O Bar da Esquina
16 Os Fabray e a Supresa da Noite
Notas iniciais
Quinn aguardou ansiosamente o jatinho particular da Família Fabray aterrissar. Chegou a sorrir quando viu um a um descer do mesmo graciosamente. Um charme que só eles possuíam. A forma impecável de se vestir, o estilo de andar imponente, o ar superior exalado naturalmente e o olhar que poderia fazer qualquer um se perder.
Santana abriu um largo sorriso e se aproximou, quase que correndo, á pista do pouso. Frannie, que amparava Judy, soltou-se da mãe gentilmente e correu em direção á latina.
– Oh, Sant! Quanta saudade! – disse, enquanto apertava fortemente a latina, em um abraço de urso.
– Eu também, tampinha! Parece que o Sr. Rick anda fazendo bem a sua saúde! – separou-se do abraço, olhando para o corpo de Frannie, sorrindo marotamente.
– É só a Santana que existe por aqui? Ótimo, porque eu posso cancelar tudo o que iremos fazer e deixar vocês duas matando essa saudade.
Quinn proferiu, fingindo ciúme. Os olhos de Frannie se encheram de lágrimas, então ela se aproximou da irmã sorridente.
– Ah, Quinnie! Não seja tola! Venha me dar um abraço! – puxou a escritora, a apertando fortemente.
– Senti muito a sua falta, maninha. – Quinn murmurou, em meio aos fios loiros, ainda sorrindo. – Você não sabe o quanto...
– Quinn, eu sempre vou estar com você. Lembra-se do pacto da nossa família? Sempre unidos. Seja lá o que for, sempre estaremos juntos! Eu te amo!
Judy assistia o momento de suas filhas emocionada. A última vez que viu a filha mais nova havia sido no lançamento do livro de Quinn, há alguns meses atrás. E sentia falta do contato físico, já que só se comunicavam apenas por telefone ou Skype. Aproximou-se sorrateiramente e abraçou as duas.
– Mamãe, eu não via a hora de ver a senhora novamente. – Quinn sorriu, com os olhos marejados. Não tinha ideia de que sua saudade fosse tamanha. Ali, olhando para todos, estava se sentindo completa novamente.
E ficaram assim por alguns minutos, matando a saudade um do outro. Aquele festival de abraços. Até então, Sam havia ficado em seu lugar. Ele era amigo de Quinn e Santana há muito tempo, mas nunca havia visto toda a família de Quinn. Exceto, Judy, Frannie e Rick. Ficou realmente impressionado com os tios, primos e primas da loira. Frannie olhou ao redor e encontrou o rapaz, andou até ele e o puxou para o círculo onde todos se encontravam.
– Sam, esse aqui é o tio Filipe. – o homem loiro e hercúleo, vestindo um terno de corte italiano, abriu um belo sorriso, exibindo suas pérolas branquinhas. E apertou a mão direita de Sam fortemente. – Tio Filipe, esse é Samuel Evans, o fiel escudeiro da Quinn.
Filipe Fabray, irmão de Russel Fabray, era o mais velho de todos os irmãos, depois de Russel. Vivia na Vila Fabray, Grécia, e de lá comandava todas as ações de todo o clã. Podia-se dizer que, Quinn e Frannie eram as únicas que quase nunca pediam ajuda para a outra parte da família, mas quando isso ocorria, o problema sempre era dos grandes.
– Ah, deixe está parte comigo! – Quinn segurou o cotovelo de Sam e o guiou até o próximo parente.
