O Amigo Do Meu Pai

47 Só se você quiser


Notas iniciais
Olá pestinhas do meu coração! Como vão vocês? Eu vou muito bem, obrigada. Até voltei mais cedo, não? Com as férias chegando e provas novamente só no próximo semestre, meu tempo está bem mais flexível. Ou seja, mais postagens e cada vez mais próximo o fim desta temporada. MAS, eu estou bem empolgada com a próxima e espero que vocês também estejam. Esse capítulo é super especial e eu fiz em homenagem a algumas leitoras minhas bem apimentadinhas. Está bem comprido, mas encarem isso como um presente meu a vocês. E para completa-lo, eu queria muito que vocês o lessem ouvindo "Sex on Fire", do Kings of Leon. Comecem a escutar a música a partir do parágrafo em que o nome de Sam está em negrito, ok? Enjoy "Sex On Fire" - Kings of Leon http://www.youtube.com/watch?v=RF0HhrwIwp0 P.S. LEIAM AS NOTAS FINAIS. POR FAVOR.

Chegamos ao hotel após o jantar, se é que poderia ser chamado assim, e subimos direito para os quartos. Sam estava impressionado com minha atitude, mas também irritado. Ele admirava minha coragem por dizer tudo aquilo, além de respeitar minha decisão, porém achava que eu fora muito dura e sonsa com Chris. Eu discordava. Tivemos uma pequena discussão por isso e agora ambos estávamos de bico um com o outro.

O elevador parou no nosso andar e descemos sem falar nada. Seguimos pela bifurcação da direita e paramos cada qual em sua porta. Os quartos, aliás, eram lado a lado. Peguei meu cartão na bolsa e passei no sensor. Ele leu e piscou a luz verde, me permitindo entrar. Entrei no meu quarto ao mesmo passo que Sam entrou no seu. Ambos batemos a porta com mais força do que necessário.

Joguei a bolsa na cama junto ao cartão e comecei a me despir. Botei o vestido num cabine pendurado num carrinho móvel típico de hotel, os saltos em um canto perto e os acessórios em minha maleta. Fiquei só de lingerie e decidi vestir uma regata branca. Tirei o sutiã, jogando-o no carrinho móvel. Peguei minha bolsa e o cartão e botei-os em cima do balcão de madeira em frente à janela. Peguei o controle da TV, desliguei as luzes e deitei na cama, puxando as cobertas e me enfiando abaixo delas. Liguei a TV e comecei a passar os canais. Acabei achando um filme romântico qualquer e deixei. Na verdade, eu não prestava a mínima atenção no filme. Só deixara ali, pois o barulho da televisão diminuía a sensação de solidão. Estava quase pegando no sono quando bateram a minha porta. Abri os olhos preguiçosamente e olhei para a porta com raiva. Revirei os olhos e bufei, jogando a coberta para o lado e levantando enquanto amaldiçoava mentalmente o infeliz que me despertara de meu quase cochilo. Andei até a porta e abri-a de cara fechada. Sam estava de costas, prestes a ir embora, quando ouviu o barulho da porta abrindo e deu um giro, encarando-me.

–Pensei que estava dormindo – Ele comentou calmo.

–Estava — Confirmei seca, sem sorrir.

Ele levantou as sobrancelhas, apoiando o braço na parede. Seus olhos desceram por meu corpo e secaram-me da maneira que ele julgava ser discreta. Seus olhos cravaram-se principalmente me meus seios e coxas. Tossi, fazendo-o voltar a focar meu rosto.

–E então? Por que você me acordou? – Cruzei os braços.

–Minha carteira – Ele disse – Está na sua bolsa – Ele acrescentou após eu levantar minha sobrancelha.

–E você não poderia esperar até amanhã para me incomodar? – Perguntei seca encostando-me ao batente da porta.

–Não, eu vou sair e preciso dela.

Bufei e girei nos calcanhares, entrando no quarto. Sam ficou a porta, na dúvida de entrar se devia ou não entrar.

–Você vai entrar e fechar a porta ou vai deixar todos verem o interior do quarto? – Perguntei sarcástica, indo à bancada.

