O Acampamento - Uma Ultima Vez

8 Capitulo VII - Tentando Não Te Amar


Após ouvir o que o Léo tinha dito, o Gustavo apenas levantou ele, e o colocou contra a parede.

— Espero que não se arrependa depois. – falou ele.

— Prefiro me arrepender do que fiz, do que ficar na vontade. – falou o Léo.

Gustavo o beijou, enquanto se colocava atrás dele.

— Que assim seja, meu bem.

Com cuidado e leveza, Gustavo o penetrou aos poucos. Ele conseguiu algo que o Léo achou que ele não iria o proporcionar. Ele estava fragilizado, tinha recebido uma informação que o deixou triste, e tudo que ele precisava agora era de carinho, e foi assim que Gustavo levou as coisas.

Aos poucos os dois foram criando um momento de leveza entre os dois. O ato do sexo não precisa ser apenas algo carnal, pode ter o sentimento, o respeito e o carinho.

A cada movimento, Gustavo o beijava no pescoço, o tocando lentamente e com cuidado.

— Você merece todo o carinho do mundo, Léo. – falou ele.

Leonardo não conseguia falar nada, estava concentrado em esquecer dos últimos acontecimentos, focado em aproveitar aquele momento, com alguém que estava demonstrando cuidar dele. Porque ele sabe que com o Gustavo era algo além de prazer. Desde que se conheceram um cuidava do outro, independentemente de serem apenas amigos ou não.

Em um momento Leonardo fez ele parar, virou-se lentamente, fazendo Gustavo parar o que estava fazendo.

— Te machuquei? – perguntou ele.

Leonardo apenas respondeu com um beijo doce, lento...

— Vem comigo. – falou o Léo.

Ele começou a andar e saiu de dentro da gruta, indo ate a parte do lago e parando na grama que ficava na beirada do lago. Por fim ele fez o Gustavo sentar na grama, e em seguida sentou-se no colo dele, lentamente, dando continuidade ao que tinham começado. Soltando um gemido suave no ouvido do Gustavo.

— Assim eu me apaixono, Léo. – falou o Gustavo arfando.

Apenas continuaram. Leo o deitou na grama depois de um tempo, bem quando os dois já estavam chegando em seu ápice. E depois disso ele ficou apenas olhando para o Gustavo, que estava com uma feição de vergonha, mas de satisfação.

— Podíamos ter feito isso antes né? – falou o Gustavo.

— Você nunca demonstrou que queria. – falou o Léo.

Leonardo sorriu, saindo do colo dele e entrando na água. Mas foi nesse momento que o Gustavo viu algo estranho. Ele olhou para as costas do Léo enquanto ele entrava na água, viu uma quantidade significativa de água subindo pelas costas dele, não pelo fato do Léo estar entrando na água, mas como se estivesse o envolvendo em um casulo. Como se fossem um só.

— Léo? – falou ele.

Porem o Leonardo mergulhou e depois emergiu.

— Falou algo? – perguntou o Léo.

— Não, nada não, deixa pra lá. – falou o Gustavo entrando na água e indo até ele. Segurando na cintura e o abraçando.

Os dois tinham dormido na gruta, perderam a noção do tempo, quando deram por si, já era bem tarde do dia, tinha passado do meio dia quando os dois chegaram ao acampamento. Leonardo foi direto até o escritório do pai.

— Bom dia pai. – falou ele chegando e sentando-se.

— Boa tarde né? – falou o pai. – Por onde você estava? Fui em sua cabine e não estava lá.

— Tinha saído com o Gustavo. – falou ele. – Enfim, o que você queria falar comigo?

— Queria te parabenizar pelo primeiro mês a frente dos negócios do acampamento. Talvez depois de mais um tempo, você possa assumir de vez. Vamos esperar o acampamento de inverno. Iremos precisar de alguns monitores para nos ajudar.

— Eu vejo se consigo arrumar alguém. – falou o Léo se levantando, porem sentou-se novamente. – Pai, queria te perguntar uma coisa. A mãe do Gustavo está com a gente desde que eu me conheço por gente, correto?

— Sim, ela é fundamental, tanto como pessoa quanto como funcionaria. Posso dizer com toda certeza que, além de você, ela é a única pessoa que eu confio inteiramente durante o funcionamento do acampamento. Sempre tão organizada, prestativa, e isso eu admiro em alguém. – falou ele.

