Tinha ocorrido com sucesso o dia dos esportes e todos aproveitaram o máximo que puderam. Leo e Gustavo tinham participado de um time de vôlei, e conseguiram chegar à final e ganhar. Vinicius tinha ido para um Time de basquete, e o time dele também venceu. Depois de tudo finalizado, ele seguiu para o local que sempre iria, para o mirante do lago.

Chegando lá ele fez o que sempre faz, colocou os pés dentro da água para descansar, pois os jogos foram intensos e difíceis. Deitou na madeira olhando para o céu, que ia tomando um tom alaranjado de fim de tarde. Logo ouviu a madeira ranger e abriu um sorriso, pois sentiu o cheiro do perfume dele.

— Eu juro que quando venho pra cá não é com a intenção de te esperar. – falou o Léo.

— Mas o pico da neblina é só nosso, não tem porque vim aqui sem ser com a intenção de me esperar. – falou o Vinicius sentando ao lado dele.

— Pico da neblina? De onde tu tiraste esse nome? – falou o Léo se sentando novamente.

— Tem tudo a ver com fumaça e tal. Então né.

— Seria mais viável Lago da Neblina, do que Pico da Neblina. – falou o Léo.

Vinicius sorriu e ficou olhando para o Lago por alguns segundos, até que Léo falou.

— Você tá bem?

— Não muito, minha mãe tá precisando fazer um exame e eu não tenho como ajudar. Tipo, acabei de fazer 18 anos, praticamente, não consegui emprego ainda e esse acampamento é a última coisa que eu quero fazer antes de ingressar de vez na vida adulta. – falou ele.

— Mas o que ela tem e que tipo de exame é esse?

— Eu não sei explicar direito o que é, mas algo relacionado ao sistema nervoso, e o procedimento é uns 10 mil. De onde eu vou tirar essa grana?

— A gente dá um jeito juntos. Eu já te falei que tudo que você precisasse era só me falar que eu dou um jeito de ajudar. – respondeu o Léo.

— Leonardo, são 10 mil reais, você entendeu? 10 mil reais. Não vou te pedir isso. – falou o Vinicius.

— Você ama sua mãe, não ama? Por mais que tenham suas diferenças, é sua mãe. Pense bem, pois isso deixaria ela livre de qualquer coisa. – falou o Léo.

— Eu acho que isso é uma coisa que não terei como negar, pois ela precisaria muito e um ajuda de qualquer forma seria ótimo e eu tô em desespero.

— Então liga pra ela e deixa ela mais tranquila. Fala que você vai arrumar um jeito de fazer com que ela se cure.

Vinicius pegou o celular do bolso e ligou para ela.

— Oi, mãe. Seguinte, eu estou te ligando pra dizer que você pode marcar o procedimento. Eu vou dar um jeito de consegui o dinheiro necessário pra você fazer isso. – Ele ficou calado ouvindo-a falar alguma coisa – Não se preocupa, eu não fiz nada de errado pra conseguir isso. Eu posso ser meio louco as vezes, faço algumas besteiras ali, outra aqui, mas coisa errada eu nunca farei. – Ele fez mais uma pausa. – Também te amo. – falou e desligou.

Em seguida ele deu um abraço no Leo, e depois um beijo.

— Eu te amo sabia? – falou ele.

Leonardo queria poder acreditar que aquele amor fosse a mesma coisa que ele sentia pelo Vinicius, mas ele sabia que eram coisas diferentes. O amor dele era uma forma de gratidão pelo o que ele estava fazendo pela mãe dele. Já o do Léo, era algo muito diferente.

— Bobo, é o que fazemos pelas pessoas que gostamos né. – Ele riu – E não tem como você fugir, sei onde você mora.

Depois disso, eles passam o resto do dia ali, fazendo o que sempre fazem, compartilhando do mesmo vicio, e na brisa igual dois retardados.

Depois de uma semana, Leonardo estava no mesmo lugar de sempre. Ele tinha já feito o que tinha prometido pro Vinicius, e a mãe dele já tinha feito o procedimento, só estavam aguardando a liberação para prosseguirem com o restante do procedimento.

Porém, tinha três dias que o Vinicius não aparecia no pico, ele e Léo só se viam durante o dia e trocavam alguns sorrisos, mas ir até o pico ele não tinha ido nos últimos dias.

Nesse dia quem apareceu foi a Samantha, e sentou-se ao lado do Léo.

— Oi seu lindo, como você está? – perguntou ela.

— Eu estou bem e você?

— Estou bem.

Os dois ficaram conversando sobre assuntos aleatórios, das chuvas que teve nos últimos dia durante a noite. Relembrando sobre o dia dos esportes, das quedas das pessoas enquanto jogavam. De tudo um pouco. Até que surgiu um assunto que abalaria as estruturas do Léo.

— Sabe me dizer se tá tudo bem com o Vinicius? – perguntou ela.

— Não sei, porque? Tem três dias que eu não converso com ele.

— É que eu o vejo passando o dia e a noite inteira na cabine do Felipe, praticamente não sai de lá, faz uns alguns dias isso. Boatos que os dois estão namorando. – falou ela.

Leonardo não soube o que responder, na verdade ele estava processando ainda o que tinha ouvido, porque faz exatamente três dais que o Vinícius não aparece ali, e agora ela fala que ele passou dias direto na cabine de um garoto. A cabeça dele girava um pouco, sem saber o que falar ou como reagir. Aquilo tinha sido como um soco no estomago dele. Por mais que ele e o Vinicius não tivessem nada entre os dois, nada de sério, ele gostava do Vinícius de verdade. Talvez fosse a primeira vez que ele realmente estava gostando tanto de alguém. Ele simplesmente sentiu que iria chorar, mas resolveu guardar isso pra mais tarde.

— Que bom pra ele. – falou o Léo tentando sorrir,

— É, mas o povo fala demais. Acham que os dois passam o dia transando. – falou ela.

Leonardo novamente não respondeu nada em relação a isso.

— Eu tenho que ir resolver umas coisas com meu pai. – falou ele – Te vejo depois.

Leonardo falou e saiu andando, ele na verdade não tinha nada pra resolver com o pai dele. Apenas foi direto para a cabine, ele achava que o Gustavo não iria estar lá, pois estaria com a mãe, e entrou chorando na cabine, dando de cara com o Gustavo.

— O que aconteceu? – perguntou ele preocupado.

Leonardo não respondeu, apenas pegou uma mochila e saiu, sem falar mais nada.

— Puta que pariu, o que aconteceu com ele? O Vinícius deve saber. – falou o Gustavo.

Gustavo saiu andando rápido até o mirante, quando chegou lá no mirante, apenas a Samantha estava saindo de lá.

— Sam, você sabe o que aconteceu com o Léo?

— Como assim? – perguntou ela.

— Ele chegou lá na cabine completamente desestruturado, estava chorando.

— Ele acabou de sair daqui e parecia bem.

— O Vinicius estava aqui?

— Não, a gente estava justamente comentando sobre ele. Que parece que ele tá namorando, tem três dias que está instalado na cabine do Felipe.

— PUTA QUE PARIU. — falou o Gustavo – Desculpa, me exaltei. O Leo é apaixonado pelo Vinícius, ele praticamente gosta demais daquele garoto. Imagina ouvir que a pessoa que você gosta estava com outro, passou três dias fazendo sabe lá o quê.

— Mano, como eu fui falar essas coisas pra ele? Eu não sabia, achei que os dois fossem só amigos. – Ela falou com lagrimas nos olhos – Eu gosto do Léo, vejo o esforço dele pra manter esse lugar do jeito que ele é. Ele sempre me ajuda quando peço alguma informação, ou ideias. Eu não deveria ter falado nada.

— Eles são amigos sim, mas não sei o tipo de amizade que eles têm. O problema não é você falar, está de boa. Acontece que o Léo se apaixonou, pela primeira vez e verdadeiramente. Uma hora isso iria acontecer, pra ver se ele abre um pouco mais o olho e ver que nem tudo é um conto de fadas, que se apaixonar é algo ruim.

— Eu não acho isso algo ruim. – falou ela.

— No caso dele é. – falou ele se virando – Obrigado pela informação, irei tentar ir atras dele, porque ele saiu sem rumo. Vê se não fica aí sozinha, vai anoitecer.

Gustavo não sabia por onde começar a procurar, ficou andando pelo acampamento durante uma hora exata. E não encontrou nada. Até que foi até o fundo do acampamento e viu uma trilha recente, como se alguém tivesse passado por ali, o mato estava bastante pisado, e na memória dele veio algo antigo, uma lembrança de quando ele era pequeno.

— Acho que isso leva até uma gruta, será que ele foi para lá? – falou ele começando a andar – O foda que não sei o caminho, se eu me perder estarei fodido, certeza.

Em um pequeno momento o Gustavo se viu perdido, até que resolveu subir em uma arvore e olhar um pouco mais de cima, viu de longe um reflexo de luz saindo do chão, e percebeu que era a luz da lua sendo refletida por algo.

— É ali, certeza.

Ele caminhou um pouco mais e logo chegou à gruta, percebeu que tinha luz por trás das águas que caia da cachoeira. Tinha alguém ali dentro. Ele procurou uma entrada, até que a encontrou e entrou. Assim que entrou ele viu, o Léo sentado em um colchão, encostado em uma das paredes da gruta.

— Oh meu bem. – falou ele se aproximando – Você está bem?

— O que você está fazendo aqui? – falou ele meio aéreo – Como chegou até aqui?

— Leonardo, o que você fez? – perguntou o Gustavo percebendo que o Léo estava meio fora de si, meio que chapado.

­— Não importa, eu só quero ficar sozinho.

— Eu não vou te deixar sozinho.

Falou Gustavo sentando ao lado dele, em total silencio.

— Você ficou sabendo também? – perguntou o Léo.

— Sim.

— Eu não o julgo, mas porra, não precisa ficar três dias sem me ver só porque está de namoro com alguém. Comigo só foi uma vez e ainda porque eu o trouxe pra cá. Eu me sinto insuficiente, me sinto um zero à esquerda por causa disso, porque eu sempre estive ao lado dele desde que ele chegou aqui. E maioria do tempo a gente só fica um ao lado do outro sem falar porra nenhuma. Eu falei pra ele me contar qualquer coisa que acontecesse que eu ia entender, não estou puto porque ele ta namorando, transando com outro ou seja lá o que, mas porque eu pedir pra ele me contar, pra ele não me esconder nada, não contar mentiras, e o que ele faz? Some só pra não ter que me contar as coisas. Eu estou cansado. Só queria que ele olhasse pra mim da mesma forma que olha pros outros.

— Relaxa meu amor, tudo vai ficar bem, um dia você vai encontrar alguém por quem realmente vai se apaixonar, vai amar tanto quanto ama ele, e essa pessoa vai perceber todo o amor que você dá pra ela, e vai te amar na mesma intensidade. Pode não ser ele, mas um dia alguém vai te amar assim também.

— Eu só estou cansado.

— Deita um pouco e descansa, vamos esquecer isso, pelo menos por hoje, depois você resolve com ele.

Leo deitou e o Gustavo deitou olhando para ele. Ficaram se encarando por algum tempo.

— Você é tão bonito sabia? – falou o Léo.

— Você está chapado Leonardo, para de falar loucuras.

— Eu estou falando sério, você é lindo.

— Obrigado – falou o Gustavo meio tímido.

A perna de Leonardo meio que sem querer, acabou encostando no short do Gustavo, e nesse momento Leonardo percebeu algo que não era pra estar assim.

— Porque você está excitado? – perguntou ele.

— Eu não... Eu não estou excitado.

Leonardo levou a mão até dentro do short do Gustavo e pegou.

— E é grande né?

— Eu não... estou te reconhecendo... – falou o Gustavo.

— Você quer? – perguntou o Léo.

— O que?

Leonardo se aproximou dele e deu um beijo, do qual foi retribuído imediatamente. Gustavo se colocou sobre o Léo, continuando o beijo. Retirou a camisa do Léo e em seguida todas as outras roupas.

— Eu já tinha te visto pelado antes, mas assim tão de perto, é mais gostoso ainda. – falou o Gustavo.

Leonardo apenas deixou o garoto fazer o que queria. Sentiu a boca do Gustavo ir até o membro dele, e sentiu ele o colocar na boca. Leo em seguida começou a ajudar ele com as mãos. Cada subida e descida deixava Léo cada vez com mais tesão, chegando ao certo ponto de quase não aguentar mais. Foi então que o Gustavo parou.

— Léo...

— Pois não. – respondeu ele.

— Não estou preparado fisicamente pra ser passivo hoje, mas eu não quero parar só nisso. Teria problema se eu...

— Faça o que você quiser... – respondeu Leonardo.

Gustavo deu um sorriso.