Fazendo um resumo, havia três tios, dois primos e uma prima de Quinn. Depois de Filipe, vinha o segundo mais velho. Pietro Fabray. Possuía cabelos loiros, com sinais grisalhos. Sua expressão era de um homem sério, o corpo esguio e pose aristocrática, assim como o de Quinn. Dentro da família, ele era reconhecido por sempre conseguir informações preciosas com seus métodos peculiares. E o último dos irmãos Fabray, estava Nicolas. Na casa dos quarenta, era casado com uma das mulheres mais bonitas da Vila Fabray e tinha dois filhos: Leon e Finn. Bem, e daí podemos contar uma outra história. Finn que também foi incluído para a ‘missão’, era adotado. Na verdade, ele foi deixado na porta de Nicolas, numa noite de extremo calor na Grécia. O garoto era moreno e alto, sua forma física não era como o dos Fabray, mas o olhar poderoso que o mesmo apresentava poderia substituir o fato. Junto com Leon – que o próprio nome diz ‘leão’ ou ‘valente como um’ – adquiriu uma coragem fora do comum. Os rapazes adoravam desafios e nunca deixaram de cumprir com seus papeis em uma missão. E a filha querida de Pietro, a astuta Sugar Fabray. Todos da família costumavam chamá-la de ‘Raposa’ por ser manhosa, ao mesmo tempo em que seu instinto de vingadora a dominava. Um grupo de doze pessoas, contando Sam, Santana, Quinn e Noah – que havia pedido permissão para se ausentar por algumas horas. Rachel ligou para o mesmo, pedindo sua ajuda e, Quinn sem pestanejar, deixou-o ir. Quão estrondoso seria o estrago causado por eles?
E assim se formava o chamado Clã Fabray. Todos ali possuíam suas histórias, mistérios, habilidades e qualidades. E Russel sabia disso, e foi ele quem teve a brilhante ideia de juntar todos dessa forma.
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Quinn pediu que sua equipe de funcionários a ajudasse acomodar seus parentes no prédio que havia reservado especialmente para a família, mas para sua surpresa, todos recusaram a parte em que cada um teria seu apartamento. Não era assim na Grécia, todos moravam juntos e permaneceriam assim, já que os apartamentos eram enormes. Até que Santana teve a grande ideia.
– O que vocês acham de um jantar especial para comemorarmos a chegada de todos vocês? – perguntou, exibindo seu melhor sorriso de felicidade. Santana se sentia inteiramente feliz, os Fabray eram sua família, pois a mesma passou foi acolhida e criada por todos como se fosse uma filha.
– Ótima ideia! – argumentou Filipe, levantando-se do sofá e caminhando elegantemente até a vidraça da grande sala, que dava uma vista bela e quase inteira de Manhattan.
– Claro, e assim poderemos discutir nossas ideias. – Pietro emendou a fala de Filipe, seu sotaque era extremamente grego, mas ainda seu inglês funcionava perfeitamente. – Estou verdadeiramente avassalado para o que viemos fazer aqui.
Sam já estava perfeitamente enturmado com todos e até arriscava uma conversa com Sugar, que mantinha seu olhar astuto e travesso para o mesmo. Mas como um fiel escudeiro, Sam sabia das fraquezas de seu protegido. E havia notado a distância de Quinn na ocasião, não que a loira não estivesse feliz com a união de todos, porém, estava diferente desde que saiu da casa de Rachel. Aparentemente estava desolada, e ele daria tudo para voltar no tempo e mudar as coisas entre as duas. Observava a loira encostada no arco da porta entre a cozinha e a sala, com um copo de água em mãos, decidiu então, colocá-la na conversa.
– Ei, Quinn o que acha da ideia da Santana? – a loira pareceu despertar de um devaneio, piscando várias vezes e lançando um olhar perdido para Sam. Todos a fitaram ansiosos.
– Perdão, como? – olhava um a um, envergonhada pela gafe.
– Um jantar para comemorarmos e discutir nossas estratégias. – Sugar respondeu, semicerrando os olhos para a loira, desconfiada.
– Ah, sim! Claro. – sorriu, relaxada. – Bem, eu tenho duas pessoas para apresentar á vocês e esse jantar soa como uma boa ocasião para tal fato.
Todos concordaram e voltaram a conversar harmoniosamente. Judy e Frannie, que estavam sentadas lado a lado trocaram um olhar cúmplice. Judy levantou-se e caminhou até Quinn.
– Quinn, minha filha. Acompanha-me até a cozinha? – tocou levemente o braço da filha, num gesto carinhoso.
– Claro!
