O Bar da Esquina
8 Investidas...
Notas iniciais
Despertador, por que você existe? Oh, Deus! Parece que eu lutei contra Golias, que dor de cabeça filha da mãe. Peguei meu celular para desligar o despertador: 06h00min. Levantei-me da cama praticamente me arrastando. Sabe quando você vai para a balada e no dia seguinte acorda com uma ressaca daquelas? Bem, é assim que eu estou me sentindo, mas na verdade nem sei o porquê. Acho que deve ser o desgaste emocional de ontem. Eu tenho algum motivo plausível para ter que entrar naquele chuveiro frio e encarar o dia de hoje? Ah, sim! Claro! Rachel. Então, surgiu uma energia desconhecida dentro de mim, fiz tudo automaticamente: tomei banho, escovei os dentes, coloquei uma roupa para trabalhar, arrumei minha cama e saí do quarto. O apartamento estava em total silêncio, entrei no meu escritório e Santana ainda permanecia dormindo ali, com certeza ela acordaria com dor nas costas. Considere isso um presente meu Santana Lopez, por ter me metido nessa sinuca de bico na qual eu me encontro. Pelo jeito ela não se resolveu com Brittany enquanto eu dormia, mas pensando bem, hoje eu irei ver Rachel Berry no teatro e depois iremos almoçar juntas, acho que posso dar uma mão á Santana. Por sorte a porta do quarto do casal Brittana estava aberta, entrei sorrateiramente sem fazer barulho, Britt não estava na cama e o chuveiro ligado. Esperei pacientemente que ela saísse do banho, Britt levou um susto quando me viu sentada na beira de sua cama.
– Bom dia. – cumprimentei, ainda rindo da sua cara surpresa.
– Hey, Quinn... – murmurou se encaminhando para o closet. Brittany não tem esse comportamento, principalmente pelas manhãs.
– Você ainda está brava com Santana?
– Ela te contou?
– Não... eu ouvi vocês discutirem ontem. Olha, se for por ela ter chegado tarde é porque...
– Esse não é o motivo. – me interrompeu, voltando ao quarto. – Eu entendi que aconteceu um problema na empresa, mas foi pelo fato de ela não ter me avisado que ia chegar tarde, sabe? Nós tínhamos um encontro. Você sabe, para comemorarmos a minha volta. Então eu fiquei aqui, me vesti como ela pediu e esperei... Mas ela não ligou. Nem para dizer que não iria poder sair, e isso me deixou chateada.
Oh, eu realmente não sabia disso. Foi minha culpa, não é? Quer dizer, eu estava com pressa em resolver... Ah, não! Eu tenho que pensar nisso ainda! Mas a real é que eu impedi Santana de voltar para casa por minha pressa, não me importei se ela tinha planos com Brittany, assim como eu teria com Rachel. Então, acho que eu devo me desculpar e livrar San disso.
– Britt, isso foi minha culpa. Eu forcei Santana a resolver aqueles problemas comigo até tarde da noite... Acho que porque eu tive que cancelar o meu encontro com Rachel me achei no direito de fazer o mesmo com Santana, me desculpe. Vocês não podem estar brigadas, nunca! São um casal perfeito! – sorri com o olhar terno que Brittany me lançou. – Ela dormiu no meu escritório e com certeza vai acordar com dor nas costas...
Bingo! Brittany saiu em disparada do quarto e foi para o escritório, não demorou muito para que eu as visse se beijando em cima da minha mesa. Então, tomei uma atitude. O escritório é meu afinal, tirei as duas dali e tranquei a porta. Tomamos café tranquilamente, San agradeceu por minha ajuda e Brittany acabou falando do encontro com Rachel na noite anterior, não teve jeito. Contei tudo, Brittany ficou empolgada e disse que queria nos ver juntas... Espera, nem eu pensei nisso e como assim? Eu a conheci há poucos dias. Santana fez algumas piadinhas como sempre e depois disso, fomos para os nossos empregos.
