Não há outro amor para mim.
52 Ganho uma admiradora secreta.
Notas iniciais
Sabíamos que era a pior escolha. Emma precisava de mim, eu precisava de Emma, mas não podia pensar em outra coisa a fazer além de vê-la afastada por alguns meses, trabalhando e deixando a confusão com Lily de lado. Se pensar que para o diretor do filme e para ela o sucesso pode vir em dobro depois desse episódio de sábado no toalete feminino da festa da MBC, essa história não vai acabar tão mal. O único preço a pagar será sua ausência. Isso me lembra muito quando Emma ganhou seu primeiro papel no cinema e teve que vir para Los Angeles. Foi uma sensação ruim, horrível, como se eu fosse perde-la, mas suportamos e graças a isso somos casadas hoje.
Emma desligou o telefone e voltou-se para mim. Fui até ela e nos abraçamos com calma.
— O que ele disse? — perguntei.
— Que o papel é meu. — ela disse. — Devo ir para Vancouver na próxima semana.
A apertei ainda mais, porém, a olhei nos olhos e assenti.
— É, melhor ir logo para poder voltar logo.
— E também preciso ir rápido porque tenho o restante do seriado para gravar, isso se eles ainda me quiserem depois dessas polêmicas todas nos últimos meses. — seu tom era desanimador, eu sabia o porquê. Precisava apoia-la.
— Emma, eu tenho certeza de que isso é passageiro. Tudo bem, você andou na mídia por bastante tempo nesses últimos meses com toda essa coisa da gravidez, os boatos se íamos ou não adotar, mas você deve isso à boa atriz que sempre foi. Tirando o que houve por último, repórteres de revista querem inventar, mas eles não inventariam se não se interessem por você como atriz primeiro.
— Se está querendo me animar, não conseguiu, minha vida. — ela me olhou. — Eu estou sentindo um pouco de dor de cabeça, sobe comigo?
Fiz que sim.
— Claro.
Optamos por não ligar a TV do quarto. Emma não queria ver nada, nem a reprise de seu seriado, estava um pouco traumatizada com a repercussão da história de ter me defendido. Já que havia aceitado um novo papel no cinema, ela queria conversar. E àquela altura, nos lembramos exatamente da primeira vez que nos separamos por longo tempo. Seria inevitável ela não se lembrar do dia em que eu fui atrás dela no primeiro apartamento que ela e Ruby dividiram em Hollywood.
— Eu me lembro da sua cara quando me viu na porta. — eu disse, alisando seu braço, caída por cima dela na cama, debaixo das cobertas, já pronta para dormir, mas nossa conversa estava durando tanto tempo que nem notei a hora passar. — O que você sentiu me vendo ali?
— Primeiro achei que estava sonhando, ou participando de uma pegadinha. — ela riu. — Depois senti um frio na barriga, aquela coisa quando se vê quem a gente ama. Uma sensação de surpresa, felicidade.
— Então foi bom? — estiquei meu pescoço para vê-la.
— Foi maravilhoso. — Emma me trouxe mais para cima e me beijou lentamente. — Não proíbo você de fazer a mesma coisa em Vancouver. O que acha?
— Boa ideia. — voltei a me ajeitar sobre ela. — Engraçado, eu pensei em ir visita-la enquanto esteve fora naquela vez que esteve em Oklahoma, mas tínhamos brigado. É diferente, eu sei, mas eu precisava te ver, eu precisava muito de você.
— Fui uma boba, fiquei magoada por algo que não podia obriga-la a fazer.
— Ah, meu amor, já conversamos tanto sobre isso, superamos.
— Pode ser, Regina, mas ficamos mal uma com a outra. Você poderia ter ido me fazer uma surpresa, eu não recusaria, só não seria como da primeira vez.
— É, meu amor, não seria.
— Agora, com essa viagem de seis meses, não posso deixar você se sentir sozinha. Quero vir a cada quinze dias, quero vir a cada folga que me derem, eu não vou ficar bem se eu não puder voltar pra ver você.
— Sabe o que isso está parecendo? Discurso de marinheiro que deixa sua Donzela a espera quando parte para uma longa viagem no mar. — comecei a beijar o queixo de Emma, tentando provoca-la, aquilo sempre funcionava.
