O Bar da Esquina
10 Explosão
Notas iniciais
Meu corpo inteiro tremia, não sei se era pelo frio da noite ou pelo medo do que estivesse acontecido com Noah. Eu já não sei mais o que fazer com ele, desde que nós saímos de Lima ele mudou drasticamente. Eu quase não o reconhecia mais, de repente, tudo mudou. Suas maiores qualidades, carinho e honestidade, foram substituídas por cinismo e agressividade. Não que ele me agredisse, muito longe disso. Mas ele não me ouvia mais, entrou no mundo dos jogos e lá se perdeu. Largou a faculdade e a noiva pela qual era cegamente apaixonado.
Todos os dias eu implorava para que ele não saísse de casa, a dívida que ele tem com aquele bendito cassino é incomensurável. Ele já recebeu várias ameaças do cara que se diz o dono, mas mesmo assim nunca ligou. Kurt, meu melhor amigo que é jornalista, vive enchendo a cabeça dele, dizendo que o tal do James Smith não é o dono do cassino, apenas um laranja. O verdadeiro dono não chega a possuir nem sombra. Isso é inteiramente verdade, porque o primeiro artigo que ele escreveu foi sobre os cassinos perigosos de NY e para isso, ele teve que fazer uma investigação que colocou sua própria vida em risco.
Dentro do taxi, eu implorava para que o motorista dirigisse mais rápido. Minha cabeça estava um turbilhão. Vagava de Noah para Quinn. Meu coração apertava só de ver a expressão que ela ficou quando eu fui embora, eu olhei para trás e a vi passando a mão pelos cabelos nervosa e sacando o telefone do bolso quando este começou a tocar. A verdade é que eu tenho medo. Medo do que ela possa pensar de mim, caso saiba o caos que é minha vida. Ela é perfeita demais e eu não a mereço. Quinn mexe comigo de uma forma que eu não sei explicar, desde o dia em que ela chegou á minha mesa, sorrindo galanteadora eu senti que estava perdida. Oh, droga! Desde que eu vim para NY nada deu certo pra mim, e remotamente, quando eu consigo o papel de protagonista na peça tudo começa a cair novamente.
Entrei no hospital correndo e parei na recepção, olhando para todos os lados, confusa.
– Por favor, meu irmão acabou de dar entrada no hospital! Ele sofreu um acidente!
– A Srta. poderia me informar o nome do paciente?
– Noah Berry! Onde ele está? – espalmei a mão no balcão, chegando mais perto da tela do computador.
– Ah, sim! O acidente na Madison Ave. Eles acabaram de dar entrada aqui, o motorista está sendo preparado para cirurgia.
Meu estômago embrulhou. Cirurgia? Eles? Eu não estava entendendo! Parei uns segundos tentando processar a informação, quando de repente uma mulher morena e alta aparece ao meu lado e exclama desesperada.
– Recepcionista, por favor, meu amigo Sam Evans acabou de dar entrada aqui no hospital, ele sofreu um acidente! Diga-me onde ele está!
– Espera, eu estava aqui primeiro! – olhei para o lado a encarando. A mulher era incrivelmente esbelta e possuía fortes traços latinos.
– Por favor, senhoritas, fiquem calmas. Noah Berry e Sam Evans estavam no mesmo carro.
– Não, não. Noah Berry? – então ela voltou a me encarar, confusa.
– Você conhece meu irmão? – indaguei quase que ao mesmo tempo. E no instante que ela iria me responder ouvir alguém gritar.
– Santana! – olhei para a mesma direção e encontro Quinn e Brittany atônitas. Isso não pode estar acontecendo.
A tal Santana mirou as duas e depois se voltou para a recepcionista.
– Onde eles estão?
– Vocês todas precisam aguardar na sala de espera até que venham notícias. Segundo corredor á esquerda.
Vi Brittany abraçar Santana pela cintura e senti Quinn caminhar ao meu lado, o silêncio do corredor me permitia ouvir sua respiração descompassada. Santana abriu a porta da sala e nós entramos em seguida murmurou:
– Eu vou ver se consigo notícias. – e saiu. Brittany pareceu entender quando Quinn olhou para ela e meneou a cabeça, então ela foi atrás de Santana.
– Rach, eu... – Quinn começou e eu a interrompi.
