Não vou lutar contra o que eu sinto...

4 Capítulo 4 - Começando a se entender...


Por mais que soubesse que a loira estava vindo não havia preparo no mundo que não a deixasse insegura naquele momento. Sentia seu coração descontrolado. Respirou fundo. De novo. E de novo, e foi atender a porta. E lá estava Kitty, as mãos no bolso do casaco, uma expressão tensa, mas adorável no rosto.

K: Ei... [sorriu sem graça]

M: Ei... [sorriu de forma acolhedora]

K: Vai me convidar para entrar? [perguntou após ver a falta de reação de Marley]

M: Cl... Claro! Desculpa [deu um sorriso lindo que só a morena sabia dar]

Kitty entrou, olhando tudo à sua volta, curiosa. Marley estava envergonhada, sabia que não tinha dinheiro e, por esse fato ter sido motivos de piadas vindas da loira, se sentia meio constrangida.

K: Sua casa é linda! [sorria sincera]

M: Obrigada... [devolveu o sorriso mais tranquila] Quer subir? Minha mãe dorme aqui em baixo e eu não quero acordá-la...

Kitty assentiu e as duas subiram. As duas também estavam tremendo de nervoso. A loira entrou no quarto e reparou no quanto ele era parecido com a morena. Simples, mas encantador. Simples? Não. Marley era muito para ser simples, mas ao se referir a isso ela pensava na praticidade da morena, em como ela fascinava pelos detalhes, por coisas bobas, espontâneas, por cada pequena emoção que sentia. Sorriu. Marley estava atenta a tudo isso, e esperava, ansiosa, a loira dizer alguma coisa. Elas se encararam e a morena não se segurou:

M: Você disse que precisava me ver

K: Eu sei. [disse apenas]

M: Eu fiquei preocupada com você hoje mais cedo...

K: Eu acho incrível a sua capacidade de se preocupar comigo [sorriu]

M: Você sempre tem uma resposta pronta pra tudo? [sorriu de lado]

K: Eu costumava ter...

M: Não tem mais?

K: Eu não sei...

M: Se a gente quiser conversar, você vai ter que saber.

Marley percebia a dificuldade da loira, mesmo fingindo toda aquela calma.

M: Vem aqui... [segurou em sua mãe e sentou do lado dela na cama]

As duas se sentiram estremecer com o toque. A noite ia ser longa...

M: É muito difícil para você? [perguntou atenciosa]

K: Demais.

M: Por isso você foge? Por isso age desse jeito?

K: Marley, eu estou tentando de verdade lidar com isso! Mas é muito difícil! Agora mesmo eu tento manter a calma... [respirou fundo, um nó se formando em sua garganta] Mas eu estou quase desabando! [seus olhos enchiam-se de lágrimas]

Aquela cena sempre partia o coração da morena. Ela se aproximou, querendo tocá-la, mas tinha medo de deixá-la mais frágil.

M: Você precisa falar Kitty... Por favor...

Os olhos azuis se comunicavam, muito mais do que as palavras. Eles já se entendiam há muito tempo. Só faltava o coração...

K: Você ficou com ele? [perguntou fechando os olhos, com medo da resposta, isso fez com que algumas lágrimas caíssem].

Imediatamente a morena colocou as duas mãos no rosto da loira, enxugando as lágrimas que caíram, acariciando aquele rosto tão perfeito para ela:

M: Claro que não! [consolava]

K: Você gosta dele? [encarou-a]

M: Não [disse firme]

Ela queria dizer que gostava de Kitty, mas sua fala travou. Seu corpo se moveu ao invés disso. Devagar, a morena puxou o rosto da loira para si, o que a fez se deitar com ela. As mãos de Kitty apoiavam-se na cama, dos lados da morena. Seus olhos olhavam a perfeição dos movimentos de Marley, que a encarava, ansiosa. Era lindo ver as reações que as duas se provocavam. A loira estudou mais uma vez as feições da morena. Os olhos, lábios, nariz... Como ela era linda! Não pôde evitar sorrir.

M: O que foi? [sorriu também, encabulada com o olhar que a loira lançava sobre ela].

Ok. O sorriso fez o coração de Kitty falhar por um segundo.

K: Você é tão linda... [falou charmosa]

Morena corou violentamente. A loira não resistiu. Desceu até encontrar os lábios da morena. Ah! Passou dias se lembrando daquela sensação maravilhosa e agora a estava sentindo de novo. Naquele momento, apesar de todo o nervosismo, ela estava onde deveria estar. Ela estava no lugar certo, e não deslocada como andava se sentindo. Não era diferente com Marley. Os lábios se movimentavam, devagar, delicadamente, como se tivessem todo o tempo do mundo para se provarem. E tinham! Kitty quebrou um pouco o ritmo, dando um selinho mais intenso e mordendo delicadamente o lábio inferior de Marley, arrancando um gemido da morena. A loira parou para olhá-la e ela estava assustada e ofegante.

