O Amor Retorna
96 Capítulo 95 - Yo Te Amo a Ti
Notas iniciais
POV GERMAN
Angie olhava maternalmente para Luka. Eu tinha certeza que ela faria um trabalho excelente como mãe.
Enquanto conversava com Leo, meu olhar frequentemente pairava sobre Angie. Suas mãos sempre estavam acariciando seu ventre inchado. Era difícil não sorrir ao ver essa cena. Mas na última vez que eu havia olhado para ela, seu olhar também pairava sobre mim. Um sorriso relaxado mas ao mesmo tempo interrogativo, molduravam seus lábios que eu tanto tive vontade de beijar naquele momento. Aliás, quando eu não sentia vontade de beija-la? Mas tive de resistir a tentação de me levantar do sofá e beijar minha esposa, pois uma vez que meus lábios estivessem sobre os dela, não pararia tão cedo de molda-los nos meus.
Depois de mais alguns minutos conversando, Becca e Leo decidiram que já estava na hora de ir. Eles tinham que ajeitar algumas coisas, já que passariam um tempo morando em Buenos Aires. Angie e eu ficamos muito felizes quando recebemos a notícia.
Como os dois ainda tinham muita coisa o que resolver naquele dia, eu e Angie nos oferecemos para cuidar de Luka. Becca e Leo relutaram um pouquinho em deixar Luka conosco, pois não queriam gerar incômodos, mas de tanto insistirmos eles acabaram cedendo.
Logo que os dois partiram, Angie e eu levamos Luka para nosso quarto, já que o pequeno tinha adormecido.
Chegando no quarto, ajeitei Luka cuidadosamente na cama de casal.
Angie sentou na cama também, mas do lado direito de Luka e eu, consequentemente, do lado esquerdo.
Ficamos ali, por alguns minutos só observando o pequeno dormir e ouvindo sua respiração.
Até que Angie começou a ficar sonolenta e bocejou.
GERMAN: Com sono? — Perguntei mesmo já sabendo a resposta que receberia.
ANGIE: Sim, sei que fazem só algumas horas que acordamos. —Relatou — mas, você não se importaria se eu tirasse um cochilo né?— Falou já se deitando.
Foi só olhar para seu rostinho sonolento pra perceber que minha resposta não teria nenhuma valentia, já que ela estava quase adormecida. Mas mesmo assim, respondi:
GERMAN: Claro que não, Bela Adormecida.
Angie me lançou um sorrisinho, e logo que fechou os olhos pareceu entrar em um sono profundo. Sorri.
Já que não tinha nada pra fazer, pesquei meu notebook ao lado da cama e comecei a trabalhar. Eu já estava acostumado a trabalhar em casa. Já que com a gravidez de Angie se encaminhando para o final, eu queria ao máximo acompanhar cada momento dessa nova fase de nossas vidas.
Então comecei a trabalhar. Estava trabalhando há umas duas horas já. Eu estava concentrado, até que Luka acordou e começou a chorar.
Antes que o choro de Luka acordasse Angie, fechei meu notebook e peguei o garotinho no colo. Ele deveria estar com fome, então peguei sua mamadeira e fui até a cozinha, mas não sem antes pegar alguns blocos de brinquedo de Luka, que os agarrou feliz, como se sua vida dependesse disso.
Em poucos minutos eu já estava com Luka na sala, prestes a dar sua mamadeira ao pequeno, que estava tão concentrado em brincar com seus blocos, que até tinha esquecido a fome. Não pude deixar de lembrar de quando Violetta tinha a mesma idade de Luka, ela também se entretia muito fácil, principalmente quando ficava no escritório comigo. Ela adorava brincar com as papeladas e com tudo que ficava em cima da mesa.
De repente, Luka olhou pra mamadeira, parecendo sair do transe em que estava com os blocos. Suas pequenas mãozinhas se apoiaram nas minhas, Luka tentava pegar sua mamadeira.
GERMAN: Esta com fome, rapazinho? — Perguntei, ao que o garotinho balançou a cabeça em afirmação e sorrindo, fazendo covinhas surgirem em cada uma de suas bochechas.
