O Cara do Apartamento ao Lado
18 Amor No Lar
Notas iniciais
Anastásia Steele
Sorrio pela segunda vez ao sentir os beijos suaves de Christian sobre minhas costas nuas. Ele me vê sorri, então me vira com cuidado e encara meus olhos. Seu olhar é tão aquecedor, acho que ele não tem a mínima noção de tudo que sinto ao acordar e ver que ele está aqui ao meu lado.
—Bom dia, Srta. Steele. —Christian murmura e eu sorrio amplamente me espreguiçando em seguida.
—Bom dia, Sr. Grey. —Murmuro com a voz rouca e agora é sua vez de sorri.
As coisas têm estado bem calma, desde o que Ray fez, e isso já faz dois meses. Tudo tem estado bem estável. Alice parece não lembrar de nada do que aconteceu, na verdade, ela nunca comenta sobre isso. Melissa está se adaptando bem, bom... ela ainda é bem fechada, e às vezes parece que as consultas com o Dr. Flynn não têm ajuda nada, mas ela está um pouco mais comunicativa. Se bem que a única pessoa com quem ela mais fala é Alice, acho que elas se tornaram amigas.
—Eu tenho que ir para a empresa logo. —Christian murmura saindo de cima de mim e eu me sento.
—Eu vou só mais tarde, a Kate me deu a manhã de folga.
—Que cunhada boazinha eu tenho. —Ele semicerra os olhos e eu apenas sorrio.
—Eu vou levar as crianças para a escola. Alice está empolgada por voltar as aulas.
—Você acha que ela vai ficar bem?
Sorrio com a sua insegurança. Christian está morrendo de medo com à volta de Alice à escola. Ela só tem falado nisso, e ele está nervoso, e bem preocupado.
—Eu acho que ela vai adorar.
—E a Melissa? Você acha que é melhor eu ficar com ela? É o primeiro dia dela... —Christian encolhe os ombros enquanto me encara.
—Meu bem, eu acho que a Mel vai ficar ótima. E, você precisa estar aqui, dia de visita da assistente social. Se tudo estiver correndo bem... talvez logo a Mel seja a nossa filha.
—Ela já é nossa filha.
—Sim, mas eu falo legalmente. Agora vem, vamos tomar café.
Christian balança a cabeça e se levanta me ajudando a levantar. Troco um olhar com Christian enquanto caminhamos até a sala. Uma música agitada está tocando e as gargalhadas estão altas, muito altas, mas tem algo diferente... é Melissa?
Paro completamente estática ao chegar na sala e ver tudo branco. Farinha para todos os lados. Arthur está no chão batendo palmas e gargalhando tanto que está vermelho, e enquanto ele ri, Melissa e Alice estão dançando espalhando mais farinha pela sala.
—Mamãe está nevando! —Alice grita animada.
—O que vocês estão fazendo? —Christian diz firme e elas param preocupadas, até Arthur para de rir com o tom do pai. —Olha só a bagunça que vocês fizerem.
—Nós estávamos bincando... não tica bavo, papai. —Alice murmura torcendo os dedos.
—Brincando? —Christian arqueia as sobrancelhas surpreso. —Seu irmão está parecendo um velhinho de 80 anos, olha o cabelo dele!
Coloco a mão em frente a boca para não rir, mas isso não funciona com Alice, ela gargalha enquanto encara Arthur e nesse momento Christian fraqueja começando a rir. Vejo Melissa segurar o riso e agora percebo como isso é novo, ela quase nunca sorri, ou gargalha, e tudo bem, a casa está cheia de farinha, mas isso não importa no momento. Ela está sorrindo. Ela está feliz.
—Olha só, já chega. Vão tirar essa farinha todo do cabelo. —Murmuro indo até Arthur que começa a rir. —Nada de brincar de neve outra vez.
—Vocês não estão bravos? —Melissa pergunta.
—Não, bem, eu não. —Digo encolhendo os ombros e encaro Christian.
—Não, eu não estou, mas vocês estão de castigo, nada de biscoito. —Ele diz e Alice faz beicinho.
—Maldade. —Alice murmura andando para as escadas.
—Você não tem nem tamanho, Alice. Fique quieta. —Christian grita e ela rir.
