O Bar da Esquina
21 A Vida Sempre Prepara Algo
Notas iniciais
(...)
– Então vocês querem documentações falsas para o trio engraçado, aqui? – Sue perguntou, recostando-se em sua cadeira e cruzando as mãos abaixo do queixo. Quinn que estava encostada no arco da porta, observando seu tio conversar com a loira mais velha, achou estranha a forma com a qual ela fez a pergunta, se referindo á Finn, Sugar e Leon, mas olhando diretamente para Filipe.
– Exato. E quero isso em dois dias. A Srta. acha que consegue?
– Claro! Para você, elas saem amanhã á tarde. – sorriu. – Vamos tirar as fotos de cada um para as documentações agora. Meu assistente vai fazer isso. – Sue fez um sinal com a mão e levantou-se de sua cadeira, caminhando até uma escada caracol, que aparentemente dava para o segundo andar do ‘escritório’ e de lá gritou: — Dave! Desça já aqui!
Todos ouviram um barulho vindo de lá de cima como se algo de vidro estivesse quebrando, Sue bufou irritada e Filipe a observou, uma sombra de sorriso brincava no canto de seus lábios. Em seguida, um rapaz alto e forte de olhos claros desceu as escadas todo desconjuntado. Sue o acompanhava com o olhar fulminante e todos no recinto observavam o rapaz com extrema atenção o que fez o mesmo corar.
– Su... Quem são eles? – o rapaz sussurrou próximo ao ouvido da mulher.
– Seu palerma! O que estava fazendo lá em cima? Estava bebendo, não é? Olha, eu juro que vou arrancar esses seus olhos!
– Sue, tenha calma. – Filipe aproximou-se dos dois e estendeu a mão para o rapaz. – Sou Filipe Fabray e essa é a minha família, prazer em conhecê-lo, meu jovem.
Dave ainda o encarando apertou sua mão e depois olhou todos á sua volta. Quinn meneou a cabeça, enquanto Finn, Sugar e Leon se uniram e seguiram Sue.
– Dave, faça o que você faz de melhor! Tire boas fotos de todos e já comece a preparar as documentações. – pegou em sua mesa uma pasta e entregou ao rapaz. – Aqui está tudo o que você precisa. Nomes, data de nascimento, país e tudo o mais. Agora se apresse! Vá Dave!
– Posso confiar no seu trabalho, Srta. Silvester? – Quinn perguntou, analisando as unhas. – Eu realmente não quero ter problemas com isso. Sam que a indicou e espero que ele tenha acertado.
– Oh, loirinha! Eu sou a melhor de toda NY! Meu trabalho é perfeito, garanto que não haverá reclamações! – sorriu arrogante.
– Ótimo! Vamos aguardar para ver o resultado. – Noah passou a mão pelo moicano, analisando pela milésima vez um quadro na parede que havia prendido sua atenção.
Quinn não queria esperar. Na verdade, ela queria voar dali e encontrar Rachel, mas também sabia que deveria dar espaço para a morena colocar as coisas em ordem em sua cabeça. A escritora sabia que elas tinham dado um grande passo, noite passada, e foi maravilhoso! Mas lá no fundo, talvez por ser a primeira vez que ela gostasse de alguém dessa forma, havia uma pequena insegurança. E Quinn não era uma mulher de se sentir insegura. Porém, Rachel era a única que conseguia fazer isso.
– Pensando em Rachel? – Filipe, de repente, apareceu ao seu lado dando um susto na loira. Quinn o encarou fundo nos olhos, o homem não poderia ter sido mais certeiro. Estava tão na cara assim?
– Sim... – murmurou baixo, abaixando a cabeça.
