O Acampamento - Uma Ultima Vez
3 Capitulo II - Morangos e Cigarros
O Gustavo, assim que terminou de ajudar a mãe, foi para a cabine do Léo.
— Oi, cheguei. – falou ele ao chegar.
— Oi, pode ficar à vontade.
— Eu achei que sua cabine fosse diferente das outras, mas não muda muita coisa.
— Não é só porque eu sou filho do dono, anfitrião esse ano, que vou ter uma cabine melhor. Todas as outras são iguais as minhas. Ar-condicionado, aquecedor no caso de frio. Uma TV. E quando eu assumir as coisas, pretendo melhorar mais ainda.
O Gustavo parecia um pouco tímido. Sentou-se na outra cama vazia e ficou olhando para o Léo.
— Não precisa ficar acanhado não tá. Eu não sou uma má pessoa. – falou o Léo.
— Eu tô de boa. – falou o Gustavo um pouco corado – Eu posso tomar um banho?
— Fica à vontade, a cabine também é sua agora durante o verão inteiro.
Gustavo foi até o banheiro, única coisa que tinha diferente das outras cabines, e começou a tomar o banho. Depois que saiu, percebeu que o Léo tinha caído no sono. E ele foi fazer o mesmo.
No dia seguinte, o pessoal estava marcado pra chegar no local por volta do almoço. Seria três ônibus que trariam todos da rodoviária até o acampamento. E não demorou muito e os ônibus começaram a chegar. Um atrás do outro.
Léo estava olhando pelas câmeras e pegou o microfone que tinha na sua cabine e falou para todos ouvirem:
— Sejam bem-vindos ao acampamento Storybrooker. Eu sou o Leonardo, anfitrião de vocês esse ano. Peço que todos se dirijam ao saguão principal, façam seus check-in nos totem de autoatendimento e aguardem. Vocês têm trinta minutos. Até daqui a pouco.
Depois de trinta minutos, todos estavam esperando no saguão principal, que parecia mais uma espécie de quadra, mas apenas para anúncios. Leonardo foi até a bancada onde tinha um microfone.
— Boa tarde a todos! – ele falou e todos responderam – Como dito antes, meu nome é Leonardo. Sou o anfitrião de vocês esse ano e estou aqui para orientá-los nesses próximos dois meses de estadia. Muitos de vocês devem já terem lido no guia do acampamento. Temos quadra de esportes, cabine de jogos. Temos um cinema também ao fundo. O refeitório onde vocês utilizarão para suas refeições. Ao decorrer dos dias vocês irão ver tudo que temos aqui. Quando vocês fizeram o check-in, foi impresso o card, esse card serve pra vocês utilizarem em todas as cabines. Automaticamente foi dado um dormitório de até 4 pessoas, feito a distribuição aleatoriamente, garotos não poderão ficar no mesma cabine que as garotas, os nomes foram distribuídos separando por sexos. Os cards são suas chaves. E também vocês podem utilizar esse card uma vez por dia em cada cabine de diversão. Pois assim todos conseguem desfrutar de cada meio de diversão que a gente disponibiliza. Peço a vocês também que sigam as regras. Não é permitido bebida alcoólica, já que muitos de vocês ainda não tem idade pra isso. Proibido que os campistas fumem, ou o uso de qualquer substância ilícita. Correndo o risco de expulsão. Pois os pais de vocês estão confiando na gente, então, não vamos decepciona-los. Para que não ficamos o dia inteiro aqui, qualquer coisa, qualquer dúvida, podem me procurar. É somente isso. Sei que estão com fome, podem ir ao refeitório que já está tudo pronto. Sejam bem-vindos!
Falando isso, com organização, todos foram se dirigindo ao refeitório, até mesmo o Léo. Até então ninguém tinha o procurado pra qualquer dúvida, mas ele sabia que iriam o procurar em algum momento. Leonardo pegou a sua refeição e se dirigiu para uma das mesas, coisa que ninguém estava indo, acho que por receio dele ser o anfitrião. Ele não se importou, apenas começou a comer, até que o Gustavo se sentou ao lado dele, todos olharam.
— Porque estão olhando pra gente? – perguntou o Gustavo.
— Talvez porque eu seja o anfitrião, e você sentou-se comigo, acho que eles devem imaginar que não podia, que eu sou especial, ou algo do tipo.
— Ata, nada haver isso deles. – falou o Gustavo.