Peguei Luka no colo, cuidadosamente e, coloquei a mamadeira em suas mãos, e ele, por sua vez, logo levou mamadeira a boca.
E enquanto observava o pequeno, minha mente vagava ao tempo em que Violetta era apenas um bebezinho...
POV ANGIE
Logo que acordei, senti a falta de German e Luka no quarto. Então, me levantei, sai do quarto e decidi ir à procura dos dois.
Logo que me aproximei das escadas, ouvi risos, que preenchiam o andar de baixo. Comecei a descer as escadas bem devagar para não fazer barulho e parei quando faltavam apenas seis degraus. E com um sorriso no rosto, comecei a observar a cena que se desenrolava diante dos meus olhos. German construía torres com os blocos de Luka e logo que a torre estava construída, Luka a derrubava, e a cada torre derrubada, Luka soltava uma gargalhada gostosa. E no meio da brincadeira German falava carinhosamente com Luka, que também respondia com poucas palavras, já que sua concentração estava nos blocos.
Aquela cena aqueceu meu coração, e me fez desejar ter meus bebês comigo, eu não via a hora de os ter em meus braços. Poder cantar para eles enquanto os ninava. Se bem que não faltava muito para isso acontecer, já que a gravidez se encaminhava para o final, o que só ampliava meu sentimento de ansiedade. A ansiedade era tanta que eu me via toda hora no quarto dos bebês, que agora já estava pintado e decorado, com tudo organizado para quando chegasse a hora. Eu sentava na poltrona branca, que fazia parte da decoração do quarto e, ficava ali sonhando acordada, imaginando como seria seus rostinhos.
Fiquei observando eles brincarem por mais algum tempo. Até que Luka, de repente olhou na minha direção dando outra gargalhada gostosa e apontou para mim, me delatando. E German me lançou um sorriso relaxado.
Já que eu fora descoberta, desci os degraus que faltavam e me sentei no sofá, onde German me encarava, ainda com um sorriso no rosto, enquanto Luka voltara a brincar com seus blocos
ANGIE: Que foi ? Nunca te disseram que é feio ficar encarando as pessoas? — Brinquei.
GERMAN: Já sim, mas mudando de assunto, pensei que estivesse morrendo de sono.
ANGIE: Estava, mas a Bela Adormecida aqui — falei apontando para mim — já dormiu demais por hoje.
GERMAN: Percebi. — Constatou. O canto da boca retorcido em um sorriso. — E você, não te ensinaram que é feio espiar os outros?
ANGIE: Até tentaram, mas como a pessoa curiosa que sou, não deu muito certo.
GERMAN: Velhos hábitos nunca mudam.
ANGIE: Não mesmo. — Concordei. — E já que velhos hábitos não mudam, por que você não me beija? Sabe para não perder o hábito, né?
GERMAN: Não mesmo, não queremos perder esse velho hábito .
ANGIE: Concordo plenamente...
German repousou suas mãos uma de cada lado do meu rosto, e me puxou para um beijo doce. Gentil. E enquanto me beijava, suas mãos faziam movimentos leves e delicados em minhas bochechas coradas. Pouco tempo depois suas mãos se espalmaram na minha barriga e não tinha como meu coração se derreter mais.
E como sempre, o universo pareceu parar. Bom, pelo menos para mim. Como um toque tão sutil daqueles podia fazer isso comigo? E como um beijo tão calmo podia me incendiar? Talvez fosse culpa dos meus hormônios, mas sempre soube que aquele era um efeito colateral dos beijos de German. Sempre soube...
De repente German se afastou, colando sua testa na minha por alguns segundos, antes de me encarar com uma expressão receosa.
ANGIE: O que foi? Tudo bem? — Perguntei, encarando aqueles olhos negros que tanto me enfeitiçavam.
GERMAN: Não é nada. É que de repente me lembrei que o Luka ainda está aqui...
ANGIE: Ah, sim. É verdade. — Concordei, mesmo percebendo que aquele não era o real motivo da mudança repentina no seu humor. O que será que tinha acontecido? Eu sabia que German era uma pessoa moral e tal, mas Luka nem sequer deve ter percebido o beijo, estava ocupado demais brincando.
