O Amigo Do Meu Pai
49 A única coisa
Notas iniciais
O sol estava começando a se pôr no horizonte, avisando a todos que aquela era a hora de iniciar a cerimônia. Os convidados já estavam dispostos em suas cadeiras, o padre esperando no altar com a Bíblia em mãos. Faltava a entrada dos noivos e padrinhos. Carol estava já pronta, dando somente um momento para o atraso charmoso da noiva. Os padrinhos, noivo e pais dos noivos esperavam num chalé perto do lugar da cerimônia. E nesse grupo seleto, claro, estava eu e Sam, padrinhos da noiva. Até hoje achava maluco a ideia de Carol chamar-me para ser sua madrinha junto com Sam. Eu era uma completa estranha a ela e ela dava-me uma honra dessas? Segundo ela, a escolha se devia porque ela não queria escolher entre duas amigas e arranjar briga. Então era uma espécie de plano B. A organizadora entrou no chalé e eu e todos soubemos que era a hora. Um frio se instalou em minha barriga.
–Vamos? – Sam se aproximou sorridente após estar afastado batendo papo com a mãe da noiva.
Abri um sorriso nervoso e assenti. Andei em sua frente para a saída do chalé. A organizadora os buquês das madrinhas em mãos e ia entregando a elas conforme elas passavam. Era o mesmo tipo de flores, mas cada um tinha uma cor diferente condizente com a cor dos vestidos. Quando me aproximei, ela estendeu-me um de rosas violetas. Sorri agradecida e peguei-o, saindo para a praia. Sam veio logo atrás e paramos ao lado dos outros padrinhos, esperando todos saírem da casa. Assim feito, nos viramos para receber as instruções da organizadora.
–Tudo bem, pessoal. É a hora – Ela sorriu juntando as mãos – Estamos todos nervosos, mas lembrem-se dos ensaios. Tudo irá correr bem e essa será uma cerimônia linda de qual todos se lembrarão.
Todos assentiram e fizemos uma fila conforme a ordem de entrada. Na frente, o noivo e a mãe dele. Logo atrás, a mãe de Carol com o pai do noivo. Depois, seguiam-se os padrinhos. Eu e Sam éramos os penúltimos, com a irmã do noivo e um primo de Carol fechando a fila. Sam estendeu o braço a mim e enrosquei-os. Ele olhava-me com um sorriso grande nos lábios, enquanto eu abaixava a cabeça e sorria timidamente. Andamos em direção ao lugar da cerimônia. A banda começou a tocar uma música lenta e típica de casamentos quando os primeiros da fila entraram. O frio em minha barriga havia triplicado.
–Tudo bem? – Sam cochichou em meu ouvido.
Levantei a cabeça e encarei-o. Ele continuava a sorri tranquilo.
–Tudo – Sussurrei, abrindo um sorriso nada convincente.
Sam riu baixo, voltando a aproximar sua boca de minha orelha.
–Relaxa – Ele pediu baixo – Seus ombros estão tensos e pelo seu sorriso dá pra notar que você está nervosa.
Sorri de lado e olhei-o.
–Vou tentar.
Ele sorriu da mesma maneira e voltamos a prestar atenção à entrada. Nós éramos os próximos. Comecei a prestar atenção aos detalhes. Todos, como solicitado no convite, estavam descalços. Os convidados, sentados em cadeiras de madeira pintada de branco, tinham seus pés em contato com a areia. Quem seguia ao altar, do contrário, pisava em um tapete vermelho estendido. Sapatinhos de leite enfeitavam o corredor ao altar em vasos beges. Faixas de cetim off-white dividiam os convidados e o corredor do altar.
Era minha vez e de Sam. Respirei fundo e apertei minha mão no braço de Sam. Pude ver, pelo canto do olho, que ele ampliou o sorriso. Andamos em marcha lenta ao corredor, parando alguns segundos de frente a ele. Começamos a andar pelo tapete. Todos prestavam atenção em nós. Eu olhava para eles com meu melhor sorriso no rosto. Se passava nervosismo ou não, não sabia. O meu aperto ao braço de Sam aumentou no meio do caminho. Ele não deixava de sorrir. O buquê também passou a ganhar mais pressão em minhas mãos. Meu vestido balançava de leve com o vento, em sintonia com meus cabelos. A brisa era ótima. Chegamos ao altar e caminhamos ao lado direito, postando-nos por último na linha de padrinhos. Sam virou o rosto para mim e sorri de lado, afrouxando meu aperto em seu braço e no buquê. Sua expressão era divertida, como se risse da minha bobagem de ter ficado nervosa. Não me contive e abaixei a cabeça rindo sem som. Ele prendeu o riso olhando-me.
