(A partir desse momento a história faz um pequeno Crossover com o livro "O Legado dos Deuses" onde o Leonardo dessa história será retratado como Léo, e o Leonardo da outra história chamaremos de Leonardo)

Depois de dois dias inconscientes, os dois Leonardo acordaram e ficaram um olhando para o outro. No local estava apenas o Gustavo, porem o Henry apareceu logo em seguida.

— Quem é você? – Perguntou o Gustavo olhando para ele.

— Você consegue me ver? – Perguntou o Henry.

— Porque não conseguiria ver? – Perguntou o Gustavo.

— Só aqueles ligados a magia poderiam me ver, antes era só o Léo, agora vejo que você também foi atingido pela magia. – Falou o Henry.

— Então quer dizer que aquilo que aconteceu foi magia sendo lançada da Lua? – Perguntou o Léo.

— Sim. Agora alguns de vocês podem adquirir algum tipo de poder sobrenatural. Como vocês dormiram dois dias seguidos, talvez sejam o que foram mais afetados. – Falou o Henry – Os dois mais poderosos talvez.

Léo olhou para Leonardo. Ele não estava desconfiado ou nada do tipo, mas queria realmente saber o que ele era e de onde vinha.

— E você? De onde veio e porque está aqui? – Perguntou o Léo.

— Eu estava no meu acampamento meio-sangue, onde os filhos dos deuses irão quando descobrem que são semideuses. Mas no exato momento que fui teleportado para cá, estava em um treinamento. Pois existe um semideus que está revoltado com os deuses, principalmente o pai dele, Zeus. Ele prometeu matar todos os semideuses e depois subir ao Monte Olimpo e matar os deuses. Como eu disse, estava em um treinamento, porque dizem eles que eu sou o semideus mais forte, porém não me sinto assim, minha mãe é a deusa Hécate, por ser um filho de Hécate, tenho um potencial imensurável.

— Então, deuses gregos são reais? – Perguntou o Gustavo.

— Sim, e no meu mundo você é um dos meus amigos, filho de Apolo. – Falou o Leonardo.

— Você tem alguém que gosta que esteja envolvido nisso também? – Perguntou o Léo.

— Ah, tenho sim, o Bernardo. Ele é filho de Hades. – Falou o Leonardo.

— Curioso! – Falou o Léo meio aéreo.

Gustavo olhou para o Henry que entendeu muito bem o que o Léo estava pensando.

— Existe algum Vinicius por lá? – Perguntou o Léo.

— Bom, eu conheci poucas pessoas, mas acho que você deva estar falando do Filho de Hermes, se chama Vinicius, porém não sei se possa ser o que você está procurando. Mas porque a pergunta? O que tem esse Vinicius? – Perguntou o Leonardo.

— Henry, existe algum feitiço, já que você conhece muito sobre magia, que possa apagar coisas? – Perguntou o Léo.

— Eu acho que isso não seria uma boa ideia. Mexer com os sentimentos, manipular eles, é uma das regras básicas da magia, você não pode forçar um sentimento. – Falou o Henry.

— Mas são os meus sentimentos, eu tenho livre-arbítrio para escolher o que quero ou não fazer da minha vida. Correto? – Falou o Léo.

— Do que vocês estão falando? – Perguntou o Leonardo.

— Henry, podemos das uma volta por aqui? Preciso falar com minha mãe. – Perguntou o Gustavo.

Henry tinha entendido o que o Gustavo estava fazendo, deixando os dois sozinhos para conversar, quem sabe o Leonardo convenceria o Léo de alguma coisa. Os dois saíram e ficaram apenas as duas versões ali.

— Você quer me contar o que está acontecendo? Eu vou te entender, eu sou você. Ou pelo menos quase. – Falou o Leonardo.

— Então, tem esse garoto aí que eu perguntei. Eu sou, ou sei lá o que sinto, meio que sou apaixonado por ele. Já fiz várias coisas para demonstrar o quanto gosto dele, mas ele me retribuiu tudo com sumiços, me ignora, só me procura quando precisa de ajuda. Prefere os amigos que nunca moveram uma pena por ele. Prefere dar seu corpo pra pessoas que ele julgar ser melhores do que eu. E isso me desgasta sabe. Eu só queria poder esquecer ele, que um dia conheci ele, fazer de conta que ele é apenas um outro campista qualquer. – Falou o Léo.

— Eu te entendo, sei muito bem o que é isso, pois já passei por isso antes, porém não se chamava Vinicius. Tem muita coisa da minha vida que eu escondo até hoje, pois não tenho forças nem coragem de voltar no passado e lembrar de tudo isso. Mas você é a minha outra parte, então ouça, alguém que até abuso sexual já sofreu. Esquecer os sentimentos talvez não seja a melhor opção, mas você tem a liberdade de escolher o que quer fazer. Se for isso que você quer, eu te ajudarei com isso. Até porque não sei como voltar para casa ou quanto tempo ficarei aqui. – Falou o Leonardo.

