Notas iniciais
E aí gente, sim, eu estou viva. Tem uns comentários reclamando que eu abandonei The Curse of Blood, mas é que eu não tenho tido inspiração ultimamente. Mas o Nate e a Livie voltam em breve, prometo. Aqui está o primeiro capítulo, mas só vai ter um segundo se eu ver que não estou escrevendo para as paredes. Quero ver comentários. E se eu ver, os próximos virão. Já tenho quase dez capítulos prontos, só esperando o retorno de vocês.Espero que vocês gostem!

Cemitério Nacional de Arlington, Arlington, Virgínia, Um ano e um dia após a batalha de Nova York, 11:30.

Naquela manhã, chovia. Parecia justo que chovesse, estavam terminando um velório e começando os preparativos para um enterro. O mundo chorava a morte de Maya Hansen e acima de tudo, sua irmã chorava mais.

Amber Hansen era uma cópia em tamanho mais alto e mais jovem de Maya. Tinha os mesmos olhos e cabelos castanhos, o mesmo porte físico comum mas naquele momento desejava mais do que tudo não se parecer com a irmã mais velha. Desejava não se parecer com ninguém e que a manhã anterior jamais tivesse acontecido.

Amber estava em seu apartamento, em Boston, quando recebeu uma ligação de um número restrito em seu celular. Ela não costumava atender esse tipo de ligação, mas imaginando que se tratava de uma certa organização secreta, atendeu.

– Alô?

– Alô, bom dia. Eu gostaria de falar com Amber Hansen. — a voz do outro lado da linha claramente pertencia a uma mulher.

– Está falando com ela. — Amber ficou momentaneamente entusiasmada com o telefonema, pois o tom de voz da mulher era claramente profissional.

– Ah, olá Amber. Eu sou Pepper Potts, das Indústrias Stark. — a mulher informou a Amber.

Naquele segundo, um calafrio percorreu a sua espinha. Maya tinha ido atrás de Tony Stark há aproximadamente uma semana e não dera mais notícias depois disso. Pepper não precisava se apresentar formalmente, é claro que Amber sabia quem era a mulher. A namorada de Tony, presidente das Indústrias Stark, e agora ela perdia seu precioso tempo ligando para Amber. Antes dela sequer falar do motivo do telefonema, Amber já imaginou o que seria.

– Aconteceu alguma coisa com a minha irmã? — Amber perguntou, com um nó na garganta e se atirando no sofá e fazendo a pessoa que dormia nele acordar.

A linha ficou muda. Amber quase chegou a desligar o telefone mas então ouviu uma respiração do outro lado da linha e então a resposta finalmente veio.

– Amber, eu realmente sinto muito, mas sua irmã faleceu há três dias. — Pepper disse do outro lado da linha, com um tom de voz que fez Amber sentir pena. — Ela tentou ajudar Tony, que como você certamente ouviu nos noticiários foi dado como morto. Ela me ajudou a ajudar Tony, mas Aldrich Killian a matou. Eu realmente sinto muito.

Maya morta? Não, não, devia ser algum tipo de brincadeira estúpida. Mas o tom de voz de Pepper do outro lado da linha não deixava espaço para dúvidas. Sua irmã estava morta. A única família que tinha estava morta. Aldrich Killian a matou? Killian era seu chefe, um homem bonito e educado, jamais faria isso.

– Amber, ainda está na linha? — Pepper perguntou, e Amber havia se esquecido que ainda segurava o telefone.

– Sim, estou. — Amber respondeu, e percebeu que estava chorando. Ela sentiu um movimento ao seu lado no sofá e uma mão ao seu ombro.

– Bem, quero somente que me diga para onde quer que mandemos o corpo. A cerimônia já está paga, tanto o velório quanto o enterro. — Pepper disse, claramente tentando ser gentil, mas a única coisa que ela conseguiu sentir foi ódio. Stark acha que pode comprar tudo, mandar Pepper resolver tudo e estará tudo bem? Não, não estava nada bem.

– Quero que mandem para o Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia. — Amber disse mecanicamente.

Pepper disse alguma coisa sobre o corpo chegar lá assim que possível, que Killian também havia morrido e que não adiantava ir atrás dele por justiça, que estaria sempre a disposição de Amber, que sempre que precisasse de alguma coisa ligasse para ela e deixou seu telefone pessoal. Ela lamentou mais uma vez pela morte de Maya e desligou.

