O Amigo Do Meu Pai

48 Achei que ficaria bonitinho em você


Notas iniciais
Olá amores, como vão? Estou de férias, graças a Deus, e tentarei postar mais vezes. Até porque a fic está realmente na reta final. Mais uns quatro ou cinco capítulos e deem adeus a essa temporada. O bom, ao menos, é que a segunda temporada chegará logo e recheada de novidades que os alegrarão e muito. Mas parando de enrolação, aqui está o capítulo que pessoalmente considero fofo. Enjoy

Faltava cerca de três horas ainda para o por do sol, porém nem duas faltava para a cerimonia. Todos os convidados já estavam em seus respectivos chalés arrumando-se, vestindo seus ternos pretos ou vestidos de galas de cores claras, como solicitado no convite. O tapete vermelho onde a noiva atingiria o ápice de sua glória estava estendido perfeitamente sobre a areia da praia. As cadeiras onde os convidados sentar-se-iam alinhavam-se perfeitamente, dando vista ao arco florido aonde os noivos iriam colocar-se sob de mãos dadas, olhando para o padre de costas ao mar de água cintilante e transparente. Tudo isso ao esplendido pôr-do-sol que o Havaí possuía.

Eu finalizava minha maquiagem ao som calmo das ondas baixas que se chocavam no mar. A luz do sol inundava meu quarto e criava sombras sob as mobílias. As cortinas abertas eram balançadas pelo vento. O vestido também esvoaçava preso a um cabide pendurado a porta do armário de madeira rústica. Afastei-me do espelho e admirei minha simples maquiagem. Uma sombra perolada combinada com a minha sempre amiga máscara de cílios e um batom nude discreto. Base e corretivo também estavam presentes, mas tão sutilmente que poderiam ser não citados sem problemas. Dei o toque final que faltava com um pouco de iluminador. Guardei a maquiagem na maletinha, deixando-a em cima da pia do banheiro para voltar ao quarto. A brisa de ar no banheiro era menor em comparação ao quarto, portanto estremeci ao entrar no cômodo. Estava somente de lingerie, diga-se de passagem. Encarei o vestido pendurado no alto, sorrindo levemente. Os vestidos de madrinha eram todos os mesmos modelos, trocando somente a cor. Eram cinco madrinhas, portanto cinco cores de vestido: rosa salmão, azul celeste, verde menta, terra cota e violeta. A última cor fora escolhida para ser a minha. Eu adorara desde o momento que a provei.

Estiquei-me até ficar na ponta dos pés para alcançar o cabide. Peguei-o e estendi o vestido na cama, tirando-o do cabide. Abri o zíper da peça e a vesti com cuidado até estar devidamente no lugar. Porém, precisaria de ajuda para subir o zíper. Segurando a peça na altura dos meus seios com uma das mãos e pegando a barra com a outra, dirigi-me a porta. Abri-a e saí no corredor, batendo a porta de Sam logo após. Ele atendeu quase que instantaneamente. Seus cabelos estavam desgrenhados, os pés descalços, a calça social vestida sem a camisa de par. Seu abdômen trabalhado estava exposto junto às tatuagens que o enfeitavam. Um sorriso se formou em seus lábios a me ver. Sorri também, involuntariamente. Era sempre assim quando via Sam: se um sorria, o sorriso do outro se abria sem nem notar.

–Eu preciso de ajuda com o vestido – Informei-o.

Ele sorriu mais, dando-me passagem para o quarto. Eu entrei, encontrando uma bagunça generalizada. Por mais que a roupa em cima da cama estivesse perfeitamente alinhada, junto com o lençol e cobertor estendido embaixo, o resto do quarto era caos. Sua mala estava aberta a um canto com algumas roupas saindo pela tampa fechada. Bem aos meus pés, uma bota sem par encontrava-se. Em uma mesa de frente a cama, várias folhas de papeis estavam espalhadas junto a um lápis. Seu violão, sempre o acompanhando, estava encostado a um canto entre a cama e a janela, que tinha os vidros e cortinas abertas. Como seu quarto ficava do outro lado, não era possível ver o pôr-do-sol como no meu, porém a brisa ali era mais agradável.