Antes que eu pudesse perguntar para German o que tinha acontecido, Luka pediu para que brincassemos com ele, e claro que aceitamos. Era difícil resistir a um rostinho tão doce quanto aquele.
(...)
German parecia ter voltado ao normal, durante o resto do dia não tinha tido nenhuma outra repentina mudança de humor, mas mesmo assim eu sentia que tinha algo ali. Quando fossemos dormir, eu o questionaria.
O dia passou como um borrão, e logo as meninas chegaram e começaram a brincar com Luka, e mais depois Becca e Leo chegaram também e aproveitamos e jantamos todos juntos.
Depois da sobremesa, Becca e Leo nos agradeceram por cuidar de Luka e foram embora. E não demorou muito para que German se retirasse com a desculpa de que ia dormir. Outra coisa que eu achei estranho, German sempre era o último a subir, ele sempre se certificava primeiro se estava tudo em ordem com todo mundo. Ele parecia atordoado.
Ele beijou minha testa, se despediu de Vilu e Ludmi, e se retirou, deixando nós três sozinhas na sala.
VILU: Angie, podemos conversar com você? — Perguntou ansiosa. Por que ela parecia ansiosa? Ou melhor, por que as duas pareciam ansiosas? A expressão de Ludmi também a delatava.
ANGIE: Claro, aconteceu alguma coisa? — Preocupei-me.
LUDMI: Não, é que nós queríamos...
VILU: ... te pedir uma coisa. — Completou.
ANGIE: Podem pedir. Se eu puder ajudar.
As duas olharam uma para a outra como se estivessem esperando que a outra tomasse a palavra. E como nenhuma das duas tomou a iniciativa, comecei:
ANGIE: Meninas, vocês sabem que em primeiro lugar eu sou amiga de vocês, e podem me contarem e pedir o que quiserem, desde que esteja ao meu alcance, ficarei feliz em ajudar.
VILU E LUDMI: Podemos te chamar de mãe? — Perguntaram em uníssono.
Fiquei sem palavras. Estava emocionada demais por as meninas me pedirem aquilo. Eu já as considerava minhas filhas fazia muito tempo.
Eu sempre tive vontade que elas me chamamassem de mãe, mas essa era uma coisa muito íntima, eu não podia pedir aquilo, não queria deixa-las desconfortáveis ou que se sentissem pressionadas. Mas elas pedirem aquilo me tocou, meus olhos já se mantinham cheios de água, que ameaçavam cair.
Eu já tinha percebido que Ludmila se referia a German como pai, mesmo que ela estivesse de bem com seu pai biológico, mas Ludmila ter pedido aquilo para mim também me surpreendeu pois ela e a mãe estavam tendo um bom relacionamento. No começo Ludmila ficou um pouco receosa de voltar a se aproximar da mãe mas com o tempo isso se ajeitou e ambas começaram a ter uma relação mãe e filha , de verdade. Como prometido eu havia ajudado Priscilla a formar um laço afetivo com a filha e German havia ajudado também.
Priscilla mudara realmente. No entanto, que eu e ela até saímos juntas algumas vezes como se fossemos velhas amigas, e ela ate me contou que ela e o pai da Ludmila estavam tentando ter um relacionamento e estava dando bastante certo. O pai de Ludmila também tinha criado um laço afetivo com ela e por causa disso estava morando em Buenos Aires.
ANGIE: Claro que podem! Eu já as considero minhas filhas há tanto tempo... — Disse, e lágrimas irromperam de meus olhos.
As duas vieram correndo e me abraçaram fortemente. Ambas estavam chorando, eu podia sentir as mangas da minha blusa molhadas. E eu chorei junto.
Era por momentos como aqueles que eu sempre seguia em frente. Momentos assim faziam tudo pelo que passamos valer a pena. Eu amava essas duas.
Ficamos assim por mais algum tempo, abraçadas até que o choro cessou.
ANGIE: Eu amo vocês. — Falei, liberando-as do abraço. Seus olhos estavam vermelhos, provavelmente, igual aos meus.
LUDMI E VILU: A gente também, mãe. — Quase voltei a chorar quando as ouvi me chamar de mãe.
