O Bar da Esquina

9 Salvo pelo Congo


Notas iniciais
Olá! Boa noite, meus amores! Perdoem-nos por não ter postado antes, mas esse capítulo demorou um pouco para sair, escrevemos ele entre os intervalos de algumas aulas ontem, mas por puro cansaço não conseguimos postá-lo. Mas o capítulo está grande, então, espero que compense :D Musica do capítulo: Bastille- Oblivion ~Mah

Dirigi o carro de Sam até um galpão abandonado no Brooklyn, eu no meu estado normal até teria medo de andar a noite naquele bairro, mas quando se trata do meu outro lado da moeda as coisas mudam. Medo é uma palavra que não existe no meu vocabulário. Noah berrava dentro do carro sem parar, até que eu perdi a paciência e pedi para que Sam desse um jeito naquilo.

O galpão funcionava como um depósito de bebidas há alguns anos atrás, mas pelo o que Sam me falou o dono da rede de bebidas acabou falindo e abandonou o local. Hoje alguns usuários de drogas e mulheres da vida o frequentam, mas por sorte estava totalmente vazio. Sua aparência internamente não era das melhores, escuro, com várias caixas empilhadas e espalhadas, o chão molhado e pegajoso e um forte cheiro desagradável de urina e mofo. Sam forçou Noah a sentar-se numa cadeira velha e tirou sua venda. O rapaz piscou várias vezes até se acostumar com a escuridão, mas logo voltou a abrir a boca, gritando sofregamente.

– Me tire daqui! Socorro! – tentava se soltar das amarras em suas mãos.

– Quieto, Noah! Você acha que alguém irá ouvi-lo nesse final de mundo? – debochei.

Escolhi o lugar totalmente escuro para que Noah não visse nossos rostos, já que no nosso primeiro ‘encontro’ o beco era escuro e acho que a única coisa que ele enxergou sem nenhuma dificuldade foi meus olhos, pois eu estava muito perto de seu rosto. O rapaz fez o que eu mandei ficando em silêncio, eu conseguia ouvir sua respiração ofegante, era óbvio que ele estava morrendo de medo. Todavia, aquele clima que nos encontrávamos era instigante, a sensação de sentir o pavor esvair pela respiração e gritos de Noah me satisfazia, fazia com que um sorriso maldoso crescesse em meus lábios.

– Por favor, me deixe ir! – ofegou. – Eu nunca mais aparecerei em seu cassino...

– Deixarei você ir, se pagar o que me deve. Onde está o meu dinheiro? Seu prazo se esgotou hoje. – circulei sua cadeira, deixando meus dedos tocarem levemente seus ombros.

– Eu não tenho todo esse dinheiro, a dívida é muito alta! Por favor, não faça mal a minha família, eu irei pagar, me dê mais uma chance! – virava-se em direção a minha voz.

Confesso que eu não estava com muita paciência para rebater aos argumentos de Noah, respirei fundo e olhei para a direção em que Sam se encontrava e, no instante que eu ia dizer para que ele fizesse o que precisava ser feito, meu celular começou a ressonar pelo galpão. Aquilo pareceu um banho frio, era como se eu estivesse recobrando á realidade. Olhei o visor e quem me ligava era Santana. Rapidamente, coloquei meu dedo indicador no alto falante para abafar o toque.

– Sam, espere! Eu já volto. – saí em disparada para fora do galpão.

– Alô, Quinn? Me escuta! Preste atenção! – senti que Santana parecia desesperada.

– Sim, o que foi Sant?

– Pelo o amor de Deus, pare o que você está fazendo! O Noah! Ele é irmão da Rachel! Céus, Quinn! Noah Berry!

– O quê? – Não, aquilo não estava acontecendo! Não podia estar. Por Deus, por que eu não pensei nisso antes?! Berry, Noah Berry! Oh, meu Deus, eu estava á um passo de fazer besteira. – Santana, me explique isso direito! Quem lhe disse isso?