K: Machuquei você? [disse preocupada]

M: Não, eu só... [a frase morreu, ela estava envergonhada, claramente não esperava sua própria reação].

K: Eu não quero que você reprima o que sente, eu preciso que você não sinta vergonha agora...

M: Mas isso é tão surreal! [sorria balançando a cabeça em negação]

K: Por quê? [sorriu curiosa]

M: Porque você é linda, e popular, e... [corou]

K: Você não faz ideia da sua própria beleza, não é? [cortou a fala da morena, que a olhou, tímida] Marley, você é linda! Por favor, entenda isso...

M: O que você dizia de mim...

K: Não importa! Eu não estava falando a verdade. Agora eu estou. Me perdoa por tudo que eu falei, por favor...

Viu que a morena ainda continuava insegura e então voltou a lhe beijar. Ela precisava fazê-la entender. Sentiu que era a hora de aprofundar o beijo então pediu passagem com a língua, e a morena prontamente concedeu. As duas suspiraram. Como um beijo podia causar tantas sensações? Beijar Marley era muito melhor do que esperava. Era àquilo que se referiam as pessoas quando diziam “ver estrelas”? Não podia ser mais perfeito. Suas línguas dançavam e quem conduzia era Kitty, ditando o ritmo de reconhecimento mútuo. Marley estava em êxtase, como não se perder naquele beijo? Botou a mão na nuca da loira, procurando aprofundá-lo. Devagar, Kitty foi deitando em Marley, fazendo seus corpos entrarem em pleno contato. As duas gemeram. Era tudo tão intenso e tão doce! Beijavam-se carinhosamente. As mãos de Kitty foram uma para a nuca e outra para a cintura da morena, encaixando suas pernas nas dela, para ficar mais confortável, enquanto Marley acariciava as costas da loira.

A morena cortou o beijo, em busca de ar e Kitty deslocou seus lábios para o pescoço de Marley, beijando, chupando, provando. Tudo muito devagar. A morena estava perdida, ela nunca havia sentido tanto prazer em toda a sua vida. Nunca ninguém a havia beijado daquela forma. E o cuidado com que a loira a tratava só tornava tudo mais perfeito. Suspirou pesadamente depois de uma delicada mordida da loira. Kitty parou para encará-la e se derreteu ao ver a cara de satisfação de Marley, indicando o quanto estava entregue. Sorriu. Sorriram. Deu um selinho demorado na morena e acariciou seu rosto com o nariz. Fingiu beijá-la de novo e quando Marley se aproximou ela se afastou rindo. A morena arqueou a sobrancelha, contrariada. Na mesma hora a loira lhe deu um selinho rápido, com uma cara divertida. Ela sorriu. Estavam brincando uma com a outra e isso era tão natural! O momento tenso antes do beijo foi esquecido. Mas não poderia ser sempre assim, elas ainda tinham muito o que conversar. Que se gostavam era nítido, se não, não aconteceria o que aconteceu, mas ainda tinham muito para entender sobre o sentimento uma da outra.

Marley estava encaixada no corpo de Kitty um tempo depois, a cabeça em seu ombro, uma perna em cima da dela e um braço em sua cintura enquanto a loira a abraçava, acariciando seu braço, pacientemente.

K: Está ficando tarde...

M: Fica aqui! [disse muito rápido] Eu... [levantou a cabeça para olhar para a loira] Eu não quero que você vá, eu estou com medo...

K: Medo de que? [retribuía o olhar, confusa].

M: Desse momento acabar, de você voltar a me tratar mal de novo...

K: Não vai acontecer [garantiu].

M: Mesmo assim, as coisas podem mudar amanhã...

K: Eu gosto de você. Muito. De verdade. Nada vai mudar amanhã. Eu vou dormir e acordar pensando em você.

A expressão de Marley mudou. De receosa foi para apaixonada com um sorriso bobo. A loira sorriu com a cena e lhe deu selinho.

M: A gente nem conversou direito [suspirou], você me desorienta [sorriu].

K: Isso é bom?

M: Isso é maravilhoso [disse tímida]

Aquilo era tão gostoso... Aquele momento de descobertas... Foi a vez de Kitty se desorientar.

K: Ok, é melhor eu ir embora agora porque se escutar algo parecido com isso de novo eu não vou conseguir mais sair daqui [sentou-se na cama]

Marley riu, sentando-se também.

M: Eu queria que você ficasse...

K: Eu também, mas meus pais vão ficar preocupados. Eu peguei o carro deles.

