O Bar da Esquina
14 Kriptonita
Notas iniciais
– San, o que você acha de reunir a Máfia dos Fabray novamente?
Santana abriu um dos seus maiores sorrisos de felicidade! Eu a encarava como uma expressão divertida, aguardando sua resposta que, nem de longe, seria negativa.
– Ah, Quinn, não faça essa cara de escárnio para mim! Isso é uma ótima ideia! Reunir todos novamente e fazer as coisas do modo antigo! – levantou-se da cadeira e circundou a mesa, em seguida, parou em minha frente, ainda sorrindo. – E o que você tem em mente?
– Primeiramente, vamos reunir os Fabray e veremos o que eles acham da proposta que eu tenho a fazer, e se tudo ocorrer como eu planejo, Michelle e Bryan Payne desaparecerão rapidamente do mapa, e aí, mais uma vez teremos paz!
– E onde está a diversão nisso, Quinn? Qual é o plano?
– Vamos lá, a família Fabray estará reunida novamente! Já é motivo de sobra para ter diversão, mas mamãe ficará de fora dessa, ela já não tem mais idade para isso... você sabe.
– Entendo perfeitamente, mas duvido que Judy acate sua decisão. – Santana estava certa, caso ela contestasse eu a deixaria entrar também. – E quando vamos começar a reunir todos?
– Agora mesmo! Não é certo que terminemos hoje mesmo de falar com todos, mas acredito que iremos falar com metade do Clã Fabray.
~.~
Decidi então, que ligaria para todos em casa. Não sei dizer exatamente por quê essa ideia me ocorreu, mas meu escritório parecia ser mais aprazível do que a empresa. Meus músculos estavam tensos, a melhor forma de relaxar, seria tomando um bom e demorado banho na banheira.
E assim o fiz, foi extremamente relaxante. Até que fechei os olhos para desfrutar mais da sensação e lembrei-me da cena ocorrida no palco. Rachel. Eu não poderia estar mais feliz com aquilo! Ela simplesmente me beijou! A melhor sensação da minha vida, daria qualquer coisa para voltar a sentir. A verdade, é que já não cabe mais espaço para o que eu venho guardando. Tudo está girando em torno de Rachel, eu posso ser, ás vezes, dominada por um lado obscuro que chega a me assustar, mas no final de tudo, em Rachel que eu penso. E me deixa frustrada o fato de eu não poder vê-la quase que a todo instante, eu sei que ela tem a sua vida, mas seria tão mais fácil se ela estivesse comigo a todo o momento.
E, nesse exato momento, eu não estou mais me importando com quem eu sou, o que eu possuo, o que eu estou perdendo ou o que eu estou ganhando. Pode não parecer, com a loucura que meus dias são, mas eu estou loucamente apaixonada por Rachel! Mas eu não consigo ‘ir até o final’ com isso, na hora, eu esqueço o que vou falar ou fazer. Eu fico irreconhecível para mim mesma, onde está a Quinn Fabray destemida? Onde está aquela Lucy que foi criada para ganhar as pessoas através de seu charme, poder de persuasão ou seja lá a qualidade que eu costumava usar!
Eu nunca me apaixonei por alguém, isso é um fado desconhecido. Eu acho que deveria me consultar com um psicólogo, ás vezes acabo me perdendo em mim mesma. Quer dizer, que pessoa age com tal dualidade como eu? Por ora, age como uma felina em cima de uma presa, em outra, como uma adolescente apaixonada, gentil e envergonhada.
Sempre fui conhecida na família por ser a ‘sangue frio’, nunca liguei realmente para o que as pessoas sentem. Eu as tratava com desprezo e achava que tudo e todos haveriam de cair aos meus pés, não era mimo. E sim, puro egocentrismo e arrogância. Cresci com o poder em mãos, eu mandava e demandava, andava cercada de empregados, seguranças, carros de luxo, entre tantas outras coisas. Mas, quando meu pai, Russel, veio a falecer, eu resolvi que abandonaria tudo isso. Faria algo que já estava morando em minha cabeça há tempos. Eu me arrependia de muita coisa que fiz. Mas a vida foi feita para ser vivida sem arrependimentos. Como diz o próprio ditado “Aqui se faz, aqui se paga”. Ás vezes eu sou assombrada por esse lado, é algo que está no meu sangue. Por vezes é mais forte do que eu, e, parece que quanto mais eu o guardo, fica pior. Eu sempre tenho acessos á esse ‘lado’, mas cada vez mais cruel.