– Como nós somos idiotas, Quinn! Britt me contou isso, Rachel mencionou o nome dele no dia em que ela se encontrou com Brittany! Esquece, esquece, Quinn. Não o torture. Deixe-o ir.

– Santana, eu vou desligar.

Oh, Deus! O que eu faço agora? Mas é claro que eles são parentes, o sobrenome. Eu não posso fazer nada com ele, não vou. Mas se eu deixá-lo ir o que ele será capaz de fazer? Tenho que pensar rápido. Hora do plano B. Mas eu sequer tenho um! Respirei fundo, eu tenho que desmanchar isso. Droga! Andei até o carro de Sam, encostei-me à lataria. E com num lampejo de luz, uma ideia surgiu. Noah se tornará um aliado assim como Sam. Assim ele ficará calado e eu posso tirar proveito disso.

Voltei ao galpão decidida.

– Devo admitir que você passou no teste, Noah Berry! – falei num tom de voz elevado, forçando uma animação por estar noticiando aquilo.

– O quê? Do que você está falando, Lucy? – indagou Sam totalmente confuso.

– Considere-se um escudeiro de sorte, Sam. Você irá ter um companheiro agora, e ele é Noah. Por favor, desamarre-o e se quiser pode ir embora, se for esperar que seja lá fora. Tenho que conversar... com os dois.

Sam fez o que eu pedi e passou por mim igual á rojão, pelo o que eu o conheço ele estava irritado e confuso com o que estava acontecendo. Me aproximei de Noah e parei em sua frente cruzando os braços.

– Que... que teste? Do que você está falando? – deixei suas perguntas no ar e andei a procura do interruptor de luz do galpão, por sorte estava próximo. De onde estava, pude ver Noah levantar a cabeça e piscar os olhos para se acostumar com a claridade.

– Eu estava apenas o testando. Você foi, sem ser informado, a fazer um teste. E para quê ele serve: você ira trabalhar para mim, Noah. – voltei a caminhar lentamente em sua direção. – Irei torná-lo um homem de verdade, não um viciado inconsequente em jogos. Você quer?

Noah soltou uma risada de escárnio, sacudindo a cabeça negativamente.

– Isso é alguma brincadeira?

– Veja, para um homem que estava implorando para ser livrado agora está ótimo para conversar seriamente. Então, responda-me: você quer?

– E o que eu ganho com isso?

– Ora, não seja tolo! – exclamei, por um segundo achei que ele fosse recusar minha proposta e isso não pode acontecer. – Você sabe muito bem que eu tenho poder suficiente para te caçar até o inferno e tirar tudo o que é mais precioso para você. O que você ganha com isso? Considere que suas dívidas comigo estejam pagas, você terá o que quiser: dinheiro, fama ou seja lá o que for. Meu desejo é torná-lo um homem e isso eu farei se você aceitar, é claro.

– E-eu... não... Sim, tudo bem. Eu aceito!

– Ótimo! Você é inteligente. Agora eu preciso ir. Espere até que eu saia do galpão, em seguida faça o mesmo e Sam o levará para onde desejar.

– Espere! O que eu faço? Não sei nem o seu nome.

– Lucy... Amanhã nos encontraremos no cassino, ás onze da noite e tudo será esclarecido.

Sam estava no carro, com a porta aberta. Assim que me viu apagou o cigarro que fumava pisando em cima.

– Precisamos conversar. – murmurou.

– Claramente, mas não agora, Sam, por favor. Amanhã faremos uma reunião no cassino, e tudo ficará em pratos limpos. Só lhe adianto uma coisa: Noah é seu parceiro agora, então trate-o como tal, entendeu bem? – Sam assentiu. – Ótimo, daqui a pouco ele aparecerá por aqui e você o levará para casa. Não pergunte e nem responda pergunta alguma. Boa noite, Sam.

– Pra onde você vai, Quinn? – estranhou por eu não ter entrado no carro e seguido a pé para o lado oposto.

– Bar. Preciso conversar com François.

