O Convite
31 O Passado Diz 'Oi'
O CONVITE – O Passado Diz 'Oi'.
Quinn estacionou seu carro em frente à casa de sua amiga e conferiu seu celular antes de descer. Uma nova mensagem:
Pequeno Tour pela cidade, é tudo tão limpo e as pessoas parecem tão civilizadas... Subindo a CN Tower agora. Te amo! – Rach.
Ela sorri e responde dizendo que está chegando na casa da Carol e pedindo uma foto do topo da torre.
"Oi Quinn." Charles lhe recebe na porta com um meio abraço, segurando uma toalha e um pegador de salada. "Carol está dando um banho no Nick e eu estou terminando de preparar o almoço, fique a vontade." Ele da um passo para o lado, deixando-a entrar.
Charlie é um homem realmente alto, sua pele é morena, como se ele tivesse um bronzeado permanente e seus cabelos são escuros e cacheados, seus olhos verdes brilham de forma calorosa. Finn pareceria baixinho perto dele. "Obrigada..." Ela o segue porta a dentro, passando pelo hall de entrada e atravessando a sala até chegar a cozinha. "Como estão as coisas?"
"Bem." Ele sempre foi um homem serio e de poucas palavras, mas o amor que ele sentia pela esposa era totalmente evidente e esse fato fazia com que a loira gostasse dele de verdade. "Eu tirei um ano de licença para ficar com os meus dois amores e ainda é um pouco estranho não ter que lidar com a rotina da clinica, mas vale a pena..." Ele sorri e retira uma panela do fogão.
"Você vai ficar um ano afastado?" Pergunta ela de olhos arregalados. Tanto ele quanto Carol eram relativamente viciados em trabalho.
"Tecnicamente sim, mas provavelmente eu vou passar lá uma vez por semana e, bem... você sabe que eu tenho uma paixão pelo bisturi, não vou conseguir ficar muito tempo longe da sala de cirurgia..." Ele mistura o molho à massa em uma tigela de vidro.
"Eu sei como é isso..." Ela realmente sabe, seu trabalho é uma das coisas mais importantes para ela.
"Mas o doutor Young está no meu lugar agora como cirurgião principal e eu realmente confio no trabalho dele, mesmo que sua especialidade seja rinoplastia..." Charlie era cirurgião plástico, um dos melhores e mais famosos de sua geração. Pessoas vinham do mundo inteiro para operar os seios com ele.
"E o bebê está se comportando bem?" Ela começa a ajudá-lo a aprontar a mesa.
"Sim." Um sorriso enorme se materializa em seu rosto. "Ele é perfeito, mesmo que eu não durma há alguns dias..."
Ela pode ver que ele está totalmente bobo e não consegue deixar de sorrir também. É tão bom ver seus amigos felizes dessa maneira. Ela sabe como eles haviam tentado engravidar e tudo o que eles passaram quando descobriram que não poderiam ter filhos. A adoção foi um verdadeiro milagre para o casal.
"Oooi..." Carol entra no aposento, segurando Nicholas em seus braços e caminhando em direção a seu marido e Quinn. Ela beija a bochecha da loira e sorri para Charles.
Quinn imediatamente se inclina sobre o bebê e brinca com a mãozinha dele. Ela sabe que os dedinhos dele envolvem o seu por causa de um reflexo involuntário, mas ainda assim, o gesto fazia seu coração inchar. Ela adorava bebes, mas não conseguia não lembrar de Beth toda a vez que tinha que lidar com um. E em seu trabalho, isso era um problema. Ela via crianças quase todos os dias. De certa forma, seu trabalho era uma forma de se redimir por ter abandonado sua própria filha. "Ele é lindo..." Comenta ela, sorrindo para Carol.
"Quer segura-lo?"
Ela faz que sim com a cabeça e a psicóloga passa o bebe para seus braços. Ele é tão pequeno... Nicholas instantaneamente se acomoda nos braços da loira, a observando com seus grandes olhos castanho claros. Seu cabelo era loirinho e Carol pensa que ele poderia ser filho de sua amiga. Ele boceja e se aninha contra o peito de Quinn.