— Você é minha Donzela. — ela disse entre um riso nervoso.
— E você minha marinheira, é só olhar para seus braços, se parecem com braços de marinheiro. — falei, apertando exatamente seu braço esquerdo para comprovar e Emma mostrou o muque.
— Está aí uma personagem que eu gostaria de interpretar, uma marinheira.
— Quem sabe no próximo filme?
Swan decidiu afastar meus cabelos do rosto e me fitar bem.
— Quem sabe?
— Mas antes que pense que não gosto da ideia de esperá-la, eu quero sim que você venha em todas as suas folgas, ou eu peço uma licença do jornal, quer saber? Vou sentir falta de momentos assim, momentos em que posso sorrir com você, conversar e me sentir segura.
— Eu também, muito mais do que você imagina.
— Se sente um pouco melhor agora?
— Quer mesmo saber?
Assenti curiosamente.
E a resposta de Emma foi um beijo nos meus lábios. Mas não era um beijo suave, muito menos lento, era um beijo acalorado, saudoso, daqueles que só parávamos quando perdíamos o fôlego. Havia Alguma dúvida de que consegui fazê-la se sentir melhor?
Durante a semana, os programas e jornais continuavam atrás de mais boatos para contar da briga de Emma. Basicamente nada mudou, ainda mais depois de quarta-feira, quando foi ao ar uma entrevista ao vivo com Lily que aproveitou o espaço para inventar mais uma dúzia de coisas que aconteceram entre ela, Emma e eu. Nossos telefones não paravam, eu precisei desligar meu celular depois de discutir com uma colega jornalista que insistia em dizer que eu e Lily éramos amantes, para colocar em sua coluna no jornal. A coisa foi ficando feia e se tornou um inferno depois desse dia quando descobri que fotógrafos andavam rondando Emma e me esperando sair da MBC todo final de tarde, atrás de algum flagrante. Para meu amparo, Killian se ofereceu para me buscar todos os dias em seu carro e me levar para casa de forma que ninguém desconfiasse.
Quando a semana virou, já não haviam tantos fotógrafos atrás de nós duas, mas não podíamos bobear nos lugares onde íamos, então quando chegou o dia dela ir para Vancouver, preferimos pedir um taxi e nos despedirmos em casa.
— Você sabe que eu odeio despedidas. — ela me dizia, segurando minhas mãos perto de seu coração. Estava tão linda vestida com um suéter cor de rosa claro e calça jeans.
— Eu sei, mas isso vai passar, isso vai acabar logo, pense que o tempo vai voar e enquanto isso, sua mulher estará aqui pra você.
— Promete? — ela perguntou de um jeito tímido.
— Prometo. — respondi com grande seriedade a ela.
— Eu te amo. — sussurrou.
— Eu também te amo.
Demos um abraço em meio as enormes malas que Swan estava levando consigo e a beijei. Espero que ela consiga vir mais que duas vezes ao mês me ver, porque vou sentir falta do gosto de menta que a boca dela tem por escovar muito os dentes ou porque gosta de mascar Chiclets.
O taxi de Emma chegou e ela se despediu de Pongo. Ele com certeza vai sentir muito a falta dela, porque normalmente é quem o leva para passear e dá de comer. Mas eu prometi cuidar bem dele enquanto estivesse fora.
Ajudei minha mulher com as malas e antes que ela entrasse no taxi quis beijá-la de novo.
— Boa viagem, meu amor. — eu disse em seu ouvido, enquanto terminávamos o abraço.
— Obrigada, vida, e você se cuida. Eu ligo quando chegar. — ela disse, me selando uma última vez e beliscando levemente minha bochecha direita.
Ela entrou no taxi, bateu a porta do carona e falou com o motorista, depois desceu o vidro da janela e me jogou beijos dizendo baixinho vários “Eu amo você”. Acenei em resposta e a vi deixando a rua no carro. Esperei até ele virar a esquina e voltei para dentro de casa, sentindo um enorme vazio. Era sempre assim quando Emma viajava. Devia ser para ela também quando eu tinha de me ausentar. Acontecia muito com casais apaixonados como é nosso caso, mas para princípio de conversa estávamos nos saindo bem.