–Foi tão difícil? – Ele cochichou para mim.
–Não – Olhei-o, sorrindo sendo verdadeira.
Ele sorriu também e voltamos nossa atenção à entrada da noiva. A marcha nupcial típica iniciou-se e Carol apareceu com seu pai no começo do corredor. Ela estava deslumbrante. Seu vestido era bordado no busto, com cintura império e a saia leve e esvoaçante. Não possuía calda e ela não usava um véu. Invés disso usava uma tiara de flores brancas, como das madrinhas, porém maior. Seus cabelos loiros caiam-lhe soltos pelos ombros, com cachos perfeitos nas pontas. Sua maquiagem era levíssima, a ponto de alguém dizer que só usava um batom rosa claro nos lábios e mais nada. As sardas em seu rosto, ombros e busto eram visíveis. Seu bronzeado sempre em dia também. Olhei para o noivo e notei um sorriso feliz estampado no rosto, assim como um olhar apaixonado. Sorri abobada.
–Olha como o noivo está feliz – Cochichei a Sam.
–É claro que ele está feliz: é o casamento dele – Sam zombou rindo baixo, acompanhando Carol com o olhar.
–Seu bobo – Ri baixo também, batendo em seu braço – Olhe para o noivo.
Sam fez o que eu pedi. Ele desviou o olhar de Carol, que chegava ao fim do corredor, e olhou ao noivo. Suas sobrancelhas estavam arqueadas quando seus olhos miraram-me. Levantei minhas sobrancelhas também, como a perguntar sua observação ou comentário. Ele só ficou mais confuso e balancei a cabeça, sorrindo.
–Veja como ele está apaixonado – Pedi olhando a Sam e depois ao noivo, que descia os degraus para pegar a noiva com o sogro – Veja o amor que emana dos olhos dele. O jeito que ele olha para ela. Como se a única coisa que pudesse completa-lo estivesse ali em sua frente, pronta para finalmente preenche-lo.
O noivo apertou a mão do pai de Carol e ele beijou singelamente a testa da filha, dando sua mão a seu futuro marido. Os noivos se encararam com sorrisos bobos e olhares apaixonados e ele beijou a mão dela antes de ambos subirem o altar. Olhei para Sam e ele encarava-me bobo. Como o noivo encarava a noiva. Corei e abaixei a cabeça, voltando-me aos convidados. Meus olhos percorreram todos até pararem em um em especial. Chris estava disposto no meio da massa, ao lado de Michael e sua nova namorada. A garota era asiática e tinha cabelos compridos e pretos, rindo baixo de algo que Michael cochichava a ela. Chris, do contrário, olhava para os noivos. Sua expressão era séria, mas seu olhar vazio. Sua mente estava longe, eu sabia, e desconfiava que no passado. Fiquei encarando-o e ele virou seu rosto em minha direção. Seu olhar transformou-se em algo como admiração e comoção. Engoli em seco, desviando o olhar ao altar de novo.
A cerimônia ocorreu bem, do jeito que eles planejaram. Um céu cobalto com tons alaranjados e vermelho perto do horizonte banhou-nos quando o padre anunciou que o noivo podia beijar a noiva. Todos aplaudiram o beijo. As mães dos noivos secavam suas lágrimas, assim como alguns convidados. Até eu emocionara-me. Era tudo tão lindo e perfeito, que confesso ter invejado Carol. Sam se virou para mim e sorriu ao ver-me enxugar as gotas que escorriam por meu rosto. Sorri a ele também enquanto abaixava minha mão. Sam levantou seu polegar e enxugou a última lágrima antes que chegasse a meu queixo. Sorri agradecida e viramo-nos para ver os noivos deixarem o altar. Logo atrás deles iam seus pais e os padrinhos do lado esquerdo. Eu e Sam acabamos sendo os últimos a deixar o altar. Eu sorria, sem nenhum nervosismo. Os noivos foram para o chalé, enquanto os outros convidados para o salão.
