O Anel Dracônico

1 Capítulo 1 — O Primeiro Hospedeiro


Notas iniciais
Como este é o primeiro capítulo não dá pra entender muita coisa. A maioria das coisas mencionadas serão esclarecidas ao longo da fic - outras não. Queria agradecer à Camy pelo ótimo trabalho betando esse capítulo e pela paciência. Boa leitura.

Após a intensificação das Guerras de Liberdade, travadas entre milícias formadas nas Terras Centrais e paladinos da Ordem, muitas terras e propriedades foram arrasadas, com o único propósito de evitar que os inimigos se apoderassem dessas regiões.

O palácio do conde Longville fora uma dessas propriedades. Reduzido a um labirinto de escombros enegrecidos pelas chamas, o edifício transformou-se num covil para bandidos. Eles usaram galhos secos do que antes fora o belíssimo pomar de Longville para criar fogueiras, comemorando seu último saque bem sucedido ao redor delas nos resquícios do salão principal do palácio.

O líder daquele bando era um jovem e habilidoso Espdachim chamado Terry Snyder, alcunhado Lâmina Furtiva. Naquela noite, ele sentou-se sozinho, ignorando as festividades de seus homens. Algo o preocupava seriamente. Ele observava criteriosamente um anel cravado com uma estranha pedra de luz própria.

Terry Snyder havia nascido em uma das famílias mais ricas do condado de Menphis, a sudeste das Terras Centrais. No entanto, a rebelião trouxera grande prejuízo para os negócios da família. As rotas comerciais foram interditadas pelos rebeldes e a mercadoria deixou de alcançar outros países, levando muitos comerciantes locais à falência. O clã Snyder fora seriamente afetado. O jovem, e agora pobre, Terry recorrera a uma vida criminosa para reaver a fortuna de sua família. Suas habilidades com a espada logo o promoveram a chefe entre os bandidos locais, e agora os homens de Snyder tiravam vantagem de tudo aquilo que a guerra oferecia a foras da lei como eles.

Seu último saque fora a uma escolta, viajando disfarçadamente como uma caravana de mercadores. OS cavalos, no entanto, os entregaram. Snyder estava acostumado a ter puros-sangues como aqueles em seus estábulos. Após um ataque rápido e sangrento, eles encontraram arcas cheias de ouro, escondidas dentro do feno das carroças da frente e de trás. A carroça do meio, mais bem protegida, demorara um pouco mais do que as outras, mas logo fora superada pelo número e agressividade dos atacantes. Lá dentro, no entanto, havia apenas um pequeno baú de ferro. A maioria dos homens logo perdera o interesse e fora descarregar as outras carroças. Mas algo chamara a atenção de Snyder no baú. A tranca fora selada com alquimia, utilizando-se do mesmo processo que seu próprio pai utilizava para guardar seus bens mais preciosos. Apenas outro alquimista poderia abri-la. Após uma visita e uma ameaça, a caixa fora aberta e o anel retirado. Isso fora no dia anterior.

Agora, Terry encarava o anel, perscrutando a pedra. Era como se houvesse uma chama, palpitando dentro da gema. O fora-da-lei nunca vira nada assim, mas desconfiava do que era. E temia que, se estivesse correto, fosse necessário livrar-se dela o mais rápido possível.

Foi quando o primeiro homem caiu.

Uma figura subitamente estava entre eles. Com a luz trêmula das fogueiras, era possível distinguir o uniforme branco, a armadura de prata, os dragonetes de ouro segurando a capa púrpura e a espada de aço banhada em sangue.

"Um oficial da Ordem", reconheceu Snyder "fodeu".

O chefe do bando tomou a sábia decisão de fugir por entre os escombros enquanto seus homens, desesperados, atacavam o Paladino, cientes da morte iminente.

Terry Snyder foi logo alcançado. O Paladino o interceptou quando estava prestes a alcançar o pomar, obrigando-o a enfrentá-lo em campo aberto.

— O que você quer?! — gritou, desesperado.

O Paladino sorriu, debochado.

— Sois um assaltante e eu um cavaleiro da Suprema Ordem Sagrada. Não é razoável que eu esteja fazendo meu trabalho ao limpar o mundo de vós, escória?

— Não vem com essa merda! — O bandido sacou a própria espada. — O que um oficial taria fazendo aqui, sozinho? Tem uma puta guerra lá pro norte e eles enviam um oficial pra lidar com bandidos de estrada? Não fode!

O Paladino avançou alguns passos, fazendo o Espadachim recuar.

— Até que não és tão estúpido, escória.

— É o anel, não é? — Snyder sorriu, nervoso.

O Paladino parou de avançar. Seu sorriso desapareceu.

— Como sabes acerca do anel?

Terry tirou o anel do bolso e mostrou-o sobre a cabeça.

— É isso que tu quer, né? Essa porra desse anel!

— Sim. — A voz do Paladino endureceu. — És um homem morto, escória. Dê-me o anel e considerarei dar-te uma morte rápida.

— Acho que não, cara. Protegido por um baú de alquimia, procurado por um Paladino… Ainda por cima indo pro meio de uma guerra… Isso é uma arma de guerra.

— Não…

— … e eu pretendo usá-lo.

— NÃO! — rugiu o cavaleiro branco, brandindo sua espada em direção ao Espadachim. Snyder colocou o anel e cruzou espadas com o Paladino. Ele sentiu uma onda de energia percorrer seu corpo e cruzar todo o pomar, criando uma enorme cicatriz na paisagem a partir de sua espada. Uma cortina de poeira subiu da ravina criada.

— Mas que porra…? — O bandido sentiu o aço frio atravessar suas entranhas, cruzando seu corpo de um lado a outro. Ele cuspiu sangue, agarrando a espada e caindo no chão. O Paladino, escondido na poeira, tinha sua armadura levemente danificada no formato do corte.

— Te superaste, escória — Ele retirou o anel do dedo flácido do Espadachim — Como estás prestes a morrer, não vejo mal algum em te dizer, já que pareces não fazer a menor ideia do que isso se trata.

Ele guardou a espada e afastou-se um pouco.

— De fato, trata-se de uma arma. Um amplificador, se assim preferires. No entanto, engana-te em algo: este artefato não pertence à Ordem. É propriedade minha. Com um poder destes em mãos, tornar-me-ei o maior Paladino da história e logo terei todos os territórios conquistados em minhas mãos!

O oficial começou a gargalhar, enquanto o Espadachim tossia sangue, esforçando-se para se manter consciente.

— Então… é isso? Tu quer o anel pra ganhar uma promoção? Grande bosta…

— Não espero que entendas, verme. — Ele apanhou a espada ainda fumegante do Espadachim. — Foste um oponente digno, isto te concedo. Por isso, descanse em paz.

A espada foi cravada na cabeça do Espadachim caído. O Paladino virou-se e foi embora, deixando os corpos para os corvos. Esse foi o fim da lenda ainda por começar de Terry Snyder, a Lâmina Oculta.

Notas finais
Sugestões, críticas e comentários são sempre bem-vindos. Se quiser perguntar algo acerca da fic é só mandar uma MP e eu respondo o que eu puder.