Ainda era cedo e eu mal tinha me arrumado para ir trabalhar. Acabei fazendo isso, tomei um banho longo, troquei de roupa e fui para a emissora, pensando em ir ao orfanato no final do dia visitar Henry e as crianças, mas diante das histórias que haviam espalhado sobre nós na televisão e nas revistas, achei melhor dar um tempo também para ir. Acho mais certo deixar a poeira baixar, pois do jeito que Los Angeles é, não seria difícil recusarem meu pedido de adoção de Henry só porque minha esposa está com a fama temporária de mulher violenta e eu de traidora.
A fofoca de hoje no rádio era que eu apanhava de Emma, e que essa provavelmente era uma das razões para ter pedido o divórcio na nossa última crise. Acabei achando graça das coisas que inventavam e a cada nova história, mais risada eu dava, imaginando quando todo mundo se cansaria de falar de mim e de Emma. Eu sabia quando aquilo acabaria, quando Lily resolvesse parar de mentir e alimentar a imprensa que faz polêmicas.
Acostumada a rotina de ninguém querer papo comigo a não ser meu amigo Archie, trabalhei normalmente, tirando o fato de que a edição de hoje do jornal era um pouco mais longa por conta da cobertura de um grande evento de esporte que estava ocorrendo no país. Eu devia continuar para apresentar os plantões ao decorrer da tarde e fazer minhas edições, então depois do meu solitário almoço às duas e meia, voltei para meu escritório, estalando os dedos, a fim de começar a digitar as matérias, mas um dos contrarregras bateu na porta e entrou pedindo licença.
— Regina, a senhora Maleficent está chamando você no escritório central.
— Maleficent? O que ela quer comigo? — me assustei em saber que Maleficent queria falar comigo. Depois de tantos dias só podia ser coisa ruim. Felizmente, eu estava enganada.
— Ela não informou, mas parece ser assunto importante. — terminou o rapaz.
— Obrigada, eu já estou indo. — disse, me levantando da cadeira que mal havia esquentado.
Cinco minutos mais tarde, cheguei ao escritório de Maleficent, suando frio, sob meu blazer de apresentadora de jornal, sabe-se lá porquê. A secretária me pediu para esperar e sentei no sofá esperando ser chamada porque alguém dentro da sala falava alto... muito alto.
— O que eu disse às emissoras foi tudo o que passei, Maleficent, você precisa acreditar em mim.
Eu reconhecia aquela voz enjoada. Era Lily.
A mulher disse mais algumas coisas que não entendi por sua voz ter ficado um pouco abafada.
— Você vai chamar aquela mulher para vir aqui? Não é uma ideia boa. — essa parte eu entendi.
— Não vou chamar ela, eu já a chamei, Lilian. — respondeu Malefi, que em seguida abriu a porta de sua sala e me viu sentada a espera. — Entre, Regina.
Eu a vi, me contendo para não tremer. Não estava com tanto medo assim, se quer saber, na verdade eu tremia de ódio por precisar encarar Lily de novo, e quando entrei na sala, a vontade de apertar o pescoço dela só aumentou.
— Regina, sente-se, por favor. — disse, Maleficent, me mostrando um lugar um pouco distante de Lily, a sua frente. A mocinha me olhava com os olhos esbugalhados. — Chamei você porque temos, ou melhor, devemos esclarecer uma coisa. O que de fato aconteceu no banheiro do teatro entre você, Lilian e Emma, na festa da MBC? — ela dizia aquelas coisas, sentando-se em seu lugar, me olhando de uma forma muito séria.
— O que aconteceu? A senhora quer que eu explique? — questionei, franzindo o cenho, apontando para mim mesma.
— Sim, eu quero que diga o que aconteceu, tudo, na integra, repita aquelas coisas que me disse na sua casa quando estive lá. — Maleficent esperava eu começar.
Engoli em seco, vendo de canto de olho Lily congelar na cadeira, ela não esperava que Malefi nos colocasse lado a lado.
— O que aconteceu naquela noite foi que eu me dirigi ao toalete feminino para retocar minha maquiagem, e também para me conter de fazer ou dizer algo à Lily na mesa, pois ela me incomodava pela forma como estava olhando para você e para mim, Maleficent. — disse, sem receio, olhando diretamente para minha chefe.
— Muito bem, prossiga. — pediu ela.