Os dedos da loira percorrem os finos fios de cabelo e ela morde o lábio, lembrando da primeira vez em que havia segurado um bebê com os cabelos tão loiros no colo. Beth... Ela beija o topo de sua cabeça e começa a embalá-lo sem desgrudar os olhos de sua pequena forma sonolenta.
"Ele gosta de você..." Carol sorri, deixando-se abraçar por Charles que apóia a cabeça em seu ombro.
"Você pensa em ter filhos Quinn?" pergunta o medico, sorrindo para Quinn que parecia saber exatamente como por um bebê para dormir.
A loira morde o lábio e olha para o casal. "Eu não sei... Acho que sim, mas eu não acho que queira engravidar de novo. Não depois de tudo o que eu passei com a Beth..."
Carol fica séria, ela e seu marido já tinham ouvido toda a historia e sabiam o que havia acontecido, o que Shelby havia feito. "Desculpa Quinn, nós não devíamos ter trazido esse assunto..."
"Está tudo bem. Eu não nego o que aconteceu." A loira sorri para o menino em seus braços. Ele estava prestes a pegar no sono. "Eu me arrependo por ter feito o que fiz e reconheço que não posso mudar o passado. Claro que eu queria poder, mas..." Uma pequena lagrima escapa de seus olhos e escorre por seu queixo, pousando na manga do tip-top verde claro que Nicholas estava usando.
"Quinn..." A psicóloga se aproxima dela.
"Eu amo a minha filha, eu queria poder vê-la de novo..." Mais algumas lágrimas escorrem, mas ela se mantém firme. Esse assunto a afeta demais e ela se obriga a lidar com ele de vez em quando, a conversar sobre isso, mesmo sabendo que ninguém jamais vai entender o que ela fez e muito menos todo o amor que a motivou a abrir mão da coisa mais importante em sua vida.
"Você não tentou falar com Shelby novamente? Talvez as coisas sejam diferentes agora..." Carol apóia uma mão em seu ombro e aperta levemente.
"Não, eu prometi que iria me afastar. Beth não precisa de mais uma mãe..." A loira fecha os olhos com força e abraça o bebezinho em seus braços, ele descansa a cabeça na curva de seu pescoço e uma de suas mãozinhas agarra seus cabelos. Ela continua balançando devagar, de um lado para o outro e murmurando uma canção de ninar. Nenhum dos três fala coisa alguma, aquele momento exigia silencio.
Charlie termina de por a comida na mesa e Carol observa Quinn ninar o seu filho, sentindo seu coração afundar por sua amiga, ela não imagina como seria ter de abrir mão de Nicholas agora...
A loira coloca Nick no berço com toda a delicadeza do mundo e afaga seus cabelos uma ultima vez antes de sentar junto a seus amigos. Carol decide mudar de assunto, ela não suporta ver o olhar de tristeza em sua melhor amiga.
"E como estão as coisas com Rachel? Ela chegou bem em Toronto?"
O rosto de Quinn se ilumina um pouquinho e ela faz que sim com a cabeça.
"Quem é Rachel?" Pergunta Charlie, servindo-se de água.
Quinn sente suas bochechas esquentarem um pouco e Carol sorri para ela, como se dissesse que não havia problema algum em ser quem ela era.
"É a minha..." A loira faz uma pausa, secando suas mãos nas calças antes de continuar. "... namorada."
"Hum." O medico arqueia as sobrancelhas. "Eu não sabia que você estava namorando..."
"Não olhe para mim, fiquei sabendo disso ontem e só por que as peguei em flagrante." Brinca Carol, tentando amenizar o clima tenso. "Você iria gostar dela, totalmente espontânea e divertida, muito inteligente e realmente bonita, um tipo de beleza diferente, mas ainda assim estonteante."
Quinn fica ainda mais vermelha, mordendo o lábio. Ela enrola massa em seu garfo e leva a boca, não sabendo exatamente o que falar no momento. Era realmente bom ter a aprovação de seus amigos e ela realmente queria que Rachel estivesse ao seu lado.
