O Bar da Esquina

15 Starting the War


Notas iniciais
Hey, hey! Como vão, meus amores? Bem, não tenho muito o que falar, porque o sono está me impedindo de fazer isso, kkkk... Musica do capítulo: Kanye West- Heartless Boa leitura ;) ~Mah

(...)

– Não está nada bem... Aquilo tudo foi uma besteira, Quinn nós precisamos conversar. – seu tom foi duro, o que fez um tremor descomunal percorrer minha espinha. Uma sensação de enfraquecimento me atingia.

– Rachel, fica calma. Do que você está falando, exatamente?

– Já disse que precisamos conversar, Quinn! – ralhou do outro lado da linha.

– Claro... tudo bem, onde devo te encontrar? – passei a mão pelos cabelos nervosa, coisa boa não viria daí.

– Olá, Lucy, como vai? – uma voz masculina entrou na linha, e o único pensamento que se formulava na minha cabeça era de que, alguém havia a sequestrado.

Quem é você?! O que você fez com a Rachel? Por Deus, solte-a! – disparei apavorada. O homem do outro lado gargalhava licenciosamente.

Como o previsto, está aterrorizada! – o sotaque do homem era diferente, um pouco rápido e enrolado. Tipicamente italiano. Michelle. – Escute-me bambina, atravesse o Rio Harlem e venha até o Bronx, sabe onde se localiza a Little Italy? O primeiro galpão, irá encontrar sua judiazinha aqui. – em seguida desligou.

Eu estava em chamas internamente, meu corpo inteiro tremia de raiva. Levantei-me da cadeira abruptamente, uma tontura súbita me atingiu, fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes. Mantenha a calma, Quinn. Tateei minha mesa, em busca do meu telefone celular. Disquei ainda com as mãos trêmulas, o telefone de Noah.

Alô? Noah Berry falando.

– Noah, aqui é a Quinn ou Lucy, como preferir. Escute-me, a Rachel está em perigo! Passarei daqui a quinze minutos no apartamento de Sam, espero que esteja com ele, me entende?

– O que houve com a Rachel? Por Deus, Quinn! Me explique!

– Explicarei no caminho, o Sam está com você?

– Sim, nós estamos juntos. – respondeu, aturdido.

Ótimo, então poupe-me de desenrolar toda a história, e enquanto me aguarda, peça que ele lhe conte tudo. Até mais ver. – desliguei e corri para o quarto.

~.~

Eu corria pelas ruas de NY como uma louca, graças á Deus eu possuo uma boa coordenação motora. Minha cabeça dava voltas, e eu estava soando frio, mas a raiva só crescia. Inconscientemente, eu estava apertando o volante com toda a minha força, os nós dos meus estavam brancos.

Nada irá acontecer com Rachel, tudo ficará bem.

Eu repetia isso mentalmente, enquanto via os carros desaparecerem como vultos á minha frente. Num extremo recorde, cheguei ao apartamento de Sam em nove minutos! Em contrapartida, eles já estavam no hall. Noah me lançou um olhar mortífero, caminhando á passos firmes em direção mim e Sam ao seu encalço.

– Veja o que você fez com minha irmã! Ela está correndo risco agora por sua causa, sua desgra...

– Vá com calma, Berry. – ralhei. – Está maluco ou o quê? Quem pensa que é para falar dessa forma comigo? Não se esqueça que trabalha para mim! E tenha certeza que eu estou tão preocupada com sua irmã do que você! – os olhos de Noah faiscaram e ele abaixou a cabeça brevemente.

– Me desculpe, Quinn eu...

– Não temos tempo para isso. Sam! – o chamei e lancei minha chave ao ar para ele.

~.~

E lá estávamos nós, no Little Italy, em frente ao galpão. Olhei para todos os lados, ansiosa, estava tudo calmo, até demais. Era incrível como a cada segundo que se passava, a vontade de ter a cabeça de Michelle á minha frente era inarredável. Eu não costumava agir com tal ira, mas o simples fato de saber que Rachel estava passando por uma situação traumática por minha causa, tirava qualquer racionalidade de mim.

– Certo, eu não vou ser idiota ao ponto de entrar com vocês dois lá dentro. Eu vou sozinha... Sam, você está com tudo aí, certo? – ele assentiu e levantou uns centímetros da camisa, deixando á mostra o cabo de sua Browning HP cromada. Vi Noah me olhar transtornado, provavelmente ele nunca esteve em uma situação como essa antes. – Ouça, Noah, se as coisas continuarem como estão, você presenciará situações completamente semelhantes ou até piores, ponha em mente que é sua irmã que está nas mãos de um louco lá dentro... Eu disse que te tornaria um homem e esse é apenas o começo.

