Cassian acorda com um sobressalto. Olha em volta e percebe que seus colegas de quarto já saíram. Sem perder tempo, se veste rapidamente e corre para o Salão Principal, onde o café da manhã está em pleno andamento.

O salão fervilha com a habitual agitação matinal de Hogwarts. No teto encantado, nuvens cinzentas de outubro se movem preguiçosamente, prometendo chuva para mais tarde. Velas flutuantes ainda brilham no ar, sua luz dourada se misturando à claridade pálida que entra pelas janelas altas.

Cassian entra no ambiente movimentado, seus olhos instintivamente buscando um lugar na longa mesa da Sonserina. Ele avista Edgar Wainwright, que parece meio adormecido sobre seu mingau de aveia. O aroma reconfortante de torradas, ovos e bacon enche o ar, enquanto elfos domésticos invisíveis mantêm as travessas sempre cheias.

"Dia, Blackwood," Edgar murmura sonolento, reprimindo um bocejo. "Pronto pra encarar duas horas de Slughorn falando sobre sua coleção de alunos favoritos?"

Cassian se senta enquanto pratos aparecem magicamente à sua frente — ovos mexidos, bacon crocante, torradas douradas e uma jarra de suco de abóbora gelado. Ele observa a comida por um momento, soltando um suspiro resignado antes de começar a comer.

"Não tô pronto não," Cassian admite, pegando um pedaço de bacon. "Odeio Poções, sempre faço merda."

Edgar solta uma risada baixa, finalmente parecendo despertar um pouco. "Pelo menos você tem talento com Feitiços. Eu sou uma negação completa com a varinha." Ele faz uma pausa para tomar um gole de chá, seu olhar distraído pousando na mesa da Grifinória. "Mas hoje temos que fazer dupla com eles. Quem sabe você consiga alguém que compense suas... habilidades criativas em Poções."

Cassian encara Edgar por um instante, sem esboçar reação imediata. Depois de mastigar calmamente, responde com uma voz neutra: "Quem sabe."

Nesse momento, Ambrose Rosier e Lysander Mulciber chegam à mesa, ocupando os lugares do outro lado. Ambrose lança um sorriso enviesado antes de comentar: "Estavam falando sobre o desastre do Blackwood em Poções?"

"É," Cassian responde despreocupado. "Quem precisa de Poções quando se tem uma boa varinha?"

A mesa relaxa momentaneamente com a resposta, mas a atmosfera muda sutilmente quando Ambrose se inclina sobre a mesa, pegando uma torrada. "Sabe, Blackwood, tenho certeza de que Slughorn ficaria impressionado se trabalhássemos juntos. Draco mencionou que... seria bom nos aproximarmos mais."

Cassian mastiga lentamente antes de responder, com a voz baixa e fria: "Veremos."

De estômago cheio, o grupo de Sonserinos deixa o Salão Principal e segue para as masmorras, onde o ar se torna mais frio e úmido a cada passo. Ambrose e Lysander vão à frente, conversando em voz baixa. Cassian segue atrás com Edgar.

A sala de Poções já está parcialmente ocupada por alunos da Grifinória, que instintivamente se movem para um lado quando os Sonserinos entram. O ar está pesado com o cheiro característico de ingredientes diversos, uma mistura quase sufocante que impregna o ambiente. O Professor Slughorn ainda não chegou. Eles escolhem uma mesa na penúltima fileira, estrategicamente fora da linha de visão direta de Rosier.

O som de passos pesados e alegres ecoa pelo corredor, sinalizando a chegada iminente do Professor Slughorn. A tensão na sala diminui ligeiramente, substituída pelo burburinho de alunos se preparando para a aula.

"Bom dia, bom dia!" A voz jovial do Professor Slughorn ecoa pela masmorra enquanto ele entra, seu grande bigode de morsa tremendo com o sorriso. "Hoje vamos trabalhar em pares para preparar uma poção particularmente desafiadora — a Solução Fortificante! E sim, vocês podem escolher seus parceiros, mas..." Ele sorri maliciosamente, "...eu sugiro fortemente parcerias entre as casas!"

O silêncio domina a sala, um sussurro desconfortável pairando no ar. Nenhum aluno se move. Slughorn, parecendo alheio à tensão, começa a caminhar entre as mesas, seu rosto radiante como se fosse um dia qualquer.

"Já que ninguém se voluntariou, vou escolher," ele anuncia com entusiasmo, parando ao lado de Cassian. Seus olhos brilham como se lembrasse de algo — talvez de um desastre anterior em Poções. "Senhor Blackwood... você trabalhará com o Senhor Creevey."

Colin Creevey engole em seco. Pega suas coisas e se aproxima hesitante, os passos medidos e cautelosos. Seu olhar evita o de Cassian até que finalmente chega à mesa.

"O-oi," ele murmura, quase inaudível. "Eu... eu sou bom em seguir instruções," acrescenta com pressa, como se isso pudesse justificar sua presença ali.

Cassian simplesmente acena com a cabeça. "Olá, Creevey."

Por um instante, Colin parece surpreso pela resposta — curta, mas desprovida de qualquer hostilidade. Ele relaxa apenas um pouco, mas ainda mantém certa distância, como se precisasse avaliar melhor a situação.

"Eu posso pegar os ingredientes," oferece rapidamente, a voz apressada, "ou... ou você prefere pegar?"