–Meu Deus, o furacão Katrina passou aqui! – Brinquei.

Ele riu baixo e fechou a porta, mesmo não tendo necessidade. Na casa só havia ele e eu e uma vez estando no mesmo cômodo, não vi o porquê de fechar-se a porta. No entanto, também não disse nada a respeito. Adentrei mais o quarto, parando de frente a janela. Sua vista era encoberta por palmeiras e a praça de bancos e mesas de pedra ao centro do circulo de chalés. Senti Sam se aproximar por trás.

–Pode fechar o zíper para mim? – Perguntei jogando o cabelo para frente.

–Claro – Ele concordou.

Ele botou uma de suas mãos gentilmente em minha cintura, aproximando-se um tanto mais. A outra mão foi para o zíper, puxando-o gentilmente para cima. Ele deslizou sem problemas o acessório até ele chegar ao seu limite. Soltei o busto do vestido, e como ele não caiu, passei a mão na lateral da peça, alisando-o e ajeitando-a em meu corpo. A mão de Sam continuava na minha cintura, enviando uma onda de calor morna e deixando-me desconcertada por isso. Virei lentamente de frente para Sam, fazendo-o soltar a mão de minha cintura. Joguei o cabelo para trás e posicionei minhas mãos na lateral do corpo, olhando-o nervosa a procura de aprovação.

–Você está linda – Ele disse olhando-me de cima a baixo com um sorriso abobado.

Sorri largo para ele, botando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

–Você vai...? – Apontei para seu tronco, deixando a pergunta no ar.

Ele olhou-se rindo, subindo os olhos para mim e mordendo os lábios numa cara safada depois.

–Assim tenho maiores probabilidades de arranjar uma companhia a noite... – Ele deu de ombros.

–Que nojo! – Fiz uma careta – Eu não quero passar a noite em claro por nenhuma garota gemendo feito louca, entendeu? – Apontei o dedo a sua cara.

Ele riu, assentindo. Sorri ao observar seu sorriso tão de perto. O jeito que sua boca fina contraia e mostrava seus dentes perfeitos, a linha que se formava em sua bochecha dando a ilusão de uma covinha, a forma como seus olhos fechavam-se numa maneira graciosa... Encontrei-me admirando Sam com um sorriso frouxo nos lábios. Tentei mudar rapidamente de expressão, antes que ele notasse, mas notei ser tarde demais. Ele já havia notado. Sua língua passou por seus lábios, umedecendo-os com um sorriso ao canto da boca. Sem malicia. Seus olhos encaravam os meus. Sorri constrangida, abaixando a cabeça e quebrando o contato visual.

–Eu vou voltar pra meu quarto... Deixar você se arrumar... – Apontei para a porta, olhando-o rapidamente.

–Espera, tem algo que quero lhe dar... – Ele sorriu me segurando pelo braço.

Olhei-o e seu sorriso e seus olhos brilhavam pedindo para que eu esperasse. Balancei a cabeça concordando e ele soltou-me andando até o armário e abrindo-o. Lá dentro, por incrível que pareça, as coisas estavam arrumadas. Sam pegou algo que não pode identificar e fechou a porta do armário. Ele voltou a mim com duas caixinhas na mão. Eram duas caixinhas de joias. Uma era maior e achatada de veludo azul marinho, enquanto a outra era um pouco menor e mais arredondada de veludo roxo. Uma era de colar e a outra de anel ou brincos. Arqueei as sobrancelhas.

–Sam, o que...? – Perguntei subindo os olhos a ele.

–São presentes – Ele me cortou sorrindo, olhando das caixinhas para meu rosto.

–Sam, eu não posso aceitar – Neguei com a cabeça – Devem ter sidos caros e...

Ele riu de minha reação, fazendo-me parar de falar e olha-lo. Seu sorriso era sincero e grande. Reparei na maneira como linhas de expressão de formavam ao lado de seus olhos quando ele sorria. Alguns poderiam achar aquilo feio ou não atraente, mas para mim era exatamente o contrário.