Ele fez o que sugeri primeiro: entrou e fechou a porta. Ele ficou um tanto acuado em transitar pelo quarto bagunçado e iluminado somente pela claridade da TV.

Peguei minha bolsa e abri-a, encontrando de cara a carteira. Tirei-a e deixei-a de lado, jogando a bolsa na bancada. A bolsa deslizou pela bancada e empurrou o cartão da porta para longe. Se eu não o pegasse, sabia que não me lembraria de onde está depois. Sobrepus-me na bancada, ficando com o tronco deitado nela e as pernas de fora, deixando-me com a bunda empinada. Estiquei o braço e as pontas de meus dedos tatearam o cartão. Após um briga para conseguir pegar o cartão, coloquei-o debaixo da bolsa e peguei a carteira de Sam. Virei-me a ele e não me surpreendi em encontra-lo desviando o olhar rapidamente. Revirei os olhos e andei até ele. Porém, pisei em algo no chão e fui de encontro a ele. Caí sentada no chão, enquanto percebia que pisara no controle da TV que eu provavelmente derrubei quando me levantei da cama.

Sam correu a mim preocupado e eu comecei a rir alto. Era isso que fazia sempre que caia. Sam, ajoelhado a meu lado, olhou-me como se perguntasse qual era meu problema e começou a rir junto. Nossas risadas ecoavam alto no quarto, fazendo companhia ao som baixo da TV. E enquanto elas morriam, um sorriso as tomava o lugar. O olhar de Sam e o meu se encontraram e parei de rir junto a ele, passando a admirar suas íris verdes. Um clima de constrangimento instalou-se no quarto, visto que eu estava somente de regata e calcinha ao lado de um homem que tentava por tudo não olhar minhas pernas. Eu peguei a carteira dele, que caíra ao meu lado, e estendi-a em sua direção. Ele pegou-a hesitante e sorriu sem mostrar os dentes.

–Obrigado – Ele agradeceu.

Sorri da mesma maneira e ele se levantou. Sua mão se estendeu a mim e eu peguei-a, sendo puxada para cima. Porém, a força de Sam foi um pouco demais, pois me levantou e ainda puxou-me de encontro a seu tronco. O choque foi tamanho que se Sam não houvesse segurado em minha cintura, provavelmente desiquilibraria e cairia mais uma vez. Minha palma estava esparramada no peito de Sam e suas mãos envolviam minha cintura firmemente. Levantei minha cabeça baixa para olha-lo e o vi me encarando. Ele soltou minha cintura com uma das mãos e levou-a em direção ao meu rosto. Algumas mechas de cabelo caídas em meu rosto foram afastadas por seus dedos gentis e postas atrás de minha orelha. Sam encarava-me com carinho e certo fervor. Quase como uma atração... Sam acariciou minhas bochechas e sorriu.

–Você não sabe como esperei por isso – Ele sussurrou.

Seus lábios foram e encontro aos seus e os tomaram num beijo de calma urgência. Era como se tivéssemos esperado há muito tempo por isso, mas não queríamos que terminasse logo. Queríamos a perfeição provada aos poucos. A língua de Sam fazia trajetos exploratórios por toda a minha boca, acompanhada por minha língua em um ritmo sem pressa alguma. Seu hálito era refrescante, permitindo-me sentir ainda o gosto do vinho vivo em sua boca. Uma de minhas mãos foi ao encontro dos cabelos de Sam e os agarrou firme, deixando seus fios fazerem cócegas entre meus dedos. A sua mão em meu rosto segurava-me com delicadeza, como se fosse de porcelana, porém a sua mão em minha cintura agarrava-me forte, apertando-a para se certificar que não me iria. Não poderia desejar algo melhor, exceto que o ar não acabasse rapidamente.

