O Fugitivo

7 Cap 7 – Sentimentos estranhos.


Karina acordou tempos depois e continuava com dor de cabeça. Levantou-se depressa e foi direto para a cozinha tomar algum remédio. Quando estava voltando da cozinha lembrou do Gerard. A casa estava bastante silenciosa, o que era fora do normal desde que ele estava ali. Ela não sabia por que, mas ele só assistia TV num volume absurdo, parecia surdo.

Karina ficou preocupada com ele. Já imaginava que ele tivesse ido embora enquanto ela dormia e sentiu uma forte angustia, ela queria, mas não queria que ele se fosse. No fundo ela gostava da companhia dele. Depois imaginou se ele tivesse saído e o que poderia acontecer à ele pela rua. Ele não conhecia nada ali e aquilo facilitava pra que algo de ruim lhe acontecesse.

K: esse garoto é um bobo. Onde será que ele se meteu? – perguntou-se.

Resolveu olhar pela casa que não era muito grande, mas talvez ele estivesse deitado em seu quarto. Passava pela sala em direção à escada quando ouviu risadas vindo da varanda de frente da casa que tinha acesso por uma porta de vidro na sala. A varanda tinha vista para a rua. Havia uma cortina que tampava a porta que dava acesso a ela. Karina andou bem devagar até a porta da varanda e abriu uma brecha da cortina pra espiar. Ela ficou perplexa em ver o que estava acontecendo ali: Michelle e Gerard estavam aos beijos e pareciam muito íntimos. Karina sentiu uma pontada no peito e uma forte vontade de chorar. Fechou a cortina e saiu correndo pro quarto.

Na varanda onde estavam os dois deu pra se ouvir os passos de Karina correndo. Os dois pararam de se beijar e Gerard resolveu ir ao quarto dela.

G: Eu vou lá ver se ela ta se sentindo bem. Quando foi dormir disse que estava com dor de cabeça.

M: Será que ela nos viu? – perguntou espantada.

G: Sei lá. Mas acho que não.

M: Temos que contar logo a ela antes que ela fique com raiva se nos pegar um dia aos beijos. – Gerard olhou um tanto assustado para Michelle.

G: é.. – coçou a nuca. — Vamos subir, você aproveita pra conversar com ela.

M: Ta. Vamos.

Os dois subiram e Gerard bateu na porta e a tentou abrir só que estava trancada.

G: Karina?

K: Que é? – respondeu lá de dentro enquanto andava nervosa de um lado a outro do quarto.

G: Ta se sentindo bem?

K: To por quê? – parou diante da porta.

G: Abre aí.

K: Perai. – disse. Karina foi até o banheiro lavou o rosto e depois o enxugou. Verificou se dava pra perceber que estava chorando e depois foi abrir a porta. – oi.

G: Olha quem eu trouxe. – disse entrando no quarto de mãos dadas com Michelle.

K: Ah, oi Michelle. – fez cara de surpresa.

M: KA me desculpa. O Gee me explicou tudo. Eu liguei para cá pra falar com você e dizer que fui um tanto incompreensível e o Gerard foi quem me atendeu e ele me convenceu de vir aqui para conversar com ele.

K: ah sério? Ele te pediu pra vir aqui? – Karina olhou irônica para Gerard que coçou a nuca nervoso. — Nossa, parecem tão íntimos. Já o chama até de...como é mesmo o nome? Gee? – disse sarcástica.

G: é meu apelido quando estou entre amigos. – Karina continuou olhando cinicamente para ele que ficou sem graça. — Bom eu vou saindo. Vou deixar as duas conversarem melhor. – disse Gerard se retirando do quarto deixando as duas a sós.

K: Senta aí. – disse Karina sentando-se na cama.

M: Bom, era só o que eu tinha pra falar, eu sinto muito pelo que eu fiz contigo. Desculpa-me mesmo. Depois que Gerard me contou chorei e...

K: E foi cair nos braços dele. – disse baixinho.

M: Que você disse?

K: Nada.

M: Bom, aí eu chorei lembrando no que tinha feito. O que foi aquilo tudo que eu fiz?

K: Olha Michelle. Desculpa aceita. Vamos esquecer tudo isso ta bom?

M: Ta. Melhor assim.

K: é.

M: Karina... – Michelle ficou meia sem jeito, procurava um modo de tocar no assunto.

K: Fala.

M: Eu preciso te contar uma coisa, antes que a gente se desentenda novamente...

K: Pode contar... – Karina sentiu um friozinho na barriga, já tinha idéia do que ela teria pra lhe falar.

M: É que...Bom...Nem sei como te contar isso, mas é que, eu e o Gee ficamos hoje.

K: Ah...Mesmo? – disse começando a querer chorar, mas forçou um largo sorriso.

M: sim. Nós ficamos. Foi ótimo. Eu sempre sonhei com esse dia. Não é mágico? Nossa! Ele é tudo o que eu sempre imaginei, lindo, beija bem, estou apaixonada. – nesse instante Michelle olhou espantada pra Karina que começou a chorar. — Que foi? Não gostou da notícia?

K: Meus parabéns. Estou tão feliz que estou até chorando. Que ótima notícia Mi. – disse abraçando-a e começando a chorar mais e mais.

M: Nossa vejo que gostou mesmo da notícia. – disse olhando pra Karina que chorava feito criança que acabara de perder seu doce para um menino malvado.

