O Bar da Esquina
7 Primeira Ameaça
Notas iniciais
– Quinn, você tem certeza de que quer fazer isso? Será arriscado você aparecer por aqui, deixa que eu mesma faça.
Santana estava nervosa quanto ao meu plano, ela relutou quase que o caminho inteiro até o cassino, além de me zombar mais uma vez por ter saído com Kitty Wilde. Estávamos com a substância em mãos, o cassino estava cheio e por algum motivo a notícia de que as donas estavam por lá se espalhou rapidamente. Sam nos encontrou logo na entrada e eu pedi para que ele ficasse nos escoltando. James estava sentado no balcão do bar aparentemente descontraído, enquanto xavecava uma mulher ruiva.
– Santana, você já me envolveu nisso. Eu posso ser bem invisível quando quero... relaxa e se divirta, não é mesmo Sam? – o rapaz concordou sorrindo. Seguimos andando até o bar discretamente. – Sam, por favor, procure saber se Noah Berry está por aqui... Ah, mais uma coisa, ninguém, por hipótese alguma, pode entrar ou sair desse cassino. Vai que Noah esteja á espera de alguém ou vice-versa. E Santana você se encarregará de colocar um pouco da substância na bebida do Sr. Smith. Depois disso iremos atrás do nosso primeiro devedor, ok?
Santana meneou a cabeça e nós sentamos nos bancos do bar, James sequer notou nossa presença, estava concentrando na mulher que paquerava, e ali Santana teve a brecha. Despejou o conteúdo do vidrinho no copo dele. De repente eu e a moça ruiva com que ele conversava trocamos um olhar, ela sorriu abertamente para mim e eu retribui com um meneio de cabeça. James estranhou a reação da mulher e se virou para nós. Aquele momento, se não fosse sério seria cômico, acompanhei sua expressão confusa ao virar, se transformar em espanto. Seus olhos castanhos se arregalaram imediatamente, eu e Santana permanecemos frias olhando para ele.
– Srta. Lopez e Srta. F-Fabray? O que vocês... fazem aqui? – gaguejou.
– Boa noite, James. – Santana cumprimentou e eu apenas acenei com a cabeça. – Nós não podemos aparecer por aqui? O negócio é nosso, não é?
– C-claro, é que eu não esperava vê-las por aqui. – tomou um gole de sua bebida nervoso. Yay!Estava feito. Troquei um olhar cúmplice com Santana, era a minha vez de dispersar a situação.
– Entendo. Nós viemos ver como anda o movimento daqui, estamos fazendo isso com todos os cassinos. – falei séria, como se aquilo fosse inteiramente verdade.
– Oh, o movimento está ótimo! – sorriu falsamente.
– Temos devedores de jogos? – Santana perguntou inesperadamente, James pareceu titubear na resposta e optou pela resposta errada.
– Não, nenhum. – Bingo! Mentiroso. Bem, eu poderia falar que ele estava mentindo agora e desmascará-lo, mas é melhor não. Meu celular começou a tocar e era Megan. Caramba! Eu havia esquecido que queria encontrá-la mais tarde, parece que Bryan Payne não irá receber uma resposta tão cedo. Pedi licença e me distanciei deles.
– Alô? — atendi.
– Quinn, onde você está? Estou te esperando há quase quarenta minutos em frente ao seu prédio! – seu tom estava irritado.
– Desculpe, Megan. Eu não vou poder me encontrar com você agora, aconteceu um imprevisto na empresa e eu terei que resolvê-lo com Santana.
– Essa hora, Quinn?
– Sim, como disse, foi um imprevisto. Infelizmente não há hora para que as coisas aconteçam.
– Ok, tudo bem. E o que eu devo fazer agora?
– Vá para casa, vamos deixar Bryan Payne de lado, por enquanto.
– Está certo. Então, ate amanhã. – desligou. Sam andava na minha direção rapidamente.
– Quinn, Noah Berry está aqui. Bem, ele está meio alterado pela bebida. Se permite minha constatação, notei que James está mandando mais bebidas á mesa dele do que às outras.
– Muito obrigada, Sam. Fique comigo. – chamei Santana com um aceno de cabeça e ela veio até mim. – Agora, vamos dar uma palavra com Noah Berry e eu preciso de uma força masculina nisso. Sam, há por aqui uma beco ou rua deserta?
– Sim, aqui do lado temos um beco. – respondeu prestativo.
– Ótimo, me leve até Noah.
