O Convite
18 Entendimento
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O CONVITE – Entendimento
Santana voltou para dentro e olhou para Quinn, seus olhos se encontraram por um breve momento e a latina se desviou para a cozinha sem dizer palavra. A loira suspirou e voltou a olhar para frente, acariciando o gato distraidamente. As conversas com Santana normalmente eram turbulentas e no momento, ela não se sentia preparada para encarar uma delas. Alguns minutos se passaram e ela começou a se preocupar, achando que alguma coisa pudesse ter acontecido com sua amiga. Ela estava prestes a se levantar quando uma xícara fumegante se materializa em sua frente.
"Pega logo Fabray." Apesar das palavras, a voz de Santana soa tranqüila e ela senta-se ao lado da loira, espantando Sr. Branca de Neve para o chão.
"O que é isso?" Quinn pergunta suspeita.
"Chá de camomila e algumas outras ervas calmantes..." A latina se reclina no encosto e vira o rosto para encontrar o olhar da assistente social. Ela sorri. "Pode tomar Quinn, não tem veneno ai dentro..."
A loira cheira o conteúdo da xícara e arrisca um gole, descobrindo que o liquido quente é na verdade, muito bom. "Por que você está fazendo isso comigo? Espera, você acabou de me chamar de Quinn?"
"É o seu nome." Ela revira os olhos. "Você realmente acha que eu sou tão horrível?" Ela parece magoada e Quinn morde o lábio.
"Não é isso, é só que..."
"Eu sei que nós tivemos nossas diferenças no passado." Ela faz uma pausa. "Na verdade, nós não tivemos diferença nenhuma."
A assistente social não fala nada, simplesmente espera que a latina continue.
"É por isso que eu mandei a Brittany embora. Nós somos muito parecidas Quinn. Todas as vezes que nos desentendemos foi por que queríamos exatamente a mesma coisa."
A loira se lembra do passado e concorda com a Santana. Ela realmente tem razão.
"Eu amo minha esposa dês de o dia em que a conheci. É por isso que eu dormi com tanta gente durante o ensino médio. A ideia de estar apaixonada por uma mulher me assustava demais." Ela admite, ainda mantendo o contato visual como uma forma de mostrar para a assistente social o quanto essa conversa é importante. "A primeira coisa que passava pela minha cabeça era 'O que as pessoas vão pensar? ' e principalmente, o que elas iriam falar quando eu não estivesse por perto."
Quinn esboça um sorriso triste, ela se sente da mesma forma sobre a Rachel. "Não é como se eu tivesse duvidas em relação aos meus sentimentos, é só que talvez, esses sentimentos sejam demais para mim..."
"Eu entendo Q." Santana sorri e pega a mão de sua amiga, apertando de leve antes de continuar com a sua historia. "Então eu percebi que realmente queria ficar com ela, e danem-se as pessoas. Eu falei isso para ela e ela disse que não podia terminar com o Artie. Isso me destruiu. Seu eu tivesse sido um pouco mais corajosa e honesta sobre meus sentimentos antes..."
"Mas ela e o Artie acabaram terminando..." Agora é a vez de Quinn apertar a mão da latina, sentindo-se um pouco estranha em demonstrar afeto para com ela.
"Sim, e nós finalmente começamos a namorar."
A assistente social estava esperando que ela dissesse algo tipo 'e então vivemos felizes para sempre', mas o que acabou recebendo foi totalmente diferente.
"E foi ai que eu cometi os maiores erros." A loira franze o cenho, o relacionamento de B e S sempre pareceu perfeito aos olhos de todos... "Eu achava que no momento em que ficássemos juntas, meu medo da opinião publica iria passar, eu achava que amá-la seria o suficiente para me fazer enfrentar a tudo e a todos."
"E não foi?" Quinn estava um pouco confusa, a história que estava ouvindo não parecia condizer com o que ela havia vivenciado nos últimos oito anos.
"Eu surtei milhões de vezes. Eu evitava ao máximo beijá-la em publico, – o que você viu dentro de casa não conta – segurar sua mão, até mesmo abraçá-la. Eu a magoei demais Quinn. E sofri junto com ela por causa dessa ideia estúpida que eu tinha de que as pessoas não me aceitariam se eu fosse gay."
"E o que mudou?"
"Tudo. Eu percebi que a opinião dos outros não iria me fazer feliz e que a única pessoa que realmente importava era ela. Eu finalmente tomei uma decisão e a pedi em casamento. No momento em que deslizei a aliança improvisada por seu dedo, eu me responsabilizei pela nossa felicidade."
Elas ficam em silencio enquanto a loira termina de tomar o chá.
