Não É Natal Sem Você.
4 Nossas cartas.
Notas iniciais
Deixei Arthur cuidando da comida e disse que iria checar um coisa rapidamente.
Fui para o meu quarto, sem muita expectativa. Faziam tantos anos. O pó provavelmente teria ruido todas as minhas cartas. Nossas cartas.
Abri as portas do armário, sorrindo comigo mesma. Uma voz em minha cabeça ficava repitindo ''não seja estupida, nem ao menos são cartas. São bilhetes de escola idiotas''. ''Mas tem algumas cartas também. E os bilhetes não são idiotas.'' eu contrarespondia.
Fiquei na ponta dos pés, para alcançar a maior pratileira, que na verdade estava coberta de poeira.
Meus olhos procuraram pela caixa. Meus dedos percorreram a superficie suja a procura. Bem no final, senti uma caixa de sapatos, mais suja que as outras.
Peguei-a com cuidado e levei-a até o chão, aonde sentei ao seu lado. Abri com cuidado como se fosse feito de diamante. Como se eu já tivesse que ter que levantar uma tampa de diamantes, mas deixa isso para lá.
Dentro havia alguns papeis amarrotados e amarelados pelo tempo.
A caixa era dividida em duas partes. Cartas e bilhetes.
Peguei os bilhetes, os mais envelhecidos. Revirando-os na mão reparei que eles estavam separados em tempo, ou seja Ela, eu, ela eu, dos mais velhos para os mais novos. Reparei também que eles eram apenas da época do colegial.
''Sant,
eu não sei porque você esta de mal comigo. Eu falei que eu te amavs de volta.''
''Eu não te amo B, acho que o Sam é trezentas vezes mais sexy. Além que eu sou hétero. 100% hetero. E como eu já te falei, vou cantar para ele uma musica super romantica para ele amanhã no Glee. Eu que escrevi. Se chama Trouty Mouth.''
''Mas você disse que me amava Santana. Porque você tem tanta vergonha?''
''Brittany,
você tem algum problema? Eu te falei que eu não disse nada daquilo. Acho que você comeu a comida do Lord Tubbington.''
Eu reli aquele bilhete e senti vergonha. Como eu poderia ser tão estúpida com o amor da minha vida? A vida sendo como eu era mesmo era tão mais fácil.
Puxei os outros bilhetes, ansiosa e ao mesmo tempo assustada de ser tão cruel novamente.
''B-B?
Eu sinto muito. Eu simplesmente não posso sair por aí gritando que sou... Você sabe.''
''Gay?''
''Por favor, não fique falando isso por aí.''
''Eu não saio por ai falando. Santana você é gay, e nunca vai deixar de ser. Se continuar agindo assim vai ser infeliz pelo resto de sua vida, vai casar com um cara gordão e suado que vai encontrar no bar, vai beber para poder a sua mãe alguns netos, e provavelmente vai virar alguma garçonete.''
'' Agindo como, exatamente?''
'' COMO UMA CRIANÇA ASSUSTADA.''
'' Eu não sou uma criança assustada''
Eu lembrava desse dia. Brittany não havia voltado a falar comigo por dias.
Suspirei, me perguntando se nós sempre brigavamos daquele jeito.
''Obrigada por ter cantado comigo no Glee Club, B''
'' De nada. Você acha que agora vai sair do armário? ''
''Você não desiste disso, não é?''
''Não''
''Bom, acho que com Kurt e Blaine cantando Fucking Perfect, e com Finn cantando aquela musica... Eu teria desistido. Foi uma merda.''
''Não foi não. Eles te amam''
'' Você me ama?''
''Santana, eu te amo mais do que ninguem. Você é a melhor coisa que já pode acontecer para mim. Entendeu? ''
'' Eu te amo também''
''Eu sei. Aliás, você já escreveu sua carta para o papai Noel? As ruas do polo Norte vão ficar muito perigosas para ele.''
'' Eu só pedi uma coisa para ele.''
'' O que?''
'' Você sua bobinha.''
''Sant... Obrigada, mas faça outro pedido. Eu pedi outro chapéu de gatinho''
'' E porque eu faria outro pedido. ''
''Porque você já me tem.''
Eu ri. Então, nós faziamos outra coisa de brigar.
Deus, eu sentia tanta saudade dela...
Fiquei com medo de ler o resto, então escondi a carta e desci as escadas.
- Chame Mike e Rachel, certo? — perguntei para Artie, que saiu a procura deles.
Decidi conversar com eles. Não era um plano muito bom, mas eu sei que Quinn poderia não me ouvir, mas ouviria seus irmãos.
Artie chegou, carregando seus irmãos nos ombros, que gritavam. Artie jogou-os no sofá, o que só fez eles rirem mais.
- O que foi, mamãe?
Rachel era uma menina engraçada. Ela me lembrava mais do que ninguém Rachel Berry. Tinha cabelos longos, lisos e castanhos, e tinha o nariz grande. Ela afalava muito e adorava dar opiniões sobre coisas de interesse alheio.
- Sua irmã, Quinn, esta muito tristinha.
Artie, se ajeitou na cadeira. Ele se tornava muito protetor quando se dizia da família. Principalmente de Quinn.
- Eu tenho a ideia perfeita.
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