Apartamo-nos e ofegamos de olhos fechados. Continuávamos com os rostos pertos um do outro o suficiente para eu poder sentir seu hálito quente bater em minha face. Abri os olhos lentamente e deparei-me com Sam admirando-me. Ele sorriu abertamente para mim e fiz o mesmo. O som da TV era o único ruído além de nossas respirações naquele cômodo. Sam desviou seus olhos por um momento dos meus, passando a olhar meu corpo de cima a baixo. Sua mão em minha cintura desceu um pouco e passou a acariciar minhas coxas desnudas. Puxei seus fios de cabelos ainda em meus dedos e ele levantou a cabeça para encarar-me. Sorri a ele e apontei com a cabeça a cama. Ele sorriu malicioso, entendendo o que insinuava. Fui pega de surpresa no colo por ele e dei um grito baixo, caindo na gargalhada em seguida. Ele sorriu ao som de minha gargalhada e deitou-me gentil na cama. Ele ficou de quatro na cama em cima de mim. Meus braços continuavam envoltos em seu pescoço e meus dedos acariciavam sua nuca.

–Desliga a TV – Pedi baixo quando ele aproximou seu rosto do meu em menção de beijar-me.

Ele afastou-se sorrindo e assentiu. Soltei meus braços de meu pescoço e ele abaixou-se, pegando o controle e desligando a televisão. O quarto caiu na penumbra, uma vez que a única luz nele era a da tela do aparelho. Porém, as luzes do lado de fora da janela eram o suficiente para deixar o cômodo cálido e fazer-nos enxergar o necessário.

Sam voltou a ficar de quatro em cima de mim e nem esperou eu voltar a envolve-lo com os braços.Sua boca pressionou-se macia contra a minha e logo sua língua dançava voraz juntamente a minha. A calma e a gentileza foram deixadas de lado em favor ao desejo e a luxuria. O ar se foi mais cedo do que antes e nos desgrudamos ofegantes. Sam encarou-me e eu fiz o mesmo, vendo sua face no escuro. Meus dedos passaram tímidos pela borda de sua camiseta. Com o consentimento do olhar malicioso de Sam, fui levantando-a. Ele terminou de tira-la e voltou a me abaixar em minha direção. Suas mãos foram firmes a barra de minha blusa e a subiram com pressa. Levantei os braços e deixei que ele mesmo tirasse-a. Assim, fiquei somente de calcinha. Os olhos de Sam queimaram em meus seios fazendo-me enrubescer.

–Isso é injusto – Sussurrei, fazendo-o olhar para meus olhos – Eu tiro uma peça e já fico praticamente nua.

Ele riu baixo e beijou-me com fervor mais uma vez. Seu beijo, porém, não encerrou nossos fôlegos. Sua boca desceu devagar pelo meu pescoço, chupando-o e beijando-o. A língua quente de Sam e seus lábios macios traziam uma sensação gostosa, enquanto uma de suas mãos percorria minha coxa, apertando-a. Sua boca desceu mais, parando em minha clavícula e colo. Mais marcas e chupões que me arrancavam suspiros prolongados. Enviando-me um olhar malicioso, Sam encostou sua boca castamente em meu mamilo. Um beijo suave foi deixado ali, antes que ele começasse a chupar pra valer. Meus dedos em seu cabelo puxavam-nos ao mesmo passo que meus suspiros passaram a verdadeiros gemidos em tom baixo. E enquanto a boca de Sam fazia um estrago em um seio, sua mão massageava o outro. Ele trocou de “brinquedinho” após deixa-lo completamente dolorido e marcado. Fechei meus olhos, jogando minha cabeça no travesseiro. Sam acabou, no bom sentido, com meu outro seio e subiu seu rosto ao meu. Abri os olhos e encontrei seus olhos. Suas pupilas estavam dilatadas pelo desejo e suas íris estavam mais escuras com a pouca luz. Seus lábios beijaram-me, porém mais suave e calmamente. Minha mão livre passou a barra de sua calça e abriu seu cinto. Puxei-a para baixo, sem desgrudar seus lábios dos meus. Quando o beijo terminou, Sam tirou a calça, os sapatos e as meias de uma vez, ficando somente de cueca.

–Agora estamos quites – Sussurrei sorrindo.