Marley fez uma cara de reprovação.

M: Kitty, você não tem idade para dirigir!

K: Não fica brava [beijou-lhe e ela acalmou], se eu não pegasse o carro não daria pra vir aqui... [sorriu travessa]

M: Justo! [sorriu também]

K: Ah, agora você aprova é? [mordeu o lábio da morena, rindo].

Marley assentiu freneticamente, fazendo-a rir ainda mais.

K: Me leva até a porta?

M: Levo! [levantou-se, puxando a loira consigo].

Antes de saírem do quarto Kitty a puxou pelo mesmo braço que Marley a segurava e a beijou intensamente. Seus braços logo rodeando a cintura da morena, abraçando-a fortemente, como se dissesse que estava com ela e que não ia fugir. Marley retribuiu, passando os braços pelo pescoço da loira. Afastaram-se um pouco e juntaram suas testas, as respirações irregulares batiam uma no rosto da outra. A loira dava selinhos na morena, calma, contrastando com a voracidade do beijo anterior. Sorriram e saíram do quarto de mãos dadas. Muito devagar, para não fazerem barulho. Marley sem querer esbarrou a coxa em algum móvel, soltando um gemido audível, as duas não paravam de rir da situação e seu esforço para não fazerem estardalhaço era enorme.

K: Você está bem? [perguntou baixinho]

A morena assentiu com uma careta meio um sorriso, meio uma expressão de dor.

K: Onde foi? Deixa eu dar um beijo que a dor vai parar na hora [brincou]

Marley apontou a própria coxa, um pouco antes da cintura, rindo. A loira se agachou, segurando-se na perna da morena, que arrepiou com o contato. Kitty deu um beijo demorado no local, esfregando a mão depois, para parar de doer. A morena perdeu por um segundo a sustentação, seus joelhos cedendo um pouco, o que não passou despercebido pela loira... Entrelaçaram as mãos novamente e continuaram o caminho no escuro. Estavam se divertindo como se aquilo fosse uma aventura. Após sair Kitty se virou, dando um selinho na morena e um beijo em sua testa, por puro carinho.

K: Te vejo amanhã?

M: Como?

K: Eu não sei, queria te levar pra sair... [sugeriu]

M: Tipo um encontro? [surpreendeu-se]

K: VAI ser um encontro! [Enfatizou, sorrindo]

M: Eu aceito! [corou]

Kitty sorriu radiante, segurou a mão da morena e a beijou, saindo logo em seguida. Marley a olhava encantada. A loira ligou o carro e arrancou, direcionando um lindo sorriso a ela antes de sair. Marley entrou em casa e fechou a porta, encostando-se nela, os olhos fechados, incapaz de se manter em pé. Seu corpo foi cedendo e ela sentou no chão. O que era aquilo? Ela estava completamente apaixonada por uma garota! Sorria se lembrando do quanto essa garota a surpreendia. Não parecia nem um pouco com a cheerio maldosa que conheceu. Ao mesmo tempo Kitty parava o carro numa rua qualquer, respirando fundo, as mãos apertando o volante com força. Ela precisava ter cuidado agora, não podia machucar a morena. Não queria machucá-la. Sabia que, apesar da calma que Marley demonstrou desde o primeiro beijo, ela era frágil, delicada, inocente. Não que ela não soubesse ser mulher, mas sua visão de mundo era diferente, e aquilo era uma inocência só dela. Sabia também que ela era sozinha antes de entrar no McKinley, sendo propensa a achar que não seria aceita aonde fosse, junte-se a isso uma contribuição das cheerios e dela mesma: Pronto! Autoestima baixando em 3,2,1... Parabéns Kitty, você fez um bom trabalho! Pensou, chateada consigo mesma. Ela não permitiria mais que Marley se depreciasse. Ela podia não enxergar, mas era linda, sexy, gostosa... Kitty desejava a morena, profundamente! Suspirava quando a via dançando, tendo que fazer um esforço descomunal para prestar atenção nos próprios movimentos. Mas precisava ir devagar também, deixá-la confortável ao seu lado. Marley nunca tinha tido uma relação assim, e ela estava disposta a fazer as coisas com a maior calma possível. Mas... Como ela iria fazer? Eram duas garotas afinal... Kitty nunca teve uma experiência que fosse com outra mulher antes. Precisaria conversar de novo com Santana. Fez uma anotação mental para se lembrar disso mais tarde. Não era hora também de pensar nisso. Estavam no início ainda, estavam se conhecendo, e ela não perderia nenhum detalhe dali em diante...

Notas finais
Kitty já não consegue ficar longe, haha (: espero que tenham gostado da interação das duas nesse capítulo... O próximo vai tratar do tal "encontro" delas (: