O Amanhã é o Hoje
11 Foi certa a decisão? - Capítulo 11
Depois de termos atravessado o Rio, nos deparamos com uma ponte de madeira que nos levaria até o outro lado da estrada. Tivemos que fazer uma longa escalada até chegar a ponte, sem contar que estávamos molhados e que a terra ia grudando na nossa roupa, então eu e Mich estávamos muito sujos, até em consciência, pois tínhamos deixado Anna sozinha com uma fratura exposta.
Pensando bem, não tínhamos o que fazer, além de deixar ela em um estado confortável até chegarmos de Marietta, pois ela não ia sair de lá de jeito algum! Mich deve ter pensado assim também, por que eu fui discordar dele? Ele que tem pensamento rápido aqui, não eu.Só que pra mim, parecia desumano, e se fossemos fazer aquilo, poderíamos nos comparar a uma daquelas coisas, seres sem alma e compaixão.Depois de termos escalado mais ou menos 3 metros de puro barro e com nós dois cheios de feridas, chegamos a ponte. Ela tinha algo de reconfortante, algo prazeroso. O som da natureza abafou os gritos daquelas coisas, pássaros cantando e a água correndo, algo bom depois de tudo isso.No final da ponte, havia uma escada que levava a uma área aberta com assentos e mesas de xadrez, subimos e avistamos uma placa parafusada a uma cabana de madeira vermelha, que indicava as áreas do parque. Isso foi bom para nosso ponto de vista geográfico, já que meu parceiro não sabia onde estava e sequer qual era o nome do parque. Então tivemos que seguir as "ordens" da placa.—Ei! Onde fica a saída do parque?De preferência com saída a estrada.-Disse Mich para a placa.Depois de alguns segundos, o objeto eletrônico respondeu com o maior carisma, tendo facilidade de explicar passo a passo:—Saindo da área de alimentação, pegue o caminho a direita, que os levará aos banheiros. Com entrada ao banheiro, peça ao monitor que os deixe sair pela porta reserva, ele o dará a chave e vocês darão a estrada Northwest Expressway. Obrigada e volte sempre!Mal sabia "ela" que eu não voltaria lá nem se me pagassem uma viajem ao espaço, mesmo aqui sendo um lugar agradável comparado a nosso estado atual, que tem sido um inferno desde que começou. Seguimos as instruções daquela placa, e chegamos a parte onde ela tinha falado sobre o monitor. Mas tem um pequeno probleminha... Cadê o monitor? Ele deveria estar por aqui, né?Ah... eu esqueci, estamos em um mundo todo ferrado, onde pessoas comem outras pessoas..Talvez ele tenha fugido e tenha levado a chave junto..Como vamos sair?—Talvez tenha algo ali, naquela casinha..-Mich disse, apontando a outra cabana de madeira de madeira verde. Talvez para simbolizar as áreas da diversidade do parque?Então entramos na cabana, a porta rangeu quando a abrimos. Parecia uma delegacia com mais janelas. Dois sofás, uma TV de teto quebrada, bebedouro estourado, tapete rasgado ao meio e dobrado, uma mesa, um vidro que passava em volta a mesa e um computador ao chão que estava quebrado.Uma porta dava entrada a câmara onde ficava o monitor, que seria onde o computador estava quebrado.Depois de vasculhar a parte de fora da câmara, que consistia na sala de espera, eu e Mich resolvemos entrar onde ficava o Monitor, a chave poderia estar lá, no chaveiro ou pelo meio das papeladas. Quando chegamos perto, vimos uma daquelas coisas sentadas ao banco, amarrado sobre a mesa e a cadeira, sua cabeça havia batido ao vidro, por isso estava quebrado.—A chave deve estar com ele, vai lá pegar-Eu disse, cochichando.—Nem ferrando, tô com nojo!-Respondeu Mich.—Idiota.-Teve que ser eu. Não adianta discutir com ele. Ele sempre é o certo, e se você é o certo, ao mesmo tempo está completamente errado.Impossível ganhar.Então eu fui, abri a porta de ferro e lá estava aquela coisa...Deitada e amarrada brutalmente, o que era totalmente constrangedor e bizarro. Primeiramente, eu chequei seus bolsos da camisa e vi que aquela pessoa era o Monitor, ele se chamava Jhownny, um nome um tanto quanto esquisito.As chaves não estavam lá, então tive que desamarra-lo para chegar aos bolsos da calça, já que eu esta impossibilitado de me esgueirar pelo corpo dele, eu estava com medo.Depois de solto, o corpo caiu da cadeira, de costas para cima. Eu chequei os bolsos da calça pela parte de trás e também não estavam lá. Virei o corpo de barriga para cima, e vi algo completamente nojento. Todos o seu sistema digestório havia sido retirado, comido e já estava em processo de decomposição, cheirava a peixe morto com sangue e óleo, era horrível.As calças estavam todas ensanguentadas e tive que vasculhar os bolsos da calça pela frente, e infelizmente toquei no sangue, mas eu encontrei a chave.—O-olha... eu achei!-Eu falo, com uma cara de nojo.—Tá, parabéns. Agora vamo vazar, por favor.-Mich agonizou.Eu levantei e quando fui sair pela porta, achei comida de baixo da mesa. Era barras de cereal de chocolate, eu estava com fome e Mich provavelmente estava também. Eu me abaixei de novo e peguei a barra de cereal, neste momento o defunto segurou o meu pé muito forte, eu não conseguia sair.—MICH, FAZ ALGO!
Ele entrou em desespero. Mas logo se recompôs e esmagou a cabeça daquela coisa, então eu levantei e disse:—Vamos sair logo daqui.Saímos da cabana e usamos a chave no portão que nos impedia de ir a Marietta. Quando abrimos, nos deparamos com a bela estrada novamente, só que dessa vez sem o bloqueamento de carros e também..... Sem a Anna.
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