O Amigo Do Meu Pai

34 Eu disse a vocês que ela era problema


Notas iniciais
Voltei povada! Fiquem felizes! hahahaha. Eu tinha falado que voltaria e cá estou eu, mais cedo do que pensava. Foi mal pela demora, mas vocês sabem do meu bloqueio, além do que eu estava com a semana meio corrida. Mas segunda eu consegui escrever esse capítulo, mesmo sendo duas da manhã. Eu ia postar naquele dia mesmo, mas eu estava muito cansada para revisar o texto, então deixei pra postar ontem, só que tive que sair e não deu tempo. Enfim, cá estou eu com um capítulo que eu até gostei do resultado. Aviso de que esse capítulo é meio maldoso, pelo menos por parte de certo alguém. Enfim, mais uma pancada está vindo para a pobre Anne. Enjoy

Não muito depois de sairmos do hotel, pegamos um táxi e seguimos para um endereço que Sam indicara ao taxista. Não cruzei com muitas pessoas no caminho curto do hotel até o lado de fora, onde havia taxis disponíveis, mas as poucas que vi olharam-me nada simpáticas. Acabamos esquecendo-nos do café da manhã, uma vez que James mandou uma mensagem a Sam dizendo que a reunião tinha sido adiantada para dali meia hora.

Sam sentou-se no banco do táxi e sacou logo seu celular, trocando mensagens loucamente com alguém que não pude, e não estava interessada, identificar. Resolvi então imita-lo, e peguei meu celular também na minha bolsa. Porém, assim que entrei nas redes sociais, arrependi-me. Nelas, era evidente constatar que muitas pessoas viram aquele programa ridículo, ou leram sites de fofoca mais tolos ainda. E pior, acreditaram. Eu era atacada de todos os jeitos por fãs e simpatizantes da banda. Até gente que conhecia male-male a banda decidiu manifestar-se contra mim. Eram tantos nomes hostis, xingamentos de baixo calão, e lamúrias por Chris e Sam, principalmente, que não aguentei nem olhar um décimo do que tinham escrito. Joguei o celular no banco, ao meu lado, e voltei-me para a janela. O celular, ao quicar no banco, fez barulho e despertou Sam. Ele pegou o aparelho e observou a tela meros segundos, já entendo o ocorrido.

–Anne... – Ele chamou-me baixo.

–Nós estamos indo aonde mesmo? – Perguntei, desviando de assunto.

–A um estúdio onde Will e o resto da banda estão – Ele suspirou, respondendo-me e entendendo que eu não queria falar sobre o celular.

Eu concordei com a cabeça e continue a olhar pelo lado de fora da janela.

Era incrível como o mundo continuava a girar, rodar e funcionar normalmente quando, para você, tudo não fazia sentido. Tudo estava errado e de ponta cabeça. Mas mesmo assim as pessoas andavam na rua, seja tagarelando ao telefone enquanto andavam apressadas rumo a reuniões importantes ou rindo e distribuindo sorrisos enquanto andavam na companhia de pessoas importantes a elas, como se nada tivesse acontecido e o mundo fosse o mesmo de ontem. Mas não é assim. Num misero dia, a vida de alguém pode mudar drasticamente. Aquela garota que sempre sonhou em ser mãe pode estar vendo seu filho nascer e tendo o dia mais importante de sua vida, assim como aquele pai amoroso, mas muito recluso a si, pode estar tendo a difícil tarefa de enterrar seu filho. O ponto é que, hoje, no mundo, há tantas pessoas que, num dia, você pode ter passado por pessoas com sentimentos tão difusos entre si que ao fim, você não sabe decidir se há mais pessoas felizes ou tristes no planeta. Hoje, o mundo é tão lotado que não se pode mais deixar ser sensível aos sentimentos alheios, por mais nobre que este gesto possa parecer. Pessoas frias e calculistas sobrevivem mais, enquanto os de bom coração padecem e nos deixam bem antes.

Oh meu Deus, aonde meu discurso foi parar? O meu problema é que não estou suportando ver rostos felizes pela rua, enquanto há olhares severos sendo dirigidos a mim!