– O que está acontecendo aqui? Quem é Sam Evans e o que você tem a ver com isso, Quinn? – me arrependi no mesmo instante de ter disparado daquela forma, Quinn me lançou um olhar como se estivesse sendo ferida, ela titubeou uns segundo, então respondeu:
– Sam trabalha para mim... e... eu estava procurando alguém para fazer companhia á ele, até que apareceu Noah, eu acho que eles são amigos agora e tudo o que eu sei é que eles estavam no carro do Sam quando um carro em alta velocidade os atingiu. – respondeu, mas o que me intrigou foi o seu tom de voz fraco e o olhar baixo.
– Isso está sem nexo! – levantei da cadeira exaltada. – meu irmão não me contou nada sobre isso, Quinn. Que tipo de serviço ele faz para você?
– Até agora ele não fez nada. Eu o contratei hoje, nós resolveríamos tudo amanhã, Rachel. Você não confia em mim? – Quinn levantou- se também e caminhou para o mesmo lugar onde eu estava e pela primeira vez dentro do hospital, ela me encarou. Não havia dúvidas, mesmo que algo dentro de mim gritasse me mandando se afastar de Quinn eu não conseguiria. Me perdi naquele mar verde e dourado, era verdade. Respirei fundo e desviei o olhar, mas Quinn continuou se aproximando.
– Quinn eu... – tentei me afastar, mas quando me dei conta, estava encurralada entre Quinn e a parede. Não sei se era a temperatura fria da parede ou os pensamentos que invadiram minha cabeça, Quinn estava muito perto e me arrepiei inteira quando ela colocou sua mão direita na minha bochecha.
– Você confia em mim, Rachel? – sussurrou chegando perto demais, eu apenas assenti. – Meu melhor amigo está na sala de cirurgia agora, o impacto do acidente pegou apenas o lado do motorista... Sam foi atingido... – suas sobrancelhas se juntaram numa expressão de dor. – E Noah sofreu apenas escoriações. Eu sei que você está preocupada, Rach – afagou minha bochecha e sorriu levemente. – E eu também, mas eu preciso que você confie em mim, vai dar tudo certo.
– C-como você sabe de tudo isso? – inconscientemente eu estava dando um passo á frente, encurtando nossa distância.
– O Dr. Carter me passou essas informações por telefone enquanto eu vinha pra cá. Ele está cuidando do caso dos dois.
– Eu confio em você, Quinn. – ela se aproximou mais e nossos lábios roçaram levemente.
– Quinn, o detetive Chang quer falar com todas nós... – Brittany abriu a porta abruptamente, e eu saltei saindo de perto de Quinn.
– Tudo bem. – murmurei e passei por Brittany o mais rápido que pude.
O detetive Chang nos esperava no corredor encostado á parede, e Santana encontrava-se em sua frente com os braços cruzados.
– Boa noite. – o cumprimentei.
– Ah, olá Srta. Berry, Quinn... – meneou a cabeça e Quinn sorriu de canto. – Eu tenho umas perguntas a fazer, vocês estão em condições para isso? – Não, eu não estava em condições de responder e, a cada segundo que se passava eu sentia como se fosse ocorrer uma explosão.
– Na verdade, n...
– Sim, Mike. – Quinn tomou a frente. – Mas são exatamente sobre o que essas perguntas?
– O detetive acha que não foi apenas um acidente, Quinn. Isso pareceu premeditado. – Santana respondeu rapidamente. Premeditado? É assim que os donos do cassino costumam agir? Matando o cliente num acidente de trânsito veementemente? Uma onda de pânico se espalhou pelo meu corpo.
– Isso mesmo, eu fui um dos primeiros policias a chegar ao local e por sorte, há um estabelecimento próximo do perímetro com câmeras de segurança. Eu as chequei e as imagens dizem claramente que não foi um acidente comum. O motorista estava a quinhentos metros de distância e, assim que o carro do Sr. Evans entra no vídeo, o carro acelera, onde há a colisão, então o motorista segue em alta velocidade.
– Mas quem faria isso? – Brittany indagou, alternado seu olhar entre o detetive e Santana.
– Mike, nós podemos conversar? – Quinn perguntou e afastou-se com Santana e o detetive em seu encalço.
Sinto que algo está para acontecer. Essa história ainda irá causar impactos.
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