Olhei uma última vez para Sam e ele pareceu entender perfeitamente o recado, colocou a mão no ombro de Noah e disse algo em seu ouvido. Entrei no galpão e estava tudo incrivelmente apagado. Terreno perigoso, pensei. Cheguei a dar uns cinco passos, vagarosamente, quando uma luz branca foi acesa. No mesmo instante, enxerguei tudo vermelho, Rachel estava sentada numa cadeira com os braços e pernas atados. Meu olhar passeava de Rachel para o homem de meia idade, com um sorriso de escárnio ao seu lado. Ajeitei minha postura, mantendo-a imponente.

– Bambina, você é muito previsível, sabia? – sorriu e jogou o peso do corpo de um lado para o outro.

– E você se acha muito esperto. – debochei, me aproximando da cadeira. – Por quê a prendeu?

– Uma coisa por vez. Deixe-me apresentar, sou Michelle Ferrari a seu dispor, bambina. – o homem era extremamente debochado, e estava me irritando a mão em que ele apertava o ombro de Rachel, era um gesto que chegava a doer em mim.

– Sei quem você é. Mas diga-me, por que está fazendo todo esse reboliço? Sequestrando a garota, qual é o fundamento?

– Achava que teria mais compaixão com a menina. Bem, estamos aqui para fazer um acordo, senhorita Fabray. Vejamos, por onde começar? Sim, do começo. A senhorita não sabe com quem está mexendo, nós sabemos muito sobre sua pessoa e imagino que não queira que a garota saiba. Não gostamos de perder e estamos muito insatisfeitos com o seu crescimento e sua audácia nas negociações, a senhorita acabou fechando nossas portas...

– Diga o que quer em troca que eu darei, apenas solte-a e resolveremos essa questão da melhor forma! – lancei um breve olhar á Rachel, ela estava com a cabeça baixa aparentemente fraca. Eu me perguntava o que eles poderiam ter feito com ela.

– Ouça o que te digo: isso foi apenas um aviso! Não quer que isso aconteça novamente, não é mesmo? Então, pare com tudo. Nós daremos um prazo, você tem um mês para fazer todas as suas empresas caírem, caso contrário, não falarei dessa forma amigável com você bambina, capisce?

– Você fala muito em nós, não se garante sozinho? – arqueei as sobrancelhas num gesto irônico, o homem me olhou incrédulo por tal ato, em seguida, retomou a pose respondeu:

– Nós da Máfia Italiana, bambina. Agora leve essa insuportável daqui!

Respirei aliviada por dois motivos: a) Rachel estava bem, nada de ruim aconteceu com ela e b) eu não tive que usar a ajuda de Sam ou Noah, lá fora. Ainda olhando nos olhos de Michelle, aproximei-me da cadeira e desatei os nós que prendiam Rachel. Como disse, ela estava fraca. Assim que fiz menção em pegá-la, ela se debateu, não aceitando o gesto. Me assustei com isso, mas ela não possuía força suficiente para me repelir, então a segurei firme e forcei-a olhar para mim.

– Hey, Rach... deixe-me levá-la.

Ela desviou o olhar e deixou que eu a pegasse, Michelle ria sem parar por algum motivo que eu não pude identificar. Olhando mais uma vez ao redor, percebi que havia vários outros homens espalhados pelo galpão vestidos em ternos perfeitamente sob medida, e ao lado do italiano, um jovem de cabelos incrivelmente negros, com uma expressão nada amigável. Olhar felino, e pose hercúlea. Imaginei que seria ele a fazer o trabalho sujo caso algo desse errado. Saí apressadamente com Rachel nos meus braços. Noah se encontrava encostado numa pose de alerta na porta e Sam falava ao telefone em outra língua, que no momento, eu não consegui reconhecer, tamanha minha euforia.

– Oh, minha princesa! Você está bem? – Noah se aproximou rapidamente de nós duas.

– Abra a porta! Vamos sair logo daqui, antes que seja tarde demais!

Noah, num gesto rápido, abriu a porta e me ajudou colocar Rachel no banco. Sam finalizou a ligação e entrou no carro.

– O que aconteceu lá dentro, Quinn? O que eles estão querendo? – Sam indagou, enquanto tirava a arma da cintura e a guardava no porta-luvas, com um pouco de dificuldade, devido ao braço.

– Nada demais, Samuel... Eles querem que a Imóveis Fabray perca todo o destaque, é uma coisa sem nexo, não faz sentido nenhum!

– E caso contrário? –Noah virou-se no banco, revezando o olhar entre mim e Rachel.

– Algo ruim acontecerá. – debochei, olhando através do retrovisor interno para Sam. – Bem, é o que eles pensam...

