfeito. – disse passando a mão na barriga. — E agora o que vamos fazer?

K: ir pra casa.

G: Pra casa já? – reclamou.

K: OK. Pra onde você quer ir?

G: Andar um pouco pela rua. Dar uma caminhada, conhecer o ambiente.

K: Então andamos lá perto de casa mesmo ué.

G: Tudo bem. Contando que caminhemos para conversar.

K: conversar? – perguntou-se mais pra si mesma do que para ele. — Ta. Então vamos logo pra não ficar muito tarde.

Após mais um passeio pelo shopping os dois foram em casa trocaram de roupa e voltaram pra rua para fazer uma caminhada.

K: Boa noite Dona Olga.

O: Boa noite. – respondeu olhando desconfiada pra Karina que estava acompanhada de seu “primo” Gerard.

Os dois caminharam por quase meia hora pela rua enquanto Gerard contava sobre alguns de seus shows, um pouco mais a frente havia uma praça onde eles pararam para descansar. Sentaram num banco e ficaram conversando.

G: Eu estou cansado dessa vida.

K: Por quê? É uma vida tão boa e fácil.

G: Fácil? – e ele a olhou incrédulo.

K: Ah... – tentou se explicar — Fácil assim: você tem tudo. Pode ter o que quiser a qualquer hora.

G: Dinheiro não compra felicidade.

K: quer saber? Acho que quem inventou essa frase é um perfeito idiota. Me dá dinheiro pra tu ver se não vai me fazer feliz. – disse Karina fazendo ele rir.

G: o que eu quero dizer é que eu quero ser como outra pessoa normal. Não que eu não goste de cantar e de dinheiro... – e riu. -...Mas é que, às vezes é muita pressão e eu acabo ficando exausto com tudo isso. Fico de saco cheio, entende?

K: E porque não pede férias?

G: Já tentei pedir, mas não tem como, os shows já estão todos marcados...O único jeito que eu arrumei foi esse: Fugir.

K: então foi por isso que fugiu? Pra tirar umas “férias” !?

G: Lá no estacionamento, eu estava esperando o pessoal pra me levar ao aeroporto e volta pro Estados Unidos, só que eu já estava com essa idéia de fugir, foi quando eu te vi e como não havia ninguém ali perto me olhando eu fui até você pedir seu endereço. Era minha única saída. Assim que me deu o papel eu fugi. Logo em frente peguei um táxi e dei o papel ao motorista pedindo que me levasse naquele endereço. O resto você já sabe...

K: nossa! Que seguranças merdas, alguém poderia até te seqüestrar.

G: mas isso foi bom. Eu estava pensando em pagá-los pra eles fingirem não me ver fugir, só que nem precisei.

K: Gerard...Não sabia que falava português.

G: Fiz um curso. Sou obrigado a fazer curso de todas as línguas de todos os países que eu faço show. Pelo menos aprender o mínimo de coisas como, por exemplo “amo esse país”, “vocês são demais”,”obrigado pelo carinho”...Essas coisas. Mas eu fiz questão de aprender o português por que já tinha essa intenção de fugir. Aqui fica mais difícil pra eles me acharem.

K: realmente. Esse país sem lei...

G: Olha, eu não tenho tempo pra nada. Com certeza se eu fosse embora, nessa hora eu estaria ensaiando. Não tenho tempo nem de dar uma caminhada respirar o ar puro. Você não sabe como eu estou me sentindo agora. É uma sensação de liberdade total. Você me libertou.

K: Eu? – Karina riu.

G: Se você não estivesse naquele dia lá, naquele mesmo instante, eu não estaria aqui. Obrigado. – enfim o Gerard humano, que diferença.

K: você é bem diferente do que eu pensava. – surpreendeu-se.

G: você fala da primeira impressão que teve ao me conhecer ou a de antes de me conhecer?

K: de ambas. – respondeu sinceramente. Gerard e ela se olharam e aquele clima fez com que os dois tivessem vontade de beijar um ao outro. Gerard então tomou a iniciativa e a agarrou lhe dando um beijo, mas Karina o empurrou. – Gerard! – disse limpando a boca. — nunca mais faça isso.

G: Por quê?

K: Não tem nada a ver isso que está fazendo. – disse nervosa.

G: Se você não quer tudo bem. Não faço mais. Eu só pensei que quisesse.

K: não quero! Por que pensou isso? Só por que estou deixando você ficar na minha casa não quer dizer que tenha que me “agradar” em troca.

G: calma! Não foi isso que eu quis dizer.

K: Bom...Acho melhor voltarmos. Ta tarde.

G: OK.

Karina levantou-se e foi caminhando sem esperar por Gerard que levantou depois e foi seguindo-a. Ao chegarem em casa Gerard tentou pedir desculpas a Karina pelo que tinha feito na praça.

K: não. Tudo bem. Eu já esqueci.

G: Desculpa mesmo. Não sei o que deu em mim. Eu queria agradecer e aquela foi à única forma no qual pensei no momento. Acho que eu estava louco. (CMT: ele bem q podia me agradecer por algo XD).