Cassian abre o livro na página 394, seus olhos percorrendo a lista de ingredientes para a Solução Fortificante. Na mesa ao lado, Edgar tenta manter uma conversa educada, mas tensa, com sua parceira da Grifinória, enquanto Ambrose, algumas mesas à frente, não faz esforço para esconder seu desgosto pela situação.

O vapor de vários caldeirões já começa a subir, criando uma névoa prateada que paira sob o teto da masmorra. "Vou pegar os ingredientes," Cassian diz. "Prepare o caldeirão com água, fervura média."

Colin abre um sorriso aliviado ao receber instruções claras. Enquanto Cassian se dirige ao armário de ingredientes, o vapor se espalha ainda mais pela sala, tornando o ar denso e quente. O armário brilha estranhamente na luz fraca das masmorras, os frascos coloridos projetando sombras dançantes nas paredes de pedra.

Ambrose observa os movimentos de Cassian com interesse mal disfarçado, seus olhos seguindo enquanto ele seleciona essência de gengibre de fogo, raízes de ditamno, mel de salamandra, hortelã-dragão e espinho de porco-espinho moído.

Ao retornar à mesa, Cassian encontra a água no caldeirão borbulhando exatamente na temperatura correta — Colin seguiu as instruções com precisão meticulosa, claramente ansioso para não cometer erros.

O trabalho em dupla flui surpreendentemente bem. A água adquire o tom avermelhado esperado com a adição do gengibre de fogo, embora a pasta de ditamno tenha ficado com alguns grumos teimosos. O mel de salamandra é adicionado com perfeição, e, apesar de uma leve hesitação no encantamento "Fortis Animum", a poção alcança um tom dourado satisfatório.

"Bem, bem..." Slughorn aparece ao lado do caldeirão, examinando o conteúdo com cuidado. Seu bigode de morsa treme levemente enquanto ele sorri. "Vejo que o trabalho em equipe produziu resultados interessantes. Certamente uma melhoria considerável em relação às suas tentativas anteriores, Sr. Blackwood. Creio que isso merece um 'Excede Expectativas'."

Colin parece extremamente aliviado — e até um pouco orgulhoso. Cassian, suado pelo vapor que enche a sala, lança um olhar para o Grifinório ainda hesitante ao seu lado e murmura: "Bom trabalho, Creevey."

O pequeno Grifinório pisca várias vezes, claramente surpreso pelo elogio inesperado vindo de um Sonserino, especialmente de alguém com a reputação de Cassian. Um pequeno sorriso hesitante surge em seu rosto.

"O-obrigado, Blackwood," ele sussurra, ainda cauteloso, mas visivelmente menos tenso. "Você... você também. Nunca tinha visto alguém adicionar mel de salamandra de forma tão... precisa."

O vapor dos caldeirões deixa o cabelo de Cassian grudado levemente na testa, e o calor úmido da masmorra começa a pesar sobre os outros alunos. Ambrose, algumas mesas à frente, parece particularmente irritado, sua poção emanando um tom mais marrom do que dourado — longe do resultado esperado.

Slughorn bate palmas para chamar a atenção da turma. "Muito bem, muito bem! O tempo acabou. Encham um frasco com uma amostra da sua poção, etiquetem claramente e tragam até minha mesa!"

No caminho para entregar seu frasco, Cassian passa pela bancada de Edgar. A poção dele e de sua parceira da Grifinória tem uma coloração esverdeada em vez de dourada, e o cheiro de menta está forte demais — claramente exageraram na hortelã-dragão. Edgar lança um olhar resignado enquanto enche seu próprio frasco.

Na mesa de Slughorn, uma fileira de frascos já se forma, com tons variados de dourado — alguns brilhantes, outros opacos, e alguns definitivamente errados. Quando Cassian coloca seu frasco junto aos outros, nota que, apesar de não estar perfeito, sua poção está entre as melhores da turma.

"Ah, sim," Slughorn murmura, segurando o frasco contra a luz. "Definitivamente um progresso notável, Sr. Blackwood. Talvez devêssemos manter essas parcerias entre casas mais frequentemente, não?"

"Sim, senhor," Cassian responde, inclinando levemente a cabeça em respeito antes de voltar para seu lugar. Colin já limpou a bancada de trabalho e organizou os materiais, esperando nervosamente, como se Cassian pudesse dizer algo mais.

Cassian faz um leve aceno para Creevey antes de sair apressadamente das masmorras. O contraste entre o ar úmido do calabouço e o corredor é imediato, e ele sente o suor esfriar em sua testa enquanto segue para sua próxima aula.

O caminho para as estufas está movimentado, com alunos apressados cruzando os terrenos do castelo. O céu de outubro permanece nublado, e uma brisa fria sopra pelo gramado. Ao longe, grupos de Corvinais caminham para as estufas de Herbologia, e entre eles, Cassian distingue os cabelos prateados de Luna. Apressando o passo, sua capa esvoaça com o vento, enquanto ele se aproxima das estufas. Luna está um pouco afastada dos outros alunos, ajustando o que parece ser uma pequena planta atrás da orelha.

"Ei, Lumina," Cassian chama, aproximando-se de forma quase sorrateira. Luna se vira ao ouvir o apelido, um sorriso sonhador iluminando seu rosto. Seus olhos azuis brilham com reconhecimento. "Ah, olá! Como foi Poções? Você parece ter sobrevivido sem nenhuma explosão hoje." Ela inclina levemente a cabeça, estudando-o com aquele olhar perspicaz. "E sua aura está mais leve. Acho que os Zonzóbulos finalmente decidiram te dar uma trégua."