Noah Berry. Ele estava numa mesa do pôquer, pude constatar que ele não se vestia elegantemente como os outros á sua volta. Provavelmente ele não era rico, mas sua postura poderia enganar o fato. Ele era alto, musculoso e a cabeça raspada, vez ou outra sorria quando a sorte pulava para o seu lado. Pedi para Sam tirá-lo da mesa, ele ofereceu resistência. Então, Sam engrossou a voz para o rapaz. Procurei James no bar e o mesmo não estava lá, apenas a moça que ele estava cantando. Meneei a cabeça para ela, e a mesma sorriu. Santana seguiu Sam para fora do cassino pela porta dos fundos e eu saí pela frente. Noah se debatia ao aperto de Sam e, assim que chegamos ao beco escuro pedi para soltá-lo.
– O senhor é Noah Berry, certo? – Santana perguntou, enquanto o analisava de cima á baixo.
– Sim, o que vocês querem de mim? Solte-me! – gritou.
– Então é você mesmo com quem eu quero falar. – falei calma, usando meu tom antigo de escola. – Soube que você deve para o meu cassino, isso é verdade? – Noah ficou quieto, abaixou a cabeça encarando os pés. – Responda-me! – rosnei.
– Sim... Mas eu já falei que vou pagar, James me deu uma chance! Eu... eu vou pagar, não faça nada comigo ou com minha família!
Numa fração de segundo, Noah me revelou seu ponto fraco: família. Então, a chantagem começa a partir daí. James possui contato com ele... isso é relevante. Mas preciso ter pulso firme, se quero que ele pague e o usarei contra James. Aqui vai a primeira ameaça.
– James não manda em nada, ele é apenas um gerente. – Santana disparou irritada.
– Mas não é isso o que conta agora. – fiz um gesto para Sam afrouxar seu aperto na camiseta de Noah e me aproximei de seu rosto. – Você tem dois, ouça muito bem, Noah Berry. Dois dias para pagar sua dívida com esse cassino e nunca mais dar as caras por aqui. Caso contrário, quebrarei seu braço direito da forma mais vil possível. Entendeu bem? – o medo no olhar dele era visível.
– E o que acontece se eu não o fizer? – perguntou.
Gesticulei para Sam e o mesmo deu um soco na boca do estômago de Noah, que gemeu e tentou sentar no chão. Senti vontade de gargalhar diante daquilo, aquela situação era familiar e satisfatória para mim. E foi o que fiz, gargalhei como se aquilo fosse realmente cômico. Santana permanecia fria diante da situação, encarando Noah se contorcer no aperto de Sam.
– Além do braço quebrado, buscarei sua família e farei coisa pior com eles. Um por um. Você não quer que eles sofram por um maldito vício seu, não é? – Noah negou com a cabeça. – Portanto, fique esperto. Sam, apague-o.
Ouvi um grunhido de dor de Noah e em seguida silêncio absoluto, ele havia desmaiado. Andei depressa até a saída do beco, me despedi de Sam e entrei no carro de Santana.
– Você tem sangue frio, Fabray. Não deixe que isso te afete, você pode virar um Michelle da vida desse jeito. – debochou, colocando o carro em movimento.
– Não, esse meu comportamento é apenas para ocasiões especiais como essa. – argumentei, pegando meu celular. Quase uma da manhã! O tempo passa rápido quando se está em atividade. Um pequeno fio de dor passava por minha cabeça, fechei os olhos e respirei fundo.
– Você está bem, Quinn?
– Sim, Sant... só um pouco de dor de cabeça. – murmurei.
É estranho sentir saudade de uma pessoa que você mal conhece? Rachel estava me fazendo falta, eu quero vê-la. Espero que tenha dado tudo certo com o seu irmão, ela parecia bem cansada no telefone. Isso não é muito normal... eu acho. Nós chegamos ao apartamento e encontramos Brittany na sala, e pelo o que eu vi, sua cara não estava tão feliz. Acho que ela ficou preocupada com Santana pela demora sem aviso. A noite não acabaria tão cedo para a latina, cumprimentei Brittany e me dirigi para o meu escritório, passei a chave pela porta e me joguei no sofá exausta. Não demorou muito para que eu ouvisse vozes alteradas vindo de longe e em seguida o estrondo de uma das portas do apartamento. Oh, elas haviam brigado.
– Fabray, abre essa porta. – Santana falou do outro lado. Justo agora que eu estava pegando no sono?
– Não, Sant. O que você quer? – resmunguei.
– Brittany discutiu comigo.
– E você vem chorar aqui? Vá atrás dela. – respondi como se fosse óbvio o que ela teria que fazer.
– Se ela ao menos quisesse abrir a porta do quarto. Vai, Quinn! Deixe-me entrar. – levantei do sofá resmungando e abri a porta, Santana entrou rápido e se jogou no sofá onde eu estava deitada. Lancei um olhar indignado para ela.
– Saí daí, eu estava deitada. – ordenei.
– Não, eu irei dormir aqui hoje.
– Ah, tanto faz. Vou para o meu quarto, você só me ofereceu notícias ruins hoje. Bons sonhos, Lopez.
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