“Isso definitivamente não esta acontecendo”

Gritava a mente de Isabella. Sua visão estava embaçada pelas lagrimas que lhe escorriam dos olhos. Estava ali uma imagem que jamais imaginara que um dia iria ver.

Olhava do lado de fora sua casa, o lugar onde crescera, onde passara todos os momentos de sua vida. Lembranças boas e ruins eram guardadas naquele lugar que não mais podia chamar de seu.

No chão, aos seus pés, poucas malas com roupas e documentos seus e de sua mãe, únicas coisas que tiveram permissão para retirarem da casa

- Vamos meu amor – chamou-lhe Esme, sua mãe

Deu uma ultima olhada na casa que um dia fora seu lar, dando-se conta que nunca mais a veria novamente todo o seu ser se encheu de dor e agonia, não podia acreditar que perdera a única coisa que sua família possuía

Sentiu braços lhe circularem a cintura, em um abraço apertado

- Eu vou comprar outra Bella, você vai ver, vou comprar outra mais bonita, maior e melhor – olhou fundo nos olhos da mãe, vendo ali toda a incerteza e descrença de suas próprias palavras

A dor lhe veio mais forte em seu peito, como se alguém tivesse mexido no punhal que estava alojado ali, se possível o enfiando ainda mais fundo

Esme vendo que não tinha conseguido convencer a filha também começou a chorar. Queria mesmo acreditar que um dia teria uma casa ainda melhor do que aquela que estava deixando para trás, mas tinha total consciência de que tão cedo isso não seria possível

- Vamos Bella, temos que ir ou perderemos o ônibus

Bella respirou fundo tentando conter as lagrimas, precisava ser forte, por sua mãe ela teria que ser forte. Iria ajudá-la a se restabelecer. Alisou o cabelo da mãe carinhosamente

- Nos vamos superar isso, a senhora verá

As duas pegaram as poucas bolsas que tinham e saíram caminhando pela rua

Aquele ano havia sido duro para Isabella, e ela tinha total certeza de que o ano que se iniciara seria ainda pior.

No ano que acabara fora declarada a desgraça de seu pai e conseqüentemente a de sua família. Seu pai viciado em jogos de azar apostara tudo o que tinha e o que não tinha também. Logicamente ele fazia isso pelas costas da mulher

Esme nunca trabalhara na vida em outro lugar que não a pequena lojinha de artigos femininos que herdara da mãe, era com esse trabalho que mantinha a filha e a casa, já que o pouco salário do marido era todo depositado em uma conta para garantir o futuro da filha. Ela questionou o marido quanto a isso, concordava que a educação da única filha vinha em primeiro lugar

Foi só quando homens mal encarados e armados invadiram sua casa atrás do marido ameaçando matá-lo se não lhes pagasse que ela soube do vicio do marido

Os homens não só ameaçaram o marido, como também a ela e a filha que estavam na sala presenciando toda a cena. A única solução diante de tamanha situação foi vender sua pequena lojinha e quitar a divida

O marido chorou, e ate implorou perdão, mas nem um mês se passara e la estava ele novamente em uma mesa de apostas

A pobre mulher, como nunca trabalhara em nada ou estudara algo especifico não viu outra solução se não trabalhar como domestica em casa de uma família da cidade. O marido perdido em dividas novamente desta vez apostara a própria casa, e logicamente, perdera

Sem ter coragem de contar a mulher e a filha que não tinham mais onde morar, na noite de natal com um tiro ele tirara a própria vida.

...

Bella estava embasbacada em frente à casa que agora ela moraria. Era a casa mais linda que já vira na vida. Bem do tipo que só se vê em filmes de Hollywood

Sentia-se exausta, passara quase quatro dias dentro de um ônibus de viagem. Após a morte de seu pai, sem um lugar para morar, a única solução que sua mãe encontrara, foi sair em busca de um emprego que pudesse morar, o problema era que tinha uma filha adolescente, e ninguém quer uma empregada para dormir que traga na bagagem um filho, muito menos adolescente.

Por sorte a ex-patroa de sua mãe sentiu-se sensibilizada com a história da pobre mulher e resolveu cobrar um favor que a prima devia a ela

- Bom dia, meu nome é Esme, eu vim pela vaga de emprego – dizia a mãe a uma senhora que atendera a porta

- Sim, claro, sou Ângela, a governanta da casa. Por favor, entrem – as duas seguiram a mulher pela casa, que era tão linda e enorme por dentro quanto era por fora – Aguardem aqui, a senhora Cullen já vem conversar com vocês

Bella olhou ao redor, estavam em uma espécie de escritório biblioteca. A sala era enorme como todo o resto da casa, as paredes repletas de livros, no meio da sala havia uma mesa de acrílico em formato sinuoso, em cima dela um computador de ultima geração

“O dia que eu ter minha casa, eu quero uma igualzinha” fantasiou a menina

Bella e a mãe ficaram ali por vários minutos, paradas, com medo de se quer respirar e quebrar alguma coisa. Um tempo depois a porta foi aberta e uma mulher de corpo escultural, bem do tipo que só se consegue com muita cirurgia plástica, passou por ela

Ela olhou para as duas com uma expressão de nojo na face, tudo bem que as duas estavam um caco por conta da viagem, mais também não era pra tanto, pensou a menina encarando a mulher esnobe a sua frente.