O salão era enorme. Ficava numa parte elevada da ilha, tendo uma vista do mar privilegiada. Possuía uma varanda enorme que abrangia três lados do salão. Tochas falsas estavam em pedestais espalhados por vários cantos. As mesas eram redondas e tinham toalhas beges por cima de brancas que iam ao chão. Um telão estava montado ao lado da entrada, na única parede que não era de vidro. Arranjos de flores estavam nas mesas, variando o vaso, tipo de flor e cor. Luzes estavam acessas de modo cálido, objetivando deixar o lugar com uma aparência romântica.
–Você vai ter que me guiar pelo salão, porque eu não enxergo nada – Cochichei a Sam, assim que entramos no local.
Ele riu baixo, assentindo.
–Ainda bem que eu tenho visão noturna de vampiro – Ele caçoou me fazendo estapear seu braço aos risos.
Seguimos entre as mesas, procurando a nossa. Achamo-la perto da varanda dos fundos, nem tão distante da mesa principal. Porém...
–Anne – Sam me chamou baixo, fazendo-me olha-lo sorridente — Errrr... Chris e Michael irão dividir a mesa conosco.
Meu sorriso foi morrendo. Não por Michael, pois eu tinha certeza de que daria boas risadas com sua presença. Já Chris...
–Tudo bem – Concordei sem séria.
Eu não poderia mudar a disposição dos lugares, então o jeito era aceitar. Sam assentiu desconfortável e puxou uma cadeira para eu sentar. Sorri forçadamente agradecida e ele ajeitou-se logo depois ao meu lado. Botei o buquê em cima da mesa e alisei o vestido.
–Anne, se você quiser, eu posso pedir pra... – Sam se dirigiu para mim, com a voz baixa.
–Não precisa — Interrompi-o, neutra. Virei-me a ele, sorrindo a contragosto – Eu ficarei bem. Ele é meu pai, no fim das contas. Não?
Sam estreito os olhos, analisando-me. Ele parecia estudar-me, querendo saber o que se escondia por baixo de meu sorriso notavelmente falso. Por fim, sua expressão suavizou-se e ele virou-se para frente, suspirando.
–Desisto de tentar entender as mulheres – Ele murmurou.
Ri baixo, verdadeiramente, balançando a cabeça.
–E eu de tentar o porquê de vocês, homens, ainda pensarem que podem – Contra argumentei.
Sam grunhiu alguma coisa e ri mais uma vez. Dei um beijo estalado em sua bochecha e enfiei minha mão no bolso interno de seu terno. Ele se virou para mim com uma sobrancelha arqueada e sorri pegando meu batom. Ele revirou os olhos e levantei-me, avisando ir ao banheiro. Cruzei o salão, uma vez que o banheiro era perto da entrada. Notei que muitos dos convidados agora calçavam seus sapatos sociais ou seus saltos. Algumas mulheres calçavam sapatilhas claras, como de bailarina: cortesias da noiva, geralmente entregue as mulheres na hora da dança. Cheguei à porta do banheiro e uma funcionária me ofereceu as sapatilhas, guardadas em um saquinho bordado com as iniciais dos noivos. Aceitei e entrei no banheiro. Sentei-me a um sofá na antessala e calcei-as. A antessala era separada do banheiro por uma parede, e possuía um grande espelho em frente ao sofá. A entrada para os boxes e pias do banheiro era ao lado do móvel.
–Vocês viram quem está aí? – A voz de uma mulher irrompeu alta do banheiro.
–O vocalista gato daquela banda. Sam, não é? – Outra mulher respondeu.
Eu, que estava prestes a levantar e entrar no banheiro, impedi-me e permaneci sentada.
–Isso mesmo – A primeira confirmou soltando uma espécie de risinho.
–Ele veio com aquela garota que entrou com ele, né? A de roxo.
–Hm hum. Ela é filha de outro cara da banda – A primeira comentou despreocupada – Dizem que eles estão se pegando.