— Bom, pouco depois que entrei, Lily chegou, me impedindo de sair porque queria me dizer que eu não devia falar mal dela, e insinuando que a senhora e eu teríamos um caso. — quando falei, vi Lily se mexer inquieta. Ela tomou ar para dizer algo, mas Maleficent fez um educado sinal com os dedos para impedi-la. — Eu neguei o que ela dizia, mas não funcionou, então, quando tentei sair novamente do recinto, ela me empurrou com força contra uma das paredes e me ameaçou, ainda dizendo que tinha certeza absoluta que nós duas tínhamos um caso. Emma chegou em seguida e ouviu tudo. Minha mulher me defendeu apanhando Lily pela roupa e batendo nela. Não vi muito bem o começo, mas Emma socou muitas vezes o rosto dela, até nosso amigo Killian chegar e apartar as duas.
— Então você não nega que Emma bateu em Lilian?
— Não, senhora.
Maleficent fez que sim, muito satisfeita com o que eu havia contado.
Olhei para o lado e vi direito como estava o rosto de Lily. Embaixo do olho direito uma mancha roxa, na bochecha do lado esquerdo um a ferida que cicatrizava e no queixo outra mancha roxa protuberante. Não era possível que Emma tenha feito um estrago daqueles. Bem, acho que preciso entender que foi mesmo minha mulher que fez aquilo. Mais um pouco e Lily teria de fazer uma plástica.
— Lilian. Você quer me contar sua versão da história mais uma vez? — minha chefe perguntou à moça.
— Olhe, a verdade é que Emma quase me matou, eu não pude me defender... — ela tentava argumentar.
— Não foi isso que perguntei. Você vai me contar sua versão da história ou vai contar o que disse na entrevista à outra emissora com a qual conversou sem autorização na semana passada? — Malefi ficou sem paciência.
— Não, Senhora, acontece que eu fui agredida. — Lily se virou para mim. — Vou processar sua mulher, vou processar você!
— Não mude de assunto, Lilian. Por que é tão difícil dizer o que aconteceu na festa? O que você quer omitir? Regina está errada no que contou ou não? — repetiu Maleficent.
Lily ficou desconcertada. Coçou os cabelos, fez uma careta, revirou os olhos. Tudo. Mesmo assim, não tinha qualquer argumento verdadeiro para contrariar minha explicação.
— Eu vou perguntar uma coisa e quero que me responda a verdade, caso contrário, as minhas providências não serão ao seu favor. — Malefi apertou os dedos sobre o vidro de sua mesa. — Você foi ao banheiro do teatro com o intuito de provocar Regina Mills ou não?
Lily sabia que estava com a corda no pescoço. Fechou os olhos e pensou, mas pensou com cautela. Demorou um minuto inteiro até abrir a boca de novo. Isso estava me deixando com um terrível frio na barriga.
— Sim. — respondeu. Sua expressão parecia a de uma atriz muito ruim que tentava fazer cara de choro, não convencia em nada. — Sim. Eu fui ao banheiro para dizer que me sentia indignada pelo fato de Emma estar sendo traída.
— Você inventou essa história de que eu e Regina tínhamos um caso?
Ela assentiu, fingindo estar chorando, o que também foi horrível.
— Desgraçada! — falei, baixinho a mirando ressentida.
— O que houve, Regina? — Malefi ouviu.
— Nada. Eu não disse nada.
— Está bem, eu já entendi. Você pode se retirar, já é o bastante. Já basta tudo o que você inventou. Acho que você ter apanhado de Emma foi pouco. — ela falou à Lily que se levantou com a ajuda da secretária por estar muitíssimo abalada. O que aconteceria depois eu fiquei sabendo naquele momento. — Regina, você pode ficar.
Esperei Lilian ser carregada para fora da sala, vendo-a fazer um drama digno de novela mexicana. Ela dizia:
— Por favor, Maleficent, eu não tenho culpa, não me demita...
E a porta da sala atrás de nós se fechou.
Me voltei à minha chefe que segurava uma caneta nas mãos e mostrava um sorriso fechado.
— Acho que devo pedir desculpas a você, Regina. A você e principalmente à Emma.
— Tudo bem, já passou. Vamos esquecer isso. Lily reconheceu que mentiu e fez uma coisa muito feia.