–Não são meus... – Ele explicou – Quer dizer, não os dois.

–Então de...? – Perguntei confusa quando me interrompi e olhei-o.

Ele olhava-me ainda sorrindo, porém minha resposta era dada por seus olhos. Abaixei a cabeça, sorrindo como quem acabou de ouvir uma mentira quando já sabe a verdade: incrédulo e falsamente.

–É do Chris, não? – Perguntei voltando meus olhos a parede.

–É – Ele confirmou.

–Eu não... – Neguei, mas fui interrompida.

–Anne, veja primeiro e depois recuse, tudo bem? – Ele perguntou.

Voltei meus olhos a Sam. Seus olhos estavam ligeiramente mais escurecidos por conta da claridade. Ou falta dela, já que eu estava em sua frente. O verde de seus olhos pedia para mim, de uma maneira firme para que lhe desse ouvidos. Suspirando, concordei com a cabeça, ciente de que era fraca perante os olhares de Sam. Ele abriu um sorriso pequeno e deixou a caixinha maior na cama, ficando com a pequena de veludo roxo. Ele abriu-a virada para mim, revezando seu olhar entre a joia recém-revelada e a minha reação. Foi difícil não arquear as sobrancelhas e impossível de impedir minha boca abrir em um pequeno “oh!”.

A joia era um par de brincos cravejados de diamantes com um quartzo rosa claro em cada brinco. Eram médios, não muito grandes nem pequenos demais. Eram lindos. Não contive meu impulso e estiquei meus dedos para toca-los. Porém, como fogo queimando pele, assim que meus dedos entraram em contato com a joia fria, eu os retirei. O olhar de Sam foi de confusão, mas bastou meu olhar se encontrar com o seu para seus olhos serem compreensivos. Não conseguindo suportar seu olhar, virei-me de costas e observei a janela sem ao menos prestar atenção de verdade na paisagem.

–Chris pediu para eu te entregar – Sam comentou, quebrando o silêncio ruim entre nós – Ele queria que você usasse hoje no casamento.

–Por que ele não veio até aqui entregar pessoalmente? – Perguntei interessada.

–Se ele viesse você iria falar com ele?

Continuei a olhar para a janela, sem respondê-lo.

–Foi o que ele pensou. Foi o que eu pensei – Sam concluiu.

Virei-me de frente a ele. A caixinha, antes em suas mãos, estava fechada em cima da cama. Olhei-a e o olhar de Sam seguiu o meu, pairando ali juntamente. Ele pegou-a e estendeu a mim.

–É um presente. Não pode ser devolvido. Então fique – Sam abriu minha mão e colocou a caixinha nela – Se quiser use, senão, guarde. Chris bem sabia que você poderia não querer usar quando lhe deu.

Fechei os olhos, inspirando fundo e fechando meus dedos ao redor da caixinha com força. Soltei o ar dos pulmões e abri os olhos lentamente. Sam sorria satisfeito.

–Tem mais um presente para você – Sam pegou a outra caixinha de joias – Mas esse é meu.

–Sam, não precisava... – Neguei sem graça.

Minhas palavras, no entanto, se perderam quando a caixa foi aberta. O colar era simples, mas deslumbrante. Era uma corrente que se transformava em flores e folhas e terminava em uma gota de diamante. Discreto e prefeito. Olhei boquiaberta para Sam, que alargou o sorriso.

–Sam, eu não posso. É muito lindo, mas deve ter sido muito caro e... – Neguei com a cabeça, fechando os olhos.

–Anne – Ele chamou-me, fazendo-me abrir os olhos e olha-lo – É um presente. E presente não se recusa nem se pergunta o preço.

Sorri fraco, levando a mão ao colo. Ele sorriu, aproximando-se com a caixinha. Ele botou-a em minha mão, pegando o colar. Ele deu a volta por mim, se postando em minhas costas. Senti um arrepio quando suas mãos afastaram meus cabelos para o lado, botando-os gentilmente por cima de meu ombro. Ele passou o colar por meu pescoço e senti suas mãos roçarem minha pele quando ele tentava fechar o feixe. Ri baixo quando sua tentativa deu sinais de que não funcionaria.

