O Acampamento - Uma Ultima Vez

9 Capitulo VIII - O Visitante


Assim que viu o Leonardo desmaiar em sua frente, Vinícius o pegou no colo e o levou até a cabine dele. Chegando lá o Gustavo estava se preparando para dormir, mas ao ver o Leo naquela situação, imediatamente pulou da cama e o colocou na cama dele.

— O que aconteceu com ele? – Perguntou o Gustavo.

— Eu não sei. – Falou o Vinícius que aparentemente parecia estar preocupado. – Assim que cheguei no pico, ele estava completamente alterado, não estava falando coisas com coisas.

— Deve foi o único jeito que ele achou de esquecer que tu deixaste ele três dias te esperando para ficar com outro. – Falou o Gustavo – Ele teve que recorrer à alguma droga, só para aliviar um pouco o sentimento de rejeição.

— Eu não...

— Não precisa mentir para mim, se for falar alguma coisa, é melhor ficar calado, sair pela porta, que eu vou cuidar muito bem dele, não precisa se preocupar não. – Falou o Gustavo.

— Está bem, só cuida dele por favor. Eu não mereço as coisas que ele fez por mim.

— Eu poderia até concordar, mas você realmente não está dando o valor que o Leonardo gostaria de receber de você. Só pense um pouco sobre todas essas atitudes que você tem com ele. Ele nunca te pediu nada que fosse impossível, pelo contrário, é bem possível. – Falou o Gustavo enquanto o Vinicius saia pela porta. – Seu boçal.

Assim que Vinícius saiu pela porta, Gustavo foi até o guarda-roupas e pegou alguns cobertores e colocou nele, estava esfriando. Ele sabia que tinha que deixar o Leonardo deixar as toxinas sair do seu corpo até voltar ao normal, então nada que ele fizesse iria resolver.

— Dorme bem, tá? – Falou o Gustavo dando um beijo na testa dele.

Gustavo ficou o observando da cama dele, até que pegou no sono. Estava tão cansado que só acordou no outro dia com o despertador do Léo tocando. Quando olhou para a cama, Leonardo estava sentado olhando para ele com cara de que não estava entendendo muito bem.

— Como eu vim parar aqui? – Perguntou ele.

— Você usou drogas, Leonardo? O que você tinha na cabeça? – Perguntou Gustavo.

— Drogas? Não, eu não usei drogas. – Falou ele – Eu estava no mirante, olhando para o lago. – Ele tentava buscar as coisas na cabeça. – É, verdade, aí apareceu um garoto, ele não aprecia ser um campista. Começou a falar algumas coisas, ele sabia muito sobre mim, até demais. Começou a falar sobre o Vinícius e tal. Foi então que ele me deu uma folha, era algo natural, depois disso não lembro de mais nada.

— Esse garoto te drogou, Leonardo. – Falou o Gustavo – Imagina os planos maléficos que ele tinha para ter feito isso.

— Não acho que algo desse tipo poderia acontecer. – Falou o Leonardo. – Mas enfim, preciso de um banho e ir fazer as coisas do acampamento. Hoje é dia de trilha e mostrarei os locais para os que querem ir na trilha.

— Vai lá e vê se não faz besteira. – Falou o Gustavo levantando.

Mas ele viu o Leonardo indo até a direção dele e o pegando pela cintura.

— Sabe ... – Perguntou o Leonardo.

— Mano, não. – Falou o Gustavo, mas deu para perceber que não era exatamente as palavras que ele queria que saíssem de sua boca. – Você está fazendo isso só por causa do Vinicius.

— Não mesmo. – Falou Leonardo dando um beijo nele.

O corpo do Gustavo reagiu quase que instantaneamente. Foi então que Léo o jogou na cama e subiu por cima dele. Tirando a camisa e em seguida todas as outras roupas.

Alguns minutos depois, os dois saíram pela porta da cabine, cada um seguindo uma direção diferente. Enquanto Leonardo seguiu para a direção do escritório onde tinha o microfone para falar com o acampamento inteiro, Gustavo foi em direção ao refeitório onde a mãe trabalhava, já preparado para as perguntas da mãe referente o caso que ele e o Léo estavam tendo. Ele pode enganar quem quiser, exceto a mãe.

Assim que chegou no escritório, Leonardo pegou o microfone e ligou.

— Bom dia campistas. Queria avisar que depois do café-da-manha, teremos a programação da nossa trilha. Os interessados devem seguir até a clareira nos fundos do acampamento, eu os guiarei na tarefa de hoje. Os demais que não forem, tem as demais atividades para serem feitas. Peço que sejam responsáveis e tenham disciplina enquanto eu não estiver no acampamento. – Ele fez uma pausa, pois tinha falado isso inocentemente como uma espécie de indireta – Aguardo a todos.