Amber tirou o telefone da orelha lentamente e olhou para a figura a seu lado. O rapaz que a olhava com feições preocupadas era absolutamente tudo o que restava para ela agora. Ele parecia ter entendido o que aconteceu e não perguntou nada, apenas se sentou ereto, colocou seus óculos que estavam na mesa ao lado do sofá gigante de Amber, se aproximou dela e a abraçou por um longo tempo em silêncio.

O enterro foi mais rápido do que Amber imaginava. Depois que recebeu a notícia e que se recuperou do choque, correu para ligar para parentes distantes e amigos de Maya que ela queria que estivessem presentes. Foi como ouvir a notícia de novo e de novo. Mark, seu namorado não saiu do seu lado nem por um segundo. E ela jamais poderia agradecê-lo por isso, pois caso ele saísse, ela desmoronaria.

Quando ela finalmente se levantou e foi arrumar suas coisas para sair de Boston e ir para a Virgínia, se sentiu extremamente vazia. Não tinha mais vontade de chorar, de sentir dor, de fazer qualquer coisa. Ela só queria a irmã de volta, mas isso ela sabia que não poderia ter.

Foram até o aeroporto, pagaram uma fortuna pelas passagens de última hora e voaram até Arlington. Ela amava voar. Se sentia livre, leve, como se pudesse abraçar o mundo, mas naquele momento desejou jamais sair de casa. Desejou que nunca precisasse ter pego aquele avião e ter que ir até Arlington.

A última vez que esteve no cemitério foi no décimo ano da morte de seus pais, há dois anos. Faleceram no atentado terrorista de 11 de setembro, no World Trade Center, em Nova York. Seu pai era diretor em uma empresa que tinha sede no prédio e sua mãe estava no elevador para levá-lo para almoçar. Amber não se lembrava muito bem do dia, tinha apenas nove anos, mas se lembrava de como Maya recebeu a notícia. Ela não chorou: veio até Amber, pegou-a no colo e prometeu que cuidaria dela. E cumpriu a promessa.

Enquanto os coveiros atiravam terra por cima do caixão de Maya, Amber queria apenas ir embora e nunca mais precisar voltar ali. Não queria ver mais aquilo. Nunca tinha perguntado à irmã se gostaria de ser enterrada ou cremada. Amber não sabia qual era o desejo da irmã, então deixou que Pepper cuidasse de tudo e apenas se locomoveu até o lugar onde seus pais também descansavam. Ela estava agora entre heróis. Muitos soldados americanos das Guerras estavam enterrados ali. Chris Kyle, o atirador mais letal da história dos Estados Unidos também. E seus pais também.

Depois que finalmente terminou, Amber ficou em um lugar estratégico onde familiares distantes, amigos próximos e algumas pessoas que ela sequer conhecia davam um último adeus a Maya e iam até Amber prestar sua solidariedade e desejar os pêsames. Amber achou que havia gente demais ali, pessoas que sequer conheciam Maya direito e choravam por sua morte. Mas ela agradecia a essas pessoas por terem vindo se despedir da irmã e por mostrarem que Maya significava alguma coisa para eles.

A única pessoa que Amber realmente gostaria de ver não estava ali presente. Ele enviara uma coroa de flores, que veio junto com um cartão impresso. Ele nem tinha se dado ao trabalho de escrever. Tony Stark, o motivo da morte de Maya, a única pessoa que Amber realmente queria que estivesse ali, provavelmente agora estava pensando em que parte de Malibu faria a sua nova mansão.

Mark, a única pessoa no mundo que agora importava para Amber, apertou sua mão e a tirou de seus devaneios.

– Amber, eu acho que talvez queira se despedir. Vou deixar vocês duas sozinhas. Eu te amo. — Mark deu um beijo no topo de sua cabeça, soltou da mão de Amber e andou até ela o perder de vista.

Na verdade, ela não queria se despedir. Ela queria esquecer que a irmã estava morta. Ela saiu de viagem. Não deu mais notícias. Era isso que colocaria na cabeça a partir de então, ou passaria a odiar a irmã por ter dado a vida para ajudar um homem que não compareceu no seu enterro. Ela deu uma última olhada na lápide de marfim branco antes de sair.

MAYA HANSEN

23.05.1979 02.04.2013

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."

