Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Até que o Léo quebrou o silêncio.

— Isso é algo muito doido.

— O que? – perguntou Vinícius ainda deitado no colo dele, olhando diretamente para os olhos do Léo.

— A gente acabou se se conhecer e já foi rolando beijos.

— A 'vibe' bateu, então não tem porque ser estranho. – respondeu o Vinícius.

— Espero que seja isso. Mas enfim. Porque veio parar nesse acampamento?

Ao ouvir a pergunta, Vinícius levantou do colo dele, se ajeitou na beirada do mirante, colocando os pés dentro da água.

— Bom, minha família tá um caos, por isso juntei uma grana durante o ano passado e vim pra cá. Eles nem sabem que eu tô aqui. Então, não ligo muito pro que eles pensaram ou acham o que eu devo ou não fazer da minha vida. Vou viver ela intensamente sem medo.

— Admiro isso, apesar de ser um pouco perigoso. Viver a vida intensamente me remete um medo de tudo dar errado e eu me ferrar em alguma eventual aventura. – respondeu o Léo – Mas admiro isso em você.

— Viva a vida intensamente Léo, aproveite tudo que ela tem a lhe oferecer. Assim você conseguirá aproveitar muita coisa dele.

Depois disso a noite já tinha caído, estava ficando escuro e apenas o Leonardo estava com o celular. Usou ele de lanterna até chegarem na área iluminada.

Sem que ninguém percebesse, os dois se despediram com um selinho e cada um foi pra sua cabine, que não ficava muito longe uma da outra.

Logo na primeira noite do acampamento estava programado uma sessão de cinema, pra todos, pois o local era grande suficiente. Leonardo chegou na cabine e o Gustavo já estava lá, escolhendo alguma roupa para o evento.

— Sabe que isso é besteira né? Todo mundo já se viu até pelado se brincar durante o banho, não sei pra que se produzir todo. Você já é bonito de qualquer jeito, Guh. – falou o Leonardo.

— Se eu não soubesse que você me ver apenas como amigo, pois acabou de me conhecer, eu diria que isso foi uma cantada.

— Não fode. – falou o Léo rindo – Eu gosto de ser sincero e elogiar as pessoas quando elas devem serem elogiadas. Mas quem disse que amigos não podem se pegar?

Gustavo ficou em silencio enquanto o Leonardo ia para o banho.

Depois do banho e se arrumar. Os dois foram para o cinema, Leonardo e Gustavo sentaram bem no meio. E depois de um tempo alguém chegou.

— Posso sentar com vocês?

Leonardo olhou, era ele.

— Claro, pode sim, Vinicius. – respondeu o Léo.

Durante a exibição do filme, Léo sentiu o Vinícius colocar a cabeça no ombro dele, o que chamou a atenção do Gustavo, mas permaneceu calado.

Já em suas cabines...

— Eu vi o garoto se aconchegando no seu ombro. Não achei que já se conheciam. – Perguntou o Gustavo.

— A gente se conheceu no mirante, nada demais. – falou Leonardo sorrindo e deitando – Vamos dormir que amanhã será um dia cheio pra mim.

Tinha se passado cerca de uma semana já desde que o acampamento começou. Leonardo e Vinícius sempre se encontravam durante o dia e conversavam, mas a melhor parte sempre era o mirante, onde os dois compartilhavam do mesmo "vicio" sem que ninguém soubesse, pois isso poderia trazer problemas ao dois "quebradores de regras". E volta e meia sempre os dois ficavam. Mas algo que parecia ser inocente, começou a se tornar diferente para o Leonardo.

Um belo dia, Leonardo estava supervisionando o refeitório, uma das tarefas que ele não gostava muito de fazer. Estava ele conversando com a mãe do Gustavo e ele do lado.

— Mas então Léo, te conheço desde pequeno e nunca vi você namorando. Não tem namorada? – perguntou a mãe do Gustavo.

— Desculpa te decepcionar, mas eu prefiro banana. – falou ele tirando uma risada dela.

— Sem problemas, até porque o Gustavo acha que eu não sei que ele também gosta de uma banana. – falou ela.

— Como assim, mãe? – ele perguntou.

— A mãe sempre sabe, não adianta querer esconder ou algo do tipo, você acha que não sei o que você aprontava quando dizia que ia pra casa da sua amiga. – falou ela – Mas de boa ligo filho, a vida é sua, deve aproveitar do jeito que você achar melhor, até porque, não temos muito tempo, você deve aproveitar a vida enquanto ainda tem.