~. ~

Assim que cheguei, encontrei François sentado numa mesa conversando com um cliente que eu não conseguia enxergar, pois ele o cobria. Aproximei da mesa e advinha quem era com quem François conversava? Rachel! De repente, um frio percorreu minha espinha ao vê-la. Eu poderia ter acabado com a vida do irmão dela e isso seria imperdoável, Rachel não merece sofrer. Nunca.

Pisquei para ela, fazendo sinal para que ela não dissesse que eu estava ali e tapei os olhos de François com as mãos.

– Advinha quem é? – fazia força, enquanto ele tentava tirar minhas mãos de seus olhos.

– Ah, Quinn! Essa sua voz é inconfundível! – soltou-se das minhas mãos.

– Assim não vale, você é um trapaceiro, isso sim! – resmunguei divertida, sentando ao seu lado. – Hey Rach! – sorri para ela, e mais uma vez presenciei sua expressão surpresa. Por que? Pelo apelido carinhoso?

– Oi, Quinn! O que faz aqui? – finalmente sorriu abertamente.

– Senti saudade desse velho trapaceiro aqui. – bati no ombro de François. – E você?

– Eu vim me distrair um pouco e François me fez companhia. Ele me falou muito de você...

– A é? O que foi que François te contou sobre mim? – perguntei franzindo o cenho para o dono do bar.

– Ah, Quinnie! Eu falei sobre... Rachel te responde já que ela que perguntou, tenho uns clientes ali. – Desculpa barata essa, não? Virei-me para Rachel indagadora e ela corou, abaixando o olhar.

– E então?

– Quinn, você promete não ficar brava? É que eu só queria saber e não tive coragem de perguntar quando nós almoçamos... – fez manha, arrumando a franja que caía sobre sua testa.

– Hmm, se você perguntou á François qual é o meu cargo na polícia eu ficarei brava. – brinquei, e ela sorriu. – Prometo não ficar brava, acho que eu não conseguiria ficar... com você.

– Por que não? – sorriu de canto.

– Não sei, Rachel. – Ah, é a hora! Vamos jogar mais uma. – É estranho, mas... Eu gosto muito de você, não é porque nós nos conhecemos há alguns dias. Já faz um tempo que eu te observava ali, – apontei o balcão onde estava um cliente. – de longe.

Rachel mais uma vez fez um perfeito ‘o’ com a boca, em seguida abaixou a cabeça, desviando o olhar do meu. Ah, será que é tão difícil assim perceber que eu gosto de você? Ou é uma anomalia e eu não posso?

– Eu... bem, eu também te observava, sabe? Várias vezes você estava rindo junto com François ou escrevendo algo no notebook. – Oh, meu Deus! — E... o que eu perguntei para François foi se você tem namorado ou noivo.

Não aguentei quando Rachel disse aquilo e caí na gargalhada. Veja bem, se ela disse que me observava já é um ponto, certo? E em seguida ela pergunta se eu tenho namorado ou sou noivo? De acordo com as estatísticas, pode ser que ela esteja interessada em mim. Vá com calma, Fabray, para não cair do cavalo! François sabe da minha ‘ambiguidade’ sexual, como ele mesmo diz, então já imagino o que ele tenha dito.

– E o que ele disse?

– Que você não namora. – sim, eu pude perceber que ela deu um leve sorriso de canto. – E que é bissexual, mas que você é mais interessada por mulheres. Isso é verdade?

– Sim, é verdade. Mas por que você tem medo de que eu fique brava? – aproveitei que sua mão estava em cima da mesa e a peguei, fazendo um leve carinho. Rachel olhou para as nossas mãos juntas e sorriu.

– Eu não sei, acho que porque nós nos conhecemos há pouco tempo e você de certo modo é minha chefe, não é? É uma mulher importante, e eu não me acho no direito de querer saber da sua vida desse jeito. – confesso que essa frase atingiu meu coração, não sei, mas parece que Rachel se diminui ao meu ‘tamanho’ em matéria de dinheiro. Mas vamos á mais uma jogada e abrir esse campo minado.