— Eu queria poder retribuir todos esses anos que ela está com a gente. – Falou ele.

— Não seria uma má ideia. – falou o pai dele. – mas o que você esta pensando?

— Porem não seria diretamente para ela, não sei se você sabe, mas o Gustavo tem uma doença genética, que pode, pode não, vai o matar se ele não fizer o tratamento que deve fazer. Porém, o dinheiro que é problema para eles, e acho que para a gente, não seria tão problema assim. Não temos apenas esse negócio, temos outros que dão bastante lucro. Se quiser, pode pegar da minha poupança que eu sei que vocês fizeram pra mim. Eu quero ajuda-lo, quero poder continuar essa amizade que eu e ele criamos. Para ele esse acampamento é como uma casa, assim como pra mim também é. Ele veio ajudar a mãe varias vezes, porque gosta de estar aqui.

— Vamos ver com o banco, mas vamos ajudar sim. E admiro esse seu grande coração que você tem. Mas tome cuidado, muita gente pode se aproveitar dessa sua bondade. – falou o pai dele.

— Eu sei, mas o Gustavo não é assim, ele vem me ajudado bastante, dando ideias e outras coisas. Falando nisso, ele poderia se tornar um membro da equipe, já que ele conhece isso como a palma da mão dele.

Enquanto isso, Gustavo chegava até onde a mãe estava. Era nítido o sorriso dele no rosto.

— Onde você estava Gustavo. – falou ela.

— Eu... – ele gaguejou – Eu... Eu estava por aí.

— Está muito sorridente pro meu gosto. Onde você estava e com quem? – perguntou ela.

— Que chatice, mãe. – falou ele tentando parecer irritado, mas não conseguia – Eu estava com o Leonardo, na gruta.

Ela parou o que estava fazendo e olhou pra ele.

— O que vocês estavam fazendo na gruta?

— N-nada.

— Entendi. – falou ela sorrindo – Usaram camisinha pelo menos...

— Mãaaaaae. – falou ele entrando na cozinha – Isso não é coisa pra se conversar com a mãe.

— Eu aprovo tá, só pra ficar sabendo.

— Tira o cavalinho da chuva, eu e ele somos apenas amigos.

— Amigos... Na minha época, amigos não transavam com amigos. – falou ela sozinha – Geração confusa essa.

Fazia quatro dias que o Leonardo ia até o mirante no fim da tarde e o Vinicius não aparecia. O Pico da neblina, não parecia mais fazer sentido para ele. Ele viu o sol começar a se por, e então levantou. Porem ao olha para uma árvore, tinha um garoto ali. Mas não parecia nenhum dos campistas.

— Olá, Leonardo. – falou o garoto – Não tenha medo, sei que você sabe que não sou um campista, mas eu estou aqui para te ajudar. – falou ele.

— Ajudar com o que? – falou o Leonardo.

— Ajudar aqui. – falou o garoto se aproximando dele e apontando para o coração do Léo. – Ajudar você a conhecer o seu potencial. Vamos sentar e conversar.

Os dois se sentaram no mirante com os pés dentro da água.

— Você já se perguntou porque você ama tanto esse lugar? Digo, o mirante? Você vem aqui desde que começou a frequentar o acampamento. Todo fim de tarde, você vem e coloca o pé na água e fica balançando-o.

— Como você sabe disso?

— Acontece que antes desse ano, você vinha aqui porque tem uma ligação bem forte com esse lugar, mas agora, você vem por causa da pessoa que você gosta, o Vinicius. – falou o garoto olhando para o Léo – Eu sinto muito você saber que ele estava com outro durante esses dias, mas a vida não é fácil. Você não tem culpa de ter se apaixonado por ele, não tem culpa de se sentir rejeitado por ele. Você se sente insuficiente para ele, as vezes até inútil. Mas saiba que você não é nada disso. Você tem dentro de você algo especial que as pessoas deveriam valorizar mais do que apenas aparecia, questões financeiras e afins. Você tem um coração puro, que ama de verdade e que faria qualquer coisa pra ver a pessoa que você gosta feliz. Seja alguém que você ama de forma romântica, seja amigos ou familiares.

Leonardo percebeu que não iria arrancar nenhuma resposta desse garoto, apenas continuou ouvindo.