–Que desperdício! Ele é tão gostoso...!
–Pois é. Não que ela não seja bonitinha, mas ele é muita areia pro caminhãozinho dela.
–E eu aposto que ele tem um equipamento bem grosso... – As duas riram nojentamente juntas. Não me aguentei mais. Levantei-me e entrei no banheiro.
–Ele deve ser muito... – A primeira voltava a falar quando me viu e interrompeu-se instantaneamente, boquiaberta. A amiga, que retocava o rímel, olhou confusa para a outra e seguiu seu olhar, parando em mim e adotando uma expressão igualmente espantada.
Sorri para elas e dispus-me em frente a um espelho. Tirei a tampa do batom e passei-o em meus lábios, ciente dos olhares delas queimando em minhas costas. Voltei a tampar o batom e limpei os cantos da boca com um pedaço de papel. Ajeitei-me um pouco e virei-me para as mulheres, que me olhavam pelo espelho.
–Boa noite – Desejei sorrindo falso.
Caminhei para fora do banheiro e de volta à mesa, de cabeça baixo rindo das expressões daquelas mulheres. Vi Sam a longe, sentado de costas a mim bebendo e rindo com algumas pessoas que desconhecia. Levantei as sobrancelhas. Não seriam Michael e meu pai que se sentariam em nossa mesa com nós? Não dei importância a esse fato e me aproximei-me botando a cabeça na curvatura de seu pescoço.
–Estavam falando de você no banheiro – Cochichei rindo em seu ouvido.
–Isso é novidade – Uma voz completamente desconhecida comentou.
O dono da voz virou seu rosto e percebi que não se tratava de Sam. Era um homem de cabelo loiro escuro, facilmente confundido com o castanho de Sam dependendo da luz; seus olhos eram castanhos escuros, emoldurados por cílios compridos que dariam inveja a qualquer mulher; seu nariz era fino e seus lábios eram levemente carnudos. Ele era bonito, mas não era quem eu procurava. Afastei-me rápido, meu rosto quente e sem dúvidas mais vermelho do que um tomate. Ele soltou uma risada verdadeira e gostosa que me faria sorrir se não estivesse tão constrangida.
–Desculpe-me, te confundi com outra pessoa... – Sussurrei olhando-o de cabeça baixa.
–Acontece – Ele deu de ombros, sorrindo despreocupadamente.
Ele levantou-se da cadeira e parou em minha frente. Levantei a cabeça, encarando-o diretamente. Ele era mais alto do que eu, talvez da altura de Sam. Ele tinha o biótipo atlético e o terno azul marinho que ele trajava caia-lhe tão bem quanto uma luva. Admito que era um homem de tirar o fôlego.
–A propósito, eu sou Lewis – Ele estendeu a mão.
–Anastácia, mas pode me chamar de Anne – Apertei sua mão.
–Muito prazer, Anne – Ele sorriu, pronunciando meu nome com deleito. Soltei sua mão sorrindo constrangida.
–Mas então, falavam bem ou mal de mim? – Ele perguntou e reparei que seus dentes eram perfeitamente bancos, mas com uma lasquinha considerável em um dos incisivos.
–Desculpe, de verdade. Mas é que estava escuro e eu estava de cabeça baixa... – Desculpei-me novamente, botando uma mecha atrás da orelha e falando rápido.
–Tudo bem, acontece sempre. Sabe, eu sou bonitão e costumam me confundir com seus namorados fortões – Ele deu de ombros, fazendo piada. Ri baixo, balançando a cabeça.
–Não era um namorado, era um amigo.
–Bem, é o que todas dizem – Ele piscou.
–Eu não sou todas – Afirmei baixo.
–Concordo. É a primeira que não saí correndo.
Ri mais uma vez. Subi o olhar e encontrei seus olhos esquadrilhando-me atentamente. Mordi o lábio inferior, sentindo minhas bochechas queimarem um pouco mais. Ele riu baixo, provavelmente notando. Quando ria, reparei, uma covinha significativa formava-se em sua bochecha direita. Analisando-o, ele não parecia ter mais de trinta. Ele era bonito, realmente muito bonito.