ANGIE: Assim eu vou voltar a chorar, filhas.
Pude notar seus olhos se encherem de lágrimas novamente.
VILU: Acho melhor a gente ir dormir. — Falou e fungou.
LUDMI: É mesmo, boa noite mãe.
VILU: Boa noite, filhas. — Falei e subimos nós três juntas as escadas.
Antes de Ludmila entrar no seu quarto, ela parou e veio até mim.
LUDMI: Eu queria te agradecer, Angie. — Falou e pegou minhas mãos nas suas. — Por tudo. Você tem sido uma mãe maravilhosa para mim, você sempre esteve aqui quando eu precisei, você sempre me entendeu melhor que ninguém.
ANGIE: Ah querida... Sou eu que te agradeço. Você e a Vilu tem sido as melhores filhas que eu poderia pedir.
LUDMI: Eu nunca tinha sabido como era ter uma família de verdade, que fizesse você se sentir importante e especial. Mas vocês... me mostraram que esse tipo de amor existe sim. Aqui eu me sinto... em casa.
ANGIE: Ludmila, quero que saiba que pode contar sempre comigo, eu te amo muito. — Olhei bem dentro de seus olhos. — Você faz parte da família.
LUDMI: Eu também te amo. — Falou sorrindo, e eu a puxei para um abraço rápido.
ANGIE: Agora vai dormir, meu amor. — Falei e dei um beijo em sua testa.
LUDMI: Tá bom. Boa noite, mãe.
ANGIE: Boa noite, filha.
Esperei até Ludmila desaparecer dentro do seu quarto, e entrei no meu.
Quando entrei no quarto e sentei ao lado de German, percebi que ele estava pensativo, olhando para uma foto de Violetta criança, que nem percebeu minha presença. Estava estranho outra vez.
GERMAN: Angie, você acha que eu sou um bom pai? — Perguntou do nada, colocando a foto no criado mudo.
Por que ele estava me perguntando aquilo? Não fazia sentido. Era por isso que ele estava tão estranho?
ANGIE: Que pergunta é essa, meu amor? Você está bem, German? — Perguntei séria.
GERMAN: Não sei.
ANGIE: German, você é um bom pai. Você criou a Vilu praticamente sozinho. Você foi pai e mãe ao mesmo tempo.
GERMAN: É que eu cometi tantos erros com a Violetta... Não quero cometer eles novamente.
ANGIE: E não vai. — Passei minhas mãos carinhosamente pelo seu rosto, tentando lhe passar conforto. — Dê um crédito a si mesmo, German. Você fez um ótimo trabalho com ela. Você não percebe? Vilu se tornou uma pessoa maravilhosa. E você também tem sido um pai maravilhoso para Ludmila.
GERMAN: Mas, e se...
ANGIE: Olha pra mim, amor. — Pedi e ele obedeceu. — Vamos deixar os e ses pra trás e viver apenas o presente. Você já é um pai incrível. Você sabe disso. — Encarei seus belos olhos, que me olhavam intensamente. Um sorriso começou a surgir em seus lábios. Coisa que me aliviou.
GERMAN: Obrigado, Angie. É que quando eu ponhei minha mão na sua barriga aquela hora... me lembrei de como eu havia privado Vilu de muitas coisas, ao levar ela comigo de país em país. E me perguntei que pai eu seria novamente.
ANGIE: Meu amor... Nunca mais pense numa coisa dessas. Você promete que não vai mais ser tão duro assim, consigo mesmo?
GERMAN: Prometo.
ANGIE: Promete mesmo? — Queria ter certeza se sua palavra era verdadeira.
GERMAN: Eu prometo, Angie.
ANGIE: Se sente melhor ?
GERMAN: Claro. — Falou e me deu um beijo casto na boca.
ANGIE: Eu te amo, German.
GERMAN: Eu te amo, meu anjo. O que eu faria sem você? — Falou retóricamente
German então deitou-se e me puxou para si. Repousei minha cabeça no seu peito. E ali depositei um beijo.
E assim adormeci, em meio aos braços do homem que eu amava. Ouvindo seu coração bater...
(...)
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