- Bom dia, eu sou a senhora Cullen, Victoria para os íntimos

- Muito prazer, eu sou Esme e essa é minha filha Bella – a mulher olhou para a mão da outra estendida sem se dar o trabalho de retribuir a gentileza. Deu-lhe as costas e sentou-se atrás da mesa, Bella imaginou que ela não as convidou a sentar por medo de que sujassem o estofado da cadeira

- Bem Esme, temos regras nesta casa, e elas são muito claras. Serviçais não podem ficar zanzando pela casa ao menos que seja para limpar e esteja devidamente uniformizado. As áreas livres para serviçais são a de entrada e saída da rua, a cozinha, o quarto de empregados e o jardim, somente essas

- A maior e principal regra da casa é quanto ao sótão, ele é totalmente proibido a qualquer um, ninguém sobe ao terceiro andar nunca nem mesmo para limpa-lo. A infração desta regra resulta em rua por justa causa, estamos entendidas? – Esme acenou positivamente com a cabeça

- Ótimo, como já havíamos conversado anteriormente, infelizmente você tem uma filha, você sabe que não é todo mundo que aceita isso, mas como sou uma pessoa muito generosa e estou fazendo um favor a minha prima eu as estou recebendo em minha casa, mas não quero a garota zanzando pelos corredores e muito menos de gracinha com meu enteado, espero que possa contar com sua colaboração para manter a garota na linha

- E se vocês por algum acaso estiverem planejando dar o golpe do baú no pobre do meu enteado, desistam, ele tem muita classe e jamais se envolveria com a classe de vocês. Agora podem ir

Bella definitivamente odiou aquela mulher!

...

Os dias se passaram rapidamente, já havia um mês que Bella estava ali, já conhecia todos os moradores da casa

Alice era a filha mais nova, delicada e de feições frágeis, sempre a cumprimentava educadamente, ao que parecia odiava a madrasta imensuravelmente, nisso Bella tinha que simpatizar com ela

Emmett era grande e musculoso, a primeira vez que o viu Bella praticamente precisou de um babador diante de tanto músculo, porem o rosto de menino sapeca destoava de todo o resto. Assim como Alice Emmett era extremamente educado e simpático, um piadista por natureza

Bella gostava de ficar espionando os dois do jardim, eles sempre estavam brincando em torno da piscina, certa vez Bella rachou de rir com a cara de medo do Emmett diante da Irma raivosa por ter sido atirada na piscina quando a mesma já estava pronta para um encontro com alguém que o irmão não aprovava

O senhor Cullen era um homem muito bonito e serio. Um médico muito ocupado, poucas vezes era visto pela casa. Ao contrario da mulher, que ficava o dia todo perambulando pela casa em biquínis minúsculos

Sentia-se muito entediada dentro daquela casa, não havia muito que fazer, ou aonde ir, para passar o tempo sempre que a mãe permitia a ajudava na faxina, o que não acontecia com muita freqüência

Na maior parte do dia ficava sentada no jardim, aquele era seu lugar favorito na casa, era lindo, repleto de flores das mais variadas cores e espécies, mas sem duvida alguma as suas favoritas era as rosas, tinha de diversas cores.

O curioso é que nunca vira nenhum dos Cullen ali, já os vira em todos os lugares exceto no jardim. Sempre se perguntava o motivo disso, o jardim era tão lindo. Talvez não gostassem de flores, mas se não gostavam porque se dar ao trabalho de ter um jardim tão grande?

Sentou-se em um banco que tinha ali, de todos os dias que já passara ali aquele estava sendo o mais entediante, a mãe foi ao mercado com Ângela e Bem, o motorista da casa

Alice e Emmett saíram como sempre, o que significava que não podia espioná-los, ate o senhor e senhora Cullen saíram, o que significava que estava sozinha naquela casa enorme

Fechou os olhos absorvendo o sol que batia sobre o rosto lembrando-se do dia anterior, estava deitada no jardim por entre as plantas e acabou vendo o senhor Cullen no jardim, aquela foi a única vez que viu um Cullen ali, achou curioso o jeito dele e se encolheu mais para que ele não a visse