Foi quando ela o viu. A chuva já havia parado há algum tempo, mas o céu continuava nublado e a manhã permanecia sombria, mas ele ainda segurava firmemente seu guarda-chuva. Ele andou até ela em passos firmes e Amber teve um pouco de medo do homem que vinha em sua direção, mas alguma coisa disse a ela que ele não a faria mal. Quando ele chegou bem perto, Amber pode ver melhor o homem.

Ele era mais alto que ela, usava um sobretudo preto e por baixo dele, uma calça de um tecido que ela imaginava ser jeans extremamente escuro e um suéter marrom. Ele não aparentava ter mais de 30 anos mas era somente necessário olhar para as marcas de expressão em seu rosto para ver as experiências refletidas nele.

– Srta. Hansen, sinto muito pela sua irmã. — o homem realmente parecia triste pela perda, e Amber aceitou as condolências — Sou o agente Richards, e fui mandado aqui para levar a senhorita para uma audiência com Nick Fury.

Amber congelou. Nick Fury, diretor da SHIELD, mandou um agente para levá-la a algum lugar desconhecido com ele? Ela pensou em recusar veementemente, chamar o namorado, a polícia, mas pensou bem. Ela não suportaria voltar para casa agora. O apartamento que ela dividiu com a irmã por tantos anos. Não conseguiria encarar aquele quarto ensolarado da irmã e pensar que a dona dele jamais voltaria.

– Certo. Me deixe apenas avisar ao Mark onde eu estou indo e podemos ir. — ela disse, andando na direção que Mark tomou e nem precisava olhar para trás para ver que o agente a seguia de perto.

Quando chegou a frente do cemitério, viu Mark esperando sentado em um dos bancos que haviam no amplo pátio na frente do cemitério. Ela caminhou até ele, que estava de costas para ela.

Mark era tudo o que ela tinha agora. Ela não conseguia tirar isso da cabeça. Quando começaram a namorar, ela jamais esperou que fossem tão longe. Namoravam há dois anos. Dois seguros, confiáveis, previsíveis e estáveis anos. Não que ela estivesse reclamando disso, é só que não era bem assim que ela imaginava que estariam depois de dois anos. Quando começaram era tudo tão diferente. Mark sempre a levava a lugares novos, fazia coisas diferentes, mas depois que o namoro se firmou, essas coisas só aconteciam em datas especiais. Não que ela estivesse reclamando, amava Mark, mas não era assim que achava que estariam assim hoje.

Mark era bonito. Era exatamente da mesma altura que Amber, fato que a incomodava um pouco. Tinha um cabelo castanho escuro que faziam um contraste perfeito com os olhos. Seus olhos azuis eram o que iluminavam seu rosto, e quando ele sorria era como se o mundo parasse pra contemplar o sorriso dele. Ele era tão bonito, mas isso se tornava motivo de discussão entre Amber e ele. Ela queria que ele se inscrevesse em alguma agência de modelos e virasse modelo fotográfico. Ele era tímido, não se achava bonito e tinha uma auto estima extremamente baixa. Amber se cansou das discussões e deixou o assunto de lado.

Quando ela se aproximou, ele olhou para trás e levantou. Andou até ela e a envolveu em um abraço.

– Am, você foi muito corajosa. Eu tenho tanto orgulho de você. — Mark disse — Quer voltar para casa?

Ela se desvencilhou dele, segurou uma mão e olhou nos seus olhos azuis e percebeu que ele estava sem seu inseparável óculos.

– Mark, está vendo aquele homem de sobretudo lá atrás? — ele confirmou com a cabeça e estendeu a mão livre para limpar uma lágrima do rosto dela — Ele é da SHIELD.

Mark soltou a mão dela.

– Amber, já não tínhamos conversado sobre isso? Não tínhamos combinado que você não tentaria mais entrar? Você já tentou mais de cinco vezes.

Ela suspirou e pegou a mão dele de novo e segurou com firmeza.

– Mark, isso foi antes. A SHIELD tem respostas para perguntas que eu preciso saber. Pepper me deu uma resposta vaga sobre a morte da Maya. Eu quero saber o que realmente aconteceu. — ela disse. Seu tom de voz era doce, mas inflexível. Ela estava decidida. Iria, Mark gostasse ou não, mas preferia ir com o consentimento dele. — Eu preciso disso. Não consigo me imaginar de volta naquele apartamento e ter que arrumar as coisas da Maya sabendo que ela não vai mais voltar.

