O Convite
17 Brittana
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11 de outubro – segunda feira – madrugada – residência dos Lopez.
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O CONVITE – Brittana
Brittany abre os olhos no instante em que seu celular começa a tocar. Seu sono se tornou super leve por causa da gravidez de Santana e graças a isso ela conseguiu alcançar o aparelho na mesa de cabeceira antes que sua esposa acordasse. Ela rapidamente aperta o botão vermelho, rejeitando a chamada sem ao menos ver quem era e voltando a se enroscar nas cobertas. Provavelmente havia sido um engano. Ninguém que ela conhecesse iria ligar à uma da manhã.
Ela sorri para a figura adormecida ao seu lado e fecha os olhos. Alguns segundos depois o celular apita de novo, fazendo-a pular (quase que literalmente) de susto. Ela se controla para não soltar um grunhido e aperta os olhos para o visor. Dessa vez é uma mensagem. Ela desbloqueia a tela e uma janelinha se abre anunciando: 1 nova mensagem de Quinn. Ela franze a testa pensando no que Quinn poderia querer a essa hora, mas acaba apertando no anuncio, revelando a mensagem.
Preciso de ajuda. – Q
Ela passa a mão pelo rosto em uma tentativa de acordar. Por um momento ela pensa que pode estar sonhando. Esse tipo de coisa acontecia freqüentemente e ela acordava alguns minutos depois, totalmente confusa, sem saber o que era realidade e o que era sonho e Santana iria lhe dar alguma explicação cientifica sobre como o cérebro funciona e falar sobre os últimos estudos na área da neurociência do sono. Particularmente, a única parte que a interessava nesses momentos era a forma como a latina acariciava seus cabelos enquanto falava.
O aparelho vibra novamente, despertando a dançarina de seus pensamentos.
Por favor B, é urgente! – Q
Brittany suspira e se levanta, dando uma ultima olhada em Santana para ter certeza que ela ainda estava dormindo. Ela entra no banheiro do quarto e senta na banheira antes de discar o numero da casa de sua amiga. Quinn atende no primeiro toque.
"Qui..."
"Brittany!" A voz da assistente social esta estranha, um tanto rouca e a dançarina pode ouvir um soluço. Sua expressão muda de sonolenta para preocupada e ela de repente se sente totalmente desperta.
"Você está chorando?"
Mais um soluço do outro lado da linha.
"Oh Q, o que aconteceu?"
"Eu... eu não sei o que fazer B."
"Você esqueceu o caminho de casa? Isso acontece comigo às vezes..." Ela pensa no cartão com seu endereço que está dentro da carteira. Ideia da Santana, depois disso ela nunca mais se perdeu, exceto pela vez em que deixou a carteira no estúdio...
"Não B, eu estou em casa, esse não é o... o problema." Suspira Quinn.
Brittany fica em silencio esperando que sua amiga continue.
"Eu... Rachel me mandou uma mensagem com o endereço dela."
"Humm, a Rachel esqueceu o caminho de casa?"
"O que... Não! Quero dizer acho que não..." Quinn parece ter se acalmado, sua voz esta soando um pouco mais normal agora.
"Eu estou confusa..."
"Ela me mandou o endereço por que eu a chamei para um encontro." Quinn se apressa em explicar.
A porta do banheiro range levemente, atraindo a atenção da dançarina. Um gato branco e peludo entra pela fresta e desliza por entre suas pernas. "Oi amiguinho, o que você está fazendo aqui?" Ela faz carinho na cabeça de seu gato, esquecendo-se da assistente social ao telefone.
"Brittany? Com quem você está falando?" Quinn pergunta relativamente frustrada. Ela precisava de uma amiga e Brittany não estava sendo muito útil no momento.
"Oh, desculpa. O Sr. Branca de Neve acabou de entrar no banheiro..."
"Humm. Você está no banheiro?"
"Eu não entendo Quinn."
"Hã?"
"Qual é o problema entre você a Rachel."
"Bem..." Quinn começa a gaguejar. "Eu... eu... acho que nós estamos..." Ela tenta responder.
"Isso não foi uma pergunta Q."
"Ok, agora eu estou confusa."
"Você a chamou para um encontro, ela aceitou. Qual é o grande problema?" Ela continua correndo os dedos pelo pelo do gato, fazendo-o ronronar. "Vocês duas gostam uma da outra, ontem vocês pareciam totalmente apaixonadas."
"Esse é o problema B." A voz dela parece triste e a dançarina se endireita, dando total atenção para o que sua amiga está falando agora. "Eu estou morrendo de medo..." Ela começa a chorar novamente.
"Eu queria poder te abraçar agora Q." Brittany fica em pé e espia pela fresta na porta. Santana continua na mesma posição.
Quinn emite um som que parece uma risada.
"Você pode vir aqui." A dançarina prende uma mecha de cabelo atrás da orelha. "Mas não agora, de manha, para o café."
Quinn não responde.
"Eu acordo as sete."
"Obrigada B..." Ela diz entre soluços. "Eu..."
"Fica bem Quinn..."
"Desculpa te acordar, mas..."
"Não precisa se preocupar Q." Ela falava sério.
"Boa noite..."
"Até daqui a pouco."
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Brittany levantou exatamente às sete horas e foi direto para o banho. Na segunda feira o estúdio abria as oito, mas ela só tinha que estar lá às nove. As aulas da manhã eram exclusivamente para crianças, pelo menos nas segundas, e era isso que a fazia adorar esse dia.