John estava empolgado com a peça e a equipe da produção também. Acabei levando um sermão de Megan por minha ‘irresponsabilidade’ de ontem, mas nada demais. Os ensaios começaram a todo vapor, eu estava concentrada acertando com um dos atores o script, quando Megan me cutucou e apontou com a cabeça quem havia chegado: Rachel. E ela estava linda, tipo, de tirar o ar. Não que ela estivesse num vestido de gala, maquiagem e cabelos feitos. Sua roupa era simples, camisa branca, calça legging e oh, meu Deus que pernas! Sua estatura era muito baixa, mas suas pernas incrivelmente longas e bonitas. Não há o que esconder, Rachel é linda e eu posso estar há um passo de me apaixonar por ela.
Foi um ensaio perfeito, ótimos atores que dão vida aos personagens. E, a todo tempo estávamos eu e Rachel conversando. Houve uma hora em que John pediu minha ajuda de como fazer Rachel adquirir todos os pontos de Victória. Os anjos estavam cantando! Porque eu tive que contracenar com ela. Se eu pudesse chorar de felicidade naquele momento! Era perfeito ver minha criação ser interpretada por Rachel, era emocionante. A forma com que Rachel transmitia as emoções, gesticulava, falava ou andava pelo palco eram encantadoras. Ela nasceu para isso! Chegada a hora do almoço, a convidei para um restaurante italiano próximo á Broadway. Conversávamos tranquilamente sobre a peça e Rachel mostrava sua empolgação com o emprego, seus olhos brilhavam, mas eu sentia que aquilo não era duradouro. Ás vezes ela parava de falar e caía num mar de pensamentos e aquele brilho nos olhos se apagava, assumindo aquela expressão que eu já conhecia, e por um motivo até então desconhecido aquilo me angustiava.
– Você está tão pensativa, Rachel. – comentei chamando sua atenção.
– Oh, desculpe. Eu me distraio às vezes.
– Você não está se sentindo confortável estando aqui comigo? – perguntei temerosa.
– Não, claro que não! É só uns problemas que vem me tirando a paz ultimamente. – cruzou as mãos em cima da mesa, nervosa.
– Você quer conversar sobre isso? Digo, você pode se abrir comigo se quiser e... – eu me importo com você. Completei mentalmente. – Sabe, você parece ser muito fechada.
– Eu fechada? – sorriu. – Você que é cheia dos mistérios... – É, acho que ela estava certa. Mas a minha vida não interessa, eu só quero que você converse abertamente comigo, mas se me abrir com você for o preço para ter o que eu quero eu pago.
– Ok, tudo bem... Então, pergunte o que quer saber de mim.
– Tudo. – respondeu rapidamente e corou em seguida. Wow! Rachel quer saber tudo de mim, isso é engraçado. De onde vem todo esse interesse? – Não foi isso o que eu quis dizer. Er... Vamos fazer o seguinte: eu faço umas perguntas a você e você a mim, assim nós ficamos quites, tudo bem?
– Claro, você começa.
– Bem, já está meio óbvio isso, mas é você a Lucy Q. F? – seus olhos brilharam em ansiedade. – Porque eu amo seus livros, muito mesmo! E quando descobri que era você, minha surpresa foi imensa. Quer dizer, você é o máximo e não assume sua identidade para o público, por quê?
Então, aí eu comecei um grande monólogo, expliquei minhas razões por querer ser ‘desconhecida’ publicamente e Rachel acompanhava tudo extremamente interessada. Vê-la me olhando atentamente com a testa vincada em atenção e as mãos cruzadas abaixo do queixo é encantador, e a cada vez que eu pausava ela fazia outras perguntas como uma jornalista curiosa. Eu respondia sem pressa alguma, calmamente, ás vezes até viajava numa das minhas histórias. Acho que em apenas uma hora Rachel já sabia de quase toda minha vida. Família, amigos, vida social, emprego, sonhos ainda não realizados... Várias coisas. Até cheguei a mostrar uma foto em que estamos eu, minha mãe, Frannie, San e Britt numa praia de Miami nas férias do ano passado. Assim que acabou seus questionários foi a minha vez de perguntar. Descobri que Rachel é filha de dois pais gays, tem um irmão que dá uma espécie de trabalho — que ela não quis mencionar -, ele largou a faculdade de Direito e com isso ela passou a sustentar o apartamento e as contas sozinha com o salário da agência que trabalha. Bem, ela possuí um grande carinho pelos meus três livros lançados, inclusive recitou uma frase de um deles:
“Você não irá levar nada dessa vida para o céu ou seja lá o lugar que você for, portanto, não tenha medo. Eu não me dou pela metade, então exijo que você seja minha por inteiro”.