Ele suspirou e olhou para ela por um tempo.

– Então eu vou com você. — ele disse.

– Não, não vai não. — Amber disse, em um tom decisivo. — Você tem o seu exame amanhã cedo, e se você não fizer, acho que seu pai me mata. Você volta para Boston.

Ele estreitou os olhos para ela e Amber teve vontade de sorrir. Ela adorava quando ele fazia isso. Ele pareceu ponderar muito bem a questão, mas no fim cedeu.

– Vai me ligar o tempo todo? — ele perguntou, e ela assentiu energicamente. — Se eu ficar sem notícias suas por mais de duas horas vou atrás de você.

Ela sorriu para ele e lhe deu um abraço forte.

– Obrigada.

Ela se afastou o suficiente para poder ver o rosto dele e pode ver a tristeza estampada nele. Ele não queria que ela fosse, mas sabia que era importante para ela. Ela se aproximou e deu um beijo nele. Ele correspondeu, mas sem a animação de Amber. Quando terminou ela encostou o nariz no dele e olhou no fundo dos olhos azuis.

– Eu te amo. — ela disse.

Ele sorriu e ela sorriu de volta.

– Eu te amo. — ele respondeu.

Ela apertou o abraço e olhou para ele uma última vez antes de se virar e ir até o agente Richards. Ele sorriu para ela e abriu a porta do sedã preto que a esperava na porta do cemitério. Ela olhou para Mark uma última vez e essa visão quase a fez desistir de ir. Ele estava do outro lado do pátio e acenava para ela e encenava um sorriso de animação. Ela sorriu de volta, e antes que desistisse, entrou no carro.

O agente Richards ficou no banco da frente e em completo silêncio. Ela tentou engatar uma conversa várias vezes com algumas perguntas e recebeu apenas as respostas.

– Para onde estamos indo?

– Para a sede temporária da SHIELD.

Depois de algum tempo, ela tentou novamente.

– E onde a sede fica?

– Há alguns quilômetros daqui. Em breve estaremos lá.

E depois tentou de novo.

– O que Fury quer comigo?

Dessa vez ela ganhou um olhar pelo espelho do carro.

– Mesmo que eu soubesse, não poderia te dar essa informação senhorita Hansen.

Depois disso ela desistiu de iniciar qualquer conversa e se concentrou na paisagem. Haviam saído do centro urbano de Arlington há mais de uma hora e meia e estavam em uma auto estrada nacional. Estavam indo para o norte, e quando ela começou a supor algum destino o carro saiu da rodovia e entrou em uma estrada de terra. Foi quando ela se deu conta de quão estúpida fora. O homem disse que era da SHIELD e ela acreditou piamente no que ele disse e entrou em um carro que ia para um lugar onde ela não sabia.

Ela se mexeu muito devagar, sem tirar os olhos da frente por um segundo e colocou o braço para trás até alcançar o celular no bolso de trás. Quando ela finalmente alcançou e começou a digitar o número de Mark, o carro parou.

– Isso não será necessário, senhorita Hansen. Chegamos. — o agente Richards disse e saiu do carro para abrir a porta para ela.

Quando a porta abriu, ela guardou o celular no bolso da frente do jeans. Ela tateou o banco atrás da bolsa, mas se lembrou que havia deixado no carro que ela e Mark alugaram. Ela suspirou e saiu.

Estavam em um campo aberto, e havia um helicóptero preto parado. Amber olhou para o agente novamente e tentou descobrir para onde iriam uma última vez.

– Estamos quase lá. — foi a única coisa que o agente se dignou a responder e apontou para o helicóptero.

Amber respirou fundo, revirou os olhos e caminhou em passos largos em direção ao helicóptero. Ela sabia que o agente a seguia e começou a se sentir insegura. Será que iam mesmo a levar até Fury?

O helicóptero começou a subir em círculos e sem uma direção exata. Ele apenas subia e subia. E a mente ficcionista de Amber começou a imaginar o quem realmente esses homens eram e para onde a levavam. Imaginou que o agente e o piloto do avião eram da Al Qaeda ou coisa parecida e estavam ali para negociar a vida dela em troca de alguma coisa com o presidente. Quando ela começou a pensar em um plano para fugir dali, o helicóptero deu uma guinada e parou. Mas eles estavam em pleno ar, como tinham parado?

Notas finais
Apareçam fantasmas!