"Foi melhor do que eu esperava," Cassian responde, parando ao lado dela. "Tive que fazer dupla com um Grifinório, Creevey."

"Colin ? Ele tem um coração gentil. Às vezes o vejo alimentando os Testrálios com seu irmão Dennis," Luna diz pensativa, ajustando a planta brilhante atrás da orelha. "Embora ele pareça sempre um pouco assustado, como se houvesse Grindylows escondidos em cada canto."

Ela olha para Cassian com um pequeno sorriso, os olhos cheios de compreensão. "Foi gentil da sua parte não intimidá-lo muito. Posso ver que você se esforçou para isso."

"Eu nunca faria isso, a não ser que precisasse," Cassian responde, seus olhos desviando para a planta brilhante atrás da orelha dela. "O que é isso?"

"Oh, isso?" Luna toca delicadamente a planta. "É uma Campainha-Lunar. Papai as cultiva em casa. Elas só brilham quando há mudanças na pressão mágica do ar." Ela inclina a cabeça, observando-o com um olhar distraído e curioso. "Na verdade, o brilho ficou mais intenso quando você se aproximou. Interessante, não acha?"

A Professora Sprout chega à estufa, sacudindo a terra de suas luvas com energia. "Muito bem, turma! Estufa 4 hoje. Sigam-me, e por favor, mantenham distância das vinhas na entrada!" Luna permanece próxima a Cassian enquanto a turma caminha nervosamente em direção à estufa mais perigosa. "A Estufa 4 tem uma energia diferente," ela comenta suavemente. "As plantas aqui são mais... conscientes."

Alguns alunos trocam olhares apreensivos. A Estufa 4 é famosa por abrigar as espécies mais perigosas de Hogwarts, geralmente reservadas para alunos do sexto e sétimo anos. Através do vidro embaçado, Cassian consegue ver formas se movendo lentamente e um brilho estranho vindo do fundo da estufa. A Campainha-Lunar na orelha de Luna começa a pulsar com um brilho mais intenso. "A magia é mais forte aqui," Cassian observa, acenando em direção à Campainha-Lunar antes de entrar na estufa e abrir o livro na página recomendada pela professora.

Enquanto folheia o capítulo sobre plantas carnívoras mágicas, seu olhar para nas instruções iniciais: "ATENÇÃO: Este exercício prático requer trabalho em pares devido à natureza delicada e potencialmente perigosa da Letifolia Carni." Cassian deixa o olhar percorrer a estufa, em busca do familiar brilho prateado dos cabelos de Luna entre os alunos da Corvinal. O ar está pesado, carregado do aroma úmido da terra e das plantas mágicas. A Professora Sprout começa a falar, sua voz firme cortando o murmúrio nervoso da turma: "...e lembrem-se, podem escolher suas duplas," ela anuncia, ajustando o chapéu remendado enquanto organiza os materiais.

Luna percebe o olhar de Cassian e se move graciosamente em sua direção, enquanto os outros alunos formam suas duplas apressadamente — a maioria claramente nervosa com a perspectiva de trabalhar com a Letifolia Carni. "As vinhas parecem mais agitadas hoje," ela comenta casualmente, como se falasse sobre o tempo. "Deve ser por causa da lua crescente."

A Professora Sprout circula pela estufa, distribuindo luvas de couro de dragão e aventais protetores. "Lembrem-se," adverte, "movimentos suaves e deliberados. A Letifolia Carni é extremamente sensível a movimentos bruscos!" A planta designada para eles tem flores vibrantes e vinhas que se movem como serpentes inquietas. "Quer fazer a contenção ou a colheita?" Luna pergunta, já colocando suas luvas.

Cassian hesita por um momento. "Hmm, acho melhor você liderar. Eu não sou bom com plantas."

Luna sorri gentilmente. "Tudo bem. Você é melhor com feitiços mesmo — o Aura Luminis será perfeito nas suas mãos. Além disso," ela baixa a voz, com aquele tom sonhador característico, "a Letifolia Carni parece gostar de você. Veja como as vinhas se movem na sua direção? É quase como se quisessem dançar."

De fato, as vinhas parecem se inclinar levemente na direção de Cassian, as flores carmesim balançando de forma hipnótica. A Professora Sprout para ao lado deles, ajustando o avental de Luna. "Primeiro o escudo, depois o feitiço de luz. Mantenham-se concentrados!"

O trabalho flui surpreendentemente bem. Luna se move com precisão, seus gestos naturais e seguros, enquanto o Aura Luminis de Cassian mantém as vinhas em um estado quase hipnótico. A planta relaxa sob os cuidados combinados, permitindo que Luna colete o precioso néctar com perfeição.

"Excelente trabalho, vocês dois!" A Professora Sprout exclama, examinando o frasco com atenção. "Senhorita Lovegood, movimento preciso. E senhor Blackwood, nunca vi um Aura Luminis tão bem controlado. Dez pontos para Corvinal e Sonserina!"

Nem todos tiveram a mesma sorte — gritos abafados ecoam pela estufa, seguidos pela voz paciente da Professora Sprout: "Não se preocupe, querido, essas marcas dos espinhos somem em algumas horas!"