A dançarina adorava crianças, ela as entendia. Santana sempre dizia que ela seria uma boa mãe. A latina nunca quis engravidar, o plano era que Brittany teria todos os filhos do casal e elas realmente tentaram seguir esse plano. Seis vezes. Seis inseminações frustradas. Uma lagrima escorre pelo rosto da loira e mistura-se com a água enquanto ela desliga o chuveiro.
Ela sai do banheiro e encontra sua esposa acordando. Britt entra no closet e pega suas roupas de trabalho, uma saia bordô e uma blusa branca sem mangas.
"Eu te acordei?" Ela pergunta enquanto se veste.
"Não." Santana aparece na porta com as mãos na barriga e um sorriso no rosto. "Ela me acordou."
"Brittany fecha o sutiã e se aproxima para um beijo. "Ela continua se mexendo?"
"Sem parar..." Ela conecta seus lábios brevemente.
A loira sorri, mas é um sorriso triste. "E como é?" Ela encosta as costas da mão no abdômen de sua esposa. "Sentir um bebezinho dentro de você?"
O sorriso no rosto da latina fraqueja e ela entrelaça seus dedos aos de Brittany. "Eu sei o quanto você queria..."
Elas são interrompidas pela campainha.
"Acho que é a Quinn." B beija a mão de Santana e veste a blusa em um movimento rápido, prendendo os cabelos logo em seguida.
"O que ela está fazendo aqui há essa hora?"
"Ela esta com medo da Rachel." E com isso a loira desaparece para o andar de baixo, deixando Santana sozinha com uma sobrancelha arqueada.
"O que?"
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"Oi." Quinn estava com uma cara horrível, o que para os padrões de Quinn Fabray significava que ela continuava linda, mas com olhos inchados e rosto manchado, como se tivesse passado a noite em claro, ou chorado por muitas horas seguidas. Provavelmente os dois.
Brittany puxa sua amiga para dentro e abraça-a com força. A assistente social enterra seu rosto no pescoço da dançarina e imediatamente se sente melhor. Brittany tem um poder calmante sobre as pessoas, mas isso não consegue evitar que algumas lágrimas escapem.
"Eu estou com tanto medo B..." Ela murmura enquanto a ex líder de torcida acaricia seus cabelos.
"Medo do que Q? A Rachel não vai te fazer mal..." Ela guia Quinn até a cozinha e a faz sentar em uma cadeira enquanto começa a preparar o café. Ela nunca foi uma boa cozinheira, mas colocar o pozinho e a água na maquina não era tão difícil.
"Eu não sei B..."
"Você não parecia tão assustada no aeroporto." Ela liga a maquina e senta-se em frente à assistente social.
"Acho que voltar para NY fez tudo parecer real."
"E não parecia real antes?" Pergunta Brittany, realmente confusa.
"Não, digo, sim... parecia... era real." Ela faz uma pausa. "Ainda é."
"Desculpa Quinn, mas eu realmente não consigo entender qual é o problema."
Quinn passa a mão pelos cabelos e encontra os olhos azuis de sua amiga com os seus. "Eu não sei o que as pessoas vão pensar B."
"O que as pessoas vão pensar sobre o que?"
"Eu não quero ser... Gay..." ela sempre engasga nessa palavra... Pensa Santana, que está sentada na escada, escutando toda a conversa.
"Eu sou gay." Brittany pisca algumas vezes.
"Mas eu não..."
"Eu acho que você é sim." Quinn vira o rosto e começa a brincar com a toalha de mesa. Brittany suspira. "Nós já tivemos essa conversa antes Quinn..."
"Está bem, já chega!" Santana entra no aposento e cruza os braços. "Essa discussão não vai levar a nada."
"Bom dia pra você também Santana..." Quinn revira os olhos para a latina.
"Ah, cale a boca Fabray." A assistente social arregala os olhos.
Brittany se levanta. "Meu amor, eu acho que..."
"Vocês duas. Para a sala. Agora." Santana da às costas para elas e desaparece na sala. Quinn e Brittany trocam um olhar relativamente assustado antes de segui-la.
Santana estava parada entre o sofá e a TV, com as mãos na cintura. Ela aponta para Quinn. "No sofá." A assistente social hesita antes de fazer o que a neurologista manda, mas acaba se dirigindo ao sofá bege e sentando-se em uma das extremidades, ao lado do gato que a recebe com um miado suave e se enrosca em uma bolinha peluda ao lado de seu braço.
"E você," ela caminha até onde Brittany está parada e lhe entrega as chaves do carro. "Vai se atrasar para o trabalho."
"Mas hoje eu começo as nove."
"Já são oito horas, alguém precisa pagar as contas enquanto eu estou afastada do hospital..."
"Mas o estúdio é meu. Eu já faltei antes..."
"Brittany..." Ela suspira.
"Você nunca me chama de Brittany..."
Santana pega a mão de sua esposa e a leva para fora de casa.
"Eu quero falar com a Q em particular."
"Mas..."
"Confia em mim." Ela acaricia o rosto da loira. "Eu entendo o que ela está sentindo. Eu já estive lá..."
"Lá aonde?"
Santana beija os lábios de sua esposa. "Confia em mim."
Brittany suspira. "Eu confio..." Ela retribui o beijo e se deixa guiar até o carro. "Almoçamos juntas?"
A latina faz que sim com a cabeça e acena antes de voltar para casa com uma expressão decidida no rosto.
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