K: OK. – ficou magoada com o que ele acabara de dizer, mas fingiu não ligar. — Eu vou subir e tomar um banho antes de me deitar. O seu quarto é o mesmo de ontem. – ele assentiu a cabeça. — Boa noite.

G: Boa noite.

Karina subiu e Gerard continuou na sala sentado no sofá. Depois se levantou indo a cozinha comer algo. Mais tarde subiu pra dormir.

Karina acordou de madrugada com sede e foi beber uma água na volta passou pelo quarto em que estava o Gerard e a tentação foi mais forte e ela resolveu espiar. Abriu a porta do quarto bem devagar e ficou observando Gerard que estava apenas de cueca (samba-canção) dormindo como um anjo. Karina ficou minutos paralisada a olhá-lo até se tocar no que estava fazendo e voltou para seu quarto. Deitou-se e relembrou o beijo em que Gerard dera nela até pegar no sono.

No dia seguinte, Karina estava preparando o almoço quando a campainha tocou. Ela ficou nervosa, pois ninguém podia saber que Gerard estava ali. Olhou nervosa pra escada, mas Gerard não estava por ali pra ela pedir que ele se escondesse. Ele ainda não havia descido. Resolveu abrir logo a porta, pois ele deveria estar dormindo. Para espanto e surpresa de Karina, era Michelle e ela já estava ali na porta. Karina deixou a porta meio que entreaberta e falava com ela por uma brecha.

K: Michelle? Não avisou que vinha...

M: Porque não me contou a verdade? – disse toda autoritária.

K: Do que está falando?

M: De ontem!

K: E o que tem ontem...?

M: Você me deu uma desculpa de que tinha ido ao dentista, porque não falou que estava namorando?

K: Estava o que? – perguntou incrédula.

M: Eu não sou sua amiga? Você podia contar. Fiquei muito chateada, você foi falsa comigo. Eu sempre te conto as coisas e você me esconde tudo.

K: Peraí que história é essa...?

M: A Gabi te viu no shopping com um cara e depois em frente a sua casa. Ela pegou o mesmo ônibus que vocês.

K: Mas eu não to namorando.

M: A Gabi viu tudo. Se você não quer contar OK.

K: Era apenas meu primo. Eu juro. Se eu estivesse mesmo namorando eu iria contar pra você. Você é minha amiga. Você sabe disso.

M: Mas... – De repente Michelle ficou boquiaberta olhando pra dentro da casa de Karina.

K: O que foi? – Michelle empurrou a porta pra abri-la mais. Quando Karina virou-se levou um susto com Gerard ali embaixo de toalha.

M: Não me diga que esse é o...

K: Michelle dá licença. Volte amanhã OK? – e a empurrou pra fora e fechou a porta na cara dela. – GERARD!!!! – gritou irritada.

G: Desculpa. Eu vim ver quem era. – Michelle começou a bater na porta do lado de fora.

K: Já te disse pra não aparecer de toalhas e olha só o que você fez. Minha amiga te viu. Satisfeito agora?

G: Desculpa cara. Eu vou vestir uma roupa.

K: Agora o que ela vai pensar?

G: Falou que sou seu primo?

K: E ela ia acreditar? Ela te reconheceu seu idiota.

G: o que é idiota?

K: algo que você é. Agora todos vão saber que está aqui. – disse nervosa.

G: então estamos fritos.

K: nós não. Você está frito e por sua causa! Agora não reclame quando vierem te buscar. – Karina andou de um lado a outro nervosa e depois se dirigiu em direção à escada.

G: Não vai atender? – perguntou se referindo à Michelle que ainda batia na porta insistente.

K: não. Deixa que ela desista.

G: Eu vou vestir uma roupa. – falou meio sem graça e passou por ela correndo.

K: Ai que garoto! — disse irritada pra si mesma. Parecia que não ouvia nada do que ela falava, estava sempre fazendo tudo errado.

Mais tarde Michelle ligou pra Karina...

M: Grande amiga você é, mentiu pra mim.

K: Eu não podia...

M: Você nem pra me contar.

K: Eu tentei.

M: Mentira!

K: No dia do shopping eu te disse e você fez o que? Riu de mim não foi?

M: Mas se você me apresentasse eu iria acreditar.

K: Mas eu prometi a ele não contar a ninguém. Está em total sigilo. Entende agora?

M: Você é bem falsa mesmo. Escondendo ele na sua casa e nem pra me contar!? Por quê? Não quer dividir o seu queridinho com ninguém, quer ficar com ele só pra você! Sua egoísta.

K: Michelle...

M: Eu não quero mais saber de nada.

K: Olha...

M: Que se dane tchau.

K: Michelle? – ela tinha desligado.

Gerard desceu as escadas dessa vez vestindo uma bermuda e uma camiseta. Desceu penteando seus cabelos com um olhar assustado pra Karina.

G: O que aconteceu?

K: A Michelle ficou com raiva porque não contei a ela. Mas não podia. Era segredo não era?

G: Eu resolvo isso pra você.

K: Como?

G: Vou falar com ela.

K: você vai falar com ela? Ai...Parece até piada. – riu debochada enquanto Gerard olhava sério para ela. — Deixa pra lá. Eu vou subir, to morrendo de dor de cabeça. – disse levantando-se e depois subindo pro quarto.