O Anjo Negro
11 Décimo primeiro Capítulo - Diamantes
Notas iniciais
– Tenho a impressão de que já vi essa joia antes.
Charlotte deu um pulo da cama. Ela o olhou, ele estava de costas olhando para o diamante. Com calma falou:
– Ele é encontrado na Africa do Sul. — Ela estava mentindo, mas claramente nenhum humano podia identificar uma mentira contada com tanta calma e sutileza.
– Deve ser só impressão minha então...
– Deve ser, mesmo.
– Hum.
Charlotte não podia contar para ele dos diamantes, os diamantes ligariam a história a Gabriel. Quando a mãe de Charlotte morreu, Lúcifer pegou diversos demônios e colocou a trabalhar entre as chamas, lá se formavam os diamantes brancos, ou diamantes da vida, esses diamantes poderiam trazer a vida de Aileen, a mãe de Charlotte. Porém os diamantes coletados não foram o suficiente, ainda faltou muitos. Sem saber o que fazer, Lúcifer libertou os demônios, que foram muito maltratados — afinal eles arderam em chamas.
Naquele momento Charlotte se sentiu triste, ela lembrou de Lúcifer lhe contando sobre a mãe, mesmo sendo uma garotinha ela entendeu, e seu coração se encheu de ódio, assim ela foi crescendo, como uma fria e calculista garota, sempre muito solitária. Matar ele... Matar Gabriel, aquele desgraçado que matou Aileen, era como Charlotte pensava.
A tarde Lúcifer fez uma visita a sua amada filha. Ela estava no jardim, sentada em uma cadeira branca, delicada, junto a uma mesa, aonde tomava chá.
– Charlotte...
– Papai...?
– Temos que conversar, descobri algo. Você tem que saber.
– Sente-se, Sebastian saiu para fazer as compras.
– Ótimo. Lembra-se que eu lhe disse que Gabriel tinha matado sua mãe?
– Sim... Lógico.
– Não foi só ele. Ele é só um arcanjo, não tem poder suficiente para mata-la, foi um Nephilim, não consegui o nome dele ainda, mas ele conseguiu ajuda, por isso conseguiu matar Aileen... Sua mãe era muito forte para ele, por isso ele pediu ajuda a um Nephilim.
– Faz mais sentido. Mas e quanto ao Sebastian? Ele continua sendo filho de Gabriel?
– Tenho uma certa duvida, ouvi um rumor que Isabelle tinha muito pretendentes, pode ser qualquer um, mas tenho certeza que Isabelle é a mãe.
– Hoje de manhã ele viu um diamante branco, ele disse que achava ter visto em algum lugar. Eu disse que vinham da Africa do Sul.
– Você é boa em mentir. Os diamantes que tiramos do inferno não foram o suficiente para trazer sua mãe, mas se tivessemos os diamantes da morte, ai sim iamos conseguir, o problema é que não podemos pega-los com tanta facilidade. Se juntar os diamantes negros com os brancos, vamos poder trazer sua mãe de volta, mas para isso precisamos entrar no paraiso.
– Como vamos fazer isso? Se Sebastian fosse um anjo poderiamos usa-lo, mas não da mais.
– Vou achar alguém, um anjo conspirador, ele vai nos ajudar. Precisamos saber exatamente aonde estão os diamantes, eu descobri atravez de um deles que eles já colheram todos os diamantes, mas não sei aonde eles estão guardados.
– Maldição.
– Bem, vou indo. Quando tiver novidades venho te visitar. Tchau, tchau, querida. — Ele se teleportou de volta para o Inferno.
Charlotte se levantou, já tinha terminado o chá. Pegou um tipo de agenda que estava em cima da mesa e foi para o seu escritório. Chegando lá olhou o que tinha para fazer, já tinha feito praticamente tudo, só faltava fazer uma ligação.
– Vamos lá. — Ela falou o numero, o telefone a conectou com o numero facilmente.
– Alô...?
– Ora, ora. Você já consegue falar?
– Essa voz... Charlotte!
– Como vai, Angelica?
– Maldita. Como ousa me ligar. Sinto sua ironia carregada de veneno.
– Nossa que talento, ninguém nunca notou que minha ironia vinha carregada de veneno, você percebeu isso, ah, isso me toca profundamente.
– O que você quer?
– Sabia que eu posso te matar a qualquer momento? Peguei um pedaço da sua pele.
– Você não ousaria...
– Calada! Agora você deve me obedecer.
– Não!
– Essa pele funciona como um vudu, eu coloquei em um pequeno bonequinho, posso te furar e te cortar, vai doer bastante.
– O que você quer que eu faça? — Ela parecia desesperada.
– Quero que diga o que sabe sobre diamantes da morte, ou diamantes negros.
– Eles foram coletados do paraiso, se juntados com os de vida pode trazer alguém que estava morto de volta a vida.
– Senhorita obvia. Sabe aonde eles estão agora?
– Pelo que ouvi estão no salão dos nephilins.
– Essa conversa nunca existiu, se contar a alguém... Eu juro que a matarei.
– Está bem. Mas, me sinto mal por trai-los.
– Isso não é meu problema. Adeus. — Charlotte desligou.
Em seguida discou para Lúcifer, contou o que descobriu, com direito a todos os detalhes, inclusive as ameaças, mas falou que era para ele confirmar, afinal não era nada garantido, ainda tinham que contar com a provavel chance de Angelica ter mentido. Aquilo tudo tinha a deixado exausta.
Sebastian finalmente chegou com as compras. Estava tão cansada que ela acabou dormindo com o rosto na própria mesa do escritório.
Ele a pegou no colo e a levou para seu quarto a botando delicadamente em sua cama. A encarou por um tempo em seguida saiu e encostou a porta.
– O que sera que aconteceu para ela dormir tão cedo?
Eram quatro da manhã quando ela acordou, ela andou até o quarto de Sebastian, ele estava dormindo, em seguida caminhou para o jardim. Lá estava Mary.
– Sinto tanta falta. — Mary falava sozinha, ainda não percebera que Charlotte estava ali.
– Sente falta de que? — Charlotte foi até ela.
– S-Senhorita? Me assustou...
– Você está bem, Mary?
– Na medida do possível. Senhorita, você tem alguém que sente muita falta?
– Sim, minha mãe.
– D-Desculpe, senhorita.
– E você, Mary? Está sentindo falta de quem?
– Eu... Sinto falta do meu filho.
– Ele já morreu?
– Não sei. Se nada lhe aconteceu, creio que sim.
– Ele está bem.
– Senhorita?
– E está casado com uma boa mulher. Não se preocupe.
– Como sabe?
Charlotte sorriu de um modo confortante, ela realmente sabia sobre o filho de Mary, e seu olhar indicava que ela estava sendo sincera. Ela abraçou Mary.
– Sua alma em breve estará livre, eu vou ajuda-la a ir para o paraiso.
– Obrigada, senhorita.
– Mary, acabei de me lembrar que preciso ir até o paraiso. Para pegar diamantes negros, já lhe falei deles, não é?
– Sim.
– Quem sabe se eu me disfarçar e ter você junto de mim, assim ninguém vai perceber que não sou pura.
– Ajudarei no que for preciso, Lotte.
– Obrigada, Mary. Sua ajuda será muito reconhecida.
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