O Amor Retorna
97 Capítulo 96 - Our Love - Parte 1
Notas iniciais
Alguns meses depois...
POV ANGIE
Eu estava com Vilu e Ludmila no quarto dos bebês, elas estavam me ajudando a fazer as malas porque o previsto era que eles nascessem daqui mais ou menos uma semana. E era melhor já ter tudo arrumado.
Minha gestação tinha sido tranquila até o momento, as únicas coisas que me incomodavam eram os meus pés inchados, a sensação de estar cansada o tempo todo e o fato de ser quase impossível encontrar uma posição confortável para dormir.
Cada vez mais a ansiedade de finalmente poder segurá-los nos braços, aumentava. Estava muito curiosa para saber como eles sereriam, se iriam ser mais parecidos com German ou comigo.
German havia me ajudado muito e tem sido também muito paciente quando eu ficava super sensível e chorava ou quando até uma simples coisa me deixava irritada. Tudo por culpa dos hormônios.
VIOLETTA: Nossa, mãe, as roupinhas dos bebês são tão lindas. — Falou, olhando encantada para cada peça de roupa.
LUDMILA: Mas é claro, Vilu, até porque fui eu que ajudei a escolher a maioria. — Disse rindo.
ANGIE: É, nisso nós temos que concordar. Você têm muito bom gosto, Ludmi. — Elogiei. E era verdade mesmo, eu sempre ficava surpresa com o quanto ela sabia sobre moda. Eu tinha certeza de que se sua vocação não fosse cantar, ela daria uma ótima estilista.
LUDMILA: Ah, muito obrigada. — Sorriu. — Bem, acho que nós já colocamos o suficiente dentro das malas.
VIOLETTA: É, eu concordo com você. Não deve faltar nada. — Falou conferindo o que tinha dentro de cada uma das duas malas.
ANGIE: Obrigada, filhas, vocês não sabem o quanto têm me ajudado. — Sorri, olhando para as duas. Elas também vinham me ajudando bastante. Eu já tinha até perdido as contas de quantas vezes as duas tinham segurado o meu cabelo enquanto eu vomitava.
VIOLETTA: Imagina. Pode contar sempre com a gente.
LUDMILA: Isso mesmo. — Concordou.
Eu estava prestes a responder a carinhosa resposta delas, mas senti uma cólica e tive que me sentar em uma poltrona.
VIOLETTA: Mãe, você está se sentindo bem? — Perguntou ao colocar uma das mãos sobre a minha.
ANGIE: Claro, é só uma simples cólica.
LUDMILA: Tem certeza? — Perguntou, preocupada.
ANGIE: Sim, eu estou bem. — Sorri, tentando tranquiliza-las. — Então, que tal vocês me mostrarem a nova música de vocês?
(...)
Logo após o almoço, Ludmi e Vilu estavam sentadas em frente ao piano ensaiando, enquanto eu as observava, e enquanto German trabalhava no seu escritório. Eu não via a hora de German acabar seu trabalho e vir ficar conosco.
Coloquei minhas mãos sobre a minha barriga e fiquei olhando para ela. Era realmente inacreditável saber que tinham duas vidas ali dentro. Dois bebês que seriam muito amados e que representavam o amor que German e eu sentíamos um pelo outro. Eu seria sempre grata a ele por esses dois presentes.
Vilu e Ludmi acabaram de cantar e eu aplaudi.
ANGIE: Parabéns, filhas, eu adorei. Com certeza o Pablo vai aprovar a música de vocês. — Sorri. Sem dúvida elas seriam aprovadas no exercício que Pablo havia passado. A música era linda. Fiquei muito orgulhosa das duas.
Levantei para abraça-las, mas senti uma cólica muito forte, nada comparada com as fracas que eu vinha sentindo durante o dia. Coloquei as mãos sobre a barriga. A dor parecia insuportável. Tão forte que eu tive que me sentar novamente. Ah, meu Deus, eu devia estar em trabalho de parto. Só podia ser, pelo que eu tinha lido era isso mesmo. Era por isso mesmo que eu devia estar tendo cólicas o dia todo.
LUDMILA: Mãe, você está pálida. O que foi? — Perguntou ao se aproximar de mim.
VIOLETTA: O quê você está sentindo?
ANGIE: Acho que os bebês vão nascer. — Falei me sentindo um pouco assustada. Eu nunca tinha passado por isso e eu não imaginava que o parto se adiantaria em uma semana.
Ambas olharam para mim parecendo tão assustadas quanto eu. Antes mesmo que elas pudessem dizer algo, German saiu de seu escritório e veio em nossa direção.