– E quem são eles?

– Máfia italiana. – respondi, concisa. – Nós vamos ficar bem, não se preocupe, Noah. – o acalmei, pois sabia que ele estava apavorado. – Só não entendo uma coisa, para dever para o meu cassino e achar que nada poderia acontecer com você é fácil, mas para enfrentar uma situação de tal magnitude o homem vira um gatinho assustado.

Com certeza, aquele comentário pegaria na veia de Noah.

– Eu não sou um gato assustado! – contrapôs.

– Então aja como um homem, e se acostume! Você já está dentro e não sairá tão cedo, garanto que irá gostar quando as coisas começarem a dar certo para você. – sorri sugestiva. – Vamos para o seu apartamento, Berry. Rachel precisa descansar.

~.~

Atravessamos quase toda NY num zás, e logo chegamos ao prédio de cinco andares com a pintura desgastada onde Rachel e Noah moram. De todas as formas, com o último ocorrido, esse lugar não é nem um pouco seguro para os dois. Preciso tirá-los daqui.

Subimos as escadas num completo silêncio, deixei que Noah levasse Rachel nos braços que ainda estava desacordada na frente. Assim que Sam o ajudou a abrir a porta e o judeu a adentrou, ouvimos uma voz masculina – nem tanto assim- exclamar um:

– Por Barbra! O que houve com Rachel?!

Entrei sorrateiramente e tranquei a porta, traçando o perfil do rapaz. Ele era magro, pele clara, olhos azuis e um topete de dar inveja em qualquer ator de Hollywood ou um homem vaidoso. Sem contar, a pose feminina que apresentava. Ele desviou o olhar do corpo de Rachel nos braços de Noah e mirou Sam e eu.

– Olá, eu sou Sam Evans. – Sam se apresentou, não no estilo simpático. Mas sim, na forma ameaçadora. O moreno o olhou assustado e apertou sua mão.

– Kurt Hummel. – então era com ele que Rachel haveria de se encontrar no Central Park. Bem, então se eles não chegaram a sair juntos, onde foi que eles raptaram Rachel? Será que foi aqui no prédio ou na rua? Não, ela não viria para cá depois que eu fui embora. – E você quem é?

– Lucy Quinn Fabray. – apertei sua mão, sorrindo levemente.

– Vou levá-la para o quarto. – Noah viu o clima em que nos instalamos, um olhando para outro, como se a qualquer momento pudesse haver um ataque ali dentro.

– Eu vou cuidar dela, Noah. – respondi firme e o segui, sem querer saber se ele aceitaria ou não.

~.~

O quarto de Rachel era extremamente confortável, não havia luxo ou um terço do tamanho do meu, mas mesmo assim, eu poderia dormir ali facilmente. Ela ainda estava sonolenta, por alguns minutos, pensei em levá-la para o hospital, pois não parecia normal Rachel estar daquela forma. Velei seu sono por algumas horas. Estudei cada detalhe do seu rosto. E eu poderia colocar essa imagem em segundo lugar, depois de seu sorriso.

Levantei-me da poltrona e caminhei até a janela, fitando o cair da noite. As crianças correndo pela calçada e o começo de uma nevasca de neve. Rachel suspirou fundo, se remexendo na cama, eu a fitei silenciosamente de onde estava.

– Q-Quinn?

– Você está melhor, Rachel? – perguntei, voltando a me aproximar da cama.

– O que foi aquilo tudo? – enrijeci o maxilar com a pergunta, como eu poderia explicar tudo aquilo? Mentindo ou a pura verdade? – Quem é você, Quinn? Você é como eles? Eu estava meio fraca dentro do carro, mas pude ouvir perfeitamente bem o que você discutiu com o Noah! Isso tudo só pode ser uma brincadeira, não é? – sorriu nervosa. – Que história é essa de máfia? Isso é impossível! Ainda mais aqui em NY! – parou uns segundos, e eu fiquei a esperando, porque sabia que ela diria mais alguma coisa. Mesmo na escuridão do quarto, pude ver Rachel abaixando a cabeça e respirando fundo. – Por favor, me diga, Quinn...

Meu coração apertou com seu tom de súplica, não era assim que eu planejava as coisas. Não era para ser assim... A verdade, é que eu não consigo lidar com as coisas quando elas não saem esperado. E se depois que eu contasse tudo e ela não me quisesse mais em sua vida, temendo o monstro que eu posso ser?

– Eu não sou como eles... e é verdade sobre a máfia. As pessoas só não tem conhecimento disso, porque seria um problema para o governo. Ter de lidar com uma outra forma de poder seria algo complicado, então todos fazem vista grossa enquanto isso não está causando problemas. Mas a cada ano que se passa, eles ficam mais fortes, e só estão esperando uma hora certeira para atacar...