— Como assim vocês não têm muito tempo? – perguntou Leonardo confuso.

— O Gustavo sofre de uma doença genética que tem até tratamento, cura, mas não conseguimos fazer porque custa muito caro. – falou ela.

— Você tá me dizendo que ele pode...

— Sim, por isso que aproveitamos o máximo que podemos com ele. Porque quando isso acontecer, não sei como vamos ficar.

— Porque você não me contou isso antes? – perguntou Léo para o Gustavo que estava cabisbaixo.

— Porque eu tô cansado de todos que eu conheço, quando sabem disso, começam a me tratar com pena. E eu não quero isso. – falou ele se levantando e saindo.

— Espera... – ele já estava longe – Eu falei algo de errado? – perguntou o Léo para a mãe dele.

— Não, ele sempre reage assim, se faz de forte, mas tem muito medo do que vem pela frente. Como ele disse, as pessoas normalmente quando sabem que ele não tem muito tempo, começam a tratar ele diferente, com pena e sentimentos similares. E isso deixa ele muito triste. Ele so quer que as pessoas saibam aproveitar o tempo que ele ainda tem, mas elas complicam as coisas. – falou ela.

— Vou falar com ele.

Leonardo se levantou e foi até o único local que ele estaria, na cabine. Chegando lá, ele não falou nada ao ver o Gustavo derramando algumas lágrimas. Apenas deitou na cama junto com ele.

— Me dá um pouco de espaço aí, seu folgado. – falou o Léo empurrando-o pra parede e em seguida deitou e olhou nos olhos dele. – Tudo vai dar certo, mas me conta o que realmente é isso que você tem.

Gustavo começou a explicar, e o Leonardo apenas ouviu tudo atentamente. Pois se autoconhecendo, Leonardo sabia que não iria ficar parado vendo o seu novo amigo caminhar em direção a um fim trágico.

No mesmo dia, Leonardo foi até o mirante e ficou lá, fazendo o que sempre fazia todas as tardes. Estava tão concentrado em seus pensamentos que nem ouviu o Vinícius chegar e falar com ele. Até que o Vinícius mexeu nele.

— Léo? – falou o Vini.

— Ah, desculpa, está a distraído, perdão. – falou o Léo.

— Eu percebi, mas conta, o que te preocupa? – perguntou o Vinícius.

— Aquele meu amigo que tava comigo no cinema, descobri que ele tem uma doença que pode o matar, e eu sou do tipo de pessoa que não consegue ver algo e não ajudar.

— O que pretende fazer?

— Ainda não sei, por enquanto prefiro apenas me distrair e pensar nisso depois.

— Acho que eu posso ajudar então. – falou o Vinícius sentando justamente no colo dele e o abraçando.

— Isso é algo pelo o qual eu não estava esperando.

— Xiu. – falou ele beijando o Léo.

Após o fim do beijo, Vinícius pegou algo do bolso.

— Eu tô me arriscando, mas acho que isso pode até te ajudar a se distrair.

Falou ele e mostrou algo na mão.

— É o que eu tô pensando? – perguntou Léo um tanto preocupado.

— Eu sei que é contra as regras. Mas eu estou disposto a fazer isso e te ajudar.

— Quantas vezes você fez isso desde que chegou? – perguntou o Léo.

— Nenhuma, estava guardando pra você e eu. Se tu não decidir me expulsar depois disso. O que me diz, amor?

Leonardo olhou nos olhos dele, era algo acima de fumar apenas um cigarro, ele estava com um baseado na mão, ele não era ingênuo, também já tinha feito isso na vida antes, mas fazer no acampamento, era algo mais do que perigoso. Mas ele não sabia o que poderia responder para o Vinícius, ficou calado por um tempo olhando para ele.

— Você está muito calado, acho que isso foi uma pessoa ideia, não é? – perguntou o Vinícius.

Mas antes de dar sua resposta, Leonardo puxou o Vinícius pra mais perto dele, que ainda estava em seu colo, e sorriu, dando um beijo e apertando a cintura do garoto contra o próprio corpo.

— Posso até fazer isso, mas com uma condição, será que está disposto a pagar o preço? — Perguntou o Léo.