Notas iniciais
Nesse capítulo, terá mais apresentações dos personagens que participarão da história e como ficaram algumas coisas após a batalha contra Gaia.Espero que gostem !;;;;Quem disse que semideuses não curtem uma balada...

No geral, meu aniversário significava apenas duas coisas para mim: 1- o dia em que nasci e 2- o dia em que renasci. Meio confuso eu sei. Mas, quando você é um meio-sangue, é fácil de se entender.

Com "renasci", quero me referir ao dia em que conheci o Acamamento Meio-Sangue, que logo, veio a ser o dia em que eu também soube quem eu realmente era.

Até então, das coisas que eu tinha certeza, é que eu era filho de Christina DiMaster e... bem, de um pai desconhecido. Depois de minha estada no acampamento, ficou claro para mim minha paternidade: Morfeu, o deus grego do sonho. Loucura não?

Isso não é tão bom quanto aparenta. Pensei que depois da descoberta de quem se tratava ser meu pai, as coisas ficariam melhores, finalmente eu o encontraria. Mas não, as coisas não mudaram nada. Quer dizer, mudaram sim... pra piores

Estava no apartamento de minha mãe em uma movimentada esquina de Long Island. Depois que me mudei para o acampamento ela decidiu se mudar também, para mais perto, assim eu poderia estudar durante o ano e ir para o acampamento nas férias sem muita preocupação.

Puxei um par de tênis que eu guardava embaixo de minha cama. Coloquei-os e amarrei os cadarços. Ao me levantar, esparrei o cotovelo em um copo vazio que repousava sobre uma mesa próxima a minha cama. Peguei alguns livros que bagunçavam minha cama e os guardei de volta na prateleira fixada na parede ao lado.

Oh deuses! Que falta de educação a minha, — não que eu tenha muita — desculpe-me por não me apresentar. Sou Theodore DiMaster. Creio que quando alguém se depara com meu nome em alguma lista de assinaturas, logo imagina um senhor idoso, sentado em uma cadeira de balanço com um jornal de 1940 em mãos. Portanto, apresento-me como Théo.

Olhei pela janela e vi que o vento corria forte, esvoaçando as folhas das árvores que vieram a cair ao chão. Peguei meu casaco da NBA e o joguei sobre as costas — não estava frio dentro de casa.

–Ai cara, — Nico Di Angelo estava escorado na porta de meu quarto — se demorar mais meia hora, as garotas surtarão.

Sorri com o canto da boca e ajustei meu relógio no pulso.

–Melhor descermos então. Acho bom não termos algum tipo de batalha ou guerra, por no mínimo dois éons. — brinquei.

Nico ficou um pouco sem jeito, mas sorriu — para não me deixar na mão creio. Na hora eu nem me toquei mas, ele com certeza havia se lembrado de Hazel Levesque e Frank Zhag, sua irmã e amigo que se foram durante a batalha.

Me senti mal por não lembrar do fato antes de ter feito tal brincadeira. Estava abrindo a boca para me desculpar quando ele tomou a frente e falou para descermos. Apenas assenti com a cabeça.

Na sala, Chris Rodriguez, Clarisse La Rue e Reyna Avila nos esperavam. Clarisse tinha os braços cruzados junto ao corpo e sua feição de "cansei de esperar você" me preocupava afinal, nunca é bom enfezar uma filha de Ares. Reyna não estava mais calma.

–Não é por que hoje é seu aniversário, que você pode nos fazer esperar o tempo que for donzela — falou a filha de Ares.

Tentei responder, mas antes que o fizesse Clarisse saiu porta a fora resmungando. Chris me olhou e sorriu, divertindo-se com a situação. Senti a mão de Nico pousar-se em meu ombro.

–Imagina se tivesse demorado os trinta minutos que lhe disse — sorriu.

Suspirei. Confesso que no fundo estava achando graça de tudo aquilo.

Reyna o esperava. Os dois haviam começado a namorar a pouco mais de dois meses.

–E como sempre, — olhei para minha mãe que percebi estar segurando um riso — Théo sobra!

Ela me olhou com seu caloroso sorriso de dentes perfeitos e abanou a mão em despedida.

Coloquei meu casaco e sai pela porta sendo recebido pelo barulhento som de trânsito e o vento gelado me envolvendo. Ao longe, no fim do quarteirão talvez, podia ser ouvido o miado de gatos brigando por uma fêmea vira-lata qualquer.

Estávamos em frente a uma cafeteria quando Clarisse começou a rir. Já imaginava quem seria o motivo de sua graça.

–O que há de errado comigo agora Javali? — perguntei tentando parecer sério, mas já estava acostumado com as piadas da menina.

–Nada de mais é só que, bem, todos aqui estamos es casais só o estranho ai que não. Conte-nos, como é? — e todos então começaram a dar risadas. Até mesmo Nico.

Pensei em deixar passar, mas então, uma resposta veio a minha cabeça.

–Não sei muito bem. Mas, por quê você não nos conta, como é tentar afundar a cabeça de um novato na privada e acabar tomando um banho de esgoto?

Os outros fizeram cara de espanto, porém, com o sorriso ainda no rosto. Com exceção de Clarisse, esta, se aborrecera.

–Jakson! Ele ainda me pagará por isso! — falou ela encerrando o assunto.

Reyna fora a última a deixar de sorrir. Logo que o fez, começamos a conversar.

Por ela ser ser do Acampamento Romano, quase não nos falávamos, aquela era provavelmente a segunda ou terceira vez que nos víamos.

–Então Théo, como era no Brasil?

Esqueci de dizer que, antes de descobrir minhas verdadeiras raízes, eu morava no Brasil com minha mãe. Em Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul. Sinto saudades das pessoas que deixem lá, mas sinto ainda mais, das lembranças que vivi naquele país.

No começo, fora difícil me enturmar no acampamento e na cidade já que, eu não falava inglês fluentemente. Assim como os brasileiros, usamos gírias aqui também, e quando as ouvia, por Zeus! Meu cérebro se embaralhava por completo.

–Era legal. Tenho saudades de lá. Ainda penso em voltar para lá algum dia, nem que seja apenas para uma visita rápida. Vocês poderiam ir comigo também. — sugeri.

Eles se olharam formulando uma resposta em grupo.

–Claro — responderam com sorrisos nos rostos.

Olhei ao redor, e nem percebera que estávamos totalmente fora do caminho de nosso destino.

–Que eu me lembre, íamos ao boliche certo? — perguntei.

Os quatro trocaram olhares e ignoraram minha pergunta como se eu nunca a tivesse feito.

–Gente, qual é, respondam-me! — insisti.

Chris olhou por sobre o ombro:

–Mudanças de planos meu velho.

Olhei melhor o lugar onde estávamos. Era um beco escuro, repleto de casas de show e boates com letreiros em néon que eu jamais conseguiria ler — sou disléxico, um bônus por ser semideus.

–Não acredito que vocês estão me levando para uma boate! — falei imaginando na bronca que eu receberia quando chegasse aos tropeços em casa. — Minha mãe surtará.

–Se quer saber, foi ideia dela Théo — falou Reyna.

Olhei para nico e ele apenas concordou.

Assim que preparei minhas palavras de indignação e de revolta, Chris soltou do braço de Clarisse e ergueu as mãos para um letreiro escrito em luzes laranjadas. Minha visão doeu quando forcei para ajeitar as palavras em seu devido lugar.

Tirássico.

E um tiranossauro que abria e fechava a boca conforme o jogo das luzes.

Pichado em uma placa de madeira,lia-se em grego antigo: HOJE SOMENTE PARA AQUELES COM PAIS DIVINOS. ass: irmãos Stoll

–Ai.Meus.Deuses. — falei.

Clarisse bufou e me encarou.

–Não se preocupe marica, Quíron permitiu. Temos até um encantamento ao redor para afastar monstros.

Balancei a cabeça em negativa.

–Eu não iria reclamar Clarisse. Isso é simplesmente de mais! — falei empurrando uma porta de madeira que impedia a vista de lá de dentro.

Notas finais
Não é certeza mas, talvez amanhã, quem sabe, posto o segundo capítulo.Falow!