– Rachel, vamos fazer uma coisa. Dentro daquele teatro nós somos chefe e sei lá, funcionária. Mas fora dele, nós somos o que você quiser. Agora, não diga que você não tem o direito de querer saber da minha vida, não há problema em perguntar nada... Vamos fazer uma outra coisa? – Rachel acenou afirmativamente, me encarando fundo. – Eu estou afirmando que a partir de hoje, você é minha amiga e pode fazer o quiser – inclusive comigo. Completei mentalmente. – perguntar, sair, conversar sobre qualquer coisa. – abrindo o campo minado em três, dois... – Olha, o que você acha de irmos amanhã até minha casa, já que é sábado e aí você conhece a Santana. Isso se você quiser, é claro.

– Então, nós somos amigas? Tipo, de verdade mesmo? – sorriu, apertando minha mão.

– É o que você quer? – de repente um medo de que ela dissesse ‘não’ ou ‘preciso pensar’ me invadiu.

– Oh, claro, Quinn! Agora que irei conhecer sua amiga Santana, vou te apresentar meus amigos Kurt e Blaine, com certeza eles vão adorar conhecer você.

Então nós engatamos várias conversas, pedi que François me servisse uma taça de vinho e Rachel pediu uma dose de uísque, como sempre. François também se juntou a nós na mesa e contou á Rachel sua história, que eu já sabia de cor e salteado. Mas um tempo depois saiu da mesa nos deixando sozinhas novamente. Eu não conseguiria aguentar por muito tempo ver Rachel rindo do jeito que ria e aquela troca de olhares, ás vezes nós ficávamos travando uma batalha de olhares, eu sempre sustentava, mas Rachel corava e desviava. Eu não sei dizer direito quem foi que se aproximou, mas quando me dei conta já estava muito perto de Rachel, seu braço roçava no meu, conforme ela se movimentava e uma corrente de energia percorria meu corpo inteiro, eriçando os pelos do meu pescoço. Todavia, decidi manter uma distância um tanto quando razoável dela, mas nos aproximamos de novo. Rachel era magnetismo puro! Até seu celular tocar e ela assumir uma pose preocupada.

Alô. O quê? Como assim? Meu Deus! Onde você está? – passou a mão pelos cabelos nervosa. – Eu te avisei, não iria demorar para que eles agissem! Me diga em que hospital você está! Tudo bem, já estou indo... Seu idiota! – disparou irritada. – Quinn, me desculpe, mas eu preciso ir. – levantou-se da cadeira, pendurando a bolsa em seu ombro. – Meu irmão, parece que aconteceu um acidente, e ele está no hospital agora, eu preciso ir.

– Rachel. – levantei-me da cadeira a acompanhando. – Você quer que eu te leve? – segurei seu braço.

– Não! – respondeu, arregalando os olhos. – Quer dizer, obrigada, Quinn. Mas não precisa. Não quero atrapalhar sua noite. – o que aconteceu com Noah? Eu não posso conviver com isso se Sam fez algo á ele. Os olhos de Rachel marejaram e, ver aquilo apertou meu coração.

– Rach, você não atrapalha, deixe que eu te acompanhe.

– Não, por favor, fique aqui. Eu quero ir sozinha. – as lágrimas que ela prendia escaparam, e eu espremi a vontade de secá-las.

– Tudo bem, se cuida. – num impulso eu acabei a abraçando. Meu coração disparou em meu peito quando senti os braços de Rachel me envolvendo com força. Ela era tão pequena e cabia perfeitamente no meu abraço, eu sentia vontade de prendê-la ali para sempre e não soltá-la nunca mais, para que nada pudesse afetá-la. Levantei seu queixo e encarei seus olhos cheios de lágrimas. – Vai ficar tudo bem. Pode contar comigo sempre, ok?

Notas finais
E aí, o que acharam? Como podem ver, não torturamos o Noah! Atendendo á alguns comentários deixados :D Devo ressaltar que não há dedo da Quinn nesse acidente, hein? E as coisas vão esquentar! Comentem! Abraço!