Encaro Melissa e ela sorri antes de sair correndo para as escadas. Viro-me para Christian e o pego sorrindo.
—Ela estava com os olhinhos brilhando. —Ele murmura e sei que está falando de Melissa.
—Sim, papai. Agora pega esse bebê, e dá um banho nele. —Entrego Arthur para Christian e ele começa a abraçar o pai.
—Você não vai me ganhar com isso, você está encrencado. —Christian murmura enquanto vai com ele em direção ao nosso quarto.
Sorrio e encaro a sala toda branca. E quando penso em Gail vejo-a entrar na sala com um olhar de espanto.
—Agora eu sei onde foi parar a farinha. —Gail murmura apavorada e eu gargalho.
—Você pode dar um jeito aqui? Eu tenho que ver o que Alice e Melissa estão fazendo com o resto da farinha que está nelas. —Murmuro balançando a cabeça.
—Com prazer, Srta. Steele.
—Obrigada, Gail.
Subo as escadas correndo e vou primeiro ao quarto de Alice, reviro os olhos ao ver sua roupa de farinha jogada no chão do quarto. Pego e ponho dentro do cesto, então entro no banheiro. Ela está em frente a banheira só de calcinha esperando que a mesma encha, mas sem o tampão do ralo.
—Alice, filha. Você precisa colocar isso. —Murmuro tampando a banheira.
—Eu queci, mamãe. —Alice diz rindo.
—Tudo bem, deixe encher. Eu volto para ver você em um minuto. Nada de entrar na banheira, ouviu?
—Sim, mamãe.
Dou um beijo na testa de Alice e vou atrás de Melissa. Recosto-me na porta e a vejo tirando a roupa. Ela já não tem hematomas pelo corpo, bem, ainda há alguns, mas todos são claros. Ela ganhou peso e ainda está ganhando por indicação da nutricionista. Eu estou feliz que ela esteja bem.
—Você precisa de algo? —Pergunto e ela pula assustada.
—Você me assustou. —Melissa murmura recolhendo sua roupa do chão e joga no cesto. —Eu estou bem.
—Certo, se precisar de algo me chame, eu estou ajudando a Alice. —Digo me virando.
—Ana... espera.
—O que foi? —Viro-me novamente e a encaro.
—Eu fiz... eu fiz aquilo. —Melissa confessa. —Eu peguei a farinha, e eu disse para Alice que era legal brincar de neve.
—Por que você fez isso?
Aproximo-me e sento na ponta da cama encarando Melissa, ela suspira e se aproxima sentando ao meu lado.
—Eu achei que você fosse ficar brava... e querer que eu fosse embora.
—Mel... você realmente não confia em mim?
—Não é isso... —Melissa encolhe os ombros e suspira. —Eu gosto de ficar aqui, é o melhor lugar de toda a vida. Mas às vezes eu penso que você e o Christian vão me mandar embora, se eu fizer algo errado.
—Querida, eu quero que você entenda algo, a Alice faz várias coisas erradas, e nós nunca vamos manda-la embora.
—Mas ela é sua filha...
—Não, ela não é. Não de verdade, a Alice é minha filha do coração, assim como você. E como ela, você está aqui porque nós te amamos.
—Vocês me amam? —Melissa pergunta evidentemente emocionada.
—É claro que sim.
—Então tudo bem se eu errar algumas vezes?
—Mel, errar é completamente normal, nós não vamos te amar menos se você cometer um erro. Nós queremos que você aprenda, aprenda com seus erros, e nós queremos que você seja feliz, entendeu?
Melissa balança a cabeça e se levanta, ela me encara meia insegura então me abraça. Sorrio e a aperto com cuidado. Afasto-a depois de alguns segundos e beijo sua testa.
—Banho, ok?
—Ok.
Fico encarando a porta do banheiro por onde ela entra meio abobalhada, mas logo vou ver Alice antes que ela inunde a casa. Alice realmente não precisa de Melissa para aprontar, isso é o que ela faz de melhor..., mas eu nunca a deixaria, muito menos Mel, ela é parte da família agora, e para sempre.
➳➳➳➳
Termino de arrumar Alice e ela corre para o espelho.
—Eu estou ninda, mamãe? —Pergunto sorrindo.