– Quinnie, você sabe que eu a trato como uma filha, não sabe? Desde que seu pai ainda jazia está terra. – disse, guiando para fora do ambiente, até chegarem á uma espécie de varanda. – Desde a primeira vez que te vi... sua primeira missão. Lembro-me do seu sorriso arrogante com o resultado. –ambos sorriram. – Então você sabe que eu quero, não só para você, mas para todos o melhor, sim? Rachel é uma ótima mulher. Ótima para você. – frisou. – Eu pude perceber isso assim que a avistei na porta e concluí ao longo do jantar. Os seus olhares, as mãos se encostando... tudo. E como um velho grego experiente, posso dizer que sua noite foi boa. – Quinn corou, ao mesmo tempo que riu baixo, afirmando. – Você pode me achar um apressado, eu pouco me importo, mas tenho certeza absoluta no que direi agora: ela é a mulher da sua vida. Não a perca.
– Onde você está querendo chegar, tio? – Quinn se virou apreensiva, enquanto sua mão direita apertava fortemente a barra da varanda.
– O sangue grego também escorre por suas veias, então aja como uma! Não estou te apressando. Mas com as consequências futuras você verá que terá que fazer isso.
Quinn não gostava quando seu tio bancava o ‘grego misterioso’, mais ainda quando sabia que ele estava certo. Em sua cabeça, ainda era um pouco cedo para começar a fazer planos de grandes passos com a morena, quando, ela mesma, havia pensando em deixar tudo nas mãos da diva. Estava dando livre arbítrio para Rachel. E assim seria, até que ela tivesse certeza do que queria. Não que Quinn fosse submissa, muito pelo contrário, ela amava ter o poder e controle das coisas, mas com Rachel era diferente. Ela sempre fazia as coisas diferentes. Embora uma ideia começasse a brincar no fundo de seu cérebro.
– Certo. Acabamos o que viemos fazer aqui. – Leon apareceu na varanda, cortando o silêncio em que os dois se encontravam.
– Não. Eu preciso fazer uma ligação para Grécia. – Filipe falou, enquanto sacava de seu terno seu celular.
– Do que o Sr. precisa? – Sam indagou, curioso.
– De equipamentos, armas e tudo o mais. – Quinn respondeu, como se lesse a mente de seu tio.
– Oh... — foi o que Noah conseguiu murmurar.
– Você dirá mais quando chegarmos em casa, meu jovem. – Filipe respondeu com um sorriso, virando-se de costas para atender o telefone.
~.~
Do outro lado da cidade, Rachel andava de um lado para na sala de seu apartamento, nervosa. Kurt que já estava a acompanhando assim, há um tempo respirou fundo, unindo todo o ar possível para poder exclamar:
– Rachel! Pare de ser dramática! Me diga o que está acontecendo. –amansou a voz, assim que viu a expressão assustada da amiga.
– Por que acha que tem alguma coisa acontecendo? É claro que não está acontecendo nada! São só coisas da sua cabeça! Se algo realmente estivesse acontecendo, eu diria, até porque, como você sabe eu sou a rainha do drama e...
– E está agindo como uma agorinha mesmo! E sim, mil vezes sim! Há algo acontecendo. Além de seu melhor amigo eu sou jornalista, baby. Pode falar, porque meu topete está desmanchando de tanto esperar.
– Oh, ok... – repousou a mão no peito teatralmente. – Por Deus! Como vou te falar isso sem me constranger?
– Espere aí! Agora eu fiquei ofendido, você esconde coisas de mim, Rachel? Por que se sentiria constrangida? Nós já falamos sobre todos os assuntos, inclusive de sexo...
– É justamente isso. – o cortou e Kurt arqueou as sobrancelhas, esperando que ela continuasse. – Eu e Quinn fizemos amor ontem. – sussurrou, abaixando a cabeça e enrubescendo.
Kurt ficou em silêncio a olhando de boca aberta, atônito. Wow! Aquilo o pegou de surpresa. Rachel parou de andar e o encarou, esperando um surto ou qualquer epifania de sua parte.
– E... foi ruim? Não! Não, quero dizer... aquela mulher é um espetáculo é claro que foi maravilhoso. – Kurt quase engasgou com o que disse, arregalando os olhos. – Então por que você está assim?
