O Descendente da Guerra
1 Minha vizinha não tão amigável
Acordei atrasado, só para variar. Era o quarto dia seguido que isso acontecia. Os pesadelos eram tantos, que não conseguia mais dormir em paz durante a noite. Eles começaram exatamente há quatro dias atrás, coincidentemente em meu 13º aniversário.
Me arrumei o mais rápido que pude. Enquanto descia as escadas correndo, ouvi minha mãe dizer:
- Nath, você não vai tomar café de novo? – perguntou.
- Foi mal mãe – disse quanto passava pela cozinha, em direção à porta. – Estou atrasado, de novo.
Não tenho o que reclamar de minha mãe. Ela sempre demonstrou muito amor e carinho. Embora, de vez em quando, ela pareça ser superprotetora. Também sei que ela e papai escondem algo importante.
Fui refletindo em torno desses pensamentos, e quando dei por mim, já estava na parada do ônibus. Aproveitei para tentar estudar para o teste final de física, mas não conseguia me concentrar em apenas uma coisa. Estava lendo meu livro, mas também estava ciente da presença de uma abelha voando à minha direita, de um passarinho numa árvore a cinco metros de distância e da correção de formigas que havia no muro atrás da parada.
O ônibus chegou, e por sinal, estava lotado. Me espremi entre as demais pessoas, me perguntando se isso acontecia com todos que entravam na adolescência.
A professora faltou, então o teste foi cancelado e fomos liberados para voltar para casa. Ótimo. Procurei por Matt, meu amigo, mas ele já havia ido. Legal, iria sozinho para casa. O dia só melhorava.
Estava a dois quarteirões de casa quando vejo uma mulher conhecida vindo em minha direção. Era a Sra Hudson, minha vizinha.
- Bom dia criança – disse ela, chegando mais perto – você não deveria andar nas ruas sozinho. Pode ser perigoso.
E então ela voou para cima de mim. Literalmente.
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