—Você está maravilhosa. —Digo abraçando-a. —Vá lá dar um cheirinho no papai, que já, já ele vai sair.
Alice sorri antes de sair correndo antes que eu a mande calçar os sapatos. Pego seus sapatos, mas decido ir ver Melissa primeiro. Paro na porta do quarto sorrindo ao vê-la se ajeitando na frente do espelho. Ela está usando um vestido longo azul e um colete de pelo.
—Você gostou? —Pergunta insegura.
—Claro que sim, você está linda.
—Será que você pode me ajudar com meu cabelo.
Sorrio ao vê-la estender uma presilha, aproximo-me e pego a presilha da sua mão, ela se vira e eu pego uma parte dos seus cabelos prendendo de lado. Sorrio para ela através do espelho. Melissa ruboriza e sai correndo antes que eu possa dizer algo. Ela é tão linda.
Chego a sala e vejo Christian brincando com as crianças, até Melissa está gargalhando das suas imitações. Não tem cena mais linda de se ver.
—Alice, sapatos. —Digo e ela ri pegando sua sapatilha. —Bem, acho melhor nós irmos antes de nos atrasarmos, a Gail preparou algo para vocês comerem no caminho.
—Ah, mas já? —Christian diz abraçando as três crianças.
—Christian, solte eles. —Digo rindo. —Se bem me lembro, você deveria estar na empresa.
—Merda. —Pragueja olhando seu relógio. —Merda, eu estou atrasado.
Christian solta as crianças rapidamente e começa a pegar suas coisas no criado-mudo, ele me dá um beijo depois beijo nossos filhos fazendo os três gargalharem com a correria. Sorrio e vou pegar o lanche que Gail fez e as lancheiras. Dou as mochilas de Alice e Melissa e pego Arthur e sua bolsa, então saio com eles.
Sawyer já está nos esperando na garagem, ele entra em seu carro com Ryan e mais dois seguranças e eu vou para o meu carro com as crianças, que estão bem agitadas e falantes, mas as falas vão diminuindo conforme chegamos na escola. Deixo Arthur com os seguranças e vou levar as meninas em suas salas.
A professora de Alice a recebe, e ela nem olha para trás, entra correndo e já começam a falar animada com as outras crianças.
—Bem, acho que não vamos ter problemas de interação. —A professora diz rindo.
—É, ela adora falar. —Murmuro sorrindo. —Me ligue se ela... precisar.
—Pode deixar, Srta. Steele, até logo.
—Até logo.
Aceno para Alice e ela sorri acenando de volta, então sigo pelos corredores em direção a sala de Melissa. Ela está nervosa, posso perceber pela sua mão suando, mas ela não diz nada. Assim que chegamos na porta a professora se aproxima.
—Essa deve ser a Melissa. Eu sou a Carol, sua nova professora.
—Oi... —Melissa sussurra ainda segurando minha mão.
—Ei, querida... —Sussurro abaixando em sua frente. —Tudo bem, não precisa ter medo.
—Eu estou nervosa, Ana... —Melissa diz segurando minhas mãos. —Vamos para casa.
—Querida, ouça. Você só precisa ficar algumas horas, e se for muito difícil, você pode me ligar que eu venho correndo buscar você.
—Você promete?
—É claro que sim. E depois da aula, eu prometo levar você para tomar sorvete.
—Obrigada. —Melissa me abraça e suspira. —Obrigada por cuidar de mim.
—Não agradeça. Nós nos vemos mais tarde, tudo bem?
—Tudo bem.
Mel solta a minha mão para segurar a da professora. Levanto-me e fico olhando ela ir sentar em um lugar vago ao lado de um garotinho de cabelo loiro limão. Ele sorri para Mel e começa a puxar assunto fazendo-a dar um riso mínimo. Ela me olha e acena, aceno de volta e então vou embora.
Caminho para fora da escola e sorrio ao ver Arthur do outro lado da rua. Ele está brincando com os seguranças na calçada. Ah, meu homenzinho. Olho para os dois lados e começo a atravessar a rua, mas então ouço Sawyer gritar, viro apavorada e vejo um carro preto vindo na minha direção, e posso ver claramente quem está no volante. Elena...
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