Quinn a seguiu, em silêncio. Judy era uma mulher extremamente calma e sábia, sempre tinha os conselhos certos á dar e sempre esteve presente quando Quinn precisava dela. Seu instinto maternal era fora do comum, mesmo quando estava á quilômetros de distância sabia o que se passava com a filha, e já havia notado nas últimas ligações que a voz de Quinn estava diferente, mais alegre, contagiante e, agora ela estava diferente. Seus instintos estavam em alerta. Calmamente, Judy foi até a o armário, tirando dele um copo, o enchendo de água na pia, e por fim, parou á frente da filha, a encarando com um sorriso suave nos lábios.
– O que está acontecendo, minha filha? – Quinn desviou o olhar, e fitou o chão por alguns segundos.
– Nada demais, mãe... – suspirou.
– Agora você só confirmou minhas suspeitas. – sorriu e tomou e tomou um longo gole d´água. – Vamos, conte-me. Qual o motivo para você estar assim?
Quinn fitou a mão por alguns segundos e começou:
– O nome dela é Rachel...
E assim se prosseguiu durante quase uma hora a conversa entre mãe filha. Alguns minutos depois, Frannie e Sugar entraram no local e se engajaram na conversa. Frannie ficou extremamente feliz com a notícia e mesmo sem conhecer Rachel já a adorava pelo simples fato de ter conquistado o coração da irmã e ainda deu uma pequena bronca na irmã por ter sido covarde em não ter ido consertar as coisas.
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Santana ordenou que Sam e Quinn fosse embora, para que os Fabray pudessem descansar da viagem, causando risos em todos. A loira ficou mais empolgada depois da conversa que teve com a mãe, irmã e a prima. Concordando com Santana, rumou com Sam e a latina até a porta, relembrando á todos do jantar mais tarde.
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Do outro lado da cidade, Noah estava numa conversa tensa com a irmã, que praticamente estava derrubando o apartamento em mais uma de suas crises de histeria.
– Você estava com aquela vigarista? Você é mesmo um sem noção, Noah! Ela levou sua vida quase que até o fundo do poço! Te viciou no jogo! E agora você estava lá, ao lado dela!
– Calma lá, Rachel! De onde você tirou isso? Quinn não é nenhuma vigarista e muito menos me viciou nos jogos! Eu fui lá porque quis! Eu gastava o dinheiro! Ela nunca me obrigou a nada, eu sequer a conhecia! – colocou uma almofada de volta no lugar, que Rachel havia jogado nele.
– Como você é hipócrita! Dê-me uma prova disso! – parou em frente ao irmão, o encarando desafiadora. Noah arqueou as sobrancelhas como se dissesse “quer ouvir uma resposta?”.
– Hmm, tenho vários fatores para isso, mas vou apontar apenas um para acabar como esse seu egoísmo, ok? Eu só estou aqui e agora inteirinho por que ela gosta de você! E não é como uma amiga não! Isso está estampado na cara dela! E olha que não tem um mês que eu a conheço. Mas é tempo suficiente para saber que ela é uma ótima pessoa. Ela está lhe dando a maior chance da sua vida, a oportunidade de fazer você realizar seu maior sonho, Rachel! Quer mais motivos? Pois eu darei. Veja bem, que tipo de pessoa em sã consciência, iria enfrentar um mafioso sozinha, só para salvar uma mulher que conhecia há poucos dias, hein? Mas você está ocupada demais tendo essas crises idiotas para perceber isso. Você mal a deixou se explicar.
Ponto para Noah Berry! Ele conseguiu deixar Rachel sem palavras, o olhando incrédula. Ah, se Quinn soubesse disso! Com certeza, a loira faria uma festa em agradecimento ao judeu. Um ponto importante de Rachel, era que ela sabia reconhecer ser erros.
– Mas isso não muda o fato de ela ter escondido de mim esse outro lado. – sussurrou, mirando os pés.
– Como ela poderia contar, sendo que você não dá espaço para que ela o faça? Você é fechada demais e talvez seja por isso... Princesa, Quinn é boa demais. Não a deixe ir embora, ok? E preciso dizer que você tem muita sorte, porque ela está caidinha por você. – aproximou-se da irmã e segurou sua mão direita a confortando. – Agora, eu preciso ir. Quinn me ligou não faz muito tempo, ela quer conversar comigo.
– Noah... como ela está? – perguntou, como uma criancinha arrependida.
