O Bailar de Asas Douradas
16 Dores
Notas iniciais
O bilhete jazia na mesa. Yaha sentava-se em uma cadeira, a cabeça apoiada nas mãos. Lázaro entrou apressado.
— Perdoai-me — disse, parando na soleira da porta ao ver Yaha. — Não tinha intenção de atrapalhar.
— Minha mãe faleceu — Yaha soltou, despretensiosa.
— Meus pêsames. — Lázaro mordeu o lábio inferior. — Éreis próximas?
— Não tanto. Wenna sempre foi a preferida; mesmo quando casou com Aimar, indo contra as determinações dela. — Yaha sorriu de canto de lábio. — Acho que Diana via em minha irmã o senso de aventura que ela própria possuía. — Lázaro entregou-lhe uma caneca de cerveja. — Ela quem escolheu meu nome. Yaha, na língua antiga, significa borboleta. — Bebeu a cerveja. — Sempre me perguntei porque ela chamou-me de coisa tão frágil. Quando a questionei, ela riu; e disse-me que borboletas não são fracas, pois tem força o suficiente para transformar-se.
— Ela parecia ser uma pessoa fascinante — Lázaro disse, sentando-se. Yaha assentiu. — Eu nunca tive boa relação com meu pai, se quereis saber. Quando me tornei adulto, abandonei a oficina de sapateiro, comprei um alaúde e fui embora de Alentejo.
— Alentejo? Nasceste em Galvera?
Lázaro consentiu, sorrindo.
— Teu plúmbeo muro começa a desmoronar.
— Estás a tanto tempo aqui, que imagino que possamos ser amigos.
— Concordo veementemente.
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