"Você lembra quando eu te arrastei para o teatro no final do ano passado para assistirmos 'The People in the Picture?'" Pergunta a morena, olhando para seu marido.
"Sim, você sabe que eu não gosto dessas coisas..."
"Bom, você não cochilou nenhuma vez..."
"A historia era realmente interessante e a atriz principal conseguia passar as emoções de uma forma impressionante." Explica ele, dando de ombros. "Eu ainda não gosto de teatro, ou cinema, ou televisão... Exceto CNN."
Ela revira os olhos, seu marido era o maior nerd de todos os tempos, entre assistir um jogo na TV como qualquer homem normal ou ler um livro, ele preferia o livro. "Você lembra da atriz então?"
"Claro que sim, ela era tão pequena e ao mesmo tempo tinha tanta presença de palco que chegava a ofuscar seus colegas. Não tem como esquecer..." Ele enche a boca com um pedaço de frango. "Por que nós estamos falando sobre isso?" Pergunta ele com a boca cheia.
"Por que ela é Rachel Berry." Responde Carol, sorrindo para Quinn.
"E..."
"Minha Rachel Berry." Explica a loira, com um pequeno sorriso orgulhoso nos lábios.
"Sério?"
Quinn faz que sim com a cabeça. "Nós estamos juntas há algumas semanas..."
"Mas ela não estava namorando um cantor ou algo assim?"
"Você sabe melhor do que ninguém que no ramo artístico tudo não passa de uma fachada..." Carol, leva uma fatia de tomate aos lábios.
"Eu acho que você tem razão..." Ele olha para o prato. Charlie não iria admitir, mas ele nunca havia imaginado que Quinn Fabray fosse gay. Isso era uma noticia um tanto chocante...
"Ela chegou em Toronto e estava fazendo um tour pela cidade da ultima vez que falei com ela."
"Você está morrendo de saudades, não está?" Carol não consegue conter o sorriso.
Quinn morde o lábio. "Muito... Parece que faz anos que eu a vi pela ultima vez."
"Eu estou tão feliz que você tenha encontrado alguém Quinn..." A psicóloga alcança pela mão de Charlie. "Estar apaixonada é a melhor coisa do mundo."
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Quinn acena para Carol e Charlie, entrando em seu carro e puxando o seu celular para conferir as mensagens. 3 novas mensagens.
Pisando em um chão de vidro a 300 metros de altura. Saudades... – Rach
Ela abriu o anexo da mensagem e encontrou uma foto de Rachel em cima do tal chão de vidro ao lado de uma Meg prestes a ter um ataque de pânico. A loira riu e chacoalhou a cabeça.
Só pra dizer o quanto eu te amo. ;) – Rach
Ela mordeu o lábio e respondeu imediatamente.
Só para dizer o qto eu queria vc aqui... – Q
A ultima das tres mensagens faz seu sangue gelar e o sorriso desaparecer de seu rosto.
Pela ultima vez Q, preciso falar com vc. – Michael
Ela realmente não faz ideia do que ele possa querer e sinceramente, não quer saber. Quinn joga o celular dentro da bolsa e dirige para casa.
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"Sim, eu já vou te levar passear..." Quinn corria de um lado para o outro, Kurt estava vindo pega-la para o jantar e ela tentava encontrar o outro par de seu brinco enquanto fechava o zíper da bota e Jessie latia ao lado da porta.
Nesse momento a campainha toca.
"Droga!" Ela tropeça no tapete e quase cai no chão. Kurt estava adiantado... "Já vou!"
O cachorro literalmente enlouquece e começa a correr pela sala, latindo enfurecidamente. "Jessie! Shhh... É só o Kurt..."
Ela finalmente acha o brinco que estava faltando e corre até a porta, abrindo com um sorriso nos lábios, que é logo substituída por uma careta quando a loira vê quem é.
"Oi Quinn..." Um homem ruivo de um metro e noventa esta escorado na parede em frente a sua porta e Quinn não consegue formar palavras.
"Michael... O que você está fazendo aqui?"
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