Notas iniciais
Oi, pessoal! Desculpa a demora! Bem, eu espero que gostem do capítulo!

No intervalo para o almoço, no primeiro dia com Richard como seu chefe, Hannah decidiu não ir almoçar com Caroline, o que era habitual. Não estava com fome, e a esperta Margareth saberia que havia algo errado. Decidiu comer qualquer coisa na lanchonete da empresa mesmo.

Na asseada lanchonete, ela pediu um café com Irish Cream e um só donut coberto de açúcar. Pegou um jornal do dia e se sentou a uma mesa. Estava tão distraída que não percebeu a presença do homem que a deixava tensa e nervosa.

— Não devia comer tão pouco e mal no horário do almoço.

Ao ouvir a voz máscula, ela estremeceu e parou a leitura do jornal. As mãos se crisparam, amassando o papel. Criou coragem, baixou o jornal e ergueu os olhos. De pé na frente de sua mesa, mais lindo e elegante do que nunca, Richard lhe sorria com seu querido sorriso de lado.

— Oi... Richard.

— Você vai morrer de fome, assim. Só café e donut não alimentam ninguém, ainda mais na hora do almoço. Vou pedir que a cozinheira prepare um delicioso espaguete à bolonhesa para você. Lembro que você adorava, principalmente se acompanhado por um bom vinho tinto suave de safra antiga.

— Não quero nada. Está difícil até engolir esse único donut...

— Você ganhou quilos maravilhosos nesses quatro anos. Não quero que os perca por minha causa.

— Não é por sua causa. Realmente não sinto fome. Acho que é TPM.

— Que eu me lembre, você não tinha grandes sintomas de TPM.

— Os organismos mudam.

— Posso me sentar aqui, com você?

— P-por quê?

— Porque, como sabe, apreciou muito a sua companhia. Ainda não desisti.

— Não desistiu de quê?

— De conquistá-la. De fazê-la entender que eu sou o único homem de sua vida. De mostrar a você o quanto nos amamos.

As palavras dele quase a fizeram derreter. Sentia ondas de calor e arrepio em seu corpo e estava ciente do desejo que ele lhe provocava.

— Pode se sentar, mas não tenha esperança. Nós nunca voltaremos a nos relacionar.

— Nunca diga “nunca”, Hannah.

***

Os dias se passaram lentamente. Como Hannah quase não via Richard, geralmente muito ocupado, ela voltou a relaxar e viver como antes. A empresa ganhara nova vida e impulso sob o braço forte de Richard, que dirigia com mão de ferro, mas sem oprimir os funcionários. Hannah estava dando tudo de si para a empresa. Sentia, seu futuro estava na Austin Security.

Certo dia Richard mandou reunir todos os engenheiros responsáveis pelos projetos de chips na sala de reuniões. Queria partilhar com eles suas ideias. Tinha em mente um chip revolucionário. Dividiria o projeto em partes para que cada um se ocupasse de uma delas.

Todos, inclusive Hannah, entraram na sala. Sentaram-se à longa mesa de mogno. E esperaram que Richard aparecesse.

Quando ele apareceu, todos se impressionaram com o estado displicente, mas ao mesmo tempo charmoso dele. Vestia jeans azuis escuros, uma camisa azul de gola alta justa e um blazer leve preto. Totalmente diferente de Harry, com o costumeiro terno escuro, mas nem por isso menos charmoso. Era algo como um “casual chique”. Tudo o que ele punha naquele corpo musculoso e bem feito ficava bem.

— Olá. Eu os chamei aqui, hoje, para comunicar algo muito importante. Construiremos um chip que revolucionará o ramo da segurança industrial. Temos entre nós grandes projetistas, entre os quais Edward Raymonds e Hannah Scharf — ao ouvir seu nome, ela o olhou intensamente, mas ele estava sendo, no momento, profissional. — Tenho em mente um chip cuja construção será muito mais econômica e que será capaz de tornar cofres e portas muito seguras, de tal modo que a capacidade de violação, mesmo com equipamentos captores de senhas, seja mínima. A segurança industrial é algo muito importante, hoje em dia, pois a espionagem está a cada dia dispondo de mais recursos. Grandes empresas faliram por terem seus segredos entregues aos concorrentes. É nosso dever combater a espionagem industrial construindo mecanismos de segurança confiáveis. Tenho em mente os esboços do chip que construiremos. Será usado nos mecanismos que acionam as postas dos cofres de segurança que guardam os projetos e protótipos das empresas, evitando a captura de senhas.

Richard tomou fôlego, pegou um quadro branco e começou a desenhar os esboços de um chip com um pincel atômico. À medida que ele desenhava, Hannah e os outros ficaram impressionados. Todos ali eram engenheiros natos e percebiam a complexidade e “elegância” do chip que Richard estava desenhando. Ele tinha um talento incomensurável.

Quando o desenho ficou pronto e Richard o explicou, ele sentiu um grande prazer ao ver a expressão dos rostos dos funcionários. Eles expressavam assombro, admiração e respeito. Mas um par de belos olhos verdes expressava algo mais... Algo mais que o fez estremecer numa mistura de emoção e desejo. Hannah, que não imaginava que ele a observava, demonstrava, nas brilhantes íris verdes, um grande desejo, muito orgulho... e um amor intenso.

