Notas iniciais
Primeira fic! haha, espero que gostem...

Marley.

Marley não entendia. Como uma pessoa podia ser tão cruel? Estava sentada no chão do banheiro do colégio, depois da aula, chorando. Não entendia... Ela era tão linda, como podia ser tão má? Repassou em sua mente o que tinha acontecido. Kitty havia chamado-a para uma conversa, dizendo que queria se desculpar por tudo que tinha feito de ruim na vida da morena e para dizer que aceitava que ela quisesse Jake e que ele a quisesse também. Mas tudo o que Marley encontrou quando chegou ao local combinado para a conversa foram todas as cheerios, incluindo Kitty, chingando-a e jogando raspadinhas em sua cara. Humilhada, sem conseguir se mover ainda escutou a loira falando em seu ouvido:

K: Você é lixo. Sempre vai ser. Eu sempre vou te botar no seu lugar, não seja bobinha, não se coloque no meu caminho [disse cruel].

Saiu correndo do local, encharcada, chorando. Entrou no primeiro banheiro que viu e começou a chorar. Chorava sem parar. Ficou horas ali. Não entendia esse efeito que a loira causava nela, que a deixava tão frágil e tão propensa a se machucar. Não entendia todo esse sofrimento. Mas o que ela não entendia mesmo era por que seu olhar se direcionava para Kitty toda vez que esta estava em seu campo de visão, por que sentia coisas tão estranhas quando a via cantando e dançando. Até sendo cruel a loira era linda. E Marley se doía por isso. Queria a loira para si, mas não entendia esse sentimento, esse desejo. Ela era uma garota e gostava de garotos até onde se lembrava. Mas quando conheceu Kitty, todo seu conceito de gostar e desejar alguém mudou, e isso não foi imediato. Ela sentia, mas não entendia, tinha achado até que estava apaixonada por Jake, mas não, ela sabia que não, sempre soube. Assustou-se ao escutar a porta do banheiro se abrindo violentamente. Uma pessoa entrou, chorando também. Não teve vontade de se mexer e nem de parar de chorar, quando a porta do box em que estava agachada chorando se abriu com violência também. Ela não acreditou em seus olhos, lá estava, em frente a ela, com os olhos azuis vermelhos de tanto chorar, a última pessoa que ela esperaria que entrasse naquele banheiro e a encontrasse naquele estado...

Kitty.

O que ela tinha feito? Não conseguia acreditar. Tinha chamado Marley para ter uma conversar séria, se desculpar de tudo o que tinha feito e dizer, embora isso lhe doesse, que o caminho estava livre para ela ficar com Jake. Os lindos olhos azuis a encararam, sem reação por um segundo, mas então a morena disse:

M: Cla... Claro! Eu te encontro aonde? [disse nervosa]

K: Naquela sala vazia, do lado da cantina [sorriu].

M: Ok! Vejo você lá!

Deu-lhe um lindo sorriso inocente e saiu. Kitty ainda ficou admirando-a andar por um momento quando Jessica, uma cheerio amiga sua perguntou:

J: O que está aprontando Kitty? Vamos humilhar a pobrinha da filha da mulher da cantina? [disse com um sorriso malicioso]

K: O que? [não entendeu]

J: Eu vi você conversando com ela, combinando de encontrá-la e devo admitir que você tem que fazer teatro, pois quase me convenceu do que disse à ela. Então... Qual o plano?

