O Amanhã é o Hoje

10 Na estrada - Capítulo 10


Com minha saída de casa, eu senti um remorso de ter deixado a Ray sozinha com a May, mão que eu não confie nela, ou algo do tipo. É que... Eu não quero mais perder ninguém. Já se foram minha mãe e meu irmão, isso não era pra ter acontecido, nossa viagem pra Atlanta era para nós nos divertirmos JUNTOS, mas agora eu entendi o porquê da vida não gostar de união.Ela gosta mesmo é de desafios e de provamento, nada é bom o bastante para esse ser, quando conseguimos algo, é ELA que nos recompensa por "fazer ela satisfeita". Por isso que é tão difícil.

Então eu fui até a caminhonete, haviam 2 pessoas lá, cheguei me apresentando (Claramente) e eles também se apresentaram:

—Oi, me chamo Mich, tenho 23 e sou de Lisboa, Portugal.-Disse o mais alto.

—Oi! Me chamo Anna e tenho 15, sou de Atlanta mesmo.-Disse a baixinha

—Olá. Me chamo Rick, sou do Brasil. Eu não sei bem a minha idade, mas eu acho que tenho 15 também.-Eu disse, no final.

—Entãaaao, você vem com a gente?-Disse Anna, abrindo a porta de trás da caminhonete e entrando.

—Sim, sim. Eu preciso ajudar a comunidade..-Eu disse, entrando na parte da frente.

Com eu entrando em segundo, Mich entrou no banco do motorista, já que ele tinha experiencia como motorista.Saímos da Nova Cidade e fomos até a Peachtree Station, onde nos levaria até a Brookwood, uma estrada que nos levaria a Marietta em pouco tempo, uns 51 minutos.Chegando a Brookwood, vimos diversos carros destruidos e alguns até pegando fogo, as vezes nos perdiamos em meio a multidão de ferro que estavamos nos deparando, mas nada que não pudesse atrapalhar nossa "viagem"

Chegando a Horace E. Tate Freeway 75, Anna chegou a comentar:

—Eu lembro dessa estrada! Aqui foi onde encontrei Chubby, meu cachorrinho. Mas.. Com tudo isso destruido, eu prefiro me fantasiar no passado, do que viver no terror que está hoje em dia.

—É.. isso é bem ruim. Eu lembro das ruas jorrando carros, com as avenidas cheias e bem iluminadas a noite. Eu morava em um predio aqui perto, então eu via isso e eu até gostava...Pena que isso aconteceu.-Disse Mich.

Eles parecem conhecer bem Atlanta, eu vim aqui apenas pra visitar, e FOI SÓ ATLANTA, Marietta nem existia na minha cabeça. Eu ainda tenho esperanças que eu possa voltar ao Brasil. Gostaria de ver meu pai...

Depois de uns 18 minutos de estrada, desviando de carros e não tentando atropelar caminhantes, me deparo com uma fileira de carros em uma ponte que atrapalhava nosso caminha a Marietta.

—Onde estamos?-Anna disse, acordando da sua breve soneca.

—Northwest Expressway, 258.-Disse Mich, com um olhar de desistencia.

—Vamos lá galera! A gente vai ter que parar aqui, mas vamos continuar nossa viagem.. Não podemos parar aqui! Pense na nossa comunidade..-Eu disse, tentando motivar os dois.

Os dois pareceram concordar comigo, eles sairam e eu sorri, falando internamente:"Isso!".Eu então, saí também e fui procurar um atalho, assim como eles. Então eu vi que a resposta estava bem ao nosso lado.Eu percebi que se pulassemos da ponte, não iriamos sofrer dano, já que tem agua em baixo da gente. Então compartilhei minha ideia, e Mich disse:

—Nem fudendo, irmão! Anna não sabe nadar, e eu não posso carregar ninguém, não sei lidar com essa situação.

—Só vamos atravessar, não pular. Vamos ter que pular em umas dessas arvores, descer e atravessar o Rio. Pelos meus cálculos, isso não pode dar errado!-Eu disse, motivando-os.

—Olha, eu concordo com ele. A gente tem que fazer algo, Mich-Anna me apoiou.

Mich bufou, não estava afim de pular em árvores.Então ele brincou:

—Só pulo porque tenho descendencia pele e sangue africano, sou fortão, tá ligado?.

Eu e Anna rimos, e então ela bateu no ombro dele. Estavamos determinados para chegar do outro lado, porque aqueles carros estavam fazendo uma barreira na estrada bloqueando nosso caminho é com certeza o mistério que me deixou mais comovido na minha vida, vai que tinha gente lá? Seria ótimo! Mas enfim.

—VAI LOGO SEU RETARDADO!-Disse Anna, quase matando o Mich.

—PERA, Ô PORRA, EU TENHO MEDO DE ALTURA!-Respondeu o Moreno.

—G-gente, olha pra lá! OLHA O QUE VOCÊS FIZERAM! DOIS IDIOTAS GRITANDO EM UM LUGAR CHEIO DE CAMINHANTES!-E eu por ultimo, comentei. Tinha um monte de caminhantes atras da gente, só tinhamos uma faca pra cada um, não davamos conta de todos. Começaram a sair caminhantes de baixo dos carros também, o que só piorou a nossa situação, pois tivemos que apressar o Mich enquanto matavamos aqueles homens sem alma.

Depois de 2 minutos, Mich caiu na real, nosso grupo corria perigo, e então ele pulou de uma vez nas arvores e caiu bem numa pilha de folhas, eu disse que Anna podia ir primeiro que eu, e que iria ficar defendendo ela aqui de cima. Então ela concordou depois de brigar comigo e dizer:

—Cara, se tu morrer, eu te mato!

Eu ri e continuei matando aquelas coisas desalmadas. Ela então pulou e fez um barulhão, não deu tempo de eu ver, já que né..E então depois de 2 minutos defendendo, vieram 30 e poucos caminhantes na minha direção, não sabia o que fazer. Então, eu tive que tomar uma decisão rapida e prática. Eu pulei de uma altura gigante e fui parar bem na pilha de folhas, então eu me acalmei.

Demorei um pouco pra perceber que estava lá no chão, e também perceber que Anna estava com a perna totalmente quebrada, com o osso pra fora e sem nenhuma disposição pra se locomover, Mich estava tentando ajudar ela mas de nada adiantava. Então ela disse:

—Me deixa, eu sou um peso morto..

Então eu disse que não, que era um absurdo. Mas assim, Mich disse que deveriamos continuar. Eu depois de brigar muito, tive que concordar.Deixamos ela lá, mas nós voltariamos. Então nós adentramos as aguas gélidas do Rio Chattahoochee, rumo a Marietta