–Bem, eu acho que eu vou indo... – Apontei para trás de mim, deixando a frase no ar.
–Tudo bem – Ele concordou com a cabeça serenamente – Eu voltarei a te ver por aí, Anne?
–Provavelmente, Lewis – Sorri. Afastei-me sob seu sorriso largo e virei-me de costas para andar sem olhar para trás.
Assim que estava longe e fora de vista, parei. Olhei em volta no salão, procurando a minha mesa de fato. Achei-a, do lado oposto ao que eu tinha seguido. Andei na direção certa, sorrindo bobamente sem saber exatamente o porquê. Sam, o verdadeiro, estava sentado conversando com Chris. Ambos pareciam preocupados. Já Michael e sua namorada eram somente sorrisinhos e cochichos ao pé do ouvido. Chris foi o primeiro a me notar. Ele levantou os olhos e observou-me, sendo seguido curiosamente por Sam, que abriu um enorme sorriso a me ver. Cavalheiramente, ele levantou-se e puxou a cadeira ao seu lado para eu sentar-me.
–Você demorou – Sam observou-me quando voltou a se acomodar.
–Digamos que a culpa é sua – Comentei olhando-o sorrindo. Passei minha mão para dentro de seu blazer para guardar meu batom no bolso. Senti os músculos de Sam, entretanto, enrijecerem quando minha mão fria tocou o tecido fino de sua camisa.
–Anne, não dá para esperar para ir ao banheiro pelo menos? – Michael comentou malicioso. Recolhi minha mão, me voltando a ele e mostrando a língua.
–Eu estava guardando meu batom, tonto.
–Melanie já usou dessa desculpa uma vez – Michael deu de ombros, pegando a taça a sua frente cheia de vinho tinto.
–Quem é Melanie? – Sua namorada perguntou, olhando-o estreito. Ri baixo, acompanhada por Sam.
–Ainda estou curioso sobre como eu a fiz demorar no banheiro... – Sam sorriu, falando baixo somente para mim.
–Bom, primeiro havia duas piranhas falando sobre o quanto você deve ser bom de cama e que eu não mereço suas tais habilidades sexuais incríveis – Comecei calma, pegando minha taça d’água.
Sam levantando as sobrancelhas, jogando a cabeça para trás numa boa gargalhada. Chris fez uma careta e olhei torto a Sam antes de beber um grande gole de vinho. Michael e sua namorada estavam tão envolvidos em uma calorosa discussão em voz baixa que mal olharam. Eu fiquei a observar Sam, bebericando minha taça. Quando ria, todos seus dentes perfeitamente brancos eram expostos e covinhas sutis formavam-se em ambas as bochechas. Sorri involuntariamente.
–E você se meteu num bate-boca com elas? – Sam franziu o cenho, mirando-me com um sorriso.
–Não, sou superior a isso. Eu só apareci no banheiro e elas se calaram, me olhando constrangidas e venenosas – Deu de ombros, abaixando a taça – Mas aí eu fui te procurar para te contar sobre isso e acabei te confundindo com outra pessoa.
–Impossível! – Sam riu convencido.
–Talvez – Sorri arqueando as sobrancelhas – Mas que o cara era lindo... – Suspirei. Sam fechou a cara e Chris fez uma careta, fazendo-me perceber que ele estava de butuca em nossa conversa. Ri da expressão de ambos.
–Ele é bem simpático – Continue para provoca-los, mordendo o lábio inferior – O nome dele é Lewis.
Sam revirou os olhos e pegou sua taça de vinho, bebendo-a. Chris, porém, levantou-se e aproximou-se de mim.
–Anne, eu poderia falar com você? – Ele perguntou em voz baixa, parando ao meu lado.
Virei minha cabeça a ele, olhando-o. Ele tinha um aspecto sério, combinando com seu terno cinza escuro. Seus pés, como da maioria, ainda permanecia descalço. Assenti ao seu pedido e empurrei minha cadeira para trás, levantando-me. Chris indicou-me a varanda logo à frente e segui com ele logo atrás. Virei minha cabeça em direção a mesa por meros segundos e visualizei Sam observando-nos. Ele encorajou-me com um aceno de cabeça e sorri minimamente.
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