— Sinto muito por você ter passado por algo tão cruel como isso que você falou. Acho que é bem pior do que eu tô passando. – Falou o Léo.

— A gente cresce e começa a ver o mundo de outra forma. Foi horrível na época, mas isso me ensinou que nem todos são dignos de nossa confiança, então hoje em dia eu barro meus sentimentos. E creio que devido a isso, eu já tenha perdido muita gente boa que poderia permanecer na minha vida, mas que devido ao meu trauma, eu não permiti que elas ficassem. – Falou o Leonardo. – Mas vamos, eu te ajudo no que precisar.

Enquanto os dois conversava, Henry e Gustavo estavam caminhando pelo acampamento.

— De onde você é? – Perguntou o Gustavo.

— Isso infelizmente não poderei te contar. – Falou o Henry – Colocaria muita coisa em risco.

— É que você se importa muito com o Léo, e conhece ele muito bem. Isso me deixa intrigado. – Falou o Gustavo.

— E você conhece muito bem o corpo dele né? – Falou o Henry.

Nesse momento o Henry viu o Vinicius passar pela frente dele, e imediatamente ele sentiu uma raiva enorme dentro dele.

— Ei, você aí. – Chamou o Henry.

— O que você está fazendo? – Perguntou o Gustavo.

— Colocando ele no lugar dele. – Falou o Henry.

— Falou comigo? – Perguntou o Vinicius.

— Tem mais alguém aqui? – Falou o Henry.

— Eu te conheço? – Perguntou o Vinicius.

—Então é isso? Você só quis se aproveitar não é mesmo? Sabia muito bem o que estava fazendo com ele, sabia muito bem onde isso tudo vai chegar. Onde estavam esses seus amigos quando você precisou de ajuda? Onde estavam esses carinhas aí quando você precisou salvar sua mãe? Quem foi a única pessoa que te ajudou? Pois é, olha só como você retribuiu ele, o destruindo por dentro. Eu ouvi falar bastante de você e não imaginei que você fosse essa decepção completa.

— Do que você está falando? – Perguntou o Vinicius.

— Não se faça de desentendido. – Falou o Henry.

— Henry, chega. – Falou o Gustavo.

— Qual o sentido disso? – Perguntou o Henry com lagrimas nos olhos – O que você está querendo? Não estou te reconhecendo.

— De onde a gente se conhece? – Perguntou o Vinicius.

— De repente você virou mais um desses caras babacas que faz tudo sempre errado e não está nem aí. Você está fazendo ele chorar igual os outros faziam. Ele achou que você fosse diferente, e agora ele está decepcionado. Mas você era, não era? Então porque isso agora?

Vinicius abaixou a cabeça, provavelmente já caindo a ficha do que o Henry estava falando.

— Mas agora já é tarde, e eu precisei vim até aqui achando que iria encontrar uma história bonita como foi me contada, mas na verdade não. E já é tarde demais também para fazer algo. Ele já começou a separar todos os ingredientes que precisa para te esquecer. O que você vai fazer quando ele não lembrar mais de você? Quando a diversão começar a perder a graça. Quando os outros garotos começarem a ser todos igual perto do que ele é.

— Henry, ele já entendeu o recado. Vamos embora. – Falou o Gustavo.

— Mas eu e ele nunca tivemos nada sério. – Falou o Vinicius.

— Você ficaria surpreso se eu te contasse tudo que eu sei. Você um dia vai ver que o que você fez poderia ter sido diferente. Quando em um dia qualquer você parar e perceber que tudo acabou, que sua vida ficou estagnada. Que poderia ter sido feliz, mas se distraiu com diversões passageiras, felicidades passageiras de pessoas que só estavam interessadas em seu corpo, e não no seu coração. Claro que vocês nunca tiveram nada. Você acha que ele está assim pelo fato de você estar com outro? Não, não é isso que o magoa. O que magoa ele é você não ter sido homem suficiente e ter feito o que prometeu para ele. Você escondeu, voe não foi homem suficiente para falar com ele, preferiu evita-lo. É isso que magoa ele, sua falta de sinceridade.

Henry pausou um pouco.

—Não espere ele perceber que você não vale tanto a pena, já que no final é só um cara pequeno que não consegue controlar o próprio ego. Abre os olhos e enxergue a besteira que você fez. Não se iluda com essa de que ser solteiro é tudo de bom. Tudo de bom, é estar com que faz a gente bem, com quem cuida da gente, se preocupa e protege. Mas você é pequeno demais para entender isso, não é?

Novamente o Henry não teve nenhuma resposta.

— Vamos Gustavo, vamos ajudar então o Léo a esquecer tudo isso. – Falou o Henry voltando para a cabine do Léo.