–Nem tanto – Ele comentou, fazendo-me levantar as sobrancelhas, confusa.

Ele sorriu e voltou a descer por meu corpo, distribuindo beijos. Ele, entretanto, não se limitou somente aos seios. Seus beijos desceram mais por meu corpo e pararam na barra de minha calcinha. Mandando-me um olhar pra lá de malicioso, ele pegou nas laterais de minha única peça de roupa e as puxou para baixo. A peça deslizou fácil por minhas pernas, fazendo-me nua de vez. Corei com os olhos maliciosos de Sam queimando por todo meu corpo. Cansada de ser só admirada, puxei a cueca de Sam com os pés. Ele olhou-me com as sobrancelhas arqueadas e sorri maliciosa. Entendendo o recado, ele tirou a cueca e meus olhos arregalaram-se. Todas as fofocas sobre o "amigo" de Sam eram verdadeiras. Ainda mais quando ele encontrava-se "empolgado". Sam riu de minha cara e jogou sua peça de roupa longe. Ele subiu em mim e beijou-me nos lábios, fazendo sua intimidade roçar provocativamente na minha.

–Você tem camisinha? – Ele sussurrou contra meus lábios, acabando o beijo.

–Não era você que tinha que ter? – Levantei a sobrancelha.

–No quarto eu tenho, mas eu não sabia que viria aqui e acabaria transando... – Ele respondeu dando de ombros enquanto sorria safado.

–Os caras não andam com camisinha na carteira? – Perguntei confusa.

–As mulheres não andam com camisinhas na bolsa? – Ele perguntou da mesma maneira.

–Em que diabos você viu isso? – Perguntei rindo.

–TV – Ele estalou a língua no céu da boca.

–Anda vendo TV demais – Conclui rindo.

–Digo o mesmo pra você – Ele piscou.

Ri revirando os olhos.

–Bem, eu tomo pílula – Insinuei sorrindo inocentemente safada.

–E eu não tenho DST – Ele deu de ombros, fazendo-me rir.

Deitei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos, suspirando. Ele deu-me um selinho suave, penetrando-me com cuidado. Mordi o lábio inferior. Sentia-me como uma virgem fazendo isso pela primeira vez. As primeiras entocadas foram suaves e calmas, para eu poder acostumar-me com a ideia de tê-lo dentro de mim. Estava há tanto tempo sem sexo que agradeci mentalmente pela gentileza de Sam. Ele aumentou o ritmo gradativamente e agarrei os lençóis ao meu lado na cama, prendendo-os entre meus dedos. Os meus gemidos preenchiam o quarto, divertindo Sam. Recebi um selinho rápido seu antes dele colocar mais velocidade na penetração. Mordi meu lábio inferior enquanto jurava que ele tocava meu útero facilmente. Os lençóis passaram a ser apertados mais fortemente em minhas mãos, assim como passei a gemer mais alto. Senti que estava quase chegando ao orgasmo. Sam também parecia estar se aproximando de seu ápice. Suas mãos em minha cintura, apertando-a mais forte conforme o sexo avançava, eram um indicativo. O nosso ritmo passava a insano e os gemidos já não eram mais controlados. Apertava os lençóis e fechava meus olhos fortemente. Até que um gemido tão alto que poderia ser facilmente confundido com um grito saiu de minha garganta quando...

*

Acordei assustada, sentando na cama num pulo. Estava soada e meu cabelo estava grudando em minha testa e costas. Olhei em volta do quarto e não havia ninguém. Sam não estava ali. Tudo não passara de um sonho. Respirei aliviada, porém nem tanto. Fora um sonho estranho, mas bom. Levantei-me da cama, decida a tomar um banho para livrar-me do suor. Caminhei lentamente ao banheiro pensando no sonho do qual acabara de despertar.

Por que diabos eu transara com Sam? Não que ele não fosse bonito e gostoso, mas ele é meu amigo! Eu poderia ter tido uma queda por ele no passado, mas ter esse sonho logo agora? Não havia sentido claro para mim. Briguei com minha consciência como se brigasse com uma amiga que me irritava insistindo que estava afim de um garoto enquanto despia-me para entrar no chuveiro. Outra esquisitice era onde e as circunstancias que nos levaram ao sexo no sonho. Lembro-me que depois de sair do restaurante com Sam, na vida real, nós discutimos no carro, porém logo voltamos a ficar de bem um com o outro. Acabamos passando a noite no quarto dele, mas assistindo filmes e conversando. Nada de sexo, nada de sussurros provocativos, nada de olhares maliciosos. Exceto pelos que ele dava para minhas pernas desnudas num shorts para deixar-me envergonhada de proposito. E no fim da noite, eu voltei para meu quarto e dormi muito bem. Sem ter transado com meu melhor amigo.

Tomei um banho rápido, pensando no sonho e nos detalhes esquisitos dele. Voltei ao quarto, enrolada em uma toalha para trocar-me, e recordei-me que não trouxera outro pijama. Acabei vestindo uma peça intima qualquer e uma regata básica. Como no sonho. Balancei a cabeça, me livrando desses pensamentos. Mexi em meu cabelo, arrumando-o, enquanto olhava para a cama e concluía não estar com vontade de voltar para ela. E para não ficar naquele quarto e reviver mais o sonho, decidi sair para tomar uma água. Abri a porta do quarto lentamente e saí no corredor a fechando atrás de mim. A escuridão era completa, porém, ao fim do corredor havia uma janela de onde se era possível notar a proximidade do amanhecer. Andei na direção oposta a janela, saindo na pequena sala. Das janelas da sala também era possível ver um céu mais cobalto do que marinho. Dei a volta no balcão que dividia a sala e a cozinha. Peguei um copo em cima do escorredor e abri a geladeira, pegando a garrafa d'água e enchendo o copo. Fechei a geladeira e deixei a garrafa em cima da pia, sentando-me ao lado dela. Tomei um gole d'água e abaixei o copo enquanto balançava os pés e olhava-os fixo.

Tentava ao máximo não pensar no sonho, mas toda vez ele vinha a minha procura. Lembrava-me da maneira que Sam sussurrou a mim, do modo como segurou firme a minha cintura, do gosto e textura de sua boca na minha, dos olhares carinhosos e safados... Arrepiei-me como se tivesse sentido seu toque e balancei a cabeça. Fora um sonho. Somente uma ilusão criada por minha própria cabeça. Uma maneira que meu subconsciente encontrou para dizer o quanto eu estava precisando de sexo. Afinal, por que outro motivo teria um sonho tão erótico assim? E a escolha de Sam para ser meu parceiro no sonho também era simples para mim agora: ele era uma presença masculina constante em minha vida. E não uma queda oculta minha que não admitia nem para minha própria consciência.

Ouvi passos no corredor e voltei minha cabeça para o mesmo. Sam apareceu na sala como se procurasse algo. Ele olhava de um lado a outro e só parou o movimento quando me focalizou em cima da pia da cozinha. Ele andou em minha direção, entrando na cozinha. Sua aparência era de quem não acordara há muito tempo: cabelos extremamente bagunçados e movimentos e postura corporal soltos e lentos. A única coisa que ele não possuía era um rosto inchado e olhos com ramela, indicando, portanto, que ele já lavara o rosto. Ele usava só uma calça de moletom, sem camiseta, o que deixava à mostra suas diversas tatuagens no abdômen trabalhado e o abdômen em si. Engoli em seco, ajeitando minha postura para beber um gole de água e não ter de encara-lo diretamente. Ou o seu tanquinho. Ele parou em minha gente, coçando a cabeça e bocejando.

–Estava te procurando – Ele disse no meio do bocejo.

–Por quê? – Perguntei abaixando o copo e encarando-o.

Não conseguia olhar diretamente para seus olhos, mas tentava ao máximo olhar em seu rosto e não descer os olhos para outras partes de seu corpo. Sam também parecia tentar fazer a mesma coisa: focar em meu rosto ao invés de meus seios e pernas.

–Perdi o sono e fui até seu quarto e você não estava lá, então vim te procurar – Ele deu de ombros.

Sorri sem mostrar os dentes e levei o copo aos meus lábios mais uma vez. Sam pegou um copo no escorredor e encheu-o com a água da jarra ao meu lado. Ele encostou-se ao meu lado na pia. Olhei para a janela do outro lado da sala, vendo o céu clarear mais e o sol começar a nascer alaranjado no Havaí.

–É lindo, não? – Sam perguntou, olhando a janela também.

–Muito – Confirmei olhando fixo ao tom alaranjado que o dia ganhava – Esse lugar todo é lindo, na verdade.

–A Carol sempre dizia, quando vínhamos para cá, que queria se casar aqui – Sam comentou.

–Ela tem bom gosto – Afirmei.

–Tem – Ele concordou.

Voltamos ao silêncio com Sam bebendo de sua água e eu encarando meus pés. Estava um pouco constrangida de estar ao lado dele e o silêncio só piorava, uma vez que as imagens do sonho vinham como flashes.

–Como é ver sua ex se casando com outro cara? – Decidi perguntar para quebrar o silêncio e matar essa pequena curiosidade.

Sabia que ele e Carol eram bons amigos e nada mais da paixão que sentiam restou, mas ainda assim deveria ser estranho você ver a pessoa que você um dia amou entrar na igreja para unir-se a outro.

–Nada de mais – Ele coçou o braço – Eu e Carol somos bons amigos. Não sinto mais nada além de carinho e amizade por ela. Eu estou feliz por ela estar feliz, na verdade.

Concordei com a cabeça e tomei um gole de minha água.

–E você? – Ele perguntou.

Virei-me para ele, confusa, botando o copo vazio na pia.

–Eu o que? – Perguntei.

–Você sempre sonhou em casar aonde? – Ele perguntou curioso.

Ri de sua pergunta, olhando para meus pés.

–Eu nem tenho um namorado e você está me perguntando sobre casamento...

–Não precisa ter alguém pra saber isso, afinal, as mulheres já não começam a planejar essas coisas brincando de boneca com uns seis anos? – Ele perguntou coçando a nuca.

Ri e confirmei com a cabeça.

–Por aí... — Confirmei.

–E então, aonde você planejou se casar quando ainda tinha seis anos?

Suspirei e levei minhas mãos aos meus cabelos, soltando-os agora que já estavam secos do suor.

–Bom... – Mexi no meu cabelo – Eu nunca soube bem se queria casar na cidade, no campo ou na praia. Eu sempre mudava de ideia, no fim das contas.

–Hm, e agora? – Ele perguntou.

–Agora o que? – Me virei para olha-lo.

–Você disse que nunca soube. E agora, você sabe? – Ele cruzou os braços, me olhando.

–Não – Suspirei e fiz uma pequena pausa – Acho que para mim não importa. Desde que eu tenha certeza que estou me casando por amor, que eu amo essa pessoa e ela me ama de volta, não importa aonde será.

–Então você ficaria feliz em casar numa lanchonete engordurada do Brooklyn com só os funcionários e dois clientes de testemunha desde que você e o cara se amassem?

Ri da sua fala e neguei com a cabeça, enquanto ele sorria.

–Não exagera – Pedi.

–Foi você que disse – Ele levantou as mãos para o alto.

Ele desencostou-se da pia e botou o copo junto do meu. Pegando a jarra d'água, ele abriu e fechou a geladeira, guardando-a.

–Você vai ficar aqui ou vai dormir? – Ele perguntou apontando para o corredor na sala atrás dele.

–Acho que vou voltar pra cama – Confirmei descendo da bancada.

Porém, pisei em falso e desequilibrei-me. Não caí ao chão, pois Sam segurou-me. Ele pôs as mãos firmemente em minha cintura e acabei segurando em seu braço. Subi meu olhar a seu rosto e olhei-o. Não pude não enrubescer. Sam sorriu e eu abaixei a cabeça.

–Obrigada – Murmurei agradecida, soltando rapidamente dele e me afastando.

–Não há de que – Ele encolheu os ombros.

Andei em sua frente de volta ao corredor dos quartos, ciente de que os olhos de Sam percorriam minhas coxas e bunda. O sol há essa hora já tinha nascido quase por completo, banhando a casa inteira de luz do dia. Parei na porta de meu quarto e virei-me para Sam.

–A gente se vê mais tarde – Sorri antes de virar-me rapidamente e tocar a maçaneta da porta.

–Hey – Sam segurou meu braço.

Eu virei para ele e olhei-o.

–Está tudo bem? – Ele perguntou calmo.

–Por que não estaria? – Forcei um sorriso.

–Você está um pouco estranha – Ele comentou.

–Eu só tive um pesadelo, só isso – Dei de ombros, engolindo em seco.

–Quer que eu durma com você? – Ele perguntou e eu empalideci, arregalando os olhos na hora.

Sam riu da minha expressão.

–Eu estava brincando – Ele comentou rindo e me soltando.

Aliviada, tentei sorrir para descontrair. Sam parou de rir e me encarou. O sol estava quase posto no horizonte e sua face era iluminada pela luz que entrava pela janela do corredor. Ele olhava-me nos olhos, fazendo-me lembrar de seus olhares no sonho e consequentemente, me fazendo enrubescer. Engoli em seco e abaixei a cabeça.

–Erhh... Boa noite – Desejei.

–Acho que já não podemos dizer isso... – Ele apontou a janela e soltei uma risada pelo nariz.

Voltei a subir os olhos e ele sorriu.

–Bons sonhos – Ele desejou botando as mãos no bolso da calça.

Concordei com a cabeça, mesmo preferindo não ter sonho algum. Sam se afastou em direção ao seu quarto e eu virei-me para minha porta. Porém, não a abri. Uma pergunta me surgira.

–Sam – Me virei novamente, chamando-o.

Ele se virou para mim, já na porta de seu quarto.

–Sim? – Ele perguntou olhando-me.

–Por que você foi ao meu quarto depois de acordar? – Perguntei curiosa.

–Que? – Ele perguntou confuso.

–Você disse que você acordou e foi ao meu quarto, mas como não me achou, foi me procurar – Expliquei – Por que você foi ao meu quarto?

Ele abriu um sorriso e abaixou a cabeça, rindo baixo.

–Bom – Ele levantou a cabeça e molhou os lábios – Eu queria ter certeza que estava tendo bons sonhos.

Abri um sorri, assentindo. Virei-me lentamente para minha porta e abri-a, mas mais uma vez não entrei.

–Você vai aparecer no meu quarto daqui a pouco? – Perguntei a ele, olhando-o de novo.

Sam, que já estava entrando em seu quarto, se deteve e olhou-me. Abrindo um sorriso, ele deu de ombros.

–Só se você quiser.

Notas finais
Antes de tudo... NÃO ME MATEM! Eu sei que muitas de vocês devem estar querendo minha cabeça em uma bandeja, mas se vocês fizerem isso, lembrem-se: você nunca terão uma cena de sexo de verdade entre Sam e Anne. Eu fiz esse capítulo justamente porque muitas leitoras estavam querendo um beijo ou algo mais quente entre os dois. E antes que vocês que pediram incansavelmente venham rebater, permitam-me deixar claro: quando vocês me pediram, em hora alguma, nenhuma de vocês colocou que queria que acontecesse algo DE VERDADE entre eles. Vocês disseram que queriam e não disseram que não poderia ser em um sonho ou algo do gênero. Sim, eu fui e estou má. Enfim, mas eu fiz isso só para vocês perceberem que o beijo entre eles vai rolar sim, mas no tempo certo. Eu sei que é frustrante e uma bosta, porque até eu fico puta da vida quando eu leio uma história e demora para rolar algo entre os personagens. Porém, eles irão se envolver. Isso é um fato. Era só isso que eu tinha a dizer. Espero que vocês não tenham ficado muito bravas comigo por ter soltado o verbo e feito essa maldadezinha com vocês. E espero, acima de tudo, que vocês não fiquem putas ao ponto de largar a fic. É isso. Xoxo