–Anne... Anne... – Sam tocou-me algumas vezes, levemente, chamando-me.

–Hm – Balancei a cabeça, voltando a este mundo e me virando a ele.

–Chegamos – Ele sorriu torto, apontando para o lado de fora do táxi.

Olhei e era um estúdio, bem como ele dissera. Ele pagou o taxista e abriu sua porta. Eu imitei-o, pegando minha bolsa e fechando a porta do táxi sem olhar para trás. Andei até Sam e o táxi dispersou-se dali.

–Isso aqui é seu – Sam estendeu-me meu celular.

Eu peguei-o, sorrindo fracamente agradecida, e guardei-o na bolsa. Sam estendeu-me o braço, como um cavalheiro, e eu enrosquei o meu no dele, aceitando novamente com um sorriso fraco de agradecimento.

Entramos no estúdio e demos já de cara com uma bancada e uma secretária atrás dela, controlando a entrada e saída de todos, ao mesmo tempo em que atendia e fazia ligações. Ela levantou a cabeça assim que percebeu a porta sendo aberta e abriu um sorriso assim que viu Sam. Este a cumprimentou com um sorriso também, porém o mesmo não pode se dizer de mim. Assim que ela caiu seus olhos sobre mim, sua expressão se fechou consideravelmente e ela não esboçou nenhum traço de sorriso no rosto, e sim mais algo tendenciado a raiva e desprezo. Isso, acho eu, bastava para se concluir que ela andara vendo fofocas na internet ou TV. Eu tentei ignorar sua reação, só abaixando a cabeça e andando ao mesmo passo que Sam para um corredor logo atrás do balcão da mulher.

Nós cruzamos várias portas e vidros que davam para estúdios, até que no fim deste corredor, Sam fez uma curva e parou em frente à primeira porta a esquerda deste novo corredor.

–Preparada? – Ele perguntou baixo, olhando-me com receio.

Assenti com a cabeça e ele concordou, abrindo a porta lentamente. Assim que a porta toda foi aberta, pude visualizar melhor sue interior. No centro dela, uma grande mesa de madeira retangular se estendia, com várias cadeiras também de madeira em seu redor. Ao canto esquerdo, um enorme sofá de couro e pufes se dispunham, enquanto do lado direito se via uma porta e uma janela de vidro, que davam para um estúdio. Dispostos na mesa estavam Chris, Will e todos os outros componentes da banda: Joshua, Matthew e James. Chris, detalhe, estava de costas à porta.

Contraindo meu lábio inferior, entrei na sala junto a Sam. Todos cumprimentaram-nos acanhados, com exceção de Will e Chris, que cumprimentaram seco e nem cumprimentaram, respectivamente. Eu me sentei ao lado de Sam, que se sentou ao lado de Chris. Com todos acomodados, Wil, se levantou de seu lugar na cabeceira da mesa e apoiou suas mãos na mesa, abaixando a cabeça e fazendo todos prestarem atenção em seus movimentos.

–Bem – Ele levantou a cabeça, olhando de rosto em rosto naquela mesa – Todos já sabem o porquê de estarmos aqui.

Eu engoli em seco, apertando forte com minhas mãos, em meu colo, um lenço que estava amarrado a minha bolsa.

–Há essa hora, a noticia já deve estar em todos os sites de fofocas possíveis ao redor do mundo, e amanhã as revistas de fofoca serão impressas com essa manchete em destaque, em primeira página – Continuou Will, olhando mais para mim e Chris.

Eu me sentia incomodada com seu olhar um pouco severo sobre mim, e abaixei a cabeça quando ele fixou-o por um tempo mais demorado sobre mim. Sam notou isso e se virou com um olhar irado contra o empresário.

–Will, será que dá pra gente falar de uma vez sobre o que a gente vai fazer para tentar consertar isso? – Sam perguntou indo direto ao ponto.

A atitude de Sam fez o empresário desviar o olhar de mim, e assim, comprimir o objetivo que Sam esperava. Os outros integrantes concordaram com a fala de Sam, com exceção sempre de Chris, e Will suspirou concordando.