GERMAN: Meu Deus, vocês estão bem? Parece que viram um fantasma. — Ele focou seu olhar em mim. — Meu amor, o que aconteceu? — Perguntou, parecendo muito preocupado.
Eu não tive nem tempo de responder, quando senti uma contração ainda mais forte que a anterior. Gemi de tanta dor. German passou os braços ao meu redor, me sustentando. Me segurei nele e apoiei minha cabeça em seu peito esperando que a dor diminuísse.
GERMAN: O que está acontecendo, meu amor? Não me diga que... — Ele nem precisou continuar, pois pela sua expressão já dava para saber que ele sabia exatamente o que estava acontecendo.
POV GERMAN
ANGIE: É isso mesmo o que você está pensando. — Confirmou.
GERMAN: Mas eles não nasceriam só semana que vem?
ANGIE: É, mas parece que eles resolveram se adiantar em uma semana. — Sorriu, mesmo parecendo sentir muita dor.
Era difícil vê-la sentir tanta dor, eu queria poder fazer algo para que sua dor fosse aliviada, mas eu me sentia impotente por saber que eu não podia fazer nada para ajudá-la. Eu precisava levá-la para o hospital imediatamente.
GERMAN: Eu preciso te levar para o hospital, meu amor. — Falei pegando minha esposa em meus braços com cuidado.
VIOLETTA: Nós também queremos ir junto com vocês.
LUDMILA: Isso mesmo. Eu dirijo enquanto vocês vão no banco de trás. — Falou, determinada.
GERMAN: Tudo bem, vocês podem ir com a gente. — Concordei, porque esse era um momento muito importante para elas também. E seria ótimo poder ficar ao lado de Angie segurando sua mão e lhe dando apoio.
VIOLETTA: Eu vou buscar as malas. — Falou, já subindo as escadas.
Enquanto isso Ludmi entrou no carro, se sentou no banco do motorista e já começou a esquentar o motor. Andei com Angie no colo até o carro e coloquei-a no banco traseiro com delicadeza. Me sentei ao seu lado, passei meus braços ao seu redor e segurei a mão dela. Não demorou muito para que Vilu entrasse no carro e Ludmi começasse a dirigir.
Não demorou nada para Angie sentir outra contração. Ela estremeceu e apertou a minha mão com mais força. Ela se contorcia em meus braços e estava mordendo os lábios para não gritar de dor. Sua respiração era curta e rápida.
ANGIE: Ah meu Deus, eu não imaginava que doía tanto. — Falou apoiando a cabeça no meu ombro.
GERMAN: Não consigo nem imaginar o quanto isso deve doer. Não queria que você tivesse que sentir tanta dor.
ANGIE: Não se preocupe, meu amor, isso faz parte. — Sorriu.
GERMAN: Está se sentindo bem agora? — Perguntei, precisando muito saber se ela estava melhor.
ANGIE: Sim, agora eu estou bem. A contração já passou. E eu espero que a próxima demore a vir. — Ela apoiou a cabeça no meu ombro e respirou fundo.
(...)
Não demorou muito para nós chegarmos ao hospital. Colocaram Angie em uma cadeira de rodas e a levaram para alguma sala do hospital, eu queria entrar com ela, mas me disseram que iriam acomodá-la no quarto primeiro e que depois viriam me chamar. E então me restou apenas esperar.
Fiquei andando de um lado para o outro na sala de espera, eu precisava ficar ao lado de Angie, se eu já estava assustado, imagine ela que estava passando por tudo nesse momento, sozinha. E se nesse mesmo momento ela estivesse tendo uma contração? Eu não queria que ela tivesse que passar por essa situação sozinha, já era ruim para mim vê-la com dor, imagine saber que ela estava com dor e eu não poder estar ao seu lado.
Se alguém não viesse me chamar nos próximos 5 minutos, eu teria que dar um jeito de poder estar com Angie. Não importava o que eu teria que fazer. Angie era um dos bens mais preciosos que eu tinha nessa vida, eu não poderia deixá-la na mão, ainda mais em um momento tão importante como esse.
Eu não me lembrava que era tão assustador, mas também fazia bem mais de dez anos que eu precisei passar por essa mesma situação. Eu também tinha ficado apavorado quando Vilu estava para nascer. Eu deveria estar mais calmo por essa ser a segunda vez, mas quem olhasse para mim, sem dúvida, diria que eu parecia um pai de primeira viagem.
Eu estava preparado para ir falar com a recepcionista, quando Vilu e Ludmi vieram até mim.