E isso me dá medo. O que eu posso fazer depois?
Mas por incrível que pareça, quando estou com Rachel, não há sombras, lembranças ou resquícios disso. Eu simplesmente esqueço. Inconscientemente, Rachel se torna minha Kriptonita.
Suspirei profundamente, saindo da banheira. Tinha vontade ligar para Rachel. Mas deixaria isso para depois. Vesti um hobby preto de cetim, e me encaminhei até a cozinha. Optei por fazer um chá e em seguida, fui para meu escritório.
Aquele lugar me trazia muitas lembranças. Quantas noites eu perdi escrevendo meu livro aqui? Sorri com isso. Todos os dias eu tinha acessos de criatividade e descontava tudo no meu velho notebook. Há algum tempo que eu não escrevia. Eu havia começado outro livro, mas desde que eu recebi a proposta da Broadway, acabei deixando de lado. Sentia que lá no fundo de minha psique algo começava a se formar, igual quando a ideia de escrever Em Meio ao Caos.
Bem, por onde eu começaria? Ou melhor, por quem? Peguei minha agenda numa das gavetas da escrivaninha e a folheei. Não. Eu não precisava olhar na minha agenda para discar o número de Frannie. Sorvi um longo gole do meu chá e matutei por uns instantes no que diria. Respirei fundo, puxei o telefone para mais perto e disquei o número particular de Frannie.
– Frannie Fabray falando.
– Frannie! É a Quinn. Há quanto tempo não nos falamos?
– Quinn? Oh, meu Deus! Eu não acredito, e não é que milagres acontecem mesmo! – ouvi a afastar o telefone e gritar “Rick, advinha quem está na linha! Lucy Quinn Fabray, sim! Aquela escritora famosa que não liga para a irmã há uns três meses!” Rick, era o marido de Frannie, eles haviam se casado há dois anos na ilha de Creta, foi um dos casamentos mais lindos que já vi em toda minha vida, a felicidade estampava o rosto tanto de Frannie, quanto de Rick. – Segue aí, Quinn?
– Sim, maninha. Quanto drama! Anda vendo muitos filmes dramáticos com Rick?
– Não seja tola! Há quanto tempo não nos falamos, huh? Estava preocupada e com saudades...
Um momento bem oportuno para entrar no assunto.
– Eu também. Mas eu tenho uma proposta, que tal?
– Que tipo de proposta? Finalmente irá se casar?
– O quê? Não! Veja, mesmo nós não nos falando como antigamente, você sabe que eu sempre recebo informações sobre como você está e também a empresa daí, não sabe?
– Então foi por isso que me ligou? Para falar sobre a empresa, Lucy? – De fato, Frannie deve ter virado uma apaixonada por filmes dramáticos, assim como o marido.
– Escute, o que acha de se divertir como nos velhos tempos? O Clã Fabray em ação novamente? – mesmo por telefone, pude perceber o sorriso que Frannie abriu do outro lado da linha. – Bem, eu ando recebendo informações dos acorridos por aí, já coloquei uma equipe de investigação e tudo, mas o problema é dos grandes e não há forma melhor de resolver do nosso modo, é o império de toda família afinal!
– Isso é verdade. Você tem a razão, e o que planeja? Já que foi sempre você que arquitetava todos os planos das nossas missões? – doces lembranças do passado.
~.~
Frannie havia gostado da ideia e garantiu que todos também iriam gostar, demonstrando a mesma empolgação que Santana, que sempre me viu agindo quando éramos menores. Ela mesma havia se encarregado de comunicar todos os Fabray e no máximo em três dias todos nós nos reencontraríamos. Eu já havia feito todos os contatos possíveis e reservado metade de um prédio dos nossos condomínios para hospedá-los.
Eu mal podia esperar para vê-los novamente...
Aproveitando que estava com o telefone em mãos, disquei o telefone de Rachel e aguardei até que ela atendesse.
– Rachel Berry na linha. – sua voz estava estranha, não dava para distinguir em quê sentimento exatamente, mas havia algo de errado.
– Rach! Aqui é a Quinn, você está bem? – houve um silêncio do outro lado da linha, e então, eu concluí: algo estava errado. – Rachel? – insisti.
–Não está nada bem... Aquilo tudo foi uma besteira, Quinn nós precisamos conversar. – seu tom foi duro, o que fez um tremor descomunal percorrer minha espinha. Uma sensação de enfraquecimento me atingia.
CONTINUA...
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