Depois disso, Leonardo foi direto para o refeitório e sentou-se numa mesa que estava vazia. De longe ele via o Gustavo chegando de um lado, e percebeu de longe que parecia que o Vinicius também estava vindo em sua direção. Gustavo olhou e percebeu o mesmo. Ele queria impedir que o Léo tivesse mais algum desentendimento no dia de hoje, portanto apressou o passo e sentou-se na mesa junto com o Léo, o que fez Vinicius sentar-se em uma mesa próxima.

— Eu não vou poder ir na trilha, então peço que você se cuide, está bem? – Falou o Gustavo. – Preciso ir numa consulta com minha mãe na cidade, até o fim da tarde ou começo da noite estarei de volta.

— Está bom, você vai ficar bem, pode ter certeza. – Falou o Léo.

— Mas me espera, eu volto rapidão para a gente fazer umas coisas. – Falou o Gustavo com um sorriso no rosto.

Leonardo percebeu que ele tinha dito isso na intenção do Vinicius ouvir, já que ele estava na mesa ao lado. Talvez ele tenha ouvido, mas para o Gustavo, o Vinícius não iria se importar com isso. Ele podia fazer o que quisesse com quem quisesse, talvez o Leonardo devesse fazer o mesmo.

— Está bem, e o garoto que você conheceu no mirante, ele está por aqui? – Perguntou o Gustavo.

Isso realmente foi sem nenhuma intenção de atingir alguém. Ele perguntou para saber se o Leonardo não tinha alucinado com a droga que tinha usado.

— Bom, não. Verifiquei todos os registros vindo para cá e não achei ninguém parecido com ele, até mesmo ele falou que eu sabia que ele não era um campista. Será que eu too ficando louco? – Falou o Léo.

— Uma hora ele irá aparecer novamente e será aí que tu vais aproveitar e descobrir tudo. Pelo menos ele é bonito?

— Sim, muito. Mas, credo – falou o Leonardo com uma espécie de sensação repulsiva na mente – Algo me diz que pensar nele dessa forma seria muito, muito errado. Meio que parece que eu o conheço.

— Você que sabe. – Gustavo se levantou.

Depois disso, Leonardo seguiu até o local de encontro que tinha marcado com os outros jovens. Assim que todos chegaram, Leonardo percebeu que o Vinícius estava com os demais. Leonardo ainda achava que já fazia cinco dias que o Vinicius não o procurava. Ele esqueceu de tudo da noite passada depois que comeu aquela folha.

Depois de um dia de trilha, eles retornaram para o acampamento. Leonardo deu o dia como finalizado e todos seguiram para suas cabines, para seus banhos e para o jantar, enquanto ele foi para o mirante novamente. Logo a noite caiu e ele ficou observando a lua, ela estava mais brilhante que o normal. Um tom prateado que ele nunca tinha visto antes.

— Está na hora, Leonardo. – Falou o garoto para ele, o mesmo da noite anterior.

— Eu jurava que você era uma alucinação minha, mas pelo jeito não é. – falou Leonardo – Como você se chama?

— Eu me chamo Henry, pode ter certeza que sou muito mais que uma alucinação.

Nesse momento Leonardo sentiu um impacto invisível vindo do céu. Como se um sopro viesse em direção a Terra.

— O que está acontecendo? – Perguntou o Leo.

— Está na hora. – Falou o garoto.

Leonardo sentiu um impacto maior, que fez até a água do lago reagir com uma certa ondulação. Leonardo olhou para o céu e viu começar a chover, mas logo percebeu que aquilo não era água, era uma espécie de neve transparente e que não molhava. Sentia uma sensação estranha adentrar o corpo dele. Em seguida uma dor insuportável que fez ele cair no chão, sem conseguir falar, só sentia a dor, como se seus ossos estivessem sendo quebrados aos poucos.

Ao tentar se levantar ele voltou a cair novamente e sentiu seu corpo flutuar, olhou para o lago e a água do lago estava flutuando, como se fosse leve o suficiente para descolar da cratera que a mantinha ali. Ele ouviu uma espécie de raio atingir uma parte da grama um tanto distante do lago. Uma esfera elétrica apareceu, e alguém foi jogado para fora da mesma que desapareceu em seguida. Leonardo viu a pessoa começar a correr depois de alguns segundos, em direção a ele. Ele tentou pedir por ajuda, mas eu corpo parou de flutuar.

— Você precisa de ajuda? – Leonardo ouvir a pessoa falar, mas não conseguia responder.

— Não, ele não precisa de ajuda, faz parte do processo – Leo ouviu o Henry falar – Mas que diabos está acontecendo aqui?

Nesse momento o Leonardo ia se virando e olhou para o outro garoto, era ele, ele estava bem a frente dele mesmo. Até que ele perdeu os sentidos de tanta dor, e desmaiou.