– E por quê eles me sequestraram? Por Deus, Quinn, eu poderia estar morta agora! – exclamou, com a voz trêmula. Sem muito pensar, eu rebati instantaneamente:

– E eu não me perdoaria por isso nunca! Por favor, Rachel, acredite em mim... A culpa é toda minha. Eles querem tirar a Imóveis Fabray do mercado, pelo destaque que ela tem, não suportam estar perdendo.

– É impossível acreditar nisso tudo, Quinn. Se eu ouvi bem, você é a dona daquele cassino que o Noah estava devendo, você o viciou naquilo! – Rachel surtou e começou a distribuir tapas histéricos no meu braço. Eu apenas segurei suas mãos e levantei da cama, mantendo uma distância segura de Rachel.

– Não! Eu não viciei ninguém, Rachel. Ouça, não misture as coisas, por favor. Me deixe explicar tudo.

– Não! Vá embora daqui Quinn! Eu odeio jogos e maldade, e pelo visto isso escorre no seu sangue, não é? Eu nunca mais quero te ver!

– Rachel...

– Saia Quinn! Agora!

E assim o fiz, não entendia como aquela conversa chegou até aquele ponto. Nunca vi Rachel daquela forma. Eu estraguei tudo, droga! O que eu faço agora?

Na sala, Kurt, Noah e Sam conversavam. Assim que me viu, Kurt me lançou um olhar diferente. Temor era a palavra certa, esse tipo de olhar eu reconheceria até embaixo d´água.

– O que houve lá dentro? – Noah perguntou, enquanto pegava o controle remoto e desligava a televisão.

– Eu... eu não sei. – respondi desolada. – Rachel precisa ficar só por um tempo e eu também. Já vou embora.

– Quinn, nós temos uma coisa para falar. – Sam se pronunciou assim que eu cheguei á porta. Virei-me mecanicamente e o fitei. – Kurt já sabe de tudo. Sobre você, nós... quem somos. – se fosse num momento normal, eu mataria Sam ali mesmo. Isso não poderia ser revelado para ninguém! Onde Sam estava com a cabeça? Mas, ao contrário disso, apenas respirei fundo, esperando que ele prosseguisse. – Kurt não fará nada, ele já jurou... e também se ofereceu para nos ajudar, sabe, ele é jornalista e possuí muitas informações sobre a máfia do italiano.

– Tudo bem. Olha, Kurt, agora eu não estou em boas condições de fazer um interrogatório ou arquitetar estratégias, mas você é um ponto importante. Daqui a dois dias eu entrarei em contato com você, faremos uma reunião, isso seria um incômodo para você?

– Não! Não seria incômodo algum!

– Ótimo. Então, por favor, dê seu contato para Sam e eu mesma ligarei daqui a dois dias para marcarmos a reunião. Como você já deve saber, minha família estará reunida e você servira como um bom instrumento. Agora, se me permitem, tenham uma boa noite.

– Não quer que eu te leve, Quinn? – Sam se levantou e veio em minha direção.

– Não, gostaria de ir sozinha. – murmurei abatida.

~.~

Chegado o grande dia em que toda minha família estaria na cidade. Mas, eu não sentia a mesma empolgação que no começo. Eu já não via Rachel desde o incidente, não tive coragem para aparecer no teatro. Eu sei que eu sou culpada por tudo o que aconteceu e não sei por quanto tempo vou conseguir carregar essa culpa sem me sufocar, mas de certa forma, eu estou mal. Rachel me destruiu com aquelas palavras, e eu não sei como consertar tudo novamente.

Noah, Sam e Santana estavam comigo próximo à pista de aterrissagem, enquanto esperávamos o avião particular da família chegar. Só mamãe, Frannie e Rick vinham de Londres, os outros vinham de uma das vilas mais velhas e respeitadas da Grécia: a Vila Fabray. Assim que o avião aterrissou, pensei: “começaremos aqui, uma grande guerra”.

Notas finais
A parte em que a Máfia Fabray começa a arquitetar o plano já está escrita e, inclusive, faria parte desse capítulo, mas quando nós fomos revisá-lo, vimos que ele ficou enorme! Então, dessa vez, não foi por suspense! Não vejo a hora de colocar o Lado Fabray em ação novamente :D O que acharam do capítulo? Não estranhem a reação da Rachel! Se vocês prestarem bastante atenção, há um capítulo que dá uma dica do porquê dela ter agido dessa forma! Alguém arrisca um palpite? kkkkk... Comentem, anjos! E até o próximo :D