Notas iniciais
Capitulo novo minha geente!

E em quanto estava ali, dentro de um quarto azul claro, deitada naquela cama com a cabeça encostada no travesseiro, eu fazia uma retrospectiva do meu dia até o momento que fui parar naquele hospital. Estava tonta e aquele gesso estava me incomodando muito, queria arranca-lo e deixar que o meu braço ficasse melhor por si só. E em quanto eu tentava achar um jeito de tira-lo, ouvi alguém batendo na porta.

– Entra! – falei

– Filha, como você esta? Fiquei tão preocupada! – era a mamãe.

– Eu estou bem mãezinha, só esse gesso que esta me incomodando.

– Oh minha filha... Já liguei pro Peter, ele também ficou preocupado e pediu pra avisar a você que ele já esta chegando. – sorriu em quanto acariciava os meus cabelos. Mãe coruja.

A porta se abriu e quando eu olhei para ver quem estava entrando sem anunciar vi que era a Emma. Normal, com a pressinha dela não ia rolar bater na porta antes de entrar.

–Amiga? – me chamou com o rosto entre a porta e a parede.

– Oi, pode entrar Em.

– Como você está? — De novo aquela mesma pergunta...

– Eu estou bem – De novo aquela mesma resposta...

– O Vitor falou que você irá passar a noite aqui em observação.

– É... Eu já estou sabendo.

Pairou um silencio de alguns segundos, até que a mamãe se pronunciou.

– Bom eu vou deixar vocês sozinhas em quanto desço pra tomar um café, fica de olho na minha Luiza, Emma.

– Pode deixar Sra. Sharp

Quando a mamãe saiu, a Emma chegou mais perto de mim e disse.

– Luiza, o Vitor disse que te achou uma gata!- falou com entusiasmo. -Mesmo tendo te conhecido nessa situação, ele falou que poderíamos marcar um novo encontro quando você estivesse melhor.

– Aaah não Emma! – disse.

– Porque não? – perguntou com os olhos arregalados – você não gostou dele?

– Na verdade não. – respondi.

– Lulu, ele é um gato – falou tentando me convencer.

Revirei os olhos bufando.

– Quer saber por quem eu me interessei de verdade? – perguntei – pelo rapaz que me atropelou. – e sorrir ao me lembrar daquele rosto com traços tão perfeitos.

– O que? – ela perguntou como se fosse uma revelação ridícula. – Eu não acredito que você se interessou por aquele homem... – disse mexendo a cabeça com desaprovação.

– E qual é o problema dele? Ele também é um gato.

– Luiza esse rapaz te atropelou, ele deve ser um irresponsável. – disse olhando nos meus olhos – e outra coisa, você nunca o viu, você nem sabe o nome dele. — cruzou os braços.

– E é ai que você se engana, sei sim. O nome dele é Marcus, foi ele mesmo quem disse.

– Aaarh – ela revirou os olhos se dando por vencida e eu sorri — então eu devo te dizer que ele esteve aqui.

– Aqui? Aqui no quarto?

– Não, lá na sala de espera. Quando fui perguntar oque ele estava fazendo aqui ele respondeu que só tinha vindo pra saber se precisaríamos de alguma coisa e também pra saber como você iria ficar.

– Hawn que fofo! Está vendo Emma? Ele nem é tão irresponsável assim. – ela me deu língua e eu sorri novamente. – e onde é que ele está?

– Ele sumiu logo após o Vitor aparecer e dizer que você estava bem. Eu já tinha dito a ele que nós não íamos precisar de nada.

– Eu queria vê-lo de novo – pensei nele novamente.

– E o Vitooor? – Emma perguntou insistindo.

– Aaah, esquece esse Vitor Emma! – disse já irritada.

– Mas o que eu vou dizer pra ele? Foi ele quem cuidou de você, não esse Marcus – disse em tom de deboche.

– Diga a ele que muito obrigada, mas eu não estou interessada em sair com ele. Simples assim!

– Eu juro que não ajudo mais você.

– Ajudar em que? A encontrar marido? Eu não estou desesperada, já disse que não preciso que faça isso por mim!

– Você é quem sabe da sua vida.

– É, sou eu que sei da minha vida.

Ficamos nos encarando que nem dois touros nervosos. Até que ele se deu por vencida.