Cassian olha para Luna com um sorriso raro. "Você me salvou mais uma vez em Herbologia."

Luna retira as luvas de couro de dragão com tranquilidade. "Na verdade," ela diz, sorrindo com sinceridade, "você fez a maior parte do trabalho. Seu Aura Luminis foi realmente bonito. As vinhas pareciam dançar um balé."

Um barulho de vidro quebrando e mais gritos do outro lado da estufa fazem a Professora Sprout correr para ajudar outro par de alunos. Luna continua, como se não houvesse nenhuma comoção: "Você tem um jeito com plantas mágicas, mesmo que não perceba. Elas respondem à sua magia. Talvez seja por isso que a Campainha-Lunar brilha mais forte perto de você."

"Podem ir, podem ir," a Professora Sprout acena distraidamente enquanto tenta impedir uma vinha errante de agarrar o tornozelo de um aluno da Corvinal. "Só não se esqueçam do dever de casa sobre o Aura Luminis!".

Cassian e Luna deixam a Estufa 4 e são recebidos pelo ar fresco da manhã. O contraste com o ambiente abafado da estufa é revigorante. Ainda falta um bom tempo para o almoço. O Salão Principal ainda está praticamente vazio. As mesas compridas começam a ser preparadas para o almoço, com pratos e talheres aparecendo magicamente. Eles sentam-se em um banco próximo ao salão.

"Luna," Cassian começa, ajustando-se no banco, "eu tive uma ideia durante a aula de Poções."

"É sobre a biblioteca?"

"Não, sobre o Professor Slughorn. Você já ouviu falar que ele tem um clube de alunos?" Os olhos de Luna se iluminam com compreensão. "Ah, o Clube do Slugue. Sim, ouvi falar. Ele coleciona alunos como algumas pessoas colecionam figurinhas de sapos de chocolate, estudantes com talentos especiais ou conexões interessantes."

"Eu ouvi que ele concede privilégios para esses alunos," Cassian continua "Ele poderia até nos dar uma autorização para acessar a seção reservada. Mas acho que ele nunca me convidaria para esse clube."

Luna o observa com um olhar penetrante, brincando distraidamente com o colar. "Não tenha tanta certeza. Hoje você fez uma poção que 'Excedeu Expectativas', e todos sabem que você é excepcional em feitiços." Ela inclina a cabeça levemente. "Além disso, sua família é antiga e respeitada, mesmo vivendo afastada. O Professor Slughorn aprecia essas conexões." Ela se inclina um pouco mais perto. "E você acabou de demonstrar um pensamento bem... Sonserino. Planejar usar o clube para conseguir acesso à seção reservada? Isso provavelmente o impressionaria ainda mais."

"Pensamento bem Sonserino?"

Luna sorri com diversão. "Sim, no melhor sentido possível. Você sabe... encontrar caminhos criativos para alcançar seus objetivos, usar as conexões certas, pensar alguns passos à frente." Ela recosta a cabeça no banco, os olhos fixos no teto encantado do Salão. "Não é algo ruim, Cassian. É como um jogo de xadrez bruxo — às vezes você precisa sacrificar um peão para proteger a rainha." Sua voz suaviza. "E diferente de muitos, você usa essa astúcia para coisas boas. Como tentar descobrir os mistérios do Espelho da Ancestralidade... e proteger as pessoas que você se importa."

"Você claramente é da Corvinal,"

Luna solta uma risada suave, leve como uma melodia. "Ah, mas o Chapéu Seletor considerou me colocar na Sonserina" Ela continua olhando para o teto, como se procurasse algo escondido entre as nuvens encantadas. "Disse que eu tinha uma forma única de ver através das coisas. Mas no fim," ela dá de ombros, "decidiu que minha curiosidade pelo conhecimento em si era mais forte que minha astúcia."

Uma brisa mais forte passa por eles, fazendo o cabelo prateado de Luna dançar no ar. "Então," continua, "como pretende chamar a atenção do Professor Slughorn? Você já tem um plano?"

"Sim" Cassian responde. Olha para direção de uns alunos que caminham para o Salão Principal: "Derrubar todos eles com um único feitiço" Da uma risada ao ver o rosto de Luna levemente espantado.

"Eu acho que impressionar o Professor Slughorn com feitiços é uma boa ideia — só que talvez de uma forma menos... agressiva?" Os alunos do primeiro ano passam por eles, lançando olhares nervosos na direção de Cassian.

"Enquanto não tiver uma boa ideia, vou manter nosso plano original de entrar escondido na seção reservada."

Cassian se despede de Luna, entra no salão principal e sentando-se à mesa da Sonserina, come rapidamente enquanto responde de forma cordial, mas sem prolongar o assunto quando Edgar tenta interagir com ele. O Salão Principal começa a encher-se com o burburinho usual do almoço, o teto encantado mostra nuvens se acumulando sobre suas cabeças. Cassian termina de comer, e depois de um descanso rápido na sala comunal se dirige para a próxima aula.

Na aula de História da Magia, o Professor Binns flutua próximo ao quadro, sua voz monótona começa a adormecer os alunos enquanto discorre sobre a Revolta dos Duendes do século XV. Cassian notou que Ambrose Rosier continua o observando ocasionalmente, deixando ele levemente incomodado.

"Ei, Blackwood..." Ambrose sussurra, enquanto o Professor Binns continua sua palestra interminável, completamente alheio às conversas dos alunos. "Vi você com a Lovegood hoje..."

