O Beijo das Estrelas
5 Ele
Notas iniciais
Acordei com o barulho do despertador tocando, já estava na hora de levantar se eu quisesse mesmo ir à praia antes de jantar com a minha família. Levantei-me sonolento e fui para o banheiro. Olhei-me no espelho e vi que estava com os meus cabelos bagunçados e a barba grande. Fiz a barba antes de tomar um banho. Entrei debaixo da água fria do chuveiro, fiz a minha higiene e depois fui para o meu closet. Tive que escolher dois conjuntos de roupas. Uma para ir à praia e outra para vestir depois quando estivesse no jantar. Coloquei a minha sunga e vesti minha bermuda com uma camiseta branca, calcei minhas sandálias, peguei a mochila com as outras roupas e sair do apartamento.
Cheguei ao estacionamento, olhei no relógio eram quatro e trinta da tarde. Sai e fui em direção à praia que ficava a pouquíssimos quilômetros no prédio onde eu morava. Estacionei o meu carro próximo a um barzinho que ficava no passeio da orla. Já que não ia demorar tirei a minha camiseta e a bermuda, deixei tudo no carro e fui só de sunga.
Sentia a areia morna nos meus pés em quanto caminhava em direção ao mar. Entrei na água gelada e dei um mergulho, quanto tempo eu não fazia aquilo. Fiquei aproximadamente vinte minutos ali observando tudo ao meu redor. Crianças brincando na areia, casais, grupos de amigos. Lembrei-me de quando era jovem, que sempre que podia eu e o Henrique mais uma galera via na praia só para paquerar, jogar vôlei, dar muita risada... Divertíamo-nos muito.
Olhei o meu relógio de pulso que era a prova d’água, já estava na hora de ir. Dei um ultimo mergulho e fui para estacionamento. Destravei o alarme do carro e peguei a toalha, sequei-me e vestir as minhas roupas.
Quando comecei a dirigir, vi que o semáforo iria ficar vermelho, pisei no acelerador pra dar tempo de passar em quanto ele ainda estivesse amarelo, foi quando uma senhorita começou a atravessar e eu não consegui frear o carro e ele só parou depois que bateu nela que caiu no chão.
Sai do carro correndo para ver se ela estaria viva, me ajoelhei ao seu lado e vi que estava com alguns machucados. Em poucos minutos uma multidão de pessoas começou a se aproximar e um rapaz que parecia estar vindo do lado oposto da rua se ajoelhou perto dela. Ele parecia examina-la e eu a olhava assustado e preocupado ao mesmo tempo, pensando que se ela estivesse morta eu não saberia o que fazer.
Ouvir alguém dizendo que já teria ligado para a ambulância e o homem que estava do lado dela disse que era médico. Depois que ele sentiu o pulso anunciou que ela estava viva e que só teria quebrado o braço, senti o alivio tomar conta de mim e respirei fundo.
Mas ela ainda estava desacordada. Passou-me tanta coisa pela cabeça ao mesmo tempo, que só parou quando ela abriu os olhos devagar. Senti uma sensação diferente ao encarar aqueles olhos esverdeados. Ela olhou para os lados e parecia achar aquilo tudo estranho.
– O-o que aconteceu? – ela perguntou.
– Você foi atropelada. – respondi. — Você está bem?
– Estou um pouco, o meu braço direito está doendo muito. – respondeu ainda me encarando.
Em poucos minutos a ambulância chegou, colocaram-na na maca e uma amiga dela que tinha visto tudo a acompanhou até o hospital. A minha vontade foi de ir atrás também pra saber como ela estaria e se precisaria de alguma coisa, um desejo estranho de querer cuida-la, talvez fosse só um jeito de tentar me redimir, mas no fundo eu sentia que poderia ser algo a mais do que isso.
Decidi que iria ceder a minha vontade. Entrei no carro e segui a ambulância. Lembrei-me do jantar na casa dos meus pais, iria me atrasar, mas não tinha importância, não ficaria tranquilo ate saber como a moça que eu atropelei ficaria.
Logo que cheguei ao hospital, vi-a sendo transportada para a emergência. Estava acordada, mas reclamava de dores em seus braços e machucados.
Fiquei na sala de espera e reparei que a moça que estava com ela veio em minha direção.
– Você deve ser o rapaz que atropelou a Luiza – a moça perguntou seria e cruzando os braços– o que esta fazendo aqui? – perguntou com indignação.
– Eu vi para saber se precisariam de alguma coisa. – respondi calmamente.
– Nós não precisamos de nada, muito obrigada.
– Tudo bem, mas não saio em quanto não souber como ela estar.
– Ela vai ficar bem, não precisamos de nada – repetiu — pode ir embora. – completou impaciente.
Quando iria respondê-la, um rapaz a chamou.
–Emma!- ela virou-se para olha-lo.
– Luke! – foi ao seu encontro.
– Eu trouxe a Sra. Cloe para ver a Luiza.
– Onde está a minha filha? Como ela está? – a senhora perguntou.
Nesse instante o médico que tinha prestado os primeiros socorros no local do acidente apareceu chamando a nossa atenção.
– Emma?
– Vitor, como ela esta?
– Bom, ela vai ficar bem. Fizemos curativos em seus machucados e engessamos o seu braço. Ela irá ficar em observação e terá alta amanha de manha.
Tive o desejo de querer vê-la, mas já estava em cima da hora e eu precisava ir. Já sabia como ela estava e então iria embora. Sai em silencio pra que ninguém percebesse.
Olhei no relógio, dezenove horas, a minha mãe detestava atrasos. Entrei no carro e fui em direção à casa dos meus pais. A cada semáforo que eu passava eu me lembrava dela: Luiza. Não deixei de reparar, ela era linda, traços tão delicados, cabelos castanhos, de olhos esverdeados e a pele morena. Queria poder vê-la de novo se tivesse oportunidade.
Cheguei à casa dos meus pais e a minha mãe já estava parada na porta me esperando de braços cruzados e batendo o pé no chão, ela estava irritada. Desci do carro me preparando pra levar mais um sermão por causa do meu atraso. Fechei a porta e travei o alarme, e antes de dizer ‘’boa noite’’ ela já tinha começado a falar:
– Onde você estava Marcus? Porque se atrasou desse jeito? Posso saber oque aconteceu? – mais interrogações.
– Oi mãe – dei um beijo em sua bochecha – primeiramente, boa noite. – a cumprimentei ignorando toda aquela irritação por sua parte.
– Responda Marcus! – Disse já sem paciência.
– Eu atropelei uma moça. – respondi diretamente.
A sua expressão mudou de irritada para assustada e a sua boca se abriu formando um ‘’O’’.
– O que? Você atropelou alguém Marcus? Mas por onde você anda com a cabeça? Essa moça está bem? – perguntou preocupada.
– Sim, ela estar. Só quebrou o braço.
– Mas meu filho! Tomara que ela não venha pedir nenhum tipo de indenização.
– Ela não vem, pode ficar tranquila. — Mas no fundo eu queria que ela viesse, seria mais uma oportunidade de vê-la novamente.
– E como você pode ter tanta certeza meu filho?
– Eu fiquei no hospital ate agora mãe. Ela não precisa de nada.
– Tudo bem, vamos entrar, o seu pai e Alice já estão a sua espera.
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