"Eu não posso te deixar cometer o mesmo erro que eu Quinn." A assistente social coloca a xícara sobre a mesa de centro e se reclina no sofá. "Eu tive muita sorte com a Britt, ela é relativamente fácil de lidar, mas Rachel é uma pessoa totalmente diferente. Ela é uma diva, muito cabeça dura, se você machucá-la..." Ela se vira um pouco no sofá, passando a mão pelos cabelos. "O que eu estou tentando dizer é que você já a machucou o suficiente no passado. Eu não acho que ela seja capaz de te perdoar novamente."
"Eu sei, eu só... Eu estou tentando entender o que estou sentindo, eu estou tentando conciliar isso com o que eu realmente quero e com o que espero da minha vida..." Ela se inclina para frente e cobre o rosto com as mãos. "Eu estou tão confusa e... Eu não estava esperando por isso. É tudo tão novo, não só o fato de ela ser uma mulher, mas o fato de ser Rachel... E o próprio sentimento. Eu nunca senti algo assim antes." A voz dela sai tremida e Santana passa um braço por seus ombros, trazendo-a para perto e escorando a cabeça loira em seu próprio ombro.
"Eu sei exatamente o que você está sentindo Quinn. Tudo o que você conhece mudou em um instante, mas não por causa de algo catastrófico e sim por que você encontrou, ou melhor, reencontrou alguém que te afetou de uma forma tão intensa e inesperada que te deixou perdida, sem ação. E você se sente confusa por que te faz bem, te faz querer ser uma pessoa melhor, mas ao mesmo tempo te assusta por que é algo totalmente novo e o ser humano tem medo do desconhecido."
Lágrimas quentes escorrem pela face da loira e a latina começa a acariciar seus cabelos e beija a sua testa.
"Está tudo bem Quinn..."
"Eu não queria me sentir assim San. Eu não queria..." Ela soluça e Santana tem que morder o lábio para reprimir o próprio choro. Os hormônios da gravidez a deixaram super sensível...
"Eu entendo." Ela se vira um pouco de lado e Quinn se aproxima um pouco mais, deixando-se abraçar. "E você pode fazer duas coisas." Ela suspira e seca algumas lagrimas com a manga de sua blusa. "Ou você ignora, ou você aceita esses sentimentos. Só saiba que ignorá-los não vai fazê-los desaparecer."
Quinn fica em silencio, ela já sabe o que quer, ela tomou essa decisão na noite do casamento e reafirmou-a no dia seguinte, quando beijou Rachel no meio do aeroporto cheio de gente, mas isso não servia em nada para simplificar a situação. Ser gay é muito complicado. Ela via isso todos os dias com Dave e Kurt, Brittany e Santana. "Será que eu estou preparada para isso?" Murmura ela, fungando um pouquinho.
"Eu não posso responder isso por você Q, mas independente do que acontecer, você tem o meu apoio."
A loira faz que sim com a cabeça e se afasta da latina, escorando o cotovelo no encosto do sofá.
"Ai!"
"O que foi? Eu te machuquei? Aconteceu alguma coisa com a bebê?" Quinn fica ainda mais branca do que já estava e praticamente pula em cima de sua amiga em preocupação.
"Deus Quinn! Está tudo bem, foi só um chute." Ela passa a mão pela barriga.
"Ela..." Quinn estende a mão hesitantemente. "Está se mexendo agora?"
Santana sorri e pega o pulso da assistente social, guiando seus dedos sobre a protuberância em seu estomago. "Ela tem se mexido muito ultimamente."
"Ai meu Deus!" Quinn sorri ao sentir um chute particularmente forte contra seus dedos. "Isso é tão..."
"Mágico?" A latina sorri ainda mais e a loira não consegue evitar pensar em Beth. Ela desvia os olhos e Santana fala novamente. "Eu acho que a minha filha está querendo falar também..."
"Como assim?" Pergunta Quinn, prendendo uma mecha de cabelos loiros atrás da orelha.
"Sabe, eu nunca quis engravidar. Eu queria filhos, mas nunca imaginei que fosse passar pelo processo."
A loira lhe lança um olhar triste. "Brittany..."
"Sim, eu estou fazendo isso por ela. Eu estou abrindo mão do meu corpo e provavelmente da minha sanidade por causa dela. Mas eu não consigo evitar. Eu a amo demais. Deus! Eu odeio gatos, mas veja isso!" Ela aponta para o monte de pelos brancos que a encarava preguiçosamente. "Eu até deixei que ela o chamasse de Sr. Branca de Neve! Quem é que chama um gato de Sr. Branca de Neve?"
Quinn começa a rir junto com a latina. Seus olhos se encontram por um momento e Santana pega a mão da loira novamente.