– Medo. – respondeu, temerosa.
– Do quê exatamente, Rach?
– Não sei... Quinn é muito para mim e não uma coisa que ela faça sem pedir minha permissão ou me consultar. Por Deus! Kurt ela me levou para conhecer a família dela! Eles são tão perfeitos quanto ela! Ela deixa tudo para que eu decida, acho que ela pensa que eu sou uma boba insegura. E é aí que entra a grande questão: e se eu não conseguir estar á altura? Fracassar na peça, na vida, fracassar com ela? – sentou ao lado do amigo, insegura. Kurt passou o braço por seu ombro e a trouxe para perto, deixando que a cabeça da morena repousasse em seu ombro.
– Bem, Rach... Eu conheci Quinn há alguns dias, então não tenho um grau de aproximação significativo com ela, mas você tem! Então...
– Mas eu tenho porque trabalho com ela! – contrapôs.
– Ah, é mesmo? Então vai me dizer que todos que trabalham na peça também têm a mesma intimidade que vocês tem? Que todos vão à casa dela, todos conhecem seus familiares ou se beijam e fazem outras coisas? – Kurt parou, olhando para baixo, observando a testa vincada da amiga e decidiu provocar. – Oh, meu Deus! Vá me dizer que aquela Lizz também faz o mesmo? – fingiu-se de chocado. Rachel, no mesmo segundo saltou seu aperto e o mirou incrédula.
– O quê? Claro que não! Quinn não faz isso com outra pessoa. Sabe porquê? Por que nós estamos juntas! Quer dizer, nós não falamos sobre isso objetivamente, mas estamos! – bateu o pé e cruzou os braços enciumada.
– Porque ela está completa e absolutamente apaixonada por você, minha diva. – sorriu levemente. – Porque vocês estão apaixonadas demais uma pela outra e é exatamente por isso que ninguém é tão íntimo dela em tão pouco tempo quanto você. Aquela mulher parece capaz de se jogar na frente de uma bala por você Rachel. Mas o Oscar maior vai porque, ela deve ser incrivelmente calma para aguentar e lidar com essas suas súbitas mudanças. – sorriu irônico. – Veja, há um segundo atrás você estava falando que você não conseguiria correspondê-la á mesma altura, mas no segundo seguinte, quase teve um ataque de ciúme por causa daquela outra atriz! Disse decidida e firme, que você e Quinn estão juntas. Em entrelinhas, que ela é sua. Então não seja insegura. Vocês vão se ajudar, como vão se atrapalhar. Vão pensar com racionalidade para depois perderem a cabeça. Futuramente, podem brigar, mas não darei duas horas para estarem juntas novamente. Vão estar dependentes uma da outra. Irá chegar uma hora que não conseguirão fazer uma coisa sequer sem pensar na outra e vocês verão que isso é maravilhoso. – parou para encarar o semblante descarregado da amiga e sorriu. – Não tenha medo minha baixinha.
Kurt levantou-se do sofá e a circundou, em seguida a abraçou por trás. Rachel sorriu nostálgica ao lembrar de quantas vezes Kurt agiu daquela forma. Como um anjo a resgatando da escuridão que ás vezes era sua cabeça.
– Se deixe levar. Até o dia em que você abrir os olhos e se encontrar num altar com aquela loira metade americana e metade grega.
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Aparentemente tudo estava ocorrendo bem. Só aparentemente... Mas é que a verdade, enquanto você está ‘cumprindo’ um dever da vida, ela já está pronta para lhe mandar o próximo e, se você não está tão acordado, acaba se surpreendendo. Sempre acaba. Por mais que a Família Fabray estivesse –ou pensassem – que estivessem á frente. Uma brincadeira da vida já estava reservada para eles.
Imagina-se num lugar deserto. Não há ninguém. Você está dando o máximo de si para encontrar uma saída. Sua garganta dói, porque você está prendendo o choro. Sua boca está seca porque você está morrendo de sede. Mas porque você foi parar ali?