Uma garota se aproximou e sentou-se junto com eles.
— Olá, eu sou a Samantha, prazer em conhecê-los.
— Eu sou o Gustavo e ele é... Ah, cê já conhece.
— Seja bem-vinda Samantha... – Léo falou.
— Podem me chamar de Sam...
Os três ficaram ali, fazendo sua refeição e se conhecendo aos poucos.
— Não achei que esse acampamento iria ter tantas gatinhas e gatinhos. Vai ser um verão interessante. – falou a Sam.
— Tu também és bissexual? – falou o Gustavo.
Leonardo olhou pra ele nesse estante, já que tinha percebido o "também" que ele falou.
— Sim, eu sou, pelo jeito você também. E você Léo? Caso, se quiser falar.
— É, e-eu... – ele gaguejou um pouco – Eu sou gay...
Depois disso, após terminarem. Leonardo se retirou para sua cabine, verificar se todos tinham chegado. Ao pegar o tablet e ver a lista de check-in, faltava um campista, que provavelmente não vinha, ou se atrasou. Não vim seria algo impossível, já que eles não receberam nenhuma solicitação de reembolso.
— Hum, só faltou esse tal de Vinícius... Vamos esperar pra ver.
No fim da tarde, basicamente ao pôr-do-sol. Aproveitando que todos estavam em direções opostas. Leonardo foi até o mirante novamente, sentou-se com os pés dentro da água do lago, colocou uma caixinha de morangos ao lado dele, e começou a comer, vendo o tempo passar. Até que sentiu seu celular vibrar, ao ver a notificação, percebeu que foi um alerta de check-in. O último campista tinha chegado. Passados alguns minutos, Léo pegou um cigarro e começou a fumar, mas logo sentiu a madeira do mirante ranger, como se alguém estivesse atrás dele. Mas já era tarde, ele já teria sido pego quebrando uma das regras, mesmo que não se aplicasse a ele, porem ele queria dar o exemplo.
— Achei que fosse contra as regras fumar. – falou um garoto sentando-se ao lado dele – Mas como você é o anfitrião, deve não se aplicar a você.
— Eu não deveria estar fazendo isso. Por mais que não se aplique a mim, o correto era ser o exemplo – falou o Léo.
— Fica tranquilo, se você me der um desses morangos e um cigarro, eu não conto pra ninguém. Ah, eu sou o Vinícius.
— É, pelo o que eu vi na sua ficha, tu é de maior, então não teríamos problemas se eu te desse um.
Léo ficou tão admirado com a beleza do garoto, apenas colocou os morangos entre os dois e entregou um cigarro pra ele. Um ficou olhando pro outro durante um tempo.
— Seu nome? – Perguntou o Vinícius.
— Pode me chamar de Léo.
— Gostei de você, quebra as regras, é bonito, tá todo vermelho de vergonha. Posso perguntar uma coisa?
— Pode sim.
— Você é hétero? – perguntou.
— N-não. – falou o Léo.
— Namora?
— Também não.
Vinicius olhou pra ele um pouco corado e se aproximou. O Léo fez o mesmo, porém pegou no pescoço dele e o puxou para um beijo. Foi uma mistura de sensações e sabores, onde foi intensificando mais ainda o beijo. Um gosto forte de morango.
Depois de um tempo os dois terminaram o beijo e ficaram se olhando. Vinicius se aproximou dele, e colocou a cabeça no colo dele. Algo que Léo achou muito rápido. Algo não estava normal naquele encontro. E isso estava incomodando-o. Por mais que Leonardo fosse aventureiro, ele não pensava que um dia iria beijar uma pessoa com algumas palavras ditas antes.
— Você vem aqui desde quando? – perguntou o Vinícius – Tipo, no acampamento.
— Na verdade, eu cresci aqui.
— Putz, sua família ou deve ter bastante dinheiro, ou não gosta muito de você para te mandar todo ano pra um acampamento. – Falou o Vinícius.
— Então, na verdade meus pais são os donos desse lugar e logo eu assumirei o comando.
Nesse momento o outro garoto ficou paralisado olhando pra ele. E levantou do colo dele completamente vermelho.
— Eu achei que você fosse apenas um monitor ou algo do tipo. Desculpa. Eu não deveria ter feito as coisas que fiz.
Léo apenas o puxou de volta.
— Relaxa, está tudo bem. – falou ele.
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