— Que pessoa na face da terra vai dar uma quantia para alguém que acabou de conhecer, pra salvar a mãe? Que pessoa ajudaria o amigo a se livrar da morte, dando uma quantia alta de dinheiro para ele fazer um tratamento sério? Que pessoa continua apaixonada por outra, mesmo sabendo que não é a primeira opção dela? – perguntou ele.

— Eu... – respondeu o Léo.

— Sim, você. Porque você nasceu com esse dom. Você não tem malícia, você não tem maldade, você apenas tem amor. Você ama, cuida, e quer sempre estar ao lado das pessoas importantes.

O garoto parou, tirou uma pequena folha vermelha de planta e colocou na boca. E começou a mastigar. Os olhos dele tomaram um tom laranja.

— Você acredita em magia? No sobrenatural? – perguntou o garoto.

— Não sei dizer, eu acho que tudo é possível nesse mundo.

— Você aceita uma? – perguntou o garoto dando ao Léo uma das folhas que ele tinha colocado na boca.

— Eu nem sei o que é isso. – falou o Léo.

— Apenas uma erva, não é droga, nem nada do tipo, é natural, vai te ajudar a entender os seus sentimentos, tudo que você quer pra sua vida. Meio que expande sua mente, seus sentimentos mais profundos vêm à tona, assim você saberá o que sente.

— Tá, me dá uma aí.

Leonardo pegou e colocou na boca. Tinha gosto de morando, mas logo ele sentiu um formigamento na garganta, indo até o estomago. A visão dele ficou mais clara, as cores se tornaram mais nítidas, mais brilhantes. Ele conseguia ver no céu, mais estrelas do que o normal.

— Tá pronto pra conversar agora? – perguntou o garoto.

— Sim, estou. – falou o Léo.

— Então conta pra mim, o que te preocupa atualmente?

— Muita coisa. É muita pressão aqui no trabalho, eu não estou pronto pra assumir o comando disso aqui, mas eu tô tentando, pelos meus pais, porque eles sempre estiveram ao meu lado em tudo que precisei, e eles precisam tirar uma folga disso tudo, fazer a viagem que eles tanto querem. Tem o Gustavo também, uma pessoa incrível, que eu não quero que tenha um final trágico. Sabe, eu não tenho muitos amigos, na verdade quase nenhum. E o Gustavo me deu o que eu precisava, uma amizade verdadeira, com quem posso dividir tudo.

— Até o corpo né? – falou o outro sorrindo.

— Tu para com isso, eu estava fragilizado, mas não me arrependo. Até porque é outra coisa que me atormenta, o fato de eu não ser amado. O que adianta ter uns beijos ali, uns beijos aqui e nada ir pra frente? Eu não me sinto amado dessa forma. Me sinto como segunda opção de todos. Eu nunca tinha me apaixonado antes da forma que me apaixonei pelo Vinicius, o erro foi meu, eu sei, eu não culpo e nunca vou culpar ele por nada, mas só achei que pelo fato de eu demonstrar tudo isso, poderia pôr fim o conquistar. Cara, eu gosto ele. Pra caralho. E vou dizer isso na cara dele. Quem sabe eu consigo o que quero ou perco ele de vez.

— Eu acho que você deve desistir dele. Eu sei que o que você sente por ele é verdadeiro, e que você seria capaz de fazer de tudo por ele. Você quer apenas ama-lo, cuidar dele e ver ele sendo feliz, com você. Ele não te merece. Concordo que você tem que falar as coisas na cara dele e seguir em frente. Jogar tudo isso fora. Você merece tanto uma vida que sempre quis, mas acho que uma pessoa que faz isso com outra, não merece os sentimentos dela. Isso você tem que resolver depois, mas vamos mudar um pouco de assunto. Você já ouviu falar da lua de prata?

— Não, nunca ouvi. – falou o Léo.

— Olha pro céu. – falou ele.

Leo não soube explicar se aquilo era uma alucinação ou algo do tipo, mas a lua estava com um tom diferente do normal, um tom metálico, misturado com um azul.

— O que é isso? – perguntou o Léo.

— Uma lenda antiga diz que, durante a lua azul, um fenômeno astronômico, a lua passa por um pequeno abalo sísmico, de onde ela deixa escapar algum tipo de magia que influencia na vida de alguns humanos, transformando-os em alguns seres místicos, como bruxos elementais, vampiros, lobisomens, elfos, fadas e afins. A próxima lua de prata está marcada para amanhã à noite, já que amanhã será o ápice da lua cheia. O perigo da lua de prata é que, além de despertar a magia que já reside em algumas pessoas, alguns conjuradores, assim que são chamados, a lua de prata também concede poderes a pessoas que não nasceram com magia, e que podem não conseguir controlar isso corretamente, e isso pode ser um grande problema.