Na mesma noite, o Henry tinha entregue um feitiço para o Léo, que teria que fazer sozinho, para que pudesse conseguir esquecer aquilo que queria. Leo então foi até a gruta onde ele e o Vinicius tiveram seu primeiro encontro. Mas antes de ir, o Leo entregou uma pequena carta para o Gustavo e pediu para que entregasse ao Vinicius. Depois partiu em direção a gruta.

— Vocês acham que eu deveria entregar? – Perguntou o Gustavo.

— Eu vou contigo. – Falou o Leonardo. – Vamos fazer do jeito que ele quer fazer.

Então foram os dois procurar o Vinicius e o encontraram em uma rodinha de amigos ao redor de uma fogueira, um pouco próximo a entrada do acampamento. Gustavo então chamou o Vinicius que veio falar com eles.

— Leo, eu só queria falar que...

— Eu não sou o Léo de vocês. Ele não está aqui no acampamento no momento. – Falou o Leonardo.

— Como assim você não é o Léo? Nitidamente você é o Léo. – Falou o Vinicius.

— É uma longa história, e não sou definitivamente o Léo de vocês. – Respondeu o Leonardo.

— Só viemos aqui entregar isso que ele pediu. – Falou o Gustavo entregando o papel para ele. – Ele foi para a gruta.

Depois disso os dois foram embora e ficou apenas o Vinicius que logo abriu o papel e começou a ler.

"Não espere por um grito de salvação meu. Não anseie pelos meus olhos, pelo meu cheiro, por mim. Não me olhe como quem me quer e não pode ter. Eu não consigo fazer mais nada por nós além de te levar até a porta em que te deixei atravessar como se fosse dono de tudo em mim. Eu não consigo dizer mais nada, além de adeus. E nem quero precisar. Você agiu como se estivéssemos jogando poker e eu descobri tarde demais. Pus todas as minhas cartas na mesa e, quem dera fossem apenas cartas, meu coração também estava lá. Você blefou, amor, e eu acreditei. Te amei descaradamente negando qualquer realidade e intuição porque eu confiava em você. Eu quis tanto te amar, que inventei o amor. Um enredo. Uns nós que nunca foi suficiente nem para mim e nem para você. Eu te quis tanto, mas não há nada novo na fábula do querer: só ele não basta. Na verdade, só sentimento, seja qual for, nunca basta e a gente já sabe de cor o fim. Aqui, eu abro mão de tudo que resta, do que fomos e jamais seremos. Eu desisto desse nós que eu inventei, assim como você fez. – Autor Desconhecido"

Após ler essa carta, o Vinicius saiu correndo em direção a gruta, cada vez mais rápido, pois sabia que o Leo estava prestes a fazer algo que não teria como ser concertado. E depois de muito correr, ele alcançou a gruta.

— Léo. Você está aí? – Chegou gritando desesperadamente. – LEONARDO!

— Quem está aí? – Respondeu o Léo.

— Graças a Deus você está bem. – Falou o Vinicius chegando perto dele – O que você acha que está fazendo?

— Quem é você? – Perguntou o Léo.

Foi nesse momento que o Vinicius percebeu que chegou tarde demais e que o Leonardo já tinha feito o que queria fazer. O Vinicius ficou sem saber o que fazer por alguns segundos, tinha percebido que tinha perdido aquele que sempre esteve ao lado dele.

— Sou campista do acampamento e seus amigos estão te procurando, acho que deve ter acontecido algo. – Falou o Vinicius.

Leonardo se levantou e começou a correr.

— Muito obrigado por me encontrar, a gente se vê depois. – Falou o Léo.

Vinicius ficou apenas olhando o Leo sumir diante dos olhos dele, sentou no meio das pedras e olhou para a lua, estava sentindo um sentimento que não havia sentido antes.

No meio do caminho, logo próximo ao muro que dava acesso ao acampamento, Léo ouviu algumas vozes.

— Dá para você me largar? – Falou um garoto.

— Você não pode me deixar assim. – Respondeu outro.

— Você me largou primeiro, eu não quero mais ver você, não quero mais te ver, então me larga que está me machucando.

Léo se aproximou e viu um garoto tentando desesperadamente beijar um outro garoto, foi então que o Léo se aproximou, pegou na camisa do 'agressor' e o jogou no chão.

— Você é louco? Ele falou para parar, vaza daqui antes que eu te expulse. – Falou o Leo.

O garoto se levantou e correu para a longe. Leo se virou para o outro garoto que se mantinha assustado.

— Você está bem? – Perguntou o Léo.

— Sim, estou bem, muito obrigado Leo. – Falou o garoto.

— Não precisa. Como você se chama? – Perguntou o Léo.

— Eu sou o Ruan. – Falou ele sorrindo.

— Vamos, vou te levar até seu dormitório, e ele não vai te incomodar mais.

Falou o Léo segurando a mão dele, o que deixou o garoto corado, porem seguiu o Leo.