— Ela fez mais que uma coisa feia, ela espalhou notícias falsas, ela difamou você e sua esposa, ela tentou me colocar no meio e conversou com quem não devia sem autorização. Você sabe o que eu vou fazer? Vou obriga-la a pedir desculpas a você publicamente e consertar toda essa história. Me sinto péssima em ter duvidado de vocês em um primeiro momento e quero fazer de tudo para que esse episódio se apague.
— Eu estarei tranquila apenas com o pedido de desculpas dela, os boatos minha mulher e eu sempre contornamos. — disse eu, ajeitando o colarinho da blusa que vestia por baixo do blazer azul.
— Ouça, estou investigando com os funcionários sobre Lilian desde a semana passada. Ela criou problemas para muita gente dentro da emissora. Eu lhe asseguro que ela não trabalhará mais aqui. Regina, se tiver alguma coisa que eu possa fazer por você e Emma, me diga, não gostaria que houvesse esse clima pesado entre nós. Ainda somos amigas, não somos? — ela pareceu preocupada.
Eu havia ficado chateada com Maleficent antes, mas agora, percebendo o que ela tinha feito para saber da verdade me deixava admirada.
— Claro que somos. Eu confesso que estava muito aborrecida com tudo isso. Obrigada por ter decidido confiar em mim.
Ela me deu um sorriso e falamos sobre esse assunto e outras coisas que nos fez esquecer do tempo. Quando me dei conta, era hora de voltar ao estúdio para gravar o plantão da tarde do jornal.
Malefi ficou espantada ao saber que Emma havia viajado e que havíamos escolhido juntas essa viagem de trabalho dela. Ganhei mais uma guarda-costas caso fosse necessário. Já havia Killian que me ligava todos os dias para saber como eu estava e agora minha chefe me oferecendo ajuda quando eu precisasse.
Bom, saí da sala dela leve como pluma. Como se tivessem tirado uma tonelada das minhas costas. Mas também me dei conta de que Emma não estaria em casa para saber da novidade, de que aquele pesadelo de quinze dias havia acabado.
Voltei do estúdio amuada. Sei que devia me sentir o contrário, mas ir para casa sem meu incentivo, sabendo que ela não vai estar lá quando eu chegar e, será assim por seis meses, me deixa completamente sem ânimo.
Peguei uma foto sobre minha mesa, Emma e eu na praia no nosso início de namoro e a olhei. Eu estava prestes a beijar o retrato quando ouvi alguém bater à porta do escritório.
— Pode entrar. — eu disse.
Era Archie, trazendo de forma atrapalhada uma caixa de presente, flores e um bilhete.
— Chegou isso para você lá na portaria, mandaram entregar rápido. — ele falou, enquanto me entregava todas aquelas coisas.
— Quem mandou tudo isso? — perguntei assustada, sem saber o que fazer, mais enrolada que Archie com aquelas coisas na mão.
— Não disseram. Bem, é só isso. Até logo, Regina.
— Até logo, Archie. Obrigada. — agradeci, ajeitando as flores na minha mão e colocando a caixa sobre a mesa.
Haviam me enviado um buque de rosas, que mais se pareciam rosas daquelas que as noivas carregam quando entram na igreja. Estranhei, jamais haviam me enviado coisa do tipo. Nem era meu aniversário para tal coisa acontecer. Podia ser um fã. Podia ser qualquer coisa, eu realmente não sabia quem havia me mandado aquilo.
Cheirei as rosas, eram muito bonitas e estavam bem embaladas, o que me fez as colocar com cuidado num vaso que estava vazio há muito tempo num móvel do escritório. Assim, pude pegar o bilhete que veio ao lado da caixa que era uma caixa de bombons importados. Abri o pequeno cartão com pressa e tinham coisas escritas, mas não era com a letra de ninguém que eu conhecia.
“Doces e rosas para a pessoa mais doce e suave como rosa que um dia conheci. Espero que tenha agradado.”
De sua admiradora.
Li o bilhete três vezes e não fazia ideia de quem havia me mandado aquilo, e pelo jeito não saberia tão cedo. Só conseguia pensar naquelas últimas palavras. Parece que tenho uma admiradora secreta.
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