— Você acredita nisso? – perguntou o Léo.

— Saberemos amanhã. – O garoto virou o rosto para trás – Acho que tem alguém vindo. Não fala nada, você não está em condições de falar nada.

Leonardo olhou pra trás e viu o Vinicius se aproximando.

— Oi vida, te encontrei. – falou ele.

— Vida? – perguntou o Léo olhando nos olhos dele.

— Sim, o que você faz aqui sozinho?

— Eu não estou sozinho, estou com o...

Leonardo olhou para o lado e não viu ninguém. E ele por fim voltou a olhar para o Vinicius.

— O que você tem, seus olhos estão diferentes. Você usou droga, Leonardo? – perguntou o Vinicius.

— Não, eu não usei e mesmo se eu tivesse usado, o que você tem a ver com isso? – falou o Léo se levantando.

— Porque você está falando assim comigo? Eu não esperava isso de você.

— Engraçado você falar que não esperava isso de mim. Me diz ai sabichão, o que você esperava de mim? – falou o Leonardo.

— Você é uma pessoa educada que sempre tratou todo mundo bem. – falou o Vinícius.

— E continuo sendo essa pessoa, mas com que merece, não com as pessoas que escondem, possivelmente mentem e que não tão nem aí pros sentimentos das pessoas que querem o bem delas. – falou o Leonardo se levantando.

— Do que você está falando? – perguntou o Vinícius.

— Olha Vinícius, a verdade é que você não me deve satisfação de nada, mas a única coisa que eu tinha pedido pra você era que não me escondesse nada. Mas todo mundo está sabendo de você e do Felipe. E olha, parabéns, espero muitas felicidades entre os dois. Eu so queria mesmo um pouco de sinceridade da sua parte. – falou o Leonardo.

— Não é o que você está pensando, eu posso te explicar. – falou o Vinicius.

— como eu já disse, eu não pedi nenhuma explicação, até porque você não me deve nenhuma explicação. Eu só te falei uma coisa, "Sem mentiras", não me conte mentiras então. – falou o Léo.

— Então porque você está assim? – perguntou o Vini.

Não fala nada Leonardo, você não está em condições, poderá acabar falando algo que não queira. — Leonardo ouviu uma voz na mente dele.

— Porque eu gosto de você pra caralho. – falou o Léo. – Desculpa, mas é a verdade. Não tô pedindo pra namorar comigo, nem nada do tipo, só queria um pouco de você enquanto estiver aqui. Mas parece que eu não sou bom o suficiente pra você. Sou sempre a segunda opção de todos. Seja em relacionamento, seja em amizades. Ninguém nunca me escolhe primeiro. Parece que eu não existo.

— Isso não é verdade Leonardo. – falou ele – Eu também gosto de você.

— Não, não é a mesma forma. Você me vê como eu te vejo? Não vê.

— Eu não sei dizer...

— Sabe sempre que você me chama eu estou presente. Esses dias que não te vi aqui no mirante era como se eu tivesse perdido alguma coisa dentro de mim. Eu só queria esquecer esses sentimentos, deus sabe como eu tô tentando, mas ainda não foi criada uma pílula ou poção que faça isso, estou morrendo de vontade de esquecer tudo. Deus, como que queria. – falou ele.

— Você não está falando coisa com coisa, vamos, precisa dormir e ser desintoxicado.

— Porque preciso ser desintoxicado, já que não usei nenhuma droga? Pode ser que essa decepção seja a droga, mas com o tempo isso vai passar. Eu so estava aqui, conversando comigo mesmo e uma voz sussurrou no meu ouvido. Por isso agora eu estou assim, e agora estou numa vontade de dizer que tentar não te amar foi o máximo que eu conseguir fazer. Eu quero não precisar de você. Mas as vezes não sei o que acontece comigo que u não consigo. Como diz uma musica que eu gosto muito, tentar não te amar, só me faz te amar cada vez mais.

Foi nesse momento que a visão do Léo se tornou embasada, escura e logo em seguida ele perdeu os sentidos.