–Tudo bem – Ele concordou, voltando seu olhar a Chris – E então, Chris?

Chris levantou sua cabeça e olhou para todos na mesa, parando seu olhar em mim. Seu olhar era indescritível, indecifrável. Era um olhar pesado, carregado, que não pude sustentar por muito tempo antes de abaixar minha cabeça e olhar para o lenço retorcido em meu colo. Por mais que não soubesse descrever tim-tim por tim-tim que sentimentos aquele olhar possuía, sabia que nada de bom era: era um olhar muito rancoroso, com certeza. Chris suspirou e voltei a levantar minha cabeça assim que James pronunciou-se:

–O que vocês vão fazer? – Ele referia-se a mim e Chris – O que você sugere Will?

–Bem, com certeza o fogo ainda está muito alto para poder apaga-lo – Will observou, voltando a se sentar – Porém não podemos dar chance de atiça-lo...

–Então o que devemos faze? Marcar uma coletiva e acabar logo de uma fez com essa história? – Joshua manifestou-se.

–Desmentindo tudo isso e botando um ponto final em tudo isso? – Sam levantou a sobrancelha em uma expressão de deboche com desafio.

–Não! – Chris negou prontamente – Não irei desmentir algo que não é a verdade – Ele afirmou categórico, deixando transparecer sua opinião decidida sobre isso.

–Então você sugere que marquem uma coletiva para confirmar tudo isso e eu virar piada? – Manifestei-me pela primeira vez, ressentida pela maneira que ele falara.

Seu tom deixara claro que aquilo era um assunto já decidido, então isso significava mais nenhuma chance para uma possível reconciliação? E a maneira com que falara, também, deixava claro que, para ele, eu era uma página virada. Poderia eu, então, ficar parada quanto a isso? Sou de vidro, mas ainda assim sou humana.

–Bom, marcar uma coletiva para dizer que você tem sangue meu, quando na verdade você é uma impostora, é que eu não farei... – Ele rebateu, olhando-me em desafio e fúria.

Meus olhos marejaram com sua fala. Por mais que essa não fosse a primeira, eu sabia que não seria a última. Eu já devia ter me preparado para isso, afinal eu sabia que hora ou outra seu veneno escorreria sobre mim, mas ainda assim eu era muito tola para crer que ele teria pena de mim e guardaria suas maldades para si. Entreabri minha boca, para rebater sua fala, decidia a devolver também o veneno, quando Sam se pôs na minha frente.

–Querem para os dois? – Ele olhou de Chris a mim, mais severamente para o primeiro – Se vocês continuarem assim, essa reunião vai acabar terminando em porra nenhuma!

Ele apoiou seus cotovelos na mesa e escondeu seu rosto nas mãos, bagunçando um pouco seus cabelos. Ele estava evidentemente estressado. Chris pareceu estra inabalável, enquanto eu só abaixei meu rosto mais uma vez e sequei meus olhos antes que as primeiras malditas lágrimas escorressem.

–Chris – Sam voltou a falar, levantando a cabeça e se recompondo – A gente não vai marcar uma coletiva só para você desmentir a Anne na frente de todo mundo.

–Sam, acho que isso... – Will começou a protestar.

–Não, Will – Sam o cortou rápido – Não podemos fazer isso, afinal não só ela sairá prejudicada, e sim toda a banda. Se ele fizer isso, a banda inteira vai virar piada porque “todos nós acreditamos numa menina de 23 que dizia ser filha de um dos integrantes”.

–Isso é verdade – Concordou Matthew – Nós todos nos queimaremos.

Will e Chris se entreolharam e depois Chris suspirou, se voltando com uma expressão de cinismo e cansaço para todos.

–O que sugerem então que eu faça? – Ele perguntou com um sarcasmo evidente na voz, apoiando a cabeça em uma das mãos apoiadas pelo cotovelo na mesa.