O tom dele carrega algo indefinível — não exatamente ameaçador, mas também não amigável. Cassian apenas o encara, sem responder, esperando a conclusão. Ambrose se inclina mais perto, sua voz ainda em um sussurro calculado. "Alguns... colegas nossos têm comentado sobre suas... amizades peculiares."

Professor Binns continua flutuando na frente da sala, sua voz monótona agora fala sobre tratados de paz com duendes. Edgar, sentado próximo, finge estar absorto em suas anotações, mas está claramente atento à conversa. Cassian ignora e finge que volta a prestar atenção na aula, mas Ambrose insiste.

"E você pareceu bem à vontade com aquele sangue-ruim hoje" Um claro tom de desaprovação e raiva na sua voz. "E agora andando com a Lovegood lunática. As pessoas estão comentando, Blackwood. Em tempos como estes..." ele deixa a ameaça velada pairar no ar.

Cassian levanta o olhar lentamente, fixando-o em Ambrose. Não há raiva em seus olhos, apenas algo mais profundo — uma calma glacial que parece pesar no ar, deixando Ambrose visivelmente desconfortável. Ele não se move de imediato, mantendo o olhar firme, enquanto suas mãos repousam sobre a mesa, relaxadas.

Quando fala cada palavra sai de forma pausada, quase preguiçosa. "Por que você acha que eu intimidar Creevey iria ajudar a causa?" Eu ajo com cautela, Ambrose. "Quanto menos prestarem atenção em mim, melhor." Ambrose recua levemente — uma reação quase imperceptível, mas presente. Edgar e Lysander que ouviam a conversa trocam olhares inquietos.

"Cautela..." Ambrose repete a palavra lentamente, processando a resposta mas evitando encarar Cassian. "Interessante perspectiva, Blackwood." Seu tom mudou sutilmente, agora mais respeitoso e um pouco mais cuidadoso. "Talvez eu tenha interpretado mal suas ações."

Edgar relaxa ligeiramente ao lado de Cassian e Lysander volta para suas anotações, o Professor Binns continua flutuando pela sala, completamente alheio à tensão que acabou de ser parcialmente dissipada.

Ao final da aula, Cassian demora deliberadamente para guardar seu material. Ele observa de soslaio enquanto Ambrose se junta a Augusto Flint e Lisandra Greengarden, deixando a sala com passos apressados e conversas em tom baixo. Apenas quando o trio já está bem à frente, Cassian se move. Caminha vagarosamente até a porta. Do lado de fora, Edgar o espera. Seus olhos, geralmente calmos, agora revelam uma preocupação evidente.

Eles chegam à sala do Professor Flitwick, onde alguns Lufa-Lufas já estão se acomodando, lançando os habituais olhares apreensivos na direção dos Sonserinos que entram. Cassian sente a animação crescer em seu peito — finalmente, sua matéria favorita, o único lugar onde ele realmente conseguia brilhar.O Professor Flitwick está empoleirado em sua habitual pilha de livros, organizando cuidadosamente alguns objetos na mesa da frente. Seu rosto se ilumina levemente quando Cassian entra — ele sempre demonstra uma admiração especial pelo talento natural do sonserino em Feitiços.

"Ah, excelente, excelente!" guincha animadamente, as mãos pequenas gesticulando com entusiasmo. "Hoje vamos praticar o Feitiço de Multiplicação! Um encantamento bastante complexo, devo dizer."

Os murmúrios se espalham pela sala. Alguns Lufa-Lufas parecem ainda mais nervosos — a reputação de Cassian em Feitiços é bem conhecida, e ele quase sempre rouba a cena nas aulas práticas.

Edgar se acomoda ao lado dele, lançando um sorriso discreto. "Pelo menos aqui você pode se divertir um pouco," murmura.

Na frente da sala, uma fileira de objetos pequenos aguarda os alunos — xícaras, penas e pequenas caixas, todos aparentemente preparados para a prática do dia. Cassian analisa os itens com interesse, sentindo a familiar excitação de um desafio mágico.

O Professor Flitwick pigarreia no alto de sua pilha habitual de livros, seus pequenos olhos brilhando de entusiasmo. Com um movimento ágil da varinha, ele faz palavras prateadas aparecerem no ar: "Multiplicatio."

"O Feitiço de Multiplicação," começa ele, sua voz fina mas clara, "é um dos encantamentos mais fascinantes que vocês aprenderão este ano. A chave não está apenas na precisão do movimento, mas também na visualização clara do resultado desejado."

Pegando uma pena simples de sua mesa, ele prossegue: "Observem atentamente. O movimento da varinha deve formar um infinito perfeito, como se estivessem desenhando o número oito deitado no ar. A energia mágica flui através deste padrão contínuo, criando um ciclo de replicação." Ele demonstra o movimento lentamente, deixando um rastro dourado no ar com sua varinha.

"Em seguida," continua, "vem o toque suave — não um golpe, mas uma carícia mágica, como se estivessem pintando o objeto com sua magia. E então..." Com um floreio elegante, ele realiza o feitiço completo. A pena original começa a brilhar suavemente, enquanto quatro cópias idênticas materializam-se ao seu lado, flutuando graciosamente até pousarem na mesa.

"Notem como cada cópia mantém a essência do original," destaca, levitando uma das penas com facilidade. "A verdadeira maestria do Multiplicatio está em preservar até os menores detalhes."

Seus olhos encontram os de Cassian, e um brilho de expectativa surge em sua expressão. "Senhor Blackwood, gostaria de tentar primeiro?"

Cassian levanta, seus dedos envolvem a varinha com confiança, ele caminha até a frente da classe. O silêncio é absoluto — até os Lufa-Lufas mais apreensivos parecem fascinados.

Com um movimento fluido, que mais parece uma dança ensaiada, Cassian traça o símbolo do infinito no ar. Sua varinha deixa um rastro prateado que brilha por um instante antes de se dissipar. "Multiplicatio," pronuncia, sua voz clara e firme, e toca a pena com uma precisão calculada.

O efeito é imediato e deslumbrante. A pena original começa a emitir um brilho suave, que se intensifica gradualmente até explodir em um espetáculo de luz prateada. Não cinco, mas oito cópias idênticas se desdobram da original, flutuando graciosamente antes de se organizarem em um círculo perfeito sobre a mesa. Cada cópia é impecável — as fibras, as nuances de cor, cada detalhe reproduzido com precisão.

"Extraordinário!" Professor Flitwick guincha de alegria, quase perdendo o equilíbrio em sua pilha de livros. Seus pequenos olhos brilham de empolgação. "Simplesmente extraordinário! Uma superconjuração! Vinte pontos para Sonserina!"

Os Lufa-Lufas observam boquiabertos. Alguns cochicham entre si, outros apenas encaram as penas com espanto mal disfarçado. Os Sonserinos exibem sorrisos orgulhosos — até mesmo Ambrose, no fundo da sala, parece genuinamente impressionado.

"Vejam, classe," Flitwick continua, praticamente saltitando de entusiasmo enquanto examina as cópias. "Observem como cada pena mantém até o padrão microscópico das fibras. E o controle sobre o posicionamento — cada cópia perfeitamente espaçada em um círculo harmonioso. Isso, meus caros alunos, é o que chamamos de maestria em Feitiços. Magnífico, Sr. Blackwood, simplesmente magnífico!"

"Obrigado, Professor," Cassian responde com uma reverência respeitosa, mantendo a compostura apesar da satisfação que sente. Ele retorna ao seu lugar, consciente dos olhares que o seguem — alguns admirados, outros apreensivos, mas todos impressionados.

Edgar cutuca Cassian de lado com um gesto de aprovação assim que ele se senta. "Brilhante como sempre," murmura. "Até o Flitwick ficou surpreso com o número de cópias."

O Professor Flitwick ainda está radiante enquanto chama o próximo aluno. "Agora, quem mais gostaria de tentar? Senhorita Whitby, que tal você?" Emma Whitby, uma Lufa-Lufa do quinto ano, se levanta hesitante, visivelmente desconfortável. A demonstração impressionante de Cassian parece ter aumentado ainda mais sua ansiedade.

"Você estabeleceu um padrão muito alto para a turma seguir," Edgar sussurra, com um leve sorriso.

Emma avança até a frente da sala e tenta o feitiço, traçando o símbolo do infinito no ar com um movimento inseguro. Quando pronuncia "Multiplicatio," o resultado é modesto — apenas uma cópia da pena, e esta flutua torta antes de cair desajeitadamente sobre a mesa. Alguns colegas dela oferecem palavras de encorajamento.

Enquanto isso, os Sonserinos continuam lançando olhares ocasionais na direção de Cassian. Sua demonstração de habilidade mágica, especialmente depois da tensão com Ambrose na aula anterior, parece ter mudado algo na dinâmica da casa.

As cópias perfeitas ainda brilham suavemente na mesa do professor, um testemunho silencioso de seu talento. No entanto, Cassian percebe que duas alunas da Lufa-Lufa, Rose Zeller e Laura Madley, cochicham enquanto o observam, os olhares que lançam em sua direção estão carregados de desaprovação.

Quando percebem que estão sendo observadas, Rose e Laura desviam o olhar rapidamente, fingindo se concentrar em suas próprias tentativas do feitiço. Edgar, que também percebe a interação, murmura: "Ignore-as. Provavelmente acham que você vai usar o Multiplicatio para criar um exército de cobras ou algo assim." Há uma nota de amargura em seu tom — ele também está cansado das suposições que sempre recaem sobre os Sonserinos.

Enquanto isso, o Professor Flitwick continua a aula. "Excelente progresso, Senhor Summerby! Suas cópias estão quase simétricas agora!"

Notando a frustração de Edgar com o feitiço, Cassian se inclina levemente em sua direção e começa a dar dicas discretas. "Você está fazendo o movimento muito angular," sussurra, acompanhando com um pequeno gesto no ar. "Pense mais em algo fluido, como... como uma dança."

Edgar respira fundo e tenta novamente, desta vez seguindo a orientação de Cassian. Com um movimento mais suave e focado, sua pena finalmente produz uma única cópia. Não é perfeita, mas é visivelmente melhor do que suas tentativas anteriores.

"Incrível!" Professor Flitwick exclama, notando a melhora de Edgar. "Vejam como o Sr. Wainwright progrediu! E excelente trabalho auxiliando seu colega, Sr. Blackwood. Mais cinco pontos para Sonserina!"

Rose e Laura interrompem seus cochichos por um momento, lançando olhares desdenhosos em direção a Cassian, mas permanecem caladas.

