Naquela manhã, Léo tinha acordado com pouco ânimo para o início do próximo acampamento de verão. Ele ficou olhando pro teto por um longo tempo e não entendia o motivo de estar tão pra baixo. Porém, resolveu levantar, foi até o banheiro, tomou um banho e em seguida se arrumou, indo direto pra cozinha tomar o café.
Enquanto ele estava tomando café, a mãe se aproximou com uma cara nada legal.

— Leonardo, eu fui lavar uma de suas roupas e eu sentir um cheiro um tanto estranho. – falou ela.

— Roupa suja tem cheiro estranho, mãe. – respondeu ele.
— Não estou falando de cheiro de roupa suja, mas sim de NICOTINA. Por acaso você anda fumando seu... – falou ela batendo com o pano de prato na cabeça dele.

— Claro que não, e até mesmo se eu tivesse, eu sou de maior já. Não que isso mude muita coisa, ainda moro com vocês né.

— Acho bom, você viu a forma que seu avô se foi. – respondeu ela.

Logo ele terminou o café, e foi arrumar as coisas para começar sua viagem até o acampamento, pois no dia seguinte os campistas iriam para o local. Ele seria o responsável por recepcionar todos os campistas que se inscreveram durante o ano.

— Mãe, tô indo. – falou ele – Vejo vocês amanhã quando chegarem.

— Okay filho. Dirija com cuidado. – falou ela da cozinha.

A estrada até o acampamento não era muito longa, cerca de 60km de onde ele morava. Não demorou mais do que 2 horas pra ele chegar. Só tinha no local o pessoal responsável pela manutenção, e que já estavam finalizando a arrumação pra receber os campistas.

Assim que chegou, Léo foi até o escritório, arrumou suas coisas por ali mesmo e depois abriu o notebook para verificar os inscritos e ir se preparando para a recepção de todos.

— Esse ano tivemos mais pessoas que no ano passado. Mas ainda não supera o acampamento de inverno. Parece que o pessoal gosta mais do frio. – Começou a falar sozinho – Até que é compreensível preferirem o inverno. Aproveitar as fogueiras, assar comida na fogueira. É interessante.

Depois disso ele foi verificar cada canto do local, para garanti que tudo estivesse nos conformes para receber o pessoal. Ele passou pela quadra de esportes. Pelo ateliê. Seguiu até as cabines, depois até os banheiros. A sala de jogos. Depois passou pela floresta e por fim, finalizou no lago, sentando-se no mirante onde servia para pulos direto para dentro do lago, nas tardes de banho.

— Em pensar que praticamente cresci aqui, e agora esse lugar estar prestes a ser meu, não sei se estou preparado pra isso. Gerenciar um lugar tão grande, deve ser bizarro.
Ele falou isso e em seguida tirou do bolso um maço de cigarro e um isqueiro.

— Tenho certeza que minha mãe vai me deserdar se descobrir que estou fumando. Mas faz parte da vida. – falou ele colocando um cigarro na boca e deitou olhando para o céu.

Adormeceu ali mesmo.

Ele acordou com respingo de água no rosto. Estava começando a chover. Já estava no fim da tarde, ele se encontrava com fome, pois tinha dormido praticamente o dia inteiro. Se levantou e foi até a cabine dele. Pegou algumas roupas e foi até o banheiro, ele tinha o banheiro só dele.

Depois disso foi para o refeitório. Todos os funcionários já se encontravam em seus trabalhos.

— Oi Léo, tudo bem? Chegou quando? – perguntou Sabrina, que era responsável pela cozinha.

— Cheguei de manhã, desculpa não ter vindo aqui antes, acabei adormecendo no mirante.

— É bom que você descansa, esse ano vai ser o seu primeiro à frente de tudo. – respondeu ela – Ah, queria te perguntar uma coisa.

— Pode perguntar.

— Eu me atrasei um pouco hoje e meu filho acabou vindo me ajudar, espero que você não fique bravo com isso, mas prefiro deixar você ciente.

— Eu nunca brigaria com você por causa disso, e também nem conheço seu filho ainda, se você quiser, ele pode passar o verão aqui, como um campista. – respondeu o Léo.

— Eu não fiz inscrição dele, e também tivemos uma emergência e não teria como.

— Ele é meu convidado. – falou o Léo – O único problema é que as cabines estão todas preenchidas. Mas se você deixar, ele pode ficar na minha comigo, tem espaço pra dois.

— Ele sempre quis passar o verão aqui. Você tem certeza que não teria problema?

— Claro que não.

— GUSTAVO... VEM CÁ. – gritou ela e do fundo da cozinha apareceu um garoto.

Cabelos claros, parecia um loiro acinzentado, os olhos dele também era claro, parecia um mel. Basicamente da mesma altura que ele.

— Esse aqui é o Léo – falou ela apresentando o Léo para o filho – E esse aqui é o Gustavo, o meu filho.

— Ele é o dono? – perguntou o garoto.

— Tecnicamente ainda não, mas talvez sim. – falou o Léo.

O garoto pareceu ficar tímido diante do futuro dono do acampamento.

— Ele falou que se você quiser, pode passar o verão no acampamento, como um campista. E na cabine dele. Já que as demais já se ocuparam.

— S-serio? – o garoto falou gaguejando.

— Sim, sua mãe está com a gente a muito tempo, não vejo problema de fazer isso por você. – respondeu o Léo.

O garoto abraçou o Léo e agradeceu.

Depois disso, Leonardo foi jantar e quando estava saindo, se aproximou do Gustavo.

— Sabe onde fica minha cabine né? – Perguntou Léo.

— Sim, eu acabei dando uma explorada hoje e vi seu nome em uma delas.

— Assim que terminar aqui, você já pode ir direto pra lá. E seja bem vindo Gustavo.

Leonardo falou e saiu direto para a cabine, está a com sono e precisava dormir. Porque seria dois longos meses naquele local.