Notas iniciais
Devido ao capítulo 1 ser meio... parado, decidi postar hoje mesmo o 2°. Não que tenha tanta ação esse capítulo mas, enfim, está ai! Espero que gostem.

Assim que ouvi as portas se fecharem atrás de mim, as luzes de dentro do lugar acenderam e, creio que a metade do acampamento meio sangue, saltou de trás de mesas, cadeiras, balcões e portas e me receberam com um grito de “SURPRESA” de acordar qualquer um que estivesse com sono.

Surpreendi-me com a quantidade de pessoas ali presente já que no acampamento em si, eu não tinha tantos amigos ou falava com tantos campistas. Apesar de três anos no lugar, eu dialogava o mínimo com os outros. Não por questão de não gostarem de mim ou eu deles, mas sim, por que sou de ficar no meu canto mesmo.

Os irmãos Travis e Connor Stoll foram os primeiros a me receberem. Em seguida veio o filho de Hefesto, Leo Valdez e sua namorada Calypso. Foram os únicos que reconheci, depois, uma multidão inteira de semideuses me abraçaram desejando coisas boas e que os deuses me abençoassem, etc.

Olhei para trás a fim de agradecer meus amigos, mas não os encontrei. Meus olhos percorreram o ambiente e aos poucos fui localizando-os. Chris havia se juntado com o pessoal do chalé de Hermes, seus irmãos. Clarisse conversava com Pólux, um filho de Dionísio que cuidava das bebidas. Nico estava sentado em um dos bancos de frente ao balcão de frios e Reyna logo ao lado com Jason Grace, filho de Júpiter e Piper McLean, filha de Afrodite.

Leo Valdez, Jason Grace, Piper McLean, Razel Levesque, Frank Zhang, Percy Jackson e Annabeth Chase, são/foram os semideuses mais conhecidos de ambos os acampamentos – grego e romano – devido ao seu grande desempenho na luta contra Gaia – a mesma luta que custara a vida de Hazel e Frank.

Percy Jackson, filho de Poseidon e sua namorada Annabeth Chase, vieram falar comigo logo depois que os outros campistas se dissiparam para a pista de dança, bar ou comidas.

–Olha só, quem diria que Quíron permitiria uma coisa dessas – brincou Percy enquanto estendia a mão para me cumprimentar.

Olhei ao redor e só então percebi o quanto o local estava maneiro. Luzes neons e globos coloridos posicionavam-se no teto escuro. Caixas de som da metade de meu tamanho faziam as paredes tremerem. Os filhos de Hécate espalhavam runas de luzes pelas paredes indicando lugares como o banheiro, a saída de emergência e um balde velho que tinha flutuando sobre si a frase “vomitório, para semideuses que passam dos limites”. Aquilo me fez pensar, que por ter bebidas, deveriam estar ali, apenas os campistas maiores de dezesseis anos. O que provavelmente era.

–É graças a você e os outros, que acabaram com aquela mãe natureza encapetada. – falei.

Percy e Annabeth sorriram.

–Parabéns Théo – Annabeth esfregou meu ombro.

–Obrigado – falei – bom, curtam a festa.

Eles riram mais uma vez e concordaram.

–Então, a gente se vê. – despediu-se Percy.

Fui até o bar e pedi uma Vodca com enérgico. Pólux me olhou com indiferença e sorriu.

–Você está brincando não é? – perguntou ele.

Chacoalhei a cabeça.

–Espera, espera. Não estão servindo bebidas aqui?

Pólux soltou uma gargalhada contagiante.

–É claro que não, Quíron não seria tão liberal assim. Temos refrigerantes, sucos... Tudo com meia gota de néctar e essência de flor de lótus. Tudo em pouca quantidade é claro, não quero ver ninguém passando mal ou sendo carregado pelas harpias da limpeza.

–E enquanto ao balde ali? – apontei para o vomitório.

–Aquilo? Bom, você conhece os Stoll não é?- ele empurrou para mim um copo com um líquido negro com pequenos traços arroxeados.

Fiz uma pergunta apenas com minha feição.

–Coca Diet com essência de flor de lótus. Apenas o necessário para ficar... Como direi... Alegre.

Peguei o copo e me preparei para levantar, quando Clarisse apareceu sorrateiramente, deslizando sobre os bancos até meu lado.

Fez sinal para que Pólux se aproximasse.

Cochichou algo em seu ouvido que eu não pude ouvir devido ao volume do som.

Pólux ergueu as sobrancelhas e recolheu meu copo o devolvendo segundos depois.

–O que disse a ele? – perguntei a menina.

Ela se aproximou de meu ouvido, creio que para os outros não ouvirem.

–Disse a ele, que como aniversariante você tem direito a vodca e as outras bebidas com álcool que temos escondido abaixo do balcão. – ela gargalhou, em seguida ergueu um copo em minha direção e bebericou o líquido amarelo que o objeto transportava. Levantou-se e saiu andando de encontro ao Chris.

Olhei para Pólux, ele atendia uma filha de Íris com uma saia multicolorida.

–Não é só de bebidas mágicas que vivem os semideuses. – falei tomando um bom gole do que quer que fosse a combinação que ali tiveram em meu copo, e sai.

Pude ver o sorriso que se formava em sua boca junto com o balançar de cabeça em negativa.

Olhei para duas grandes janelas que permitiam a vista para a rua e um pensamento formulou-se em minha mente: O que os humanos lá foram, enxergavam aqui dentro?

Não deveria ser boa coisa, já que no mesmo instante, uma mulher de braços entrelaçados com um homem de jaqueta preta com mangas rasgadas, e uma tatuagem no braço, nos olhou com advertência. O mais estranho, era que ela parecia não necessariamente nos olhar, era como se visse algo mais além.

Seja o que fosse eu nunca saberia.

Depois de alguns copos, eu já havia perdido a noção do tempo. Olhar para meu relógio não ajudara muito já que os números pareciam haver sumido.

Já estaria amanhecendo? Creio que não era possível.

A algazarra de um grupo de jovens me chamou a atenção. Quando olhei, Percy e Annabeth estavam se agarrando loucamente. A menina tinha as pernas entrelaçadas nas costas de seu namorado. Os cacheados cabelos loiros caiam-lhe sobre a blusa que faltava pouco para o filho de Poseidon tirar.

Reyna estava encostada na parede ao lado do sofá onde os dois se pegavam. Suas mãos estavam sobre a boca, mas ela deveria estar sorrindo. Nico estava igualmente chocado.

–Acho que aqui não é o lugar mais apropriado para vocês fazerem um Perseu Júnior – ralhou Piper com um sorriso no rosto.

Agora, Nico sorria.

Percy levantou uma das mãos e mostrou o dedo. Todos riram.

De longe, também não pude deixar de sorrir.

Aquela estava sendo sem dúvidas, a festa mais animada, mais engraçada e mais da hora que eu já tivera.

Como se quisesse acabar com meu pensamento de satisfação e alegria, as portas da boate se abriram bruscamente, batendo tão forte nas paredes que a vibração veio a balançar a decoração. No mesmo instante, todos pararam e olharam para a entrada.

Uma névoa prateada adentrou o lugar, alguém deveria ter desligado o som, pois o silêncio predominava o ambiente.

Percy e Annabeth se recompuseram e ainda juntos se levantaram arrumando camisetas quase tiradas, fivelas abertas e sutiãs arrebentados.

Uma menina de cabelos negros bagunçados que vinham até seu ombro, vasculhou o ambiente com seus olhos azuis tempestuosos espremidos pelas sobrancelhas. Usava uma jaqueta prateada por cima de sua camiseta preta escrita “Black is the new Pink”. Calças igualmente como a jaqueta. Uma bota de couro negro calçava seus pés. Em uma das mãos, um arco reluzente, e nas costas, uma aljava de flechas da cor do luar. Thalia Grace, Filha de Zeus e líder das caçadoras de Ártemis.

O que ela fazia aqui? Se estivesse vindo para a festa, devo-lhe dizer sua entrada fora digna, e igualmente triunfal.

Então me recordei do lance que as caçadoras têm com sua senhora, de manter-se afastada dos garotos e outras coisas feministas. Será que quando o assunto era “ Festa de um filho de Morfeu ” elas eram liberadas desta castidade?

A garota falou tão de repente que acabei me assustando.

–Theodore DiMaster, filho de Morfeu, venha até mim. – sua voz ecoou como um trovão em dia de tempestade.

Pensei em me esconder, mas a ordem em suas palavras era tamanha, que dei um passo a frente – e também, os outros campistas tinham seus olhos sobre mim. Ela já deveria saber quem era Theodore DiMaster.

–Irmã, está acontec... – Jason Grace se pronunciou, mas Thalia o advertiu.

–Agora não Jason! Depois nos falamos. – Seus olhos azuis já se fixavam aos meus arroxeados.

Ela andou até mim e me agarrou pelo colarinho do casaco.

–Você vem comigo. – sussurrou ela. Suas palavras, embarcadas com o tamanho poder que teriam se a menina houvesse gritado.

Ela me soltou, e saiu, levando junto de si minha animação que outrora eu estava para festa.

Notas finais
Comentem o que estão achando... Falow!