–Me deixa ajudar – Murmurei, levando minhas mãos de encontro às dele.

Ele me passou a corrente do colar e o feixe. Com minhas mãos femininas e delicadas, consegui rapidamente fechar o colar ao redor de meu pescoço. Sam puxou meu cabelo delicadamente de volta as minhas costas, escondendo parte corrente e o feixe do colar por baixo de meus fios. Virei-me de frente a ele, que sorriu e levou a mão ao meu pescoço, ajeitando o colar.

–Eu ainda vou descobrir como vocês conseguem se dar com essas coisas de feixes... – Ele comentou.

–Isso é porque temos mãos delicadas e não enormes... – Comentei sorrindo.

–Isso explica muito – Ele observou rindo.

Ri junto, mesmo não sabendo o porquê. Os sons de minha risada e de Sam ecoaram no quarto, fazendo-me pensar por segundos que não havia som melhor. Quando elas morreram, porém, não senti tanta fata delas: o olhar de Sam, com marcas de expressão ao redor e um brilho que denunciava que o sorriso não era só em seus lábios foram bons substitutos.

–Bem que a vendedora disse que combinaria... – Ele comentou, olhando do colar a meu rosto.

–Por que mesmo eu tinha a impressão de você não o escolhera sozinho? – Perguntei levando as mãos ao pingente e olhando-o estreito, com um sorriso nos lábios.

Ele riu, abaixando a cabeça e passando a mãos nos fios sedosos. Um formigamento em meus dedos surgiu para tocar os cabelos de Sam. Isso era maluquice, sem dúvidas, então fechei minhas mãos em punho para conter-me. Sam levantou os olhos e notou a expressão contraída de meu maxilar. Ele levantou as sobrancelhas e levantou a cabeça, me olhando curioso.

–Está tudo bem? – Ele perguntou.

–Sim – Confirmei, destravando o maxilar e sorrindo mais suave – É que... Eu preciso terminar de me arrumar e você também, então...

–Ah, é... – Ele coçou a nuca, sorrindo constrangido.

–Eu vou voltar... Pro meu quarto – Apontei para a porta, sorrindo da mesma maneira que ele.

–Eu passo lá depois que terminar de me arrumar – Ele comentou.

Concordei com a cabeça e sorri, olhando suas íris claras. Pegando a barra de meu vestido, passei por ele assim que me foi concedido passagem. Meu ombro denudo esbarrou no seu, causando um arrepio em meu corpo a partir daquele ponto. Meus olhos subiram de encontro aos seus. Ambos soltamos risadas baixas, dando-me a certeza que não fora a única a sentir algo. Saí do quarto de Sam, encaminhando-me ao meu lentamente. Entrei pela porta aberta e andei para a janela. Parei de frente a ela, admirando a paisagem. Não mentira quando dissera que o Havaí era lindo. Clichê, mas lindo. A praia tinha areias alvas e mares tão claros quanto, beirando a transparentes. Lembrava-me sutilmente o Brasil. Meu coração apertou-se em meu peito. Quando pequena, minha mãe me levou a diversas praias pelo país, cada uma mais linda que a outra. Lembro-me do cheiro do mar, do som das ondas, da textura da areia entre meus dedos. E lembro-me com mais exatidão ainda do sorriso de minha mãe e da expressão de paz estampada em seu rosto. Involuntariamente uma lágrima rolou por meu rosto.

–Anne, você pode...? – Ouvi a voz de Sam invadir o quarto.

Virei-me rápida a ele, forçando- um sorriso e limpando a lágrima rapidamente. Mas soube pela expressão de Sam e seu olhar que ele vira a gotinha escorrendo por meu rosto.

–Está tudo bem? – Ele perguntou dando dois passos à frente.

Ele já vestira a camisa branca levemente transparente. Suas tatuagens no abdômen e braços eram finos traços visíveis por debaixo do pano. Em suas mãos, duas gravatas se penduravam. Seus pés estavam descalços, assim como os meus.

–Estou – Confirmei, forçando um sorriso maior.

