Depois de algum tempo, os garotos encontraram um local adequado para fazerem o feitiço de invocação, chamaram desse jeito porque colocariam as pessoas em transe e levariam direto para aquele local. Era uma clareira próxima a gruta que o Léo costumava ir. Já o Léo e o Ruan pensaram em algo mais radical, caso algum deles quisessem usar seus poderes para o mal. Iriam utilizar uma instalação antiga como forma de aprender aqueles que quisessem trilhar um caminho não muito bom.

Tinha se passado dois dias, e os garotos estavam já na clareira, tinham feito algumas fogueiras para que pudessem iluminar o local. O Henry ficou responsável por realizar o feitiço, já que tudo indicava que ele sabia muito bem como operar aquele livro peculiar que levava o nome da família do Léo. Isso era algo que estava intrigando o Léo desde que viu o livro e pôs a mão. Ele sentiu que sabia de onde aquele livro vinha, mas não conseguia explicar. O Leonardo tinha demonstrado como eram seus poderes. Para que ninguém pudesse ver o caminho exato do farol sobrenatural, ele fez todo o local ao redor do acampamento e do farol, ser coberto por uma nevoa densa e escura. Apenas o local estava sem a nevoa.

— Eu acho isso muito útil. – Falou o Ruan sentado em um tronco de arvore.

— Sim, ele consegue invocar neblina, nevoa, seja lá o que for. Numa velocidade tão grande que é ótimo para fugir de uma situação inusitada. – Falou o Gustavo.

— Espero não ter que usar todo o meu potencial em nenhum dos seus campistas, Léo. – Falou o Leonardo – Não quero ir embora deixando uma péssima impressão.

— Falando nisso, como estão as pesquisas de como o mandar de volta para o universo dele? – Perguntou o Léo – Creio que o treinamento dele não será muito longo, como vimos o Henry pode ajudá-lo, ele sabe muito bem como utilizar feitiços.

— Henry, como você sabe tanto sobre magia? – Perguntou o Ruan.

Henry estava sentado no chão, com o livro a sua frente, começando já realizar o feitiço e misturando os ingredientes.

— Digamos que eu venho de uma família que tem uma grande afinidade com a magia. Meus pais são dois dos maiores feiticeiros da geração deles, e dizem eles que eu serei o mais poderoso da minha geração. – Respondeu ele.

— Então quer dizer que você é o mais poderoso da nossa geração. – Falou o Ruan.

— Não, bem longe disso. – Falou o Henry.

— Não entendi então. – Falou o Léo.

— Não precisa entender agora, Léo. Uma hora você irá entender. – Falou o Gustavo.

— O que ele te contou que não me contou? – Perguntou o Léo.

— Na verdade o Henry não me contou nada, mas eu tenho minhas teorias. – Respondeu o Gustavo.

— Vamos parar de falar se não atrapalha o feitiço. – Falou o Henry.

Depois de alguns minutos recitando algumas palavras em um idioma que nenhum dos demais conhecia, Henry se levantou, e junto com ele uma nevoa azul que se espalhou para todos os lados e depois se dissipou.

— Agora basta aguardar que todos eles afetados pela anomalia lunar, irão aparecer aqui. – Falou o Henry.

— Será que demora muito? – Perguntou o Gustavo – Estou com uma fome.

— Você só pode estar de brincadeira. A gente tentando fazer com que as pessoas não se matem e tu pensando em comida? – Perguntou o Léo.

— Típico comportamento de um vampiro. – Falou o Henry.

— Credo, não quero ser um vampiro não. – Falou o Gustavo – Apesar que seria legal viver para sempre.

— Para poder se tornar um vampiro, existe apenas uma opção, creio que no caso desse fenômeno, isso não se aplica, mas a única forma é você morrer com sangue de vampiro no corpo, você volta como um, porem tem uma decisão crucial para fazer, se alimentar de sangue humano e concluir a transição, ou não se alimentar. – Explicou o Henry.

— Então basta eu não me alimentar, caso seja o caso né? – Falou o Gustavo.

— Bom, se você não se alimentar até o sangue sair do seu corpo, você morre. – Falou o Henry. – Por isso é uma decisão crucial.

— Ou seja, matar ou morrer? – Perguntou o Gustavo.

­— Exatamente.

— Mas se existir essa possibilidade, as pessoas não têm sangue de vampiro no corpo, então elas não morreriam se não tomassem sangue, correto? – Perguntou o Ruan.

— Creio que no caso da anomalia, o tempo está ligado com a Lua. Provavelmente as pessoas tem que se decidir até o ultimo dia da Lua cheia. – Falou o Henry.

— Ou seja, eles têm 5 dias. – Falou o Leonardo.