Será que você acabou dormindo no ponto? Sim, a vida lhe guiou no escuro e você não fez nada além de se deixar ser levado. Por um simples descuido...
Hoje em dia, todo cuidado é pouco. Toda proteção é pouca. Toda inteligência, atenção, honestidade, honra, continuam sendo poucos.
Enquanto você arruma sua vida de uma forma, outra pessoa está se preparando para bagunçá-la de outro.
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– Sr. Michelle, já está tudo pronto. A bomba foi implantada com sucesso. – um home vestindo roupas sócias, entrou suavemente na sala do velho. Michelle gargalhou com a notícia.
– Ótimo, Enzo. Quando vocês fizeram isso?
– Há quase uma hora, conseguimos mandar o nosso informante entrar no estacionamento e implantá-la no carro. Mas...
– Mas o que? Alguém os viu? Diga que não, seu imbecíl! – levantou-se da elegante poltrona bruscamente com o olhar venenoso, apontando o dedo no rosto do rapaz.
– Tenha calma, chefe. O carro da escritorazinha não estava lá, então, ele colocou no carro da presidente, a latina arrogante. – Michelle se recompôs, abaixou o dedo e passou a mão pela lapela do terno, caminhando até a mesa de volta em silêncio.
Enzo tirou os pés do chão, num pequeno pulo assim que ouviu o estalo das mãos do velho na mesa de mogno escuro. O velho encolheu os ombros e respirou fundo, com raiva.
– Aquela maledetta escapou mais uma vez! – exclamou furioso. – Eu deveria ter dado cabo nela quando tive oportunidade!
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Depois de passar boa parte da tarde com Brittany, Rachel e Quinn, Santana se preparava para encerrar sua jornada. Arrumou todos os papéis em cima de sua mesa, terminou de responder alguns e-mails e guardou o notebook em sua maleta preta. Tina bateu em sua porta suavemente e entrou.
– Eu atrapalho, Santana?
– De forma alguma, Tina. O que deseja?
– O carro já está pronto. Richard já o tirou do estacionamento como a senhora pediu. Há algo mais que eu possa fazer?
Santana por um instante parece se desligar do mundo. Sua expressão era desconfortável. Recostou suas costas bruscamente na cadeira e respirou fundo. Um filete de dor passava por sua cabeça.
– Srta. Lopez? Está tudo bem? – Tina adentrou o recinto mais apropriadamente e checou a temperatura da latina. Estava gelada.
– Sim, Tina... Foi só uma fraqueza. – respondeu, se levantando abruptamente da mesa.
– A senhora quer que eu ligue para sua noiva?
– Não... Obrigada. Deixe ela descansar. Bem, eu já vou agora. – pegou sua maleta e marchou até a porta. – Já é noite. Vá para casa, Tina. – sorriu. – Até amanha.
Só que esse amanhã poderia não chegar...
A latina entrou em seu carro calmamente. Porém, aquela sensação ainda a assolava. Sua cabeça deu uma volta, Santana profundamente outra vez. E pôs o carro em movimento.
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Quinn, de repente, havia fica quieta. Algo a incomodava. Começou a andar de um lado para o outro no meio da sala. Suas mão ficaram trêmulas, chegando a quase derrubar a água que estava em seu copo.
Um Frio percorreu sua espinha.
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O trânsito de NY milagrosamente, não estava carregado para um começo de noite de sábado. Santana tentava se distrair com uma música que tocava na rádio, batucando os dedos no volante. O sinal fechou e latina parou o carro, a rua estava incrivelmente vazia. Sant, varreu a rua com o olhar rapidamente, desconfiada. O farol abriu e ela tornou a pôr o carro em movimento, e de repente... O carro explode.
~.~
Quinn deixa o copo em suas mãos espatifar e cai no chão desmaiada. Finn correu até ela para socorrê-la.
– Quinn! Quinn! O que aconteceu?! –sacudia a loira em seus braços. – Pai! Me ajude!
CONTINUA...
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