O Descendente da Guerra
3 Meninas bonitas são assassinas
Encontrei minha casa totalmente revirada. Aquilo estava pior que meu quarto. Gritei pela minha mãe, nenhuma resposta. Subi correndo as escadas, dois degraus por vez, em direção ao meu quarto. Estava totalmente destruído. A cama havia sido quebrada em duas. Minha estante com meus poucos livros estava jogada no meio do cômodo. A mesa com meu computador havia sumido, ou eles estavam desaparecidos em meio aos destroços que eu via.
– Aquela cantora de meia tigela vai pagar pelo que fez – ouvi minha voz dizer. Então me dei conta. O que estava acontecendo comigo?
Vamos repassar os fatos. Meu nome é Nathan Wilborn, tenho treze anos. Até aí tudo ok. Sempre tirei notas boas na escola, nunca arrumei briga. Confere. Meus pais eram Marie e Thomaz Wilborn. O que foi que eu deixei passar? Por que aquele dia havia se tornado um caos total? Quem eu realmente era? Afinal, eu estava agindo de um modo que não era nada natural para mim. Haviam muitas perguntas sem respostas.
Ao ir em direção à cama, encontrei um envelope pardo, todo amassado, porém ainda lacrado. Não existia modo algum de errar a pessoa que o tinha deixado para mim. A caligrafia perfeita de minha mãe dizia a seguinte mensagem: “Leia isto e lembre que, eu e seu pai, sempre amamos você.”
Abri o envelope e peguei tudo o que havia dentro dele. Haviam duas folhas de Papel e uma fotografia. Na foto, um homem segurava um bebê nos braços. Tinha a impressão que os conhecia de algum lugar. O outro papel era uma certidão original. Procurei pelo nome e empalideci.
– Não é possível. – falei – Isso tudo só pode ser brincadeira.
Ali, bem na minha frente, estava meu verdadeiro nome. Nathan Foster, filho de George Foster. Sem mãe. Com as mãos tremulas, peguei a carta. Porém, ao iniciar a leitura, ouvi um som lá em baixo.
Desci as escadas correndo, com um pedaço de minha cama em mãos para atacar Esteno. Mas quando chego lá, não encontro minha vizinha. É dez vezes pior. Uma garota me olhava com um olhar assassino, segurando uma espada negra. E era ela linda.
Seus cabelos negros iam até o meio de suas costas. Sua pele pálida servia de contraste para seus traços finos e olhos escuro. Devo ter ficado muito tempo a admirando, pois ela me olhou e disse:
– Você poderia fechar a boca, por favor? – falou, em um tom sério – Bem, você deve ser Nathan. Meu nome é Katherine, e vejo que você já cuidou do monstro.
– Na verdade, ela deve estar chegando aqui a qualquer instante. – falei.
– Ótimo – respondeu – Serei breve. Você virá comigo. Fim de papo.
– Dociinhoooo, uhuuuuu – chamou Esteno, vindo da rua, ainda sem perceber que estávamos na sala – cadê você?
Ao se deparar com a espada negra de Katherine, o monstro entrou em estado de choque. Então, a linda menina, assumiu um riso sarcástico no rosto e pulou para cima de Esteno, brandindo sua espada.
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