— Mas como eles saberão que são vampiros? – Perguntou o Ruan.

— Eles sentirão um desejo grande por sangue. – Falou o Henry.

— Faz sentido.

De repente eles ouviram passos, e perceberam um grupo de 10 pessoas adentrando o local. Entre eles estava o Vinicius.

— O que estamos fazendo aqui? – Perguntou a Samanta. – Léo? – Ela se espantou – DOIS LEONARDOS?

— Calma, sentem-se. Vamos explicar tudo. – Falou o Léo que começou a explicar primeiramente a anomalia da lua de prata e em seguida explicou quem era o outro Leonardo.

— Você está querendo que a gente caia nesse papinho mesmo? – Perguntou um dos garotos que estava ali. – Eu vou é volta que eu ganho mais.

Foi nesse momento que o Henry fez um movimento de mão, o fogo que estava nas fogueiras saiu delas, e fez um círculo enorme ao redor de todos que estavam ali, fazendo todos se assustarem.

— Okay, agora eu acredito – falou o garoto voltando para o lugar de antes.

— Então quer dizer que nós aqui, fomos afetados pela magia que a lua expeliu e agora temos poderes. Que alguns de nós pode ser bruxo, vampiro ou até mesmo lobo? – Perguntou a Samanta. – Como saberemos a espécie que somos?

— Para os bruxos é bem simples. – Falou o Henry girando a mão.

Uma pequena quantidade de fogo foi até ele e acendeu uma fogueira que estava na frente dele. Depois tinha um recipiente na frente dele, da qual ele moveu a mão mais uma vez e uma boa quantidade de água veio da cachoeira e encheu o recipiente. Depois Henry bateu com o pé no chão e uma boa quantidade de Terra se acumulou na frente dele.

— Como podem ver, cada um de nós, falo em relação aos bruxos, tem ligação muito forte com um dos elementos da natureza. Que são esses, água, terra, fogo e ar – Após falar o último elemento ele girou a mão e uma pequena lufada de vento atingiu todos.

— Mas pelo o que parece você tem ligação com os quatro? – Perguntou o Gustavo.

— Sim, herança dos meus pais. – Respondeu o Henry – E para sabermos quais espécie vocês são, testaremos a opção de bruxo, caso nenhum dos elementos se manifeste com algum de vocês, então vocês de hoje para amanhã começarão a ter uma grande vontade de beber sangue, que no caso seria o vampiro, ou uma grande fúria, que seria no caso dos lobos. – Começaremos pelo Léo.

— Okay. – Falou o Léo indo até a frente dos elementos.

Ele levantou as mãos e se concentrou em fazer um deles reagir, pois ele não queria ser nenhum lobo, muito menos vampiro. Foi quando de repente a água que estava na frene dele, girou em direção a mão direita dele.

— Faz sentido, quando eu o vi pela primeira vez lá no mirante, a água do lago estava flutuando, o poder dele estava manifestando no exato momento que a lua de prata estava no ápice. – Falou o Leonardo.

— Espera! – Falou o Henry.

Em seguida uma bola de fogo saiu de dentro da fogueira e pousou na mão esquerda do Léo. Depois, tanto a bola de água e a de fogo voltaram para seus lugares de origem.

— Quer dizer que tenho dominância de dois elementos? – Perguntou o Léo.

— É o que parece. – Respondeu o Henry.

Aos poucos todos foram testando. Ruan e Gustavo foram um dos que não tiveram nenhum tipo de manifestação dos elementos. Vinicius era ligado ao fogo, alguns outros ligados a Terra, um deles ligado ao ar, e mais alguns a água. Porem a Samanta e um outro garoto não manifestaram ligação com os elementos.

— Então quer dizer que nós quatro somos vampiros ou lobos? – Perguntou a Samanta.

Foi nesse momento que o Gustavo caiu de joelhos no chão.

— Pessoal, não estou me sentindo bem. – Falou ele colocando as mãos no chão para poder não bater o rosto. – Meu corpo.

— O que está acontecendo? O que está sentindo? – Perguntou o Léo se aproximando.

— Está doendo, está muito... doendo. – Falou o Gustavo gritando de dor.

— Fujam, se afastem todos. – Falou o Henry para os outros alunos que chegaram depois. – A gente cuida disso.

Léo, Leonardo, Gustavo, Ruan e Henry ficaram no local. Aos poucos eles perceberam o corpo de Gustavo ir mudando aos poucos, o barulho que vinha do corpo dele parecia de ossos se quebrando, uma pelugem branca tomou conta do corpo dele, e quando menos perceberam, tinha um enorme lobo na frente deles. O lobo olhou para todos eles, mostrou as garras e os dentes. Depois avançou.

— Gustavo, Não! – Gritou o Léo.