Atualmente ela vem procurando uma chance na Broadway, já que é formada em teatro e também canta, e mais uma vez me agradeceu por ter dado a chance (mais que merecida) de estar nos palcos fazendo o que ama. Havia mais uma pergunta que eu queria fazer, na verdade, eu estava me corroendo por dentro para saber.
– Rachel, você tem namorado? Quero dizer, você não mencionou isso até agora... – áquela altura do campeonato, nós já havíamos terminado o almoço há muito tempo.
– Não. – assumiu uma pose séria, como se não quisesse falar no assunto.
– Tudo bem se não quiser prosseguir, a resposta era única. – embora meu coração estivesse saltitando no meu peito.
– Eu não tenho o que esconder, você contou muita coisa sobre sua vida e se eu quero que isso que nós temos perdure, eu respondo á todas as suas perguntas. – Como assim? O que nós temos? Temos alguma coisa? – Na verdade, eu namorava um colega de faculdade Jesse St. James, mas depois que meu irmão começou a dar trabalho ele se afastou dizendo que eu era um problema para ele, e que além do mais ele estava apaixonado por outra pessoa.
– Nossa... não sei o que dizer. Ele foi um idiota em ter te deixado, uma mulher tão interessante e bonita como você, não entendo. – Oh, que comentário involuntário! O que ela vai pensar de mim?
– V-você me acha interessante e bonita? – perguntou corada. Bem, agora não tem como remediar nem escapar da pergunta. O jeito é começar a jogar.
– Sim, Rachel. Você é encantadora, e ele foi um idiota, não soube aproveitar a sorte que teve. – Rachel apenas abriu a boca num perfeito ‘o’ desconcertada. Primeira investida, mas não foi tão forte, quer dizer as amigas dizem isso uma á outra.
– Quinn, posso dizer uma coisa, cá entre nós? – assenti. – Você me faz muito bem, é como se eu te conhecesse há bastante tempo... – Eu ouvi isso? Gente, isso só pode ser brincadeira. Uma hora meu coração não aguenta.
~.~
Passaram-se dois dias, depois que eu fiz a primeira ameaça a Noah Berry. O mesmo não havia cumprido com o trato, minha carta na manga já estava pronta para ser lançada. O plano corria como o planejado, eu, Santana e Sam conseguimos intimar todos os credores do cassino com as mesmas ameaças que fizemos a Noah e os pagamentos começaram a aparecer. James ficou de cama como o planejado também, então deixamos que Sam tomasse conta do cassino. Não houve nenhuma intromissão de Michelle nos nossos negócios, inclusive vendemos nosso maior prédio comercial próximo á Quinta Avenida, o que provava que James era o verdadeiro informante. Entretanto, a segunda parte do plano haveria de ser cumprida: reforma no quadro de funcionários dos cassinos, isso duraria no máximo duas semanas. Pedi para meu amigo e um dos advogados da empresa Imóveis Fabray, Artie, que redigisse as cartas de demissão de todos os funcionários dos cassinos, inclusive de James. E Pode ter a certeza de que ele não conseguirá um emprego tão cedo, eu não deixarei que isso aconteça.
Agora eu preciso cumprir com minha palavra já que Noah Berry agiu com inadimplência. O contrário dele eu faço o prometido. Estava no carro de Sam esperando ele voltar com Noah Berry vendado de acordo com minhas ordens. O show estava prestes a começar.
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