O Descendente da Guerra
4 Preciso comprar um bloco de anotações
A luta toda deve ter demorado em média uns treze segundos. Katherine era habilidosa com a espada, o que me deixou completamente aterrorizado. Segunda nota mental do dia: nunca irritar meninas bonitas portadoras de espadas ou qualquer objeto afiado que possa ser usado como arma.
– Eu sinto um cheiro horrível em você. – graniu Esteno – Só pode ser filha do S...
Katherine gritou. Mas não foi um grito qualquer, foi um grito que transbordava poder. Ela arremessou sua espada, que acertou no peito da minha vizinha. Parece que ela tinha ganhado passagem só de ida para visitar a Sra Almarez.
– Certo, — comecei – você pode me explicar o que está acontecendo? Eu realmente não sei de onde tudo surgiu! Ela ia te chamar de Filha do que? Por que você não deixou ela falar?
– Por favor. – resmungou Katherine – Eu acabei de salvar a sua vida. Pode calar a boca um instante?
Olhei para o corpo de minha vizinha. Correção: olhei para aquilo que deveria ser o corpo de minha vizinha. O que havia ali não passava de um monte de areia dourada.
– Estou enlouquecendo. – falei – Só pode ser isso.
– Ah, me poupe! – Katherine me reprimiu – Você já deveria saber de tudo isso! Ah não ser... Você não sabe o que você é.
– É claro que eu sei o que eu sou! – gritei – Sou um menino de treze anos que foi perseguido pela vizinha e não achou os pais em casa!
– Espere um pouco. Como assim “Pais”? – Katherine fez aspas com os dedos na palavra pais.
– É, meus pais. Eu acho que são pelo menos. Eram, até alguns instantes atrás. Mas agora, não sei nem onde eles estão.
– Eles não te deixaram nada? – perguntou Katherine, que já parecia milhões de vezes mais compreensiva.
– Me deixaram uma carta, escrita por outra pessoa. Uma foto. E uma certidão de nascimento minha, porém com outro nome.
– Entendo. – respondeu ela. – Vamos adiar nossa ida até você ler a carta. Partimos em cinco minutos.
Encarei Katherine para procurar algum traço de humor em seu rosto, que por sinal era lindo. Já falei isso? Bem, era lindo. Foco Nathan.
– Como assim, “partimos”? – perguntei. – Não vou a lugar algum com você!
– Ah, vai sim. Nesse exato momento existem duas irmãs daquele monstro, iguaizinhas a ela, caçando por você. É melhor se arrumar depressa, você só tem mais quatro minutos.
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