O Amor Acima De Tudo
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Após encontrar Richard, Hannah perdera toda a alegria que estava sentindo naquele dia. A festa não a estava mais descontraindo, e sim a deixando cada vez mais tensa. A tensão era tanta que ela se sentia prestes a explodir. A comida não tinha gosto de nada, e a bebida não era melhor.
As horas se passaram e Hannah não melhorou. A festa, pelo visto, ainda ia durar muito. Pelo menos, ela cumprira com seu dever. Iria embora. Perdera uma noite ao lado de sua filhinha apenas para ficar tensa e com dor de cabeça. O melhor a fazer, no momento, era se despedir de Harry e ir para casa. Caroline já estaria dormindo, mas ela podia ao menos relaxar na banheira, tomar um calmante e dormir a noite toda.
Harry estava sozinho, bebendo uma taça de champanhe. Hannah foi até ele.
— Oi, Harry. Vim me despedir.
— Despedir? Mas é tão cedo, querida!
— Estou com sono e cansada, além de estar com uma dor de cabeça dos diabos.
— Quer que eu a leve para casa?
— Não precisa, não estou tão mal a ponto de não poder dirigir.
— Se eu soubesse onde Richard Howzard está, eu o chamaria para vocês se despedirem, mas não o encontro em lugar algum.
“Graças a Deus!”, ela pensou aliviada.
— Não tem problema. Tchau, Harry.
— Tchau, Hannah. Mande um beijo para Caroline.
— OK, eu mandarei.
Ela o beijou em ambas as faces e se dirigiu ao estacionamento da empresa, onde estava seu carro. Quando se aproximou dele, alguém lhe tocou o ombro com deliberada firmeza. Assustada, ela deu um gritinho e se virou. Fechou os olhos, tensa. Era Richard.
Fazendo um esforço, ela voltou a abrir os olhos. Não era alucinação. Era realmente ele que estava à sua frente, tão ou mais sedutor do que antes.
— O que você está fazendo aqui? — forçou-se a perguntar.
— Não acredito que tenha a cara de pau de perguntar isso, Hannah.
Ela desviou o rosto, mas ele a forçou a encará-lo, segurando delicadamente seu queixo.
— Eu... eu não sei do que você está falando — ela gaguejou, baixinho.
— Não? — ele perguntou com ironia.
— Por favor, deixe-me ir para minha casa.
— Não até eu ter as respostas que quero.
— Não estou a fim de responder a nenhuma pergunta que você me faça.
— Mas terá que responder, porque, se não, eu não te deixarei sair daqui.
— Oh, Richard, já faz mais de quatro anos que nos vimos pela última vez! Isso é passado, esqueça!
— Na poderei esquecer, Hannah! Jamais! Eu disse que te amava! Eu a pedi em casamento! Se não queria se casar comigo, era só dizer! Mas... mas você fugiu de mim sem me dar a resposta! Parece que algo... algo está suspenso esse tempo todo, esperando uma conclusão!
— Me compreenda, Richard, eu não podia responder a essa pergunta naquela época e, acredite se quiser, ainda não posso!
— Você disse que me amava, Hannah!
— E realmente eu te amava, mas nós não podíamos ficar juntos!
— Por quê?!
— Isso eu não posso responder. É algo além de minhas forças. Mas, acredite, eu realmente te amei.
— Amou, não. Ama.
— Pode acreditar que a distância fez com que eu te esquecesse. Não te amo mais. Pode ficar despreocupado. Serei uma funcionária excelente, não irei me valer de nosso antigo relacionamento para ganhar privilégios.
— Ora, isso não me importa! E eu sei que você me ama!
— Não te amo.
— Irei te provar que você me ama — ele sussurrou, rouco.
Antes que Hannah pudesse prever o que ele faria ou esboçar qualquer reação, ele a pressionou contra a porta do carro. Ao sentir os seios pressionados no peito másculo, o membro rijo dele pulsando contra a maciez de seu ventre, ela estremeceu, lembranças ardentes invadindo sua mente.
— Não, Richard — ela murmurou, rouca.
Richard sorriu de satisfação ao perceber o desejo na voz dela. E sentiu o próprio corpo formigar de desejo. Hannah estava tão voluptuosa... tão deliciosa... Logo se sentiu estar no estado máximo de ereção. Precisava de alívio imediato.
Uniu os lábios aos dela, provando-a com a língua ardente, ao mesmo tempo em que suas mãos ávidas buscavam os seios fartos. Ao sentir os mamilos rígidos, ele começou a beijá-la com suavidade no pescoço.
Ao perceber que Hannah tentava se afastar, Richard lhe tomou os braços e os pôs em torno de seu próprio pescoço forte. Sentiu os músculos dela tensos, mas logo relaxados enquanto ela se rendia e o abraçava, percorrendo com as mãos macias os cabelos castanhos naturalmente despenteados e os músculos rígidos das costas musculosas. Era mais do que ele podia suportar. Uma de suas mãos segurou uma das nádegas dela e a ergueu enquanto a outra tentava livrá-la da calcinha para ele poder penetrar naquele corpo quente e receptivo.
De repente Hannah se lembrou de Caroline. Não podia fazer aquilo! Qualquer tipo de relacionamento íntimo com Richard seria muito arriscado, e seu segredo tinha que continuar guardado. Apesar do desejo intenso, ela se forçou a voltar ao normal. Começou a se debater.
— Solte-me, Richard! Solte-me!
— Oh, Hannah, não faça isso comigo... Eu estou precisando de você tão desesperadamente... Senti tantas saudades de você, de seus beijos, de seu corpo... Deixe-me possuí-la, querida... Mesmo que seja só uma vez.
— Não!
Ela conseguiu se soltar e recuar.
— Não chegue mais perto, Richard! Não quero intimidades com você! Seremos apenas patrão e funcionária. Nunca mais teremos qualquer relacionamento, quanto mais relações sexuais.
— Eu não queria ter “relações sexuais” com você, Hannah. Eu queria fazer amor. Por que não? Você me ama, Hannah! Eu senti...
— Não confunda desejo com amor. Você é um homem bonito, charmoso, sensual. É um antigo parceiro sexual, e isso tudo faz com que eu o deseje, mas é só. Deixe-me ir embora!
Magoado, Richard baixou o rosto e se afastou. Com voz ríspida, falou:
— Então vá!
Rapidamente ela entrou em seu carro e partiu. Richard, que havia se segurado até ela desaparecer de vista, rendeu-se ao sofrimento. Deu um soco na lateral de um dos carros enquanto seus olhos se alagavam de lágrimas contidas.
No carro, as lágrimas escorriam pelas faces de Hannah. Céus, como amava Richard! Sentia, no momento, um tremor incontrolável, pois o desejo ainda percorria seu corpo, feroz. Seus seios tinham passado tanto tempo sem carinhos... Agora seus mamilos estavam escandalosamente rígidos, eretos, moldando-se na seda do vestido. O que ela faria para sanar aquele desejo intenso que sentia? Só havia um remédio, embora fraco: entrar numa ducha gelada.
***
Na segunda-feira de manhã, Hannah acordou péssima. Em mais ou menos duas horas veria Richard Howzard outra vez. E seria assim por ainda muito tempo, enquanto trabalhasse na Austin Security. Essa perspectiva lhe daria sempre calafrios ao acordar.
Após os exercícios e banho habituais, ela se vestiu o mais sóbria possível. Não queria que Richard pensasse que ela estava se produzindo para ele. Tentaria não despertar o desejo nele, embora soubesse que isso seria praticamente impossível.
Deixou um beijo de batom no espelho para Caroline, como sempre fazia, e foi para a Austin Security. Sentia-se de tal modo tensa que não comera nada. Seu estômago não aceitaria qualquer alimento.
No auditório da empresa, Richard falou com todos os funcionários, e disse que iria inovar a empresa e levá-la rumo ao futuro. Ao acabar o discurso, foi ovacionado por todos que o ouviam, exceto Hannah, que não estava com ânimo algum.
Em sua sala, ela começou a trabalhar incessantemente, com desespero, para tentar não lembrar que Richard estava há poucos metros de distância. Sua sala era próxima à dele. Como fora o braço direito de Harry, tivera que ficar perto dele para não demorar quando ele a chamasse. Agora iria penar, pois mesmo se não visse Richard, saber-se tão próxima do homem de sua vida lhe fervia o sangue. A aura viril de Richard parecia impregnar seu corpo desde a noite de sábado, e parecia impossível esquecer o gosto daqueles lábios doces, a textura áspera do queixo másculo excitando seu pescoço, a solidez dos músculos demarcados sob suas mãos. O que ela poderia fazer? Mudar de sala?
Notas finais
A todos que leem, agradeço de coração!
Bjs
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