–Anne, você é uma péssima mentirosa – Ele levantou as sobrancelhas.

Ri pelo nariz, abaixando a cabeça com as mãos na cintura. Ele se aproximou um pouco mais e levantei a cabeça quando ele já estava em minha frente. Ele pousou a mão em meu ombro e eu sorri de lado.

–Você sabe que pode me dizer qualquer coisa, certo? – Ele perguntou baixo.

–Até como foi quando um gato do meu colégio me prensou no corredor e...? – Mordi meu lábio inferior.

–Quase qualquer coisa, a não ser que você queira que role pancadaria – Ele interrompeu-me.

Ri baixo e concordei com a cabeça.

–É que eu estava olhando a paisagem e lembrei-me de quando minha mãe levava-me a praias no Brasil – Olhei para o chão, confessando – Eu lembrei-me de como era o vento batendo no meu cabelo, de como minha mãe sorria feliz... Era uma das raras vezes que ela realmente parecia feliz. Plena – Suspirei – Em que ela não parecia cansada e forçando um sorriso para eu acreditar que tudo estava bem.

–Você sente falta dela – Sam concluiu.

–Muita – Levantei meu olhar triste a ele.

Sam me sorriu de lado, triste. Abracei-o suavemente, não querendo amaçar nem sua camisa nem meu vestido. Sam, no entanto, não parecia tão preocupado com isso. Ele abraçou-me sem medo e não me importei. Encostei meu rosto em seu ombro, fechando os olhos enquanto ele afagava meus cabelos. Respirei fundo, inalando o perfume amadeirado de Sam. Seu peito descia e subia no ritmo em que o meu devia, e aos poucos, foi descendo. Afastei-me dele me sentindo melhor e sorri agradecida.

–Então... – Sam afastou-se dois passos de mim – Eu preciso de ajuda sua quanto a que gravata escolher – Ele ergueu as gravatas a mim, mostrando-me.

Olhei-as, pensativa. Uma era de um amarelo canário, estampada finamente, o que a deixava aceitável no máximo. A outra era escura, azul marinho, lisa.

–Bem – Fiz uma pausa, olhando- sorrindo – Eu também tenho algo a você... – Dei-lhe as costas e fui ao guarda-roupa, abrindo-o e deixando Sam confuso atrás de mim.

Peguei uma caixa, posicionada bem a minha frente, e fechei a porta novamente. A caixa era de papel, preta quadrada com um elástico prendendo sua tampa. Era tão leve quanto pena. Voltei a Sam, botando a caixa na cama e afastando o elástico e a tampa. De dentro, retirei uma gravata. Era lisa e da mesma cor de meu vestido. Virei-me a Sam com ela em mãos e ouvi sua risada preencher o quarto.

–Eu vi essa gravata um dia enquanto fazia compras na rua e não resisti – Encolhi os ombros – Achei que ficaria bonitinho em você, além de combinar com meu vestido.

–E roxo vai combinar com meu tom de pele? – Ele perguntou rindo debochado.

–Sam, você é gostoso. Tudo vai bem com você, querido – Pisquei para ele, que riu um tanto mais alto.

Aproximei-me dele e tirei as gravatas de sua mão, botando-as na cama. Passei a minha gravata em seu pescoço e ajeitei-a embaixo do colarinho da camisa. Sam observava-me atento. Dei um nó minucioso na gravata e ajeitei-a. Afastei-me um passo para trás com as mãos no ombro de Sam e observei meu trabalho. De fato, a gravata ficara muito boa nele.

–Eu te disse que ficaria bem – Olhei para Sam sorrindo convencida.

Ele riu baixo, assentindo.

–É, mas só para constar: eu sabia fazer o nó da gravata – Ele sorriu, olhando da gravata a mim.

Encolhi os ombros e sorri de lado, soltando seus ombros.

–Considere uma gentileza – Caminhei ao banheiro.

–Não era do tipo que eu gostaria, mas considerarei – Ele gritou em resposta.