Ao perceber os olhos dourados dele sobre si, Hannah tratou de baixar a máscara de indiferença de novo. No entanto era tarde demais. Ele percebera, no curto espaço de tempo em que ela baixara a guarda, todo o amor que ela evitava expressar.

— Quero que, dentro de um ano, o protótipo desse chip esteja construído. O projeto será dividido entre vocês e eu. Cada um fará a sua parte do projeto e, quando todos tivermos terminado, juntaremos as partes e iniciaremos a construção do protótipo.

Todos aplaudiram. Queriam logo começar a fazer as partes a eles atribuídas e mostrar seu talento ao grande Richard Howzard.

Os engenheiros se levantaram de suas cadeiras, parabenizaram Richard e começaram a se dispersar. Quando Hannah ia saindo, Richard foi até ela e a segurou no braço. A pele dela se arrepiou. Todos já haviam saído, exceto eles dois. A sala começou a ficar sufocante para ela. Sentir o calor de Richard perto de si era muito excitante.

— Gostou do projeto, Hannah?

Ela se virou e o olhou.

— Gostei, sim, Richard. Você tem um talento incrível.

— Não tanto quanto o seu.

— Quer elogios, é?

— Não. De você, só quero beijos.

— Beijos que não terá.

— Faz uma aposta?

— Não brinco com minha vida, Richard. Costumo levá-la muito a sério.

— Eu também costumo, Hannah, no entanto com você tem que ser assim. Parece que é a única forma de conseguir o que tanto almejo: seus beijos... seu corpo.

— De nenhuma maneira você conseguirá isso de mim. Entenda, Richard, eu não te amo!

— Vou fingir que acredito. Por hora.

Richard lhe deu um casto beijo nos lábios e saiu da sala. Hannah se encostou à parede, trêmula, ofegante. Como era difícil! Resistir a Richard estava cada vez mais impossível. Como o amava!

***

Como era sexta-feira, Hannah foi direto para casa. Todas as noites de sexta ela levava Caroline para algum lugar, como um parque de diversões, o cinema ou o teatro, e depois iam comer uma pizza num restaurante que pertencia a uma grande amiga sua, Alice Watson.

Na segunda-feira seguinte, na Austin Security, Richard dividiu o projeto do chip e distribuiu as partes entre os engenheiros. Quando só faltava Hannah receber a parte dela, ele bateu à porta de seu escritório.

— Entre — ela ordenou.

Richard entrou e se sentou na ponta da mesa.

— Olá, Hannah.

— Olá... Richard.

— Vim entregar sua parte do projeto.

— Está bem.

Ele pôs os papéis sobre a escrivaninha, em frente a ela.

— Sexta-feira à noite eu vi você.

Hannah gelou.

— Você... me viu?

— Sim, no cinema. Estava acompanhada por uma garotinha. Pena que estava escuro e não pude vê-la bem. Quem é ela, Hannah?

— Minha afilhada, filha de uma amiga, uma criança a quem amo muito.

— Pelo pouco que pude ver, ela é bonita.

— Sim — ela gemeu.

“Como você”, pensou, amargurada.

— Você realmente parece gostar dela... por que não a traz aqui, para que eu a conheça?

O queixo dela caiu.

— O quê?! Mas... mas você disse que não gosta de crianças! Que elas te irritam e são barulhentas!

— Acho que eu estava sendo muito infantil, naquela época. Já fui criança, um dia. É natural que elas façam barulho e brinquem. Meus irmãos Charles e Paul me brindaram, nesses quatro anos, com quatro sobrinhos. Eu os amo muito. Bem, um dia terei meus filhos e preciso me acostumar, não é?

Um tremor percorreu o corpo de Hannah. Ele... ele gostava de crianças! Queria ter filhos! Sentiu, então, uma grande vontade de chorar de dor e tristeza. Se tivesse confiado e contado sobre a gravidez a ele, hoje Caroline teria um pai, e ela, um marido. Um marido que ela amaria com todas as forças. E hoje estava condenada a não viver ao lado do homem que amava e privar Caroline do amor, presença e carinho de um pai. Pois era muito tarde para voltar atrás. Seu segredo tomara grandes proporções, e ela sabia que Richard jamais a perdoaria por ter escondido a gravidez dele. Tudo teria de continuar como estava. Nada poderia se feito para mudar o passado.

— Hannah?

Ela, então, acordou dos caóticos pensamentos.

— Sim?

— Você ficou muda tão de repente...

— Estava só pensando. Não poderei trazer a garotinha, Richard.

— Por quê?

— Ela não mora aqui. Quase não vem a Austin, mora em Huston.

— Que pena! Mudando de assunto, acha que consegue fazer sua parte do projeto?

— É claro! Sou uma projetista experiente.

— Sei disso. Até logo.

— Tchau.

Quando Richard saiu da sala e fechou a porta, o controle de Hannah desmoronou. As lágrimas começaram a cair de seus olhos, abundantes. Duas pessoas, além dela, sofriam por sua culpa: Richard e Caroline.

— Se eu não tivesse sido tão medrosa, estaria casada com o amor de minha vida há quase cinco anos... Teria meu amado Richard me amando, me protegendo... Caroline teria seu pai... Como mereço o sofrimento, Deus! Estou pagando por minha falta de confiança e pelas minhas escolhas erradas!

Notas finais
Até o próximo, e, por favor, sejam gentis e me diga o que acharam deixando um review!

Bjs da Ana-chan