– Eu já vou, o Vitor disse que eu não poderia ficar aqui muito tempo que você teria que descansar.

– Tudo bem.

Detestava quando eu e a Emma ficávamos com aquele clima de uma pequena discursão no ar. Eu amava muito a minha amiga, mas tudo tem limites. Não queria que ela se metesse tanto na minha vida amorosa.

– Tchau – me deu um beijo na testa.

– Tchau Em.

Quando ela ia saindo pareceu-me que tinha se lembrado de alguma coisa.

– Ah! O Luke mandou um beijo e melhoras.

– Manda um beijo de volta e obrigada.

Ela bateu a porta e voltei para os meus pensamentos no Marcus. Lindo. Moreno com os cabelos pretos e os olhos castanhos, tinha dentes tão brancos que era impossível não notar mesmo que ele não estivesse sorrindo. Queria ter a oportunidade de encontra-lo novamente, mas eu não tinha nenhuma informação sobre ele a não ser o seu nome. Bom, pensei então em deixar nas mãos do destino, se fosse pra nos encontrarmos de novo tudo ia conspirar a favor.

– Lulu?

O Peter me chamou e eu despertei dos meus sonhos acordada com o Marcus.

– O-oi Peter, nem reparei que você estava ai.

– É eu percebi que você estava no mundo da lua. – disse sorrindo e dando um beijo de leve em minha bochecha pra não magoar alguns pequenos arranhões que eu tinha no rosto.

Logo depois a mamãe apareceu e ficamos ali conversando por mais ou menos trinta minutos, até que o Vitor chegou e disse que já estava na hora deles irem embora.

– Mas já? – a mamãe perguntou – queria ficar mais um pouco pra cuidar da minha filhinha.

– Sim Senhora... ? – disse o Vitor esquecendo-se do nome da minha mãe

– Cloe — a mamãe completou.

– Cloe – ele sorriu – a Luiza agora irá ter cuidados de outra pessoa. – e olhou pra mim com um sorriso descarado e piscando o olho.

Era obvio que essa ‘’outra pessoa’’ seria ele. ‘’ Que nojo, que conquistador barato! Que cantada ridícula! ‘’ pensei. De onde a Emma tinha tirado esse homem? Reparei que até a mamãe e o Peter ficaram sem graça diante daquele comentário desnecessário.

– Bom, então temos que ir né mãe? – disse o Peter fuzilando o Vitor com o olhar. Ele também tinha pensado a mesma coisa que eu, e pelo visto não tinha gostado nada daquilo.

– Queria pedir um favor a vocês, avisem a Lena que desmarque com todos os meus pacientes de amanha e explique-lhes o motivo.

– Pode deixar – a mamãe falou.

Quando eles saíram do quarto me deixando sozinha com aquele homem, uma mistura de tensão medo e horror me tomaram, tentei parecer normal, mas não estava funcionando, a prova disso foi que ele percebeu.

– Calma, não precisa ficar assim. Eu não vou fazer nada com você – disse tentando me acalmar.

– Assim como? E-eu estou normal – forcei um sorriso tentando convence-lo.

– A Emma me falou que você não quer marcar um novo encontro. – disse serio.

– Ah tá. — dessa vez sorri sem graça. Eu já devia imaginar a Emma com toda aquela pressa já tinha dado um fora no Vitor. Olhei pra ele, fiquei até com pena, mas não iria ceder, já estava decidida.

– Olha... Tudo bem tá? Eu não estou chateado com você.

Fiquei com vontade de perguntar então o porquê daquela brincadeirinha, mas deixei pra lá.

– Ok – sorria ainda sem graça – nós podemos ser amigos?

Ele sorriu.

– Sim, podemos. – fiquei aliviada, não queria que ele tivesse raiva de mim. – Bom, o enfermeiro vai trazer os seus remédios, até logo e boa noite.

– Obrigada, boa noite.

Quando ele saiu do quarto, instantaneamente voltei os meus pensamentos para o Marcus. Era estranho, pois eu só havia o visto uma vez e mal o conhecia. Tentei imaginar oque ele devia estar fazendo naquele mesmo momento e varias outras coisas e foi ai que o enfermeiro chegou. Tomei os remédios para aliviar as dores e em poucos minutos eu já estava dormindo.

Notas finais
Se tiverem gostando por favor divulguem ok? beijos