K: Você pode sair? É que eu estou meio que com dor de cabeça...

M: Ah ta. O Gee bem que me disse que você estava com dor de cabeça hoje. Eu vou embora então, amanhã passo aqui. OK?

K: Ótimo. Passa sim.

M: Beijinhos. Tchau. – disse se retirando.

K: Tchau. – quando ela fechou a porta Karina começou a chorar e gritar de raiva. – “gee” — remendou ela. – é gee pra lá e gee pra cá. — Estava arrasada. Não era possível isso estava acontecendo, ela estava gostando dele. Nem ela estava acreditando. Todo aquele ciúme não era normal. Tudo isso só podia ser um sentimento mais forte por ele. E ela não podia, era uma paixão impossível, ele era Gerard way e logo voltaria pro seu país e nunca mais se veriam. E ainda mais agora com sua amiga apaixonada por ele também. O que a mais deixava irritada era o fato de saber que Gerard estava brincando com ela e com sua amiga. Aquilo era uma provocação, com certeza era.

...

Gerard estava sentado no sofá pensativo quando Michelle chegou na sala.

G: E aí? Contou a ela?

M: Aham. – sentou-se ao lado dele.

G: E...?

M: Você precisava ver como ela ficou feliz pela gente. Ela aceitou numa boa.

G: Sério?

M: sério. Ela chorou e tudo.

G: Chorou? – perguntou surpreso.

M: Sim, estava emocionada por mim. Ela sabe como sempre fui fascinada por você desde que vi seu clipe Helena na Mtv. – Gerard concordava assustado. — Agora to indo. Amanhã passo aqui pra te ver OK?

G: Ta.

M: Meu beijo. – disse agarrando ele. Os dois se beijaram de despedida e Michelle foi embora.

Gerard continuou sentado no sofá com uma expressão séria e depois subiu para o quarto da Karina. Abriu a porta sem bater e quando chegou lá Karina estava dormindo. Ou pelo menos ele achou que dormia, ele se retirou do quarto encabulado indo pro dele. Assim que ele saiu Karina abriu os olhos e ficou pensando nele.

Karina ficou deitada o tempo todo e de vez em quando Gerard entrava no quarto para conversar com ela, mas ela sempre fingia que estava dormindo. No dia seguinte teve que descer, não podia ficar só fingindo que estava dormindo pelo resto da vida. Ela se levantou e estava dobrando a coberta quando Gerard entrou no seu quarto.

G: Oi.

K: Oi. – respondeu ela com um meio sorriso.

G: Eu fiz o café.

K: Ah ta. Daqui a pouco eu desço. – e voltou a dobrar a coberta. Depois passou por Gerard pra ir ao banheiro lavar o rosto. Gerard ficou da porta do banheiro observando-a enquanto ela escovava os dentes. — Que foi? – disse ao terminar.

G: Você está chateada comigo?

K: Por quê?

G: Olha, só estou ficando com sua amiga, ela é legal e bonita...Você sabe...Acabou acontecendo, mas não é nada demais e se você não estiver satisfeita com isso que está rolando entre a gente, eu posso terminar tudo.

K: Não! Ela gosta de você também e ela é realmente uma pessoa muito legal, não precisa fazer isso por mim.

G: Então está brava não é?

K: Não é isso, se eu deixei parecer que estava contra, foi tudo um mal entendido. Eu estou adorando a relação dos dois. Torço pra felicidade de ambos.

G: Bom, se é assim... – mas ele não estava convencido. — Então porque chorou?

K: Ora, porque fiquei emocionada.

G: Você não é de se emocionar assim.

K: Quem é você pra me julgar? Nem me conhece.

G: Você mesma me disse uma vez que não era desse estilo.

K: Mas eu me emocionei...

G: Você está gostando de mim?

K: O que? – gritou irônica começando a rir de deboche. – você pirou? Eu gostando de você?

G: Falo sério.

K: É lógico que não. Nunca...

G: Pois não é o que parece.

K: Acho que você está com fome, já tomou café hoje? Vai ver a fome está afetando seu cérebro. – disse cutucando a cabeça do menino que tirou a mão dela irritado. Karina olhava cínica pra ele.

G: Bom, você quem sabe. Tentei conversar numa boa, se quiser continuar mentindo, saiba que está mentindo pra si mesma. Não pra mim.

K: nossa! Que convencido.

G: não é convencido. Eu só não quero problemas entre a gente.

K: Gerard... – ficou séria. — só não a machuque ta?

G: por que está dizendo isso?

K: você sabe que não vai passar disso não é? Não a iluda. Um dia você terá que partir. E outra você não é esse tipo de cara que está fazendo acha-la ser.

G: como pode dizer algo que não sabe?

K: já te conheci dias suficientes para saber que tipo de cara é você.

G: Karina... – ele respirou fundo e continuou. – fica na sua, pois eu sei o que estou fazendo. – depois saiu meio de saco cheio por insistir no assunto sem muito sucesso.

Karina continuou no banheiro pensando. Será mesmo que estava gostando dele? E tudo aquilo que estava sentindo, os ciúmes e tal? Isso não podia estar acontecendo, não agora com o rolo dos dois. Não era possível, queria conversar com alguém, mas não tinha ninguém pra desabafar, Michelle era sua única amiga e não podia contar pra ela o que estava sentindo. Resolveu deixar na mesma e tentar esquecê-lo já que não tinha um outro jeito e qualquer relação com ele seria uma utopia.