Ninguém disse nada, todos permaneceram quietos. Eu levantei minha cabeça e olhei para Sam, e este me olhava também. Não falamos nada, afinal não precisávamos: ele sabia exatamente o que estava pensando e temendo, assim como eu também sabia o que se passava em sua mente. Ele balançou a cabeça, confirmando entender o que eu queria, e se voltou aos outros presentes.

–Eu acho que deveríamos deixar isso quieto por agora... – Sam sugeriu firme.

–Que? – Will foi o primeiro a se manifestar – Sam, você tem consciência do que está dizendo? Não podemos deixar as coisas quietas sem dizer nada!

–Sam, você acha mesmo que isso é uma boa ideia? — Joshua perguntou antes que Sam responder Will.

–Acho Joshua – Sam afirmou convicto– Nós não podemos marcar uma coletiva nem para desmentir essa merda e muito menos para dizer a todos que é verdade. A melhor opção então é não dizermos nada sobre isso. Deixarmos quieto e agirmos normalmente, como se nada tivesse acontecido.

–Até quando? – James pronunciou-se, inclinando-se um pouco para frente.

Sam não o respondeu, só olhou para mim e depois para Chris. Eu suspirei alto e tomei consciência do que seu silêncio e seus olhares significavam: essa era uma pergunta que somente eu e Chris poderíamos responder.

–Até eu e Chris entrarmos num acordo... – Respondi a James, cabisbaixa.

Voltei a levantar a cabeça e olhei a todos, que nada disseram. Virei-me a Chris e este olhava fixo para a parede. Sua expressão era de total concentração, mas em que ninguém além dele poderia dizer. Ele abaixou sua cabeça e escondeu seu rosto nas mãos, apoiadas na mesa pelos cotovelos. Olhou para o lado, mais especificamente para mim, e encarou-me friamente. Além da frieza, mais nenhum sentimento eu poderia identificar. Porém, sabia que nada de bom eu encontraria ali. Sustentei o olhar o máximo que pude, tentei não vacilar nem lagrimejar, afinal a única pessoa viva que poderia me consolar é a mesma que esta me oprimindo. A sala estava preenchida de uma tensão, tensão esta que só foi desfeita quando seu olhar despregou-se do meu.

–Tudo bem – Ele deu-se por derrotado – Faremos do jeito que Sam disse. Com uma condição.

–Qual? – Sam indagou.

–Eu não vou passar a minha vida inteira afirmando que ela seja a minha filha... – Ele olhou-me com frieza – Eu vou dar um prazo para a poeira baixar...

–E...? – Matthew perguntou após ele não completar a frase e a sala inteira aguardar com ansiedade o encerramento de sua fala.

–Um mês e meio – Ele respondeu levantando-se e apoiando suas mãos na mesa, olhando para cada rosto presente, fixando seu olhar sobre o meu um tanto de tempo a mais que no dos outros – Em um mês e meio, ou Anne conta a todos que não é minha filha, ou eu mesmo faço isso.

E dito isso, ele virou-se e caminhou até a porta, abrindo-a e encerrando-nos lá dentro. Eu olhei desesperada para Sam e este pareceu tão perdido quanto eu. O resto da banda pareceu desconfortável s e chateado, enquanto Will estava num misto de transtorno e falta de direção. Por ele ser o empresário, pensou que seria ele a dar a solução para o problema. Solução esta, claro, que melhor deixa-se seus clientes na fita, e consequentemente, mais me deixasse queimada. Ele também se levantou e olhou para todos, fixando um olhar duro e amargo sobre mim.

–Eu disse a vocês que ela era problema... – Ele concluiu antes de também dar-nos as costas, igual a Chris, e deixar-nos para trás, cada qual com seus pensamentos angustiantes e preocupações.

Notas finais
Aí Chris, sempre tão bom pai! hahahaha. Isso foi muito irônico, eu sei. Mas enfim, capítulo que vem teremos um pouco de descontração antes de momentos tensos para Anne. Já vou avisando que se vocês são do tipo que se emocionam fácil, guardem seus lenços porque os próximos capítulos serão rios de lágrimas. Pelo menos eu, que não me emociono fácil nem escrevendo nem lendo, tive vontade de chorar... Xoxo