O homem se aproximou das roseiras e as cheirou delicadamente, com expressão triste no rosto, sentou-se exatamente onde ela estava agora, olhou para a janela do sótão e começou a chorar. Sentiu pena de ver o homem assim, queria ir reconfortá-lo de alguma maneira, ou simplesmente perguntar se estava tudo bem, mas achou melhor continuar quietinha onde estava

Cerca de uma hora depois o homem saiu dali ainda triste. Abrindo os olhos olhou para as janelas do sótão, desde o primeiro dia ali sempre se perguntou o que tinha de tão secreto no sótão, deveria ser algo terrível para que o terceiro andar fosse proibido ate para limpeza

Em um ato de loucura saiu disparado para dentro da casa, subiu as escadas rindo como uma criança boba prestes a fazer uma arte, o frio na barriga lhe dava o prazer do medo de ser pega em seu ato ilegal

Ao chegar ofegante la em cima olhou para os lados, ate ali não viu nada de mais ou comprometedor, apenas um corredor mal iluminado e com uma porta no final dele

Foi andando receosa em direção à mesma, sentia-se em um filme de terror em que a mocinha anda em direção a porta, a muziquinha chata e irritante de suspense tocando ao fundo e ao abrir a porta ela se depara com o assassino mascarado.

Sentiu um arrepio percorrer a coluna ao tocar na maçaneta e uma espécie de vento soprar-lhe a nuca. Ela definitivamente tinha que parar de assistir filme de terror.

Tomou coragem e abriu a porta, pensava que segredos comprometedores deveriam ficar mais bem protegidos, atrás de uma porta trancada por exemplo.

Entrou sorrateira dentro do lugar, dando-se conta que sentira tanto medo à toa, a única coisa que se tinha para temer ali, era que um rato saísse de algum lugar e corresse na direção dela

Aquele era o tipo de sótão que não se imaginaria ter em uma casa tão linda quanto aquela. O tão terrível e proibido sótão era uma espécie de quarto improvisado, ou foi um quarto improvisado um dia, agora parecia mais cenário de filme onde a vitima havia sido assassinada

Talvez fosse esse o grande segredo do sótão, alguém foi assassinado ali dentro, Bella terminou de adentrar o lugar para melhor explorá-lo, a pouca iluminação vinha de um abajur de luz fraca o que deixava o lugar escuro, muita poeira por toda a parte, papeis jogados ao chão, no meio dele uma cama de casal com lençóis e cobertas encardidos se emaranhavam.

Uma fresta de luz entrava pela janela fechada iluminando um lindo piano, Bella sentiu-se obrigada a ir ate o instrumento, quando ainda morava em sua antiga casa ela fazia aulas de ballet no ginásio esportivo da cidade, onde voluntários ensinavam diversas formas de esporte, era o que mais sentia falta em sua cidade

Nunca tinha visto um piano de perto, o instrumento era lindo, bem empoeirado, mas lindo, não deveria estar ali, se a casa fosse dela, ele estaria La em baixo, na sala de visitas talvez

Na parede do lado do piano um enorme quadro retratava uma mulher, era sem duvida uma Cullen, a beleza não negava, os traços delicados como os de Alice, a pele clara e suave, cumpridos cabelos cobre desciam pelo rosto

Mas tinha alguma coisa errada, os lindos olhos verdes demonstravam angustia e dor, os lábios levemente avermelhados combinando perfeitamente com a rosa que ela segurava, estava voltado para baixo, deixando o quadro com uma feição de tristeza e melancolia

Em um piscar de olhos Bella teve a impressão de ter visto os olhos do quadro derramarem uma lagrima pelo canto esquerdo ao mesmo tempo em que outra corrente de ar entrou pela janela tocando lhe novamente a nuca

Olhou melhor o quadro, constatando que sua mente estava lhe pregando peças, continuava da mesma maneira, olhando para ela como se estivesse implorando ajuda

A porta do sótão foi aberta e por ela um homem alto, de cabelos embaralhados e barba crescida entrou trazendo uma bandeja em mãos, ao vê-la ali deixou a bandeja cair olhando-a como se estivesse vendo o próprio demônio

Sentiu seu coração pular uma batida, dar um solavanco e voltar a bater novamente desta vez acelerado como se estivesse tentando sair de seu corpo e ir esconder-se em baixo da cama, talvez, ao lado de um ratinho.

CONTINUA...

Notas finais
N/A: gente espero ke vcs gostem da historia, sexta feira capitulo 2
agora so uma previa ok rsrs
- Fica longe de mim seu animal eu tenhu um - olhou em volta - eu tenho um vaso? é um vaso! eu tenho um vaso e não tenho medo de usar
- Por favor não me mata! Eu tenho uma mãe pra cuidar - correu para o unico lugar que qualquer garota inocente estando em situação semelhante não correria : a cama
...