Ri alto, negando com a cabeça. Ou ele estava passando muito tempo com Michael ou era o gene da família aflorando. Peguei meu estojo de maquiagens em cima da pia e olhei-me no espelho. Graças a Deus não borrara minha maquiagem. Ainda assim, retoquei-a por precaução. Mais uma camada de rímel aqui e um acréscimo de camada de batom nude matte ali e achei que estava de bom tamanho. Se passasse mais alguma coisa também, ficaria parecendo uma Barbie atolada em pó. Voltei ao quarto com meus pés tocando o chão frio. Aquilo me arrepiou, ainda que o dia e o clima fossem de ameno para quente.

Sam estava de frente à mesinha embaixo da janela, olhando as coisas sobre ela distraidamente. Suas mãos estavam nos bolsos e seus pensamentos, provavelmente, nas nuvens. O farfalhar suave de meu vestido no chão despertou-o. Ele virou-se sorrindo suave a mim e retribuiu o sorriso.

–Acho que falta algo na sua roupa – Ele observou me olhando de cima a baixo.

–Na sua também: o paletó – Observei indo a minha cômoda e pegando meu gloss.

–Bom, então eu passarei no meu quarto e resolverei o problema de ambos – Ele saiu pela porta, sorrindo.

Revirei os olhos, sorrindo bobamente. Guardei o gloss na bolsinha no banheiro e voltei ao quarto, ajeitando meu cabelo no espelho dentro do armário. As cortinas farfalharam com o vento entrando pela janela e virei-me para observar. Uma brisa fria entrou no quarto, arrepiando-me. Fechei os olhos, mexendo-me desconfortavelmente e voltei a focar o espelho. Meu coração pulou fortemente e soltei um grito baixo quando vi Sam atrás de mim pelo espelho. Virei-me rápida, encarando-o com a mão no peito. Sam ria abertamente e fechei minha cara, brava. Cruzei os braços e Sam se aproximou com as mãos para trás. Seu paletó já estava em seu corpo, lhe caindo muito bem na cor preta em par com a calça.

–Idiota – Murmurei olhando-o irritada.

–Bem que Michael disse que valia a pena te assustar... – Sam comentou sorrindo de canto.

Revirei os olhos. Michael me assustara tantas vezes que com certeza chegara à conclusão de que era uma espécie de hobbie para ele. Ele parou de rir, encarando-me. Continuava de cara fechada e ele se aproximou sorrindo, de maneira a me irritar.

–Eu disse que faltava algo em você... – Ele comentou baixo, tirando as mãos das costas e me mostrando o que segurava.

Era uma coroa de flores do mesmo tom de meu vestido e sua gravata. Eram rosas roxas. Abri a boca, perdendo a minha expressão brava para boquiaberta. Institivamente, subi meu olhar a Sam. Ele sorriu abertamente mostrando-me seus dentes perfeitos. Abaixei meus olhos para a coroa de flores e toque-a, constatando serem de verdade.

–Isso... Foi ideia sua? – Perguntei.

–Por quê? Dúvida que eu possa ter algum senso de estilo? – Ele levantou as sobrancelhas.

Ri, negando com a cabeça.

–Permite-me madame? – Sam ergueu a tiara.

–Claro – Fiz uma leve reverencia, dobrando meus joelhos.

Sam riu e eu me virei de costas a ele. Ele posicionou a tiara em minha cabeça, arrumando com os dedos depois os fios rebeldes. Assim que ele abaixou as mãos, contemplei-me. Era realmente o toque que faltava. Sorri, olhando a Sam pelo espelho. Virei-me para ele, botando as mãos na cintura.

–Então, como estou? – Perguntei sorrindo.

–Se não te conhecesse, diria que como um anjo – Ele sorriu.

–Você me conhece e sabe que eu sou um anjo – Aproximei-me dele, sussurrando com um sorriso malicioso nos lábios.

Meu rosto estava bem perto do de Sam, meu hálito batendo em seu queixo enquanto falava. Sam sorriu da mesma maneira. Jurava ter visto malicia em seu olhar quando meu celular tocou. Afastei-me dele e caminhei a minha cômoda, pegando-o. Era meu alarme.

–Hora do show, baby – Virei-me para ele, após cessar com o toque.