Edgar sorri discretamente. "Obrigado. Acho que finalmente entendi o movimento." Encorajado pelo sucesso com Edgar, Cassian decide ajudar também os outros colegas de quarto e Lisandra Greengarden.

"Vejo que o espírito de cooperação está se espalhando!" Professor Flitwick comenta animadamente enquanto observa Cassian se mover discretamente entre os Sonserinos.

Lysander Mulciber aceita sua ajuda com um aceno breve e silencioso, enquanto Ambrose Rosier hesita antes de permitir que Cassian sugira ajustes em sua técnica. Já Lisandra Greengarden parece especialmente grata quando ele corrige sutilmente o ângulo de sua varinha, permitindo que suas cópias se formem com mais precisão. "O Sr. Blackwood está demonstrando uma excelente compreensão, não apenas do feitiço, mas também de como ensinar esse conhecimento," Flitwick comenta com entusiasmo. "Mais dez pontos para Sonserina!"

Agora, alguns Lufa-Lufas observam a cena com expressões confusas. O contraste entre a reputação intimidadora de Cassian e seu comportamento paciente como tutor parece deixá-los intrigados.Ambrose, após finalmente criar duas cópias razoáveis de sua pena, murmura: "Você realmente tem talento com isso, Blackwood."

O Professor Flitwick passa novamente, radiante, elogiando o progresso geral da turma. "Vejam como a cooperação melhora os resultados! Excelente, excelente!"

Cassian sai da aula apressado, evitando prolongar os elogios e a atenção. Enquanto caminha para fora, ainda consegue ouvir a voz animada de Flitwick comentando sobre seu desempenho. O corredor está relativamente vazio, já que a maioria dos alunos ainda está guardando seu material.

Desviando do caminho principal, Cassian opta por um dos corredores menos usados, que leva por um trajeto mais longo até o Salão Principal. O corredor de pedra está silencioso, com apenas alguns retratos sonolentos pendurados nas paredes. Edgar, entendendo seu humor, não o segue.

Ao passar por uma das janelas altas do castelo, Cassian para, atraído pelo movimento no campo de Quadribol. O time da Grifinória está praticando — pontos vermelhos e dourados cortam o céu cinzento de outubro em voos rápidos e ágeis.

Quadribol nunca despertou muito seu interesse. Ele prefere manter os pés no chão, algo que sempre o diferenciou da maioria dos estudantes de Hogwarts, especialmente dos Sonserinos, que são fanáticos pelo esporte — principalmente pela rivalidade com a Grifinória.

O som de passos leves e saltitantes ecoa pelo corredor, um ritmo que ele reconhece imediatamente. Luna se aproxima com aquele jeito inconfundível. "Os Diricawls costumam voar assim também" sua voz sonhadora ressoa atrás dele. "Embora ninguém consiga vê-los fazer isso, claro." Ela para ao lado de Cassian, a Campainha-Lunar ainda brilhando suavemente em sua orelha.

"Você parece pensativo," observa, também olhando pela janela. "Ouvi dizer que você causou bastante impressão na aula de Feitiços." Há um tom divertido em sua voz. "O Professor Flitwick estava contando para a Professora McGonagall no corredor sobre sua superconjuração."

"É, acho que exagerei um pouco," Cassian admite, com um meio sorriso. "Talvez porque as outras aulas não estejam indo tão bem."

Luna inclina a cabeça, observando um dos artilheiros da Grifinória executar uma manobra complexa. "Você não precisa ser bom em tudo. É como as criaturas mágicas — cada uma tem seu próprio dom especial. Os Testrálios são incríveis voadores, mas seriam péssimos cavando tocas como os nifflers." Ela se vira para ele, seus olhos azuis brilhando com aquela peculiar mistura de sonho e perspicácia. "Além disso, sua demonstração em Feitiços pode ter chamado a atenção de certas pessoas..." Sua voz se torna mais suave, a pausa carregada de significado. "Especialmente de um professor que aprecia talentos excepcionais."

A Campainha-Lunar em sua orelha pisca mais intensamente por um breve instante, refletindo a luz cinzenta que entra pela janela.

"Isso seria uma excelente notícia," Cassian responde, observando as vassouras se tornarem borrões enquanto os jogadores aceleram no céu. Ele hesita antes de perguntar: "Você ainda é amiga deles? Potter e os Weasley?"

Luna olha pensativamente para os jogadores no céu, como se considerasse a pergunta com cuidado. "Sim, somos amigos. Gina é especialmente gentil comigo." Ela faz uma pausa, e sua voz adquire um tom mais sério. "Eles são boas pessoas, Cassian. Lutam pelo que acreditam ser certo."

Luna se vira para Cassian, seus olhos azuis encontrando os dele. "Mas você também é meu amigo. E eu sei que você luta pelo que acredita ser certo, mesmo que de um jeito diferente." A Campainha-Lunar brilha suavemente enquanto ela fala. "As pessoas gostam de ver o mundo em preto e branco, especialmente em tempos como este. Mas há tantas cores entre esses extremos, não acha?"

Luna observa Cassian fazer uma careta ao ouvir. "Eus ei que você não gosta de Harry, mas ele carrega muitos fardos. Às vezes isso pode parecer arrogância." Seu olhar se perde por um momento, seguindo uma folha de outono que dança no ar do lado de fora da janela. "Mas é curioso... você e ele têm mais em comum do que imagina."