"Eu nunca estive tão feliz Quinn. Todos os sacrifícios do mundo valem à pena se isso significa que é nos braços dela que eu vou acordar toda a manhã... O que minha bebê está tentando dizer é, não se prive da felicidade por medo das conseqüências."
Quinn sorri de verdade agora e olha para a barriga de sua amiga.
"Você gosta dela?"
"Sim..." A loira não precisa perguntar para saber que elas estão falando sobre Rachel.
"E você acha que ela vale a pena?"
"Sim." Ela levanta os olhos.
"Então o que você está esperando?"
"Hã?"
"Vá atrás daquilo que você ama!"
"Eu nunca disse que a amava..."
Santana sorri e fica de pé, puxando Quinn consigo. "Ah, você ama..."
"Talvez você tenha razão..."
"Eu sempre tenho razão."
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Quinn desbloqueia seu celular e lê o endereço na tela mais uma vez antes de levantar os olhos para o prédio branco e amarelo a sua frente. Ela confere o numero e espia o porteiro através das portas de vidro. Ele parece totalmente distraído com o jornal e ela se pergunta se conseguiria subir sem ser anunciada... Pouco provável. Principalmente por Rachel ser Rachel, porteiros de pessoas famosas não deixam qualquer desconhecido subir sem um bom motivo.
A loira morde o lábio e decide tentar mesmo assim. O barulho da porta se abrindo atrai a atenção do homem que agora a olha com curiosidade. Ela mantém os óculos escuros em uma tentativa de esconder seus olhos inchados pelo choro.
"Bom dia, em que posso lhe ajudar?"
"Er... Eu tenho uma amiga que..." começa ela, mas é logo interrompida por uma voz familiar.
"Quinn?"
A loira vira lentamente ao ouvir a voz e não consegue evitar um sorriso quando seus olhos caem sobre a cantora.
"Oi..."
Rachel — que segurava um bolo de envelopes — sorri de volta e da um passo a frente. "O que você está fazendo aqui?"
Quinn sente seu coração acelerar e pequenos arrepios percorrerem a sua pele. A voz da diva tem esse poder sobre ela e a assistente social se perde nos olhos castanhos, levantando os óculos de sol para poder enxergar mais claramente.
Os olhos da cantora se arregalam em preocupação e ela se aproxima um pouco mais, "Você estava chorando Quinn?" estendendo uma mão para o rosto da loira e acariciando sua bochecha. "Aconteceu alguma coisa?"
Quinn coloca sua mão sobre a de Rachel e a afasta de sua face, entrelaçando seus dedos. "Está tudo bem agora..." E realmente estava. Estar perto de Rachel reafirmava sua decisão e excluía qualquer duvida que pudesse existir em sua cabeça.
Rachel olha o relógio na parede. "Você quer subir? Eu tenho uma reunião de almoço daqui a pouco, mas..."
"Não, Santana está me esperando no carro..." agora é a vez dela de se aproximar da diva, depositando uma mão em seu pescoço e desenhando pequenos círculos com o polegar.
"Oh..." A cantora fecha os olhos e respira fundo, sentindo-se inundar pelo perfume que vinha da loira. Um cheiro levemente adocicado e muito suave, como pétalas de rosa. Combinava perfeitamente com a mulher a sua frente...
"Eu só... precisava te ver." Sussurra Quinn, inclinando a cabeça para o ouvido da morena.
O porteiro limpa a garganta, quebrando o transe no qual elas se encontravam. A porta do prédio se abre e uma senhora de idade as cumprimenta antes de entrar no elevador. Rachel aperta a mão de Quinn e indica a porta das escadas com a cabeça. A loira sorri e assente, seguindo-a de perto, sem soltar sua mão.
Rachel deposita sua correspondência em cima da mesa do porteiro. "Já volto Joseph..." Ele lhes oferece um olhar de entendimento antes de voltar a atenção para o jornal novamente.
Quinn fecha a porta atrás de si e elas agora se encontram imersas em escuridão.
"A lâmpada está queimada já faz algum tempo, mas ninguém usa essas escadas de qual..." Rachel é interrompida por uma mão que cerca a sua cintura e a puxa para frente.
"Eu senti saudades..." A loira envolve a cantora em um abraço apertado, beijando o topo de sua cabeça. A mão de Rachel procura pelo rosto de Quinn no escuro e seus dedos começam a traçar a linha de sua mandíbula e o contorno de seus lábios.
"Está tudo certo para quarta a noite?"
"Huhum..." Concorda a loira, abaixando o rosto, deixando seus lábios percorrerem a face da cantora em uma serie de beijos delicados.
"Eu também senti saudades..." murmura ela, ficando na ponta dos pés e finalmente capturando a boca de Quinn com a sua.
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