–Pronta? – Ele perguntou se aproximando.

–Estou bem mesmo? – Perguntei olhando para minha roupa.

–Está – Ele confirmou parando ao meu lado, as mãos nos bolsos.

–Você vai me levar no colo? Porque eu não quero sujar meus pés – Fiz biquinho.

Ele jogou a cabeça para trás, rindo. Sorri largo ao som de sua risada.

–Anne, acho que isso é coisa dos noivos – Ele comentou, passando uma mão pelo cabelo.

–Bom, então vamos fazer um pacto – Sorri de lado.

–Desde que não proponha que vendamos nossas almas ao diabo – Ele deu de ombros.

Arregalei os olhos, fazendo o sinal da cruz. Sam riu enquanto eu balançava minhas mãos para frente como se dissesse “saí pra lá”.

–Que horror, Sam! – Comentei fazendo uma careta enquanto ele ainda ria.

–Me desculpe – Ele fez uma reverencia – O que você ia propor? – Ele perguntou sorrindo galanteador.

–Bem... – Passei minhas mãos pelo vestido e olhei-o com as mãos na cintura e um sorriso de queixo levantado – Eu ia propor que se nós não nos casássemos até os quarenta, nós devíamos casar um com o outro.

Sam foi tomado por um acesso de risos, fazendo-me ficar dividida entre o sentimento de sentir-me boba e corar e o de sorrir mais e acompanhar sua risada. Na dúvida, preferi a primeira opção.

–Anne, eu não sei se te contaram, mas infelizmente não falta muito para eu chegar aos quarenta – Ele parou de rir, olhando-me com as sobrancelhas erguidas e um sorriso.

–Eu sei – Confirmei abrindo um sorriso tímido – E como eu sei também que quando eu fizer quarenta, você já vai estar velhinho de bengala, então vamos fazer assim: se você fizer quarenta e ainda estiver solteiro, eu caso com você.

–E você já me perguntou se quero isso? – Ele sorriu, cruzando os braços.

–Claro que quer. Eu sou bonita, sua amiga e qualquer um iria querer levar-me numa festa e ver os amigos encarando-me e babando enquanto dizem que você tem muita sorte.

Sam riu mais.

–Tirando a parte de que qualquer um iria querer arrancar também os olhos e outras coisas dos amigos por estarem olhando para sua mulher e babando – Sam acrescentou dando de ombros.

–Bom, mas ainda assim é você que iria me levar embora ao fim da festa — Sorri de lado.

Sam balançou a cabeça, sorrindo. Ele passou o braço por meus ombros e me conduziu para fora do quarto.

–Você sabe que se fosse minha mulher teria que cumprir suas tarefas como uma, não? – Ele perguntou enquanto andávamos pelo corredor.

–Se com isso você quer dizer sexo, eu sei – Confirmei sorrindo – Me disseram que você não é tão mal de cama...

–Te disseram? – Ele levantou as sobrancelhas, me olhando.

–É... Me disseram que isso ainda sobe – Disse apontando para suas partes intimas e dando de ombros.

–Ainda sobe? – Sam gargalhou debochado – Isso aqui ainda te dá o trato que você nunca teve.

Foi minha vez de gargalhar gostoso.

–Menos Sam – Pedi sorrindo – Como você mesmo disse, você tem quase quarenta.

–Quase quarenta mais ainda dando mais conta do que muito cara ai de vinte – Ele gabou-se.

–Tudo bem – Ri – Na nossa noite de núpcias, nós descobriremos se é pra tanto...

Sam riu, balançando a cabeça.

–A propósito, a tiara foi ideia da Carol – Sam comentou.

–Sabia que era uma ideia muito boa para ser sua – Sorri olhando-o.

Ele sorriu de volta, olhando-me também com seus intensos olhos verdes enquanto saímos ao crepúsculo.

Notas finais
Anne - http://www.polyvore.com/ay/set?id=112850073 E então? O que acharam? Esses dois estão bem fofo um com o outro e essa Anne não para de ter ideia malucas, não? Próximo capítulo, o casamento que aguarda fortes emoções. Xoxo