Ela se vira novamente para ele, seus olhos brilhando com aquela mistura única de doçura e perspicácia. "Ambos são julgados por coisas que não escolheram."

Cassian observa o campo de Quadribol por um momento, os pontos vermelhos e dourados ainda cortando o céu cinzento. "Talvez viver na Sonserina naturalmente me faça não gostar do Potter e dos Weasley," ele reflete, sua voz baixa, quase para si mesmo.Luna balança a cabeça suavemente. "Não é natural, é condicionado."

Ela observa os jogadores por mais um momento, sua voz se tornando mais suave. "É curioso como as casas podem nos unir e nos dividir ao mesmo tempo. A Sonserina te deu irmãos, mas também te deu ideias preconcebidas. Assim como a Grifinória deu coragem ao Harry, mas talvez também um pouco de... intransigência."

"É por isso que gosto tanto de ser sua amiga. Você questiona essas divisões, mesmo que nem perceba que faz isso. "Um vento mais forte sopra do lado de fora, fazendo as folhas dançarem no ar como pequenas chamas vivas. "Além disso," ela acrescenta com um pequeno sorriso, "você nunca me chamou de Di-Lua."

Cassian a encara, o olhar carregado de algo que ele não consegue expressar em palavras. "Eu nunca seria capaz disso."

Luna observa o brilho intenso de sua Campainha-Lunar, o interesse em seus olhos quase científico. "Eu sei," ela diz suavemente. "É por isso que a Campainha-Lunar brilha tanto perto de você. Ela reage à magia, sim, mas também à verdade das emoções."Luna toca gentilmente a flor brilhante em sua orelha. "Quando as pessoas me chamam de Di-Lua, ela mal pisca. Mas quando você está por perto, especialmente em momentos como este..." Ela gesticula em direção à luz intensa, "...ela brilha como se tivesse engolido uma estrela."

Um momento de silêncio confortável se instala entre eles, quebrado apenas pelo som do vento de outubro nas janelas altas.

"Ás vezes me pergunto," ela acrescenta, pensativa, " se o Espelho da Ancestralidade mostra esse tipo de verdade também. Aquelas que estão escondidas sob as aparências."

"Eu gostaria de ter essa sua visão," Cassian admite, olhando para o horizonte cinzento. "Tenho medo de que o espelho seja só uma lenda, ou algo que foi escondido porque é perigoso demais."

Luna se vira completamente para ele. "Lendas podem ser verdades que ninguém se deu ao trabalho de entender direito." Ela faz uma pausa, e sua voz adquire um tom mais sério. "Quanto a ser perigoso... bem, o conhecimento sempre pode ser perigoso nas mãos erradas. É por isso que importa tanto quem o procura, não é?" A Campainha-Lunar pulsa suavemente enquanto ela fala. "E você... você procura por respostas, não por poder. Há uma diferença."

Luna olha brevemente pela janela, onde os jogadores de Quadribol agora não passam de pontos distantes no céu nublado. "Além disso," ela acrescenta com um pequeno sorriso, "você tem a mim para ajudar. E duas cabeças pensam melhor do que uma, mesmo que uma delas seja considerada um pouco... lunática."

Cassian ri, um som baixo, mas genuíno. "Você consegue melhorar meu humor melhor do que um Brunivolt."

Os olhos de Luna se iluminam ao ouvir a menção dos Brunivolts. "Oh!" ela exclama, animada, os olhos brilhando de entusiasmo. "Você se lembra dos Brunivolts! A maioria das pessoas só sorri educadamente quando falo deles."

Ela se inclina levemente, como se compartilhasse um segredo. Sua voz baixa, quase conspiratória. "Na verdade, acho que tem um perto de nós agora. A Campainha-Lunar sempre brilha de forma diferente quando eles estão por perto... como está fazendo agora."

Luna observa o brilho pulsante da flor em sua orelha. "Embora," acrescenta pensativamente, "também possa ser apenas o efeito que você tem sobre ela. É difícil dizer com certeza quando magias se misturam assim." Um sorriso suave brinca em seus lábios. "De qualquer forma, fico feliz em melhorar seu humor. Mesmo sem a ajuda dos Brunivolts."

Eles começam a caminhar pelos corredores em direção ao Salão Principal, Luna falando animadamente sobre as peculiares dos Wormpests. Seus passos leves e saltitantes contrastam com o andar mais firme e contido de Cassian.

Ao se aproximarem do Salão Principal, o barulho de vozes e o tilintar de talheres se intensificam, preenchendo o corredor com a energia habitual das refeições.

"Oh," ela interrompe sua explicação animada sobre os hábitos alimentares dos Wormpests, "acho que chegamos. Ela se despede com naturalidade. Cassian segue para a mesa da Sonserina, onde se senta e se serve de uma generosa porção de peixe, começando a comer com apetite. Da mesa da Sonserina, ele observa Luna se acomodar entre os Corvinais. Ela sorri enquanto desembrulha a edição mais recente d'O Pasquim, completamente alheia — ou indiferente — ao afastamento sutil de alguns colegas ao seu redor. Como sempre, Luna parece simplesmente não se importar.

O peixe está particularmente bom hoje, e o Salão Principal vibra com os sons familiares do almoço — conversas, risos e o tilintar constante de talheres. Acima, através do teto encantado, o céu nublado pesa sobre o castelo, suas nuvens carregadas prometendo chuva iminente.