– Mal pelo o que aconteceu. Mas, sabe, eu acho que sei uma solução para isso...
– E o que é?
– Ligue para ela, mas seria melhor ainda se você fosse atrás dela.
Sorriu maroto e se afastou da irmã, caminhando até a porta.
Com certeza, Quinn agradeceria o rapaz.
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Depois de passar quase que a tarde inteira assistindo um ensaio de dança de Brittany, Quinn precisou partir para se encontrar com Noah em seu escritório. Passou o endereço para o rapaz e dirigiu até seu apartamento.
O interfone tocou e Quinn o atendeu.
– Senhorita Fabray, Noah Berry está aqui embaixo, posso mandá-lo subir?
– Sim, claro, Juan. Tenha uma boa noite.
Alguns minutos depois o som da campainha ecoa no apartamento da loira e ela vai até a porta.
– Por favor, entre. – deu passagem para o judeu.
– Nossa, esse apartamento é imenso, Quinn! – olhava todos os lados, maravilhado.
– Obrigada. – sorriu. – Noah, eu vou ser direta. O que há com Rachel? Por que ela agiu daquela forma comigo?
O judeu parou de varrer o apartamento com os olhos e fitou a loira, sério.
– Rachel é uma mulher frágil, Quinn. Embora não pareça. – suspirou.
– Me explique direito. – sentou-se no sofá, esperando que ele fizesse o mesmo.
– Serei objetivo, até porque esta história tomaria muito de nosso tempo. Rachel tem alguns distúrbios mentais, sua adolescência não foi nada boa... Então, hoje ela vive fragilizada e com as emoções á flor da pele e...
– Tudo bem, já chega. – o cortou. – Era só disso que eu preciso saber, por enquanto. Eu realmente me sinto culpada pelo o que fiz, e me sinto mal por esse muro artificial que vem nos separando há dois dias... O que eu posso fazer para mudar isso? – perguntou aflita. Noah sentiu o tom de súplica da loira e ficou com pena.
– Continue sendo a pessoa maravilhosa que você é, Quinn. Só... só seja paciente com ela e não esconda mais nada, Rachel tem problemas com a confiança.
– Muito obrigada, Noah! Bem, já está quase na hora do jantar. Você finalmente irá conhecer minha família e a equipe que trabalhará com você nos próximos meses. Eu vou me arrumar e daqui a pouco Sam e Santana chegam.
– Sim, claro. Eu estou meio nervoso com isso, mas creio que dará tudo certo.
Quinn sorriu gostosamente, e se levantou do sofá. Quando estava próxima ao corredor que dava para seu quarto, respondeu:
– Então, a partir de hoje você aprenderá a lidar com o nervosismo.
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Rachel corria loucamente pelas ruas do Brooklyn até chegar ao famoso Bar da Esquina, entrou abruptamente e encontrou François, servindo um cliente.
– François! Por favor, você poderia me ajudar? – tocou o ombro do velho homem.
– Oh, Rachel! Que surpresa! – sorriu. – No que posso ser útil?
– Você sabe o endereço da Quinn?
– Por sorte, ela me deu um dia desses para eu visitá-la. Olhe ali atrás do balcão, você vai achar. Está escrito: ‘com amor, Quinn’. Eu só não te ajudo porque, eu preciso tirar esse bêbado daqui. – apontou com a cabeça, para um jovem que deveria estar na casa dos vinte e sete anos, afogando as mágoas na bebida.
Rachel foi num zás até o balcão e vasculhou o mesmo á procura do papel, e o encontrou. Leu rapidamente e sorriu com o final do bilhete: “espero que vá até minha casa, velho chato”.
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– Quinn! A campainha está tocando, não vai atender? Eu estou me arrumando e Brittany também! Levante essa sua bunda branca da cadeira e vá ver quem é! Noah não é obrigado a fazer esse tipo de serviço! – Santana gritou de seu quarto, ela sabia que a loira estava ouvindo a campainha, mas não ousaria levantar-se de sua cadeira para abrir a porta. Quinn rolou os olhos e foi atender, levando uma grande surpresa.
– Ah, oi Quinn... você está linda! –Rachel corou, abaixando a cabeça.
Quinn só podia estar sonhando...
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