VILU: Fica calmo, papai, daqui a pouco o senhor vai poder ficar ao lado dela. — Falou ao segurar minha mão, tentando me confortar.
LUDMI: A Vilu tem razão, não deve demorar nada para eles virem te chamar. — Sorriu.
GERMAN: Vocês estão certas, mas é que eu não consigo parar de pensar que a Angie está sentindo dor nesse exato momento e eu não posso fazer nada. — Confessei.
LUDMI: Eu sei o quanto deve ser difícil, mas ficar estressado não vai adiantar nada. Alguém vai vir chamar você quando for a hora certa.
VILU: Isso mesmo, agora vem sentar com a gente e vê se fica mais calmo.
Me sentei em um dos bancos da sala de espera e cada uma delas se sentou uma de cada lado meu. Elas seguraram minhas mãos, o que foi bem reconfortante, eu não sabia o que teria feito se elas não estivessem ali comigo. Para mim pareceram horas, mas poucos minutos depois uma enfermeira veio me chamar. Dei um beijo na testa de minhas filhas e segui a enfermeira até o quarto de Angie.
POV ANGIE
Eu queria que German pudesse ter entrado comigo, eu precisava dele ao meu lado, segurando minhas mãos e me confortando que nem ele tinha feito quando estávamos no carro.
Para minha sorte a minha médica, a doutora Lúcia já estava no hospital. Depois de eu ser acomodada em um quarto, ela veio me examinar. Tudo estava normal, e ela me explicou que não teria problema algum os bebês nascerem uma semana antes do previsto.
Já fazia um minuto que uma enfermeira tinha ido chamar German e eu não via a hora de poder vê-lo. Tudo bem que não demorou muito para me examinarem, mas eu queria muito que ele estivesse logo comigo.
Senti outra contração e me encolhi, eu estava tentando inspirar e expirar como minha médica tinha instruído, mas isso parecia não estar ajudando em nada. Já estava demorando para outra contração chegar.
Fechei os olhos, esperando que a dor passasse, mas ouvi a porta se abrir e tive que abrí-los. No mesmo momento que vi German, me senti mais aliviada, tão aliviada que meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Ele veio até mim e me envolveu nos seus braços e sussurrou:
GERMAN: Vai ficar tudo bem, meu amor, eu estou aqui, nós vamos passar por isso juntos. — Falou e eu deixei uma lágrima rolar, parecia que meus hormônios estavam a flor da pele hoje.
Enquanto ele me abraçava a dor foi passando e logo eu já me sentia bem. Ele olhou para mim e enxugou a lágrima que eu havia derramado.
ANGIE: Obrigada por estar aqui comigom meu amor.
GERMAN: Eu não estaria em nenhum outro lugar que não fosse aqui com você. — Ele sorriu e fez menção de se sentar na poltrona perto da minha cama.
ANGIE: Posso te pedir uma coisa?
GERMAN: Claro, o que você quiser. — Sorriu.
ANGIE: Você poderia ficar sentado comigo aqui na cama? — Pedi.
GERMAN: Mas é claro que sim. Não precisava nem pedir. — Falou e se acomodou ao meu lado. Ele passou os braços ao meu redor e eu apoei minha cabeça em seu peito e o abracei.
ANGIE: A doutora Lúcia acha que não vai demorar muito para os bebês nascerem. Eu não vejo a hora de poder segurá-los.
GERMAN: Eu também não. Parece que foi ontem que você me contou que estava grávida e agora já estamos aqui esperando pela chegada deles. — Falou e acariciou minha barriga.
ANGIE: Sim, para mim parece que foi ontem que eu fiz o teste de gravidez. Nem dá pra acreditar que já se passaram quase 9 meses.
GERMAN: Acho que é melhor você descansar agora. Você vai precisar estar bem descansada para mais tarde.
ANGIE: Você tem razão. Vou tentar dormir.
German ficou brincando com os meus cachos até que eu senti meus olhos pesarem e adormeci.
(...)
Acordei sentindo uma forte dor, muito pior que as outras contrações que eu vinha sentindo. Percebi que a bolsa tinha estourado e provavelmente eu já devia estar pronta para o parto.
GERMAN: O que foi, meu amor? Outra contração? — Perguntou, preocupado.
ANGIE: Sim, a bolsa estourou. Acho melhor você ir chamar a minha médica. Os bebês estão prontos para nascer.
German saiu em disparada do quarto para chamar a doutora Lúcia enquanto eu tentava me preparar para o que estava para acontecer.
(…)
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