Uma floresta? Cloudu estava num lugar desconhecido, em alguma parte de Rune-Midgard. Olhou para os dois lados e não viu nada além de gramado e algumas arvores. Se fizesse isso em sua ilha, poderia pelo menos ver o mar ou a aldeia. Começou a caminhar, para tentar explorar o ambiente. Haviam pequenos monstros no caminho, como porings e lunáticos, que o aprendiz decidiu não matar.

Andou por quarenta minutos, até visualizar grandes muros de pedra. Várias pessoas estavam sentadas, conversando, seja em bancos de metal verde ou até mesmo no chão. Haviam guardas na frente da cidade, e Cloudu resolveu pedir informações.

-Ah... com licença?-começou.

-Hmm? Ora- exclamou o guarda, sorrindo – Um pequeno aprendiz. Entre.

-Eu gostaria de saber que cidade é esta.

-Prontera, nela você pode se tornar um noviço ou um espadachim. Venha, monstros fortes são invocados por aqui. Não vai querer vê-los, tenha certeza.

Assustou-se com a possibilidade de tais coisas em um local tão tranqüilo. Mas lembrou-se que Cody combinara de se encontrar com ele lá. Quando entrou, se surpreendeu. Haviam milhares de pessoas, sentadas com seus carrinhos, oferecendo produtos de qualidade. Cloudu perguntou o preço de algumas coisas, mas viu que só ricos podem comprar suas mercadorias. Pediu informação para algumas pessoas onde ficavam as estalagens, e alugou um quarto. Enquanto saia, alguém o chamou:

-Cloudu! Como é bom vê-lo novamente!-Era Cody, que se aproximava. Fez uma exagerada reverência.

-Cody! É muito bom de te ver também. Acabei de chegar na cidade. Aqui tem tantas coisas! É uma pena que eu não possa comprar nada...-disse Cloudu, cabisbaixo.

O menestrel se sensibilizou e levou o aprendiz até uma loja de armamentos.

-E então? Qual será a sua profissão? Noviço?-perguntou Cody sorrindo.

-Não! Eu decidi que gosto de batalhas corpo-a-corpo. Vou ser um espadachim!-respondeu o garoto.

-Bom, filho de peixe, peixinho é. E sobrinho também!-divertiu-se o menestrel. Vendo que Cloudu não entendera a piada, continuou – Seu pai e seu tio começaram como espadachins também. Eram muito competitivos. Mas devo lhe dizer que esta no lugar errado.

-Como assim?O guarda da cidade me disse que a guilda dos espadachins ficava aqui!-disse o menino, indignado.

-Esse cara esta bem desatualizado, hein? A guilda se moveu para Izlude, uma cidade não muito longe daqui- explicou Cody- Te levarei lá amanha de manhã. Que tipo de arma você quer?

Cloudu pensou. Vira muitos estilos de armas no manual de combate, e sabia bem de qual gostaria.

-Eu quero uma lança de duas mãos!

O menestrel revirou os olhos

-Humpf. Você ainda não pode usar uma. Vou lhe dar uma lança simples. Quando tiver mais dinheiro compre uma melhor.

E assim foi. Cloudu recebeu uma lança de uma mão, um gibão, botas e um chapéu rosado. Cody achou que seria engraçado vê-lo usando um, mas não contou isso á ele. Também o levou em uma loja de poções.

-Um amigo meu quer ser alquimista. Ele vai trabalhar em uma loja dessas?-perguntou Cloudu.

-Se ele não quiser continuar como aventureiro , sim.-respondeu o menestrel, enquanto olhava a qualidade das poções que estava comprando.

Outra dúvida se formou na mente de Cloudu.

-E mais uma coisa. Qual a chance de eu rever um amigo da ilha dos aprendizes?

-Depende. Se seguirem as mesmas profissões, é quase certo um reencontro. Mas se virarem classes totalmente diferentes, a coisa complica.

-Como assim totalmente diferentes?

-Por exemplo, se um virar mercador e o outro, um mago, eles raramente poderão se ver, pois suas bases são muitos distantes, e não há teleporte que os leve diretamente á cidade um do outro. Sem falar que as duas guildas não se dão bem. Os magos desprezam os mercadores por acharem-nos preocupados demais com a própria vida. Sem vontade de revelar suas invenções. Minha análise se retira quanto aos alquimistas, que se dão muito bem com os magos. Pelo menos, é o que eu acho.

Cloudu pensou no assunto um pouco, mas logo saíram para a rua. A noite chegou e Cody levou o aprendiz á uma taverna de um amigo seu. O menestrel bebeu muito, acabando bêbado. Tocou músicas estranhas para a multidão, recebendo vaias e lhe jogaram frutas podres. Uma reação totalmente diferente das pessoas de Delgaldi. Cloudu o arrastou para a estalagem em que estavam, e então dormiu profundamente numa cama macia.

Cody estava de ressaca no dia seguinte, e pediu para que Cloudu fosse sozinho até Izlude, lugar onde se tornaria um espadachim. Recebeu uma pequena quantia de dinheiro e pagou uma das kafras, mulheres que trabalhavam para teleportar, resgatar aventureiros nocauteados e guardar seus itens. Izlude era bem menor que Prontera. Era basicamente um porto, com algumas lojas, uma praça e um grande navio flutuante pelo qual Cloudu se apaixonou, Também havia, é claro, a central de desafios, mas o aprendiz não podia entrar lá ainda. Foi para a guilda, como lhe fora recomendado. Era um lugar pequeno, mas de aparência confortável. Haviam outros aprendizes como ele lá, provavelmente esperando sua vez no teste. Reconheceu um entre eles.

-Ora, plebeu! Como vai?-de todas as pessoas que conhecera na ilha Novice, a ultima que esperava e queria reencontrar era ele. Ninguém menos que Mousse Montred.

-Olá, Nathaniel, como vai?-Cloudu não queria arranjar confusão neste dia tão especial.

-Muito bem- respondeu com um sorriso forçado- Eu sou o próximo. Desejo que não morra em seu teste. Até mais.

Ele se dirigiu até o balcão, onde se encontrava um enorme espadachim, com cara de ter poucos amigos.Trocaam algumas palavras. Depois, entrou em uma pequena porta á esquerda. Cloudu esperou ansiosamente por sua vez. Ainda haviam cinco aprendizes na sua frente. Teria de esperar um pouco.