Kitty não teve o que dizer. Como ia explicar que ela pretendia realmente se desculpar com Marley? Sua popularidade estava em jogo, e ela ainda se importava muito com isso. Com a opinião dos outros. Quando deu por si todas as cheerios estavam planejando a melhor forma de estragar o dia da morena e ela se deixou levar pelo o que elas diziam. Talvez elas tivessem razão. Aquilo não era normal, aquele sentimento que ela tinha por Marley, ela precisava afastá-la, para que ninguém descobrisse. Precisava provar a si mesma que não se importava, mesmo que soubesse no fundo que se importava, e muito. Arrependia-se amargamente de tudo o que tinha feito de ruim com a linda dona dos olhos azuis que prendia tanto sua atenção. E lá estava ela, coberta de raspadinhas, os olhos fechados, se segurando para não chorar. Aquela cena lhe cortou o coração, mas ela não se deixou levar. As cheerios cobravam uma atitude sua então ela chegou perto de Marley e disse aquelas coisas em seu ouvido, fazendo a morena fugir; fugir dali, daquela humilhação, daquela garota que não entendia por estava fazendo isso com ela, que se deixava levar pela frieza, pelo que os outros esperavam que ela fosse. As cheerios gargalhavam e Kitty tentava entrar no clima, mas não conseguiu. Quando todas foram embora ela sentou-se em uma cadeira qualquer, um nó imenso formando-se em sua garganta. Sabia o que tinha feito, não podia negar para si mesma. Percebeu que não era assim que afastaria o que sentia. Pelo contrário, agora ela sentia culpa, nojo de si mesma, raiva. Segurou-se para não chorar, mas as lágrimas escorriam teimosas de seu rosto. Ela não impediu mais, chorou copiosamente, não precisa nem fazer esforço, as lágrimas apenas desciam. Ficou muito tempo assim, até que sentiu uma pontada em seu coração ao lembrar-se da surpresa no rosto da morena ao vê-la com todas aquelas garotas, a vergonha ao passar por aquela cena, o soluço que queria sair de sua garganta quando ela saiu correndo. Não aguentou, começou a chorar de soluçar, intensamente. Como ela era idiota! Saiu daquela sala estúpida, correndo até o banheiro. Todos os alunos já tinham ido para casa. Ela abriu a porta com violência e foi para o último box do banheiro, abrindo-o com violência também e não acreditou no que viu. Ali, sentada no chão, estava o corpo que ela tanto queria e admirava, estavam os olhos azuis que tanto amava, olhando-a num misto de dor e surpresa.

O desenrolar.

As duas se encaravam, ambas surpresas, ambas chorando. Kitty se afastou, não aguentava aquilo, se continuasse olhando Marley chorando por ela ia ter um colapso de verdade. Deu as costas e apoiou-se na pia, segurando-a com as duas mãos, a cabeça baixa, de frente ao espelho, tentando manter-se calma. Não viu quando a morena levantou, ainda chorando e se postou atrás dela. A cena de ver Kitty naquele estado tinha partido o coração dela também.

M: O que houve? [perguntou chorosa]

A loira abriu os olhos e encarou o espelho, vendo Marley atrás dela. Frágil, mas preocupada. Como ela podia ser assim? Depois de tudo o que Kitty tinha feito ela estava mesmo se preocupando?

K: Por que você está me perguntando isso? [respondeu no mesmo tom choroso]

M: Você está... Chorando... Muito [soluçou]

K: Você também, e por minha causa [sua voz era carregada de arrependimento].

Marley soltou o ar num outro soluço. Kitty não se aguentou e virou-se, dizendo:

K: Desculpa! Por favor, me perdoa, eu não... [soltou de uma vez, parando logo em seguida, sem saber o que falar].

A loira diria que não queria ter feito aquilo? Então por que fez? Parecia sem sentido. Marley fechou os olhos, respirando fundo. Por que a cheerio estaria chorando? Seria por causa dela? Na mesma hora ela balançou a cabeça. Mas que ideia ridícula, pensava. Ela devia estar chorando por algo que realmente importasse a ela. Ela devia tê-la encontrado por acaso no banheiro, depois de saber algo realmente desagradável e a fragilidade a fez pedir desculpas. Bem... Aquilo não deixava de ser lindo para Marley. Ela sempre soube que a loira tinha um coração. Sempre soube que ela se importava por trás de toda aquela frieza e de todas as palavras ácidas que saiam de sua boca. Kitty a olhava com atenção, tentando entender aquele comportamento. Ainda de olhos fechados a morena disse, chorando menos dessa vez:

M: T... Tudo bem... Não tem problema... [abriu os olhos]

Kitty se encantou e se sentiu mal ao mesmo tempo, os lindos olhos azuis estavam verdes de tanto chorar. Ela tinha aceitado suas desculpas, não entendia como.

K: Você está me perdoando? [estranhou]

M: Estou [enxugava as lágrimas]

K: Como? Por quê? Eu não entendo...

M: Não tem importância... Você está me pedindo desculpa, não está? Vai passar... Tá tudo bem...

A loira respirou fundo e conteve o choro. Não acreditava naquilo, via o quanto Marley se esforçava para dizer aquelas palavras, para perdoá-la.

K: Eu não queria te magoar, eu não sei explicar, não sei o que deu em mim dessa vez...

M: Por que você estava chorando? [cortou a loira]

K: Eu não quero falar sobre isso. [irritou-se, voltando um pouco à sua postura de cheerio má].

M: Talvez eu possa te ajudar.

K: Não vai, não pode. E não devia estar se importando com isso, depois do que eu te fiz. [disse sem uma expressão definida]

M: Mas eu me importo, de verdade [olhou-a significativamente].

Parecia que uma corrente elétrica tinha atravessado o espaço entre as duas. Agora que o choro passava estavam muito conscientes da proximidade, da presença uma da outra. Kitty emocionou-se ao ouvir que Marley se importava com ela, depois de tudo.

K: Eu infernizei sua vida, fiz piada da sua mãe, fiz piada de você, tentei te tirar o garoto que você gosta e, hoje mesmo, te preguei uma peça, te humilhei... Como você pode se importar comigo? [não entendia]

M: Eu não sei, eu simplesmente não consigo sentir raiva de você...

Droga! Marley estava brincando com ela? Era algum tipo de piada? A morena era inocente demais, doce demais... Tudo o que Kitty queria e precisava, sendo o completo oposto.

K: Deveria, eu não faço bem a você.

A morena estava confusa, seu próprio choro havia se transformado em preocupação pelo choro da outra. Eram sensações estranhas, dor e prazer ao mesmo tempo. Kitty a atraía, como um imã, era impossível não se sentir assim do lado dela, por mais que ela se esforçasse em lhe fazer mal.

M: Talvez a gente não se entenda, por sermos muito diferentes, mas eu não guardo rancor Kitty... Sei que você não é assim, apesar de ser tão má, não pode ser só isso. E uma prova do que eu acabei de falar é o que acabou de acontecer. Algo te deixou realmente mal, você não é tão fria como parece.

K: Eu sou.

M: Não, não é [aproximou-se].

A loira arrepiou-se quando a morena deu passos em sua direção. Marley ainda estava coberta de raspadinha, o que fez Kitty se sentir mais mal ainda quando a viu. Isso chamou atenção quando a morena se aproximou.

K: O que você ainda estava fazendo aqui afinal? [desconversou] Você está toda molhada, você tem que ir para casa...

M: Eu sei... É só que... Eu precisava de um momento sozinha. [falava triste]

A loira se doeu. Aproximou-se também. Os olhos azuis se encaravam. Kitty murmurou desculpa, olhando para baixo, mas logo depois levantou o olhar novamente, para aquele momento. Teria Marley noção do quanto aquilo a deixava nervosa? Tocou-a. pegou uma mão da morena e levantou, entrelaçando os dedos devagar, olhando para o que fazia. O toque era como fogo em brasa, para as duas. Kitty estava surpresa com o próprio ato, mais ainda quando Marley correspondeu, aceitando a mão da loira. Elas não se encaravam mais. Ambas olhavam para as suas mãos. Ambas se eletrizaram com o toque e não queriam parar. A morena suspirou, fazendo Kitty olhar para ela. Nunca seus olhos disseram tanto em sua vida, o coração batendo violentamente, podia jurar que seus rostos estavam se aproximando. E estavam. Elas se estudavam, cada traço do rosto uma da outra. Pararam a centímetros de se encostarem. Podiam sentir suas respirações. Marley descolou os lábios, o que fez com que Kitty sentisse seu hálito. Tão doce! Ficou tão entorpecida pela sensação que fechou os olhos e não aguentou. Avançou devagar no espaço que ainda restava entre elas e deu um selinho delicado na morena. O mundo parou naquele instante.

Notas finais